quinta-feira, fevereiro 05, 2026

“ZAFARI”

Foto: Vitrine Filmes
“Zafari”, sexto longa-metragem da venezuelana Mariana Rondón. Ela é uma cineasta que realiza obras sempre focadas pelas crises sociais e econômicas que atingem seu país, a Venezuela, Rondón imagina em “Zafari” uma sociedade distópica, onde a população enfrenta a ausência das regras sociais, a falta de trabalho e, sobretudo, de comida; um mundo no qual a fome pode transformar humanos em selvagens. A diretora mistura elementos de suspense e de terror, com a narrativa podendo ser vista como a metáfora de uma Venezuela fraturada.
A trama foca em uma família que mora em frente a um pequeno zoológico em Caracas, onde a chegada do hipopótamo Zafari é comemorada por vizinhos de diferentes classes sociais.
A família de Ana (Daniela Ramírez) e Edgar (Francisco Denis) vê o prédio onde mora ser abandonado aos poucos. Ela passa os dias percorrendo os corredores e invadindo os apartamentos em busca de comida deixada por quem foi embora para outro país. E emigrar é o sonho deles, mas para tanto, precisam de dinheiro para a viagem.
E da janela do apartamento deles, acompanham os moradores mais pobres da região invadindo o condomínio e se refrescando na piscina. E o hipopótamo Zafari é o único que ainda tem o que comer. Sua rotina alimentar e seu corpo arredondado despertam sentimentos inesperados em quem encara privações.
Rondón explica que decidiu contar o filme como uma fábula distópica. “Para nós era realmente importante realizar esse filme e apresentar ao espectador a pergunta: até onde seríamos capazes de chegar se isso acontecesse com a gente? Conseguiríamos permanecer estáveis? Conseguiríamos ter um sistema ético? Ou simplesmente viveríamos em um mundo selvagem sem trégua?”, questiona.
Já Marité Ugás, corroteirista do filme, o encontro da ironia com o cinema de gênero ajuda a tocar nos temas que são caros à dupla de cineastas: “Todos os elementos apontavam para a necessidade de dar um passo em direção ao suspense e também um pouco ao terror. Mostrar a sensação física da fome nos pareceu importante para contar a história”, finaliza.
Ah, e não confundir Zafari, o hipopótamo, que é uma homenagem a um hipopótamo que realmente teve um final trágico em Caracas, e se chamava Safari, com a rede de supermercados gaúcha Zaffari.
Cotação: ótimo
Duração: 1h40min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=PKPtCxIzFmw

“O SOM DA MORTE” (Whistle)

Foto: Paris Filmes
“O Som da Morte” (Whistle) é dirigido por Corin Hardy (de A Freira), e estrelado por Dafne Keen, conhecida por seu papel como Laura em “Logan” (2017), e Sophie Nélisse, de “A Menina que Roubava Livros” (2013).
O filme de terror apresenta um grupo de estudantes do ensino médio (todos os atores com mais de 25 anos interpretando adolescentes de 15, 16 anos...) que depois de uma antipatia inicial, acabam tendo de se unir contra uma força sinistra: um antigo apito fúnebre asteca. Quando assoprado, o instrumento, que meses antes já havia matado o astro do basquete da escola, solta a morte, que passa a caçá-los.
Sim, é uma versão de Premonição. Porém, aqui o diferencial é que os jovens acabam vendo suas futuras mortes os perseguindo – poderiam viver décadas, mas morrem como seria no futuro. Enfim, uma salada.
As mortes vão aumentando, no meio de tudo isso, ainda aparece um pastor traficante de drogas que não faz o menor sentido na história. E os jovens são tão irritantes, que o espectador acaba torcendo pelo fim deles.
A única coisa que se salva é a trilha sonora, que tem Iron Maiden. E era isso.
Cotação: ruim
Duração: 1h37
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=R1I1jOD9Mo4

“ZAFARI”

Foto: Vitrine Filmes “Zafari”, sexto longa-metragem da venezuelana Mariana Rondón. Ela é uma cineasta que realiza obras sempre focadas pela...