quinta-feira, maio 07, 2026

COLETIVO AUDIOVISUAL TV OVO COMPLETA 30 ANOS, MOSTRANDO QUE CINEMA É PARA TODOS

Texto: Homero Pivotto Jr
Foto: Oficina Olhares da Comunidade EMEF Adelmo Simas Genro / Nathália Arantes
O PENSAMENTO COMUM no meio audiovisual, de que ninguém faz cinema sozinho, tem suas razões para existir. A quantidade de atores envolvidos em uma produção é uma delas – são profissionais de diferentes áreas, da direção à maquinaria, passando por produção, câmera, áudio e tantos outros. Foi com essa ideia do fazer em conjunto que a TV OVO, coletivo audiovisual de Santa Maria, projetou-se por três décadas.
Iniciada como uma oficina de vídeo na periferia (Vila Caramelo), a entidade celebra mais um aniversário com inúmeras conquistas. Entre elas: ser ponto de cultura certificado pelo Ministério da Cultura (MinC) desde 2005; ter sido autora e colaborado com diversos tipos de produções – desde videoclipes, passando por curtas, documentários (seu carro-chefe) ou ficção, até um longa-metragem premiado –; servir de espaço contínuo na formação de adolescentes e jovens; e atuar como fomentadora do setor, principalmente, mas não apenas, na região central do Rio Grande do Sul. Porém, diferentemente de um filme, que registra cenas de um tempo que já se foi, a TV OVO joga os holofotes para o presente e segue em frente, com projetos em andamento no audiovisual, mas um em especial, que é a continuidade da obra do seu centro cultural: o Sobrado.
“Cada ação que a TV OVO faz, enquanto coletivo, que é como a gente trabalha, sempre busca melhorar o que está posto, e isso importa mais do que qualquer adversidade encontrada pelo caminho nesses 30 anos. Então, tem muita doação, muita falta de recurso, mas também não nos falta motivação para ir adiante, trabalhando com a comunidade”, pontua Marcos Borba, um dos fundadores do coletivo, que ingressou no grupo aos 16 ano. A data que marca a efeméride de 30 anos é 12 de maio. Nessa dia, às 15h, está agendada uma sessão especial na Câmara de Vereadores de Santa Maria em homenagem à TV OVO. Antes disso, em 8 de maio, ocorre o lançamento no YouTube do filme “Cartas de Felippe” (que busca recuperar a arte e a política do santa-mariense Felippe D’Oliveira, expoente da literatura do início do século XX), dirigido por Marcos Borba.
As atividades celebrativas estendem-se por todo 2026, com diferentes iniciativas. Estão na programação, por exemplo, exibições gratuitas e o lançamento no YouTube do documentário “Morada”, dirigido por Neli Mombelli (contemplado pelo Edital 002/2023 da Lei Paulo Gustavo da Secretaria de Cultura de Santa Maria) – obra que traz reflexões sobre pertencimento, direitos estudantis e as marcas que carregamos, e deixamos, nos lugares por onde passamos. Também está em processo de finalização a série “Rock do K7”, dirigida por Marcos Borba e Neli Mombelli, que conta a história de 10 veteranas bandas de Rock Gaúcho. Esse projeto, que une música e cinema, tem financiamento do Instituto Estadual de Cinema do Rio Grande do Sul, Pró Cultura RS, Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura e Governo Federal - Brasil: União e Reconstrução, bem como apoio da Locall e a Finish como produtora associada.
Durante o Festival de Gramado de 2025, a TV OVO recebeu uma das conquistas mais marcantes de sua trajetória e que também marca a história de Santa Maria: foi agraciada com o Kikito de Melhor Longa-metragem Gaúcho e de Júri Popular para “Quando a Gente Menina Cresce”, dirigido por Neli Mombelli, aprovado no edital SEDAC n° 01/2022 – FAC Filma RS – Financiamento Pró-cultura RS. O primeiro longa da TV OVO, que discute a primeira menstruação e acompanha um grupo de meninas que vive a transição da infância para adolescência em uma escola pública na periferia, também recebeu Menção Honrosa para o elenco feminino.
“Somos reconhecidos por nossos documentários de curta-metragem, sempre relacionados a temas sociais. Então, quando decidimos produzir um longa, foi um mergulho num formato diferente e novo para todos nós. O reconhecimento do filme pelos dois festivais mais antigos e tradicionais do país, que são o de Gramado e de Brasília, nos deu imensa alegria, já que esse tipo de janela é dificílima de acessar. E isso também aumenta a nossa responsabilidade, para que possamos seguir fazendo mais e cada vez melhor”, reflete Neli, que está na TV OVO desde 2009 e é a atual coordenadora geral.
Desde o início, na Vila Caramelo, quando gestada em meio ao movimento das rádios e TV’s comunitárias, a TV OVO pautou sua atuação cultural na educomunicação e na coletividade. Essa postura rendeu reconhecimento nacional por meio dos prêmios Escola Viva (2007), Selo Cultura Viva (2007), Ponto Mídia Livre (2010), Selo e Prêmio Cultura Viva (2011), Ponto de Memória (2013) e Culturas Populares (2019). Reforça, ainda, a relevância da entidade, o fato de ter se tornado Pontão de Cultura, em 2009. A certificação possibilitou parcerias, acesso a recursos financeiros e mais visibilidade para projetos.
Lar do cinema no casarão de 110 anos
A TV OVO fica em uma área anexa ao casarão histórico (construído em 1916) na esquina das ruas Floriano Peixoto e Ernesto Beck. O espaço, adquirido pelo jornalista Marcelo Canellas e com escritura doada à TV em 2016 – como presente pelas duas décadas de serviços prestados – deve tornar-se um complexo cultural. A proposta em andamento prevê transformar o local e o galpão no mesmo terreno em um centro voltado às artes, com ênfase para o audiovisual.
