quarta-feira, outubro 21, 2026

CURTA-METRAGEM “REVERSO”, FILMADO EM VIAMÃO, DISPUTARÁ PRÊMIO EM LOS ANGELES

Fotos: CF Arte Nativa
Curta “Reverso”, gravado em Viamão, é indicado em festival de cinema em Los Angeles. O filme foi produzido pela CF Arte Nativa e dirigido por Gabriela Ono, e terá estreia mundial em novembro de 2026, no Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF), concorrendo ao prêmio de Melhor Direção de Fotografia.
A produção, realizada com talentos locais e direção de uma cineasta brasileira radicada nos Estados Unidos, leva o nome da cidade para um dos principais palcos da cultura brasileira no exterior. O filme foi indicado na categoria Melhor Direção de Fotografia, trabalho assinado por Vagner Farias, produtor audiovisual e fundador da ComVê.
A cerimônia de premiação acontece em Los Angeles, no dia 5 de novembro. A história de “Reverso”, com roteiro de Helena Horta e Gabi Fly, acompanha uma jovem poetisa para quem poesia e rap nascem da mesma inspiração. Quando ela transforma seus versos em batalhas de rap, entra em conflito com a mãe, que se recusa a enxergar o rap como arte. Ao contar essa história, o filme também explora a presença das comunidades de rap da cidade de Viamão.
Produção local com olhar internacional, “Reverso” é uma realização da CF Arte Nativa, produtora cultural de Viamão, comandada por Fabiano Maciel Ferreira, que também atua como produtor do filme. Foi ele quem convidou a diretora Gabriela Ono para conduzir o projeto. Brasileira com carreira em Los Angeles, Gabriela Ono foi indicada ao Emmy em 2022. A parceria uniu a experiência da indústria audiovisual norte-americana à produção cultural do Rio Grande do Sul, resultando em um filme gravado em Viamão. Para Fabiano, a indicação tem um significado especial. “Ter o nosso primeiro trabalho no audiovisual ser reconhecido em Los Angeles é um marco incrível para a Arte Nativa”, afirma.
A indicação de Vagner Farias destaca o trabalho de direção de fotografia desenvolvido no filme. Com atuação no mercado audiovisual por meio da ComVê, o profissional reforça o nível técnico da produção regional. “Ser indicado ao prêmio neste importante festival de cinema brasileiro nos EUA foi uma alegria muito grande. É o reconhecimento do trabalho de uma vida inteira. E estar concorrendo ao lado de tantos filmes incríveis me deixa emocionado. Agradeço a toda a equipe do Reverso pela confiança e parceria”, disse Vagner.
A CF Arte Nativa é uma produtora cultural sediada em Viamão, comandada por Fabiano Maciel Ferreira. Ele tem trajetória dedicada à formação cultural e ao fortalecimento da cadeia produtiva da cultura. Entre seus projetos estão “Carnaval, da Imaginação para a Avenida”; “Brilhantina no Cabelo”, um musical “Very Bagual”; “Batida Ancestral”; o Intercâmbio Cultural Arte Nativa; o Festival 3Fs; o Seminário Cultural Viamonense; o Fest Folk Canoas; e o Fest Arts Viamão. “Reverso” é o primeiro trabalho da produtora no audiovisual.
Serviço
Filme: Reverso (curta-metragem)
Estreia mundial: Los Angeles Brazilian Film Festival, novembro de 2026
Premiação: 5 de novembro de 2026, em Los Angeles (EUA)
Indicação: Melhor Direção de Fotografia (Vagner Farias)
Direção: Gabriela Ono
Produção: CF Arte Nativa (Fabiano Maciel Ferreira)
Direção de fotografia: Vagner Farias (ComVê)
Locação: Viamão (RS)

“CARA-DE-BARRO” (Clayface)