A primeira fase da restauração do Sobrado Centro Cultural captou recursos a partir da Lei de Incentivo à Cultura do Estado, o que permitiu fazer as primeiras intervenções na infraestrutura do casarão. No momento, parcerias com o poder público, por meio de emendas parlamentares, têm viabilizado a acessibilidade do prédio, com a construção de rampas de acesso, finalização de escadas, colocação de guarda-corpo e instalação de uma plataforma elevatória. As emendas foram direcionadas pelo vereador santa-mariense Werner Rempel e pelo deputado estadual Valdeci Oliveira. A partir dos avanços na obra proporcionados por esses recursos, será possível realizar as primeiras atividades abertas à comunidade no local.
“Temos nos dedicado a este projeto desde 2012. Ele é complexo e necessita de muitos recursos e de muitos profissionais de outras áreas, por se tratar de uma obra e de um bem tombado. Acreditamos no papel dele para dinamizar a circulação de bens culturais na cidade. E, também, por ser mais um espaço agregador de ideias e de ações que tenham a nossa identidade, bem como a formação de jovens no centro dos debates e das atividades a serem oferecidas”, pontua Denise Copetti, que integra a entidade desde 2007 e atua, sobretudo, na produção executiva.
Ainda há muito a ser feito para se chegar na execução final do projeto. Para isso, a TV OVO tem inscrito projetos em editais e buscado viabilizar a obra pela Lei Rouanet. A primeira etapa das melhorias estruturais, aprovada pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC) do Rio do Grande do Sul, está concluída. Essa parte contemplou reforma interna do casarão. Interessados em contribuir com a captação de recursos podem entrar em contato pelo e-mail sobrado@tvovo.org.
O projeto do Sobrado Centro Cultural prevê, no primeiro andar, um café para sediar a socialização de saberes, debates e mostras durante o happy hour. No mesmo piso, deve ser montada a Biblioteca do Audiovisual Sérgio de Assis Brasil (importante nome do segmento na região centro do Rio Grande do Sul), com acervo de livros e filmes de acesso gratuito para a população. Ainda no primeiro nível da edificação, o objetivo é alocar o museu da imagem e do som, com materiais brutos feitos pela TV OVO ao longo dos anos – e que é constantemente atualizado. Já no segundo andar, a ideia é uma sala de cinema com programação contínua voltada para lançamentos nacionais.
Foto: Fachada do Sobrado Centro Cultural/ Alice Pozzobon
O Sobrado Centro Cultural pretende fomentar o estudo, a discussão e a produção audiovisual também no prédio anexo. Nele, além de o segundo andar abrigar a futura sede da TV OVO, o terceiro conta com área para oficinas, workshops e coworking. No primeiro piso, a intenção é fazer um estúdio para produções de cinema e TV, que também pode ser utilizado para espetáculos, shows e saraus. E, no subsolo, outros dois estúdios menores estão nos planos: um para pequenas produções audiovisuais e outro voltado para a produção sonora.
História que daria filme
A TV OVO tem uma trajetória que renderia um bom roteiro, principalmente pelo lado social. Em 30 anos, desenvolveu inúmeros projetos e oficinas em comunidades periféricas e escolas públicas. Foram realizadas ações de formação, cineclube e núcleos de vídeo comunitário nos projetos Ponto de Cultura Espelho da Comunidade, em Santa Maria, e Pontão de Cultura FOCU em Pontos de Cultura do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Há, ainda, o projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade que, desde 2008, recupera a história de pessoas, ruas, bairros e distritos de Santa Maria.
Merece destaque, ainda, o trabalho junto à Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss de Santa Maria (AVTSM), no qual a TV OVO colaborou na organização de espaços de discussões sobre a tragédia e registrou o desenrolar da busca por justiça. De parte desse processo, foi produzido o documentário “Depois Daquele Dia” (2018), dirigido por Luciane Treulieb, licenciado para o Canal Brasil em janeiro de 2023, e a série “Boate Kiss: a tragédia de Santa Maria “ (2023), com direção de Marcelo Canellas, para o Globoplay. Outro trabalho de destaque é a série documental “Nova Santa Marta”, com três episódios (Cidade de Lona, Cidade de Madeira e Cidade de Concreto), com direção de Paulo Tavares e Alan Orlando, que resgatam os 30 anos de uma das maiores ocupações urbanas da América Latina (contemplada pelo financiamento do edital 002/2023 da Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria de Cultura de Santa Maria).
O tempo também permitiu a TV OVO construir pontes por meio de parcerias com TV Brasil, Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Canal Futura e TVE-RS. Há mais de uma década, a TV OVO atua em projetos pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC) de Santa Maria voltados para a produção de documentários a respeito da memória local. Já são mais de 40 produções sobre culturas populares, saberes tradicionais, histórias de ruas, bairros, distritos e toda a sua gente. O currículo da TV OVO contempla ainda oficinas de realização audiovisual em escolas municipais, colóquios e workshops para ampliar o conhecimento e fortalecer a cadeia audiovisual.

“ERA UMA VEZ MINHA MÃE” (Ma Mère, Dieu et Sylvie Vartan)

Foto: California Filmes
“Era Uma Vez Minha Mãe” (Ma Mère, Dieu et Sylvie Vartan), com direção de Ken Scott, conhecido pelos sucessos “Meus 533 Filhos” e “De Repente Pai”, é um excelente filme de memórias. O longa é baseado na autobiografia do advogado francês Roland Perez, que nasceu com uma deficiência em uma das pernas que o impedia de andar. A obra faz uma homenagem à sua mãe, a judia marroquina Esther, que fez de tudo para garantir que ele tivesse um futuro brilhante mesmo diante das adversidades.
O filme tem seu início na Paris de 1963, quando Roland nasce, filho mais novo do casal de imigrantes Maklouf (Lionel Dray) e Esther (Leïla Bekhti). Ele nasce com o pé direito torto, e devido às condições da época, os médicos diagnosticaram que ele nunca andaria e nunca teria uma vida normal. Porém, a mãe, extremamente religiosa e apegada ao caçula, passou anos se dedicando para que o garoto pudesse andar, inclusive apelando para diversas orações, acreditando que poderia ocorrer um milagre. “Era Uma Vez Minha Mãe” atravessa décadas na vida de mãe e filho, relatando as conquistas e dificuldades do menino, a partir de uma visão íntima e acolhedora.
O filme apresenta um trabalho meticuloso de reconstituição de época, o que garantiu ao filme uma segunda indicação ao César (o Oscar francês), na categoria de direção de arte. A atriz Leïla Bekhti, conhecida por participações em filmes como “O Profeta” e “A Famosa Invasão dos Ursos na Sicília”, foi indicada por sua performance ao César de melhor atriz. Roland é interpretado por vários atores, que o representam nas diferentes fases de sua vida, com destaque para Jonathan Cohen, de “Amanda” e “Enorme”, que o vive em sua idade adulta.
O elenco ainda tem Joséphine Japy, Lionel Dray, Jeanne Balibar e o jovem Milo Machado-Graner, de “Anatomia de uma Queda”. A cantora Sylvie Vartan, figura recorrente na vida de Roland, também faz uma participação especial, interpretando a si mesma. “Era Uma Vez Minha Mãe” é um filmaço.
Cotação: excelente
Duração: 1h42min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=CbY0YbD2BxM