Fotos: Warner Bros. Pictures
Com direção de James Watkins, “Cara de Barro” (Clyface) traz a origem de um dos maiores vilões do universo DC, inimigo mortal de Batman em Gothan City. E o filme é muito diferente das histórias em quadrinhos levadas às telas, pois é uma obra soturna, violenta e depressiva. O roteiro é assinado por Mike Flanagan e Hossein Amini, e funciona quase como uma história independente das HQs.
Na trama, Matt Hagen, vivido por Tom Rhys Harries (excelente), é um ator que vive o auge da fama e da fortuna, quando acaba se envolvendo com a namorada de um gângster, Markos Szabo (David Dencik) e acaba tendo o rosto desfigurado à navalhadas. A partir daí, a vida de Hagen entra em queda livre e o ator perde tudo, emprego, dinheiro, casa e ainda é acusado de ter assediado a mulher do vilão.
Eis que surge, então, uma cientista, Caitlyn Corr (Naomi Ackie), que está desenvolvendo um projeto de regeneração de pele e usa Matt como cobaia. Ela é noiva do policial John Borelli (Max Minghella, filho do ex-diretor Anthony Minghella), e parece ser o único detetive na cidade – uma das falhas do filme. Matt acaba tendo o rosto regenerado, e busca recomeçar a sua vida. No entanto, a fórmula apresenta efeitos colaterais, fazendo com que o rosto e também o restante do corpo do protagonista derreter.
E cada vez que o personagem recebe injeção da fórmula, seu corpo vai reagindo, até chegar ao poder de ele poder assumir o rosto de qualquer pessoa. Assim, fica fácil para Matt buscar vingança e se livrar daqueles que o prejudicaram.
Aí vai outro detalhe que a produção deixou passar. No início das mutações, ao poder adquirir as feições de qualquer pessoa, as suas roupas permanecem as mesmas. Mas quando a história fica mais violenta e sem tempo para detalhes, Matt assume a face e também as roupas daqueles que ele assume as formas.
A trama, também, lembra outras obras sensacionais do gênero – estão lá referências explícitas a “A Substância”, “A Mosca” e o que mais se assemelha, “Darkman – Vingança Sem Rosto”, clássico absoluto de 1990, dirigido por Sam Raimi e com Liam Neeson como protagonista. E sim, “Cara-de-Barro” não é apenas um filme de origem, mas sim uma obra de terror. E que terror.
Duração: 1h48min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=qBm3uYQEJXg

“MESTRE ZU”

Fotos: Mapa Filmes do Brasil
O documentário “Mestre Zu”, com direção de Zelito Viana e codireção de Luciana Savaget, revisita a trajetória do jornalista, escritor, professor e membro da Academia Brasileira de Letras, Zuenir Ventura (1931-2026).
Zuenir é considerado um dos pilares do moderno jornalismo brasileiro, e apelidado carinhosamente de Mestre Zu pela postura com que sempre tratou tanto os mais jovens quanto os companheiros de sua geração.
Com carisma e senso crítico afiado, Zuenir conduziu as mais importantes redações do país, como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, Jornal do Brasil e O Globo, além das revistas O Cruzeiro, Veja, Época e IstoÉ. Em mais de 60 anos de carreira, nunca perdeu o seu DNA de excelente repórter.
A produção recupera a vida de Zuenir, nascido em Além Paraíba (MG), mas passando a juventude humilde em Nova Friburgo (RJ), onde trabalhou como pintor de paredes, boy de banco e caixeiro de loja para custear os estudos. A narrativa ressalta o papel determinante de sua mãe, que lavava batinas para garantir a sua bolsa em um colégio salesiano.
Após mudar-se para o Rio de Janeiro para cursar Letras Neolatinas, ingressou no jornalismo e iniciou uma carreira marcada por coberturas decisivas. Entre elas, destacam-se a sua atuação como intérprete de João Goulart em Paris e a sua prisão durante a ditadura militar após o AI-5, quando dividiu cela com Hélio Pellegrino.
O filme reflete a sua capacidade de unir o rigor da apuração com a sensibilidade da literatura em grandes reportagens e livros fundamentais, como “1968 – O Ano Que Não Terminou”, “Chico Mendes”, “Cidade Partida” e “Inveja – Mal Secreto”.
O documentário é construído também por relatos de familiares, amigos e companheiros de redação, entre os quais Ancelmo Gois, Caca Diegues, Fernando Gabeira, Míriam Leitão, Nelson Motta, Paulinho da Viola, Regina Zappa e Silvana Gontijo. Zuenir Ventura faleceu aos 95 anos, em 22 de setembro de 2026.
Duração: 70 min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=tXUkpfc-JsM

“AO SABOR DAS CINZAS”