“ECLIPSE”

Foto: Mercúrio Produções
“Eclipse”, filme nacional é dirigido por Djin Sganzerla, filha do cineasta Rogério Sganzerla (1946-2004), e nasceu depois dela tomar conhecimento de um caso real: o de uma mulher que descobriu que o próprio marido a difamava e ameaçava de morte em um fórum na internet. A partir desse ponto, Djin imaginou o encontro entre uma astrônoma grávida e sua meia-irmã de origem indígena — um encontro que destrava memórias reprimidas e expõe camadas ocultas de relações abusivas, no passado e no presente. Do choque entre ciência e ancestralidade, emerge uma jornada marcada por intuição, investigação e transformação.
Na trama, a própria Djin interpreta a astrônoma Cleo, é casada com Tony (Sergio Guizé), e fica sabendo da existência de uma meia-irmã, Nalu (Lian Gaia), de origem indígena e especialista em computação, e fruto de uma relação extraconjugal de seu falecido pai. Depois do choque inicial, as duas começam a conviver.
E enquanto espera os meses para dar a luz, Cleo começa a desconfiar de ações do seu marido, e pede ajuda a Nalu para investigá-lo nas profundezas da deep web, acabando por descobrir segredos terríveis do parceiro.
Protagonizado pela própria diretora, atriz com mais de duas décadas de carreira, o filme reúne ainda nomes conhecidos do público, como Sergio Guizé, que recentemente estrelou a novela “Êta Mundo Melhor!”, e Lian Gaia, da série “DOM” e da novela “Vai na Fé”.
“Eclipse” conta também com presenças fundamentais do cinema brasileiro, como Luís Melo, Selma Egrei, Clarisse Abujamra, Gilda Nomacce e a icônica Helena Ignez, mãe da diretora e uma das artistas mais revolucionárias do país.
“Ao tratar da relação entre mulheres e do convívio entre pessoas de diferentes origens, o filme ‘Eclipse’ reflete questões essenciais para o Brasil de hoje”, disse Marina Moreira Gama, superintendente da Área de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES, uma das patrocinadoras do projeto.
Cotação: ótimo
Duração: 1h50
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=fSLoBKqtOIw

quarta-feira, abril 29, 2026

“SALA-ESCURA - CINEMA POR CHICO IZIDRO” COMPLETA 20 ANOS

Então é isso, o “Sala-Escura, Cinema por Chico Izidro”, acaba de completar 20 anos – sim, duas décadas e mais de 2.500 análises de filmes. O projeto surgiu numa noite de sábado de 2006, como forma de poder falar de todos os filmes que eu assistia semanalmente, mas não encontrava espaço para todos nos veículos em que colaborava – a revista “Carta Capilé”, de São Leopoldo, e o programa “Cena de Cinema”, da Ipanema FM.
A partir de 2009, o “Sala-Escura” passou a dividir espaço com o blog “Cine CP”, criado por mim, e que contava ainda com Adriana Androvandi e Marcos Santuário. Mas desde a minha demissão do Correio do Povo em 2024, o “Sala-Escura, Cinema por Chico Izidro” voltou a ser meu espaço exclusivo para a publicação das críticas e resenhas.

“ZICO - O SAMURAI DE QUINTINO”

Foto: Vudoo Filmes
“Zico, o Samurai de Quintino”, dirigido por João Wainer, é um excepcional documentário, que homenageia plenamente o legado do craque Arthur Antunes Coimbra, o Zico, para o futebol brasileiro e também para o desenvolvimento do esporte no Japão.
O documentário mergulha na trajetória do craque, ídolo do Flamengo, do Kashima Antlers e com três participações em Copas do Mundo defendendo a Seleção Brasileira. O trabalho apresenta imagens raras, desde a infância até a fase adulta, registros de arquivo e bastidores inéditos. A produção mostra gols antológicos e conquistas marcantes, episódios pouco conhecidos da carreira, os desafios enfrentados ao decidir jogar no Japão e a construção de um legado e inspiração que ultrapassa gerações – a destacar os primeiros passos de Zico no futebol japonês no começo dos anos 1990, quando a estrutura do esporte na Terra do Sol Nascente era praticamente nula.
O filme traz depoimentos exclusivos e conversas com personagens-chave, ex-parceiros e fãs que se tornaram ídolos, como Júnior Maestro, Carpegiani, Carlos Alberto Parreira, Ronaldo Fenômeno, o radialista José Carlos Araújo, entre outros. Além deles, os três filhos de Zico e sua esposa, Sandra, visitam o vasto acervo pessoal do Galinho de Quintino. Ao equilibrar emoção, contexto histórico e análise esportiva, o filme dialoga tanto com quem acompanhou de perto a trajetória do camisa 10 quanto com novas gerações que continuam a descobrir a dimensão de sua influência dentro e fora dos gramados.
“Mais do que as conquistas e glórias do Zico, venho aprendendo com ele lições que vão além do futebol, como humildade, respeito e gentileza. Posso garantir que toda a equipe trabalhou com muita dedicação e afeto para construir um filme emocionante e repleto de informação”, disse o diretor João Wainer.
O produtor André Wainer complementou, lembrando que a proposta do projeto é colocar Zico no lugar e na dimensão que ele merece. “Trabalhamos não apenas para trazer elementos novos, mas para usar esses elementos na construção de uma narrativa inédita sobre o Galinho. Gostamos de dizer que este é um filme de não ficção, apesar de muitas jogadas do Zico parecerem fora da realidade”, destacou o produtor.
As filmagens tiveram início em 2023, quando Zico completou 70 anos, e passaram por locais emblemáticos como a casa do jogador em Quintino, ruas do Rio de Janeiro e um set especialmente montado para receber convidados. O projeto também percorreu o Japão, país onde ele se tornou um pioneiro e desenvolvedor do futebol, do time operário do Sumitomo à seleção, de quem foi técnico.
A produção reúne ainda um vasto acervo pessoal, com dezenas de fitas VHS, filmes Super-8 e objetos históricos, entre eles, a camisa 10 usada na final do Mundial de 1981 e um caderno com anotações detalhadas de gols ao longo da carreira.
Cotação: ótimo
Duração: 2h
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Mwt21FirOjA

“O DIABO VESTE PRADA 2” (The Devil Wears Prada 2)