Fotos: Autorias Filmes
“Ao Sabor das Cinzas” é dirigido por Taciano Valério, autor de “Pingo d’Água”, e com roteiro dele, ao lado de Vanderson Santos e Carla Francine.
A trama mostra duas irmãs que não se entendem, Bethânia (Verônica Cavalcanti) e Laura (Maria Lima), mas que precisam se unir após a morte do pai, Seu Lauro (Everaldo Pontes). O corpo dele simplesmente desapareceu do necrotério do hospital em que morreu. As duas descobrem que o corpo está sendo levado para uma cidade do agreste pernambucano, sendo que a ideia era enterrar o pai na cidade onde ele morava. As duas põem o pé na estrada.
Ao mesmo tempo, acompanhamos dois funcionários da funerária responsável pelo corpo de Seu Lauro, fazendo a viagem para entregá-lo na outra cidade. Ou seja, o filme vira uma espécie de road-movie.
Paralelamente, vemos a filha de Bethânia, Isadora (Isadora Gibson), produzindo vídeos sobre os segredos da própria família – mostrando os podres do avô e também do pai, que tinham uma empresa de exportação.
Além de road-movie, “Ao Sabor das Cinzas” também tem traços de suspense policial e realismo fantástico – Seu Lauro levanta do caixão, pede um cafezinho, fuma um cigarro e conversa com a funcionária da funerária.
“Ao Sabor das Cinzas” tem como diretor de fotografia, Breno César, e foi montado por João Maria, que assinou “O Som ao Redor”. O elenco reúne Everaldo Pontes, Verônica Cavalcanti, Maria Lima, Isadora Gibson, Bruno Goya, Geyson Luiz, Buda Lira, Rizonir Silva, Guilherme Milleron, Rita Assis, Rosberg Adonay, Clécio Vila Nova, Adélio Lima, Aretha Luna e Maria das Nuvens.
Duração: 1h24
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=4Ih3luOfvXw

quarta-feira, outubro 14, 2026

“DENTRO DA BALEIA” (Whalefall)

Fotos:20th Century Studios Brasil
“Dentro da Baleia” (Whalefall), direção de Brian Duffield, abusa da boa vontade do espectador. Tudo bem que cinema é uma arte que pode explorar qualquer situação imaginária – tanto que estão aí os filmes de monstros, alienígenas, religiosos, catástrofes.
E em “Dentro da Baleia”, temos como protagonista o traumatizado Jay Gardiner (Austin Abrams). O pai, Mitt (Josh Brolin), com uma doença incurável, se suicidou, jogando-se no mar, para se poupar de mais sofrimento. Um ano depois, o filho, em luto e após reencontrar a mãe e as irmãs, decide mergulhar para tentar encontrar os restos mortais de Mitt.
Jay entra nas águas de uma praia proibida para mergulho e extremamente vigiada, depois de diversas mortes no local. Ao mergulhar e ir cada vez mais fundo, o jovem acaba se deparando com uma baleia cachalote e o pior acontece, com ele sendo engolido pelo animal.
Depois de quase meia-hora mostrando a relação tumultuada de Jay com o pai, finalmente o filme engrena, com o garoto tentando sobreviver dentro do gigantesco animal, com flash-backs dele com Mitt. E “Dentro da Baleia” vai nesta toada quase sonolenta, com cenas totalmente inverossímeis. Sendo que Jay entrara no mar com um tanque de oxigênio feito para durar apenas uma hora...bem...vamos lá, é ficção. Mais daqui não posso passar, para não contar o final.
Porém, a premissa de “Dentro da Baleia” contraria todas as leis científicas. Até é possível um ser humano entrar na boca de uma baleia, mas é completamente impossível passar da garganta para o estômago, como mostra o filme.
Na prática, os raros registros reais de pessoas que foram engolidas por baleias mostram que o susto durou apenas alguns segundos, terminando com o animal cuspindo o humano de volta ao mar.
A garganta de uma baleia é pequena demais, e no caso da baleia cachalote que engole Jay, ela é o único animal com garganta larga o suficiente para engolir uma pessoa. Contudo, eles vivem em mar aberto e caçam lulas-gigantes a profundidades que passam de mil metros, tornando um encontro com humanos praticamente impossível. E se isso ocorresse,, o humano morreria rapidamente por asfixia e ação dos ácidos gástricos no estômago.
Dito tudo isso, “Dentro da Baleia” é cansativo, apresentando personagens com quem o espectador não consegue se conectar – o pai é abusivo e controlador e o filho, um rebelde sem causa.
E sim, a história bíblica de Jonas e sendo engolido por uma baleia e sobrevivendo dentro dela por três dias é pura invenção. Balela de um livro de ficção. Ainda acho mais divertida a aventura de Pinóquio e Gepeto tentando escapar de dentro de uma baleia, acendendo uma fogueira dentro do animal.
Duração: 1h46min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=fU-hZ3SKo8s

quarta-feira, outubro 07, 2026

“DIGGER”

Fotos: Warner Bros.
“Digger”, direção do grande diretor mexicano Alejandro González Iñárritu (Babel, 21 Gramas e Amores Perros) é um filme farsa, ou seja, mostra uma coisa, mas na realidade é outra.
O protagonista da trama é o magnata do petróleo Digger Rockwell, interpretado por Tom Cruise, quase irreconhecível por trás de várias próteses, que o deixaram idoso e extremamente gordo (me lembrou o personagem vivido pelo ator no hilário “Trovão Tropical”). Digger vive em sua mansão, cercado de funcionários, que maltrata até além da conta, e extremamente carinhoso com uma gata que tem três décadas, e é praticamente moribunda.
Seu mundo começa a mudar quando uma operação de sua empresa no Ártico provoca uma rachadura gigantesca, após uma explosão de metano. Se formam então tremendos icebergs, e um parte descontrolado para o continente europeu. Uma reunião emergencial é convocada, com a participação de militares, cientistas e o presidente dos Estados Unidos, à beira da morte por conta de um câncer anal, vivido por um hilário John Goodman. Eles precisam achar uma solução para a crise ambiental, que poderá destruir toda a Europa.
Então, depois de várias tentativas de destruir o gigantesco iceberg, o filme toma uma virada completamente inesperada – e que não posso contar aqui para não dar um violento spoiler e estragar a surpresa.
“Digger” discute crise climática, influência dos Estados Unidos sobre o planeta e o poder dos grandes magnatas. A produção é grandiosa, bem dirigida, com uma excelente fotografia e Tom Cruise sem medo de interpretar um anti-herói. E além dele e John Goodman, tambpem se destacam Riz Ahmed, Sandra Hüller, Michael Stuhlbarg e Jesse Plemons.
Duração: 2h09
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=TWONhlEX_Nk

“A QUEDA 2 – NO LIMITE” ( Fall 2: Deadpoin)

Foto: Paris Filmes
“A Queda 2 – No Limite”, direção conjunta de Peter Spierig, Michael Spierig, é a continuação do ótimo e assustador “A Queda”, de 2022, que mostrava duas garotas presas no alto de uma torre, a 600 metros do solo. Eu, que tenho verdadeiro medo de altura, quase enfartei.
Agora, nesta sequência, inteligentemente a produção mudou o local de onde o pavor se instala. Nada de torres ou prédios altos. A trama, agora se passa em uma montanha, provocando muita tensão e pânico no espectador.
A história acompanha Jax (Harriet Slater), irmã mais velha de Shiloh (Virginia Gardner), que morreu no primeiro filme. Sofrendo com o luto, ela acaba aceitando, depois de muita insistência, o convite de Luce (Arsema Thomas), amiga de Shiloh, para homenageá-la subindo o Monte Kwan, na Tailândia.
Apesar da subida ser ilegal, pois considerada extremamente perigosa pelas autoridades, as duas conseguem a ajuda de Jon Platt (Tom Brittney), um guia norte-americano, exilado no país asiático. Evidente que as coisas irão dar errado, pois um terremoto provoca um deslizamento de terra e as duas presas ficam presas a mais de 900 metros de altura – o guia desaparece.
O terror se instala tanto na tela, quanto para os espectadores, vendo as personagens tentando escapar de uma queda terrível, sustentadas apenas por pequenas barras de ferro. E ainda com condições climáticas adversas para dar mais perigo para a trama, como fortes chuvas e ventos. Além do que, segredos começam a vir à tona durante os momentos de desespero das duas jovens, penduradas à centenas de metros em um paredão, onde qualquer deslize significa a morte.
“A Queda 2 – No Limite” acertou quando trocou o cenário da torre por uma montanha numa região paradisíaca na Ásia. E também a motivação das personagens. Porém, no final do filme, o roteiro conseguiu estragar uma boa história que estava sendo construída, fazendo os personagens tomando atitudes estúpidas e incoerentes.
Duração: 1h40m
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=VRUZXvWI7sA

CURTA-METRAGEM “REVERSO”, FILMADO EM VIAMÃO, DISPUTARÁ PRÊMIO EM LOS ANGELES

Fotos: CF Arte Nativa Curta “Reverso”, gravado em Viamão, é indicado em festival de cinema em Los Angeles. O filme foi produzido pela CF Ar...