Foto: 20th Century Studios
“O Diabo Veste Prada 2” (The Devil Wears Prada 2), chega exatamente 20 anos depois do primeiro filme, com David Frankel novamente na direção, e trazendo os mesmos protagonistas, Miranda Prestley (Meryl Streep), Andy Sachs (Anne Hathaway), Emily (Emily Blunt) e Nigel (Stanley Tucci), mas agora tendo as adições de Lucy Liu, Kenneth Branagh, Simone Ashley e Lady Gaga.
A primeira parte mostrava a recém formada Andy tendo de conviver com uma chefe abusiva, Miranda, na prestigiada revista de moda nova-iorquina Runway, baseada na real Vogue. Obra baseada no livro de mesmo nome escrito por Lauren Weisberger.
Agora, duas depois, Andy é uma jornalista conceituada e premiada, que ao receber mais um prêmio, descobre que foi demitida de seu jornal, assim como todos os colegas. Vivendo num apartamento precário em Nova Iorque, é convidada pelo dono da Runway, por Irv Ravitz (Tibor Feldman), a assumir um cargo de chefia na revista, para apagar uma crise provocada pela editora-chefe Miranda Priestley.
Ela volta para a publicação, verifica que o mundo mudou muito nestes 20 anos, mas Miranda segue praticamente sendo a quase mesmo chefe carrasca, um pouco mais contida, para evitar processos – nisto o roteiro, escrito por Aline Brosh McKenna e Lauren Weisberger acerta -, pois agora assédio moral é crime grave.
Então, Andy passa a tentar ver seu trabalho reconhecido e prestigiado por Miranda, que faz de conta que não a conhecia...e o personagem de Anne Hathaway (atriz que parece não ter envelhecido um dia), nem parece ter vinte anos de uma carreira bem sucedida, agindo como uma mulher insegura, enquanto procura validação por suas matérias e encontra um par romântico totalmente sem química no personagem Peter (Patrick Brammall). E não faz nenhum sentido Andy se esforçar além da conta para tentar manter o emprego de Miranda, uma personagem escrota, maligna, que só pensa em seus interesses, não se importando com as pessoas ao seu redor.
Porém, outro acerto do roteiro é em tratar da crise em que passa o jornalismo, com as publicações impressas sendo extintas, com o predomínio do material online, as demissões frequentes dos jornalistas, que perdem espaço cada vez maior para influencers, a superficialidade nas matérias e a cada vez maior influência de anunciantes no que deve ou não ser publicado. No mais, o filme é uma avalanche de personagens vazios, preocupados com vestidos, sapatos e bolsas.
“O Diabo Veste Prada 2” acaba sendo cansativo, com personagens caricatos – tem até o gordinho que sofre bullying de uma colega, a melhor amiga conselheira, o namorado sem noção e burro de Emily (Emily Blunt), e a bilionária que surge do nada para salvar o dia.
Podem me chamar de antipático, mas não consigo ter empatia por nenhum dos dois filmes, nem pelos personagens, todos me parecendo vazios.
Cotação: ruim
Duração: 1h58
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=r3_gZDsy1iQ

terça-feira, abril 21, 2026

“MICHAEL”

Foto: Universal Pictures.
Dirigido por Antoine Fuqua, “Michael” pretende trazer uma cinebiografia de um dos maiores artistas da história, o cantor Michael Jackson (1958-2009). Porém, com produção da família do astro, a trama transforma a obra em longa-metragem quase chapa-branca, ou seja, evita entrar mais fundo na conturbada história do criador de “Thriller”, o disco mais vendido da história com mais de 100 milhões de cópias.
Praticamente toda a família de Michael está envolvida na história, inclusive um dos sobrinhos do astro, Jaafar Jackson, interpreta o cantor. E aqui um fato evidente: o garoto merece concorrer ao Oscar por sua interpretação convincente. O diretor é o competente Antoine Fuqua, conhecido por dirigir “Dia de Treinamento” (2001), que rendeu um Oscar de melhor ator para Denzel Washington, a quem dirigiu na trilogia “O Proteror”.
“Michael” conta a história de Michael Jackson desde o começo da carreira em Gary, Indiana, onde o astro era severamente cobrado pelo pai, Joe Jackson, interpretado por Colman Domingo (Fear of The Walking Dead), uma pessoa tirânica e que tentou, de forma invejosa, deter o sucesso individual do filho. O filme segue com o crescente sucesso do garoto, que antes dos 20 anos, já era um astro mundial, à frente do grupo Jackson 5, formado ao lado dos irmãos.
O filme mostra que Michael Jackson era uma pessoa que se negou a crescer, assim como Peter Pan, livro que acompanha o astro, que vivia cercado de animais e de ajudar crianças. Porém, o longa-metragem evita tocar em assuntos polêmicos, inclusive passa rapidamente na questão de o cantor sofrer de vitiligo, de ser viciado em cirurgias plásticas e das acusações de pedofilia, e do vício em remédios. Além disso, “Michael” se mostra ansioso e pula eventos cronológicos, como por exemplo, focar no disco “Off the Wall” como se fosse o primeiro solo dele, sendo que já havia lançado vários discos antes sem contar com a participação dos irmãos.
Porém, acerta na reconstituição de “Thriller” (1982), disco que é um marco da música mundial, com hits como "Beat It", "Billy Jean", e "Thriller", mas esquece de citar as importantes participações de Eddie Van Hálen (1955–2020) e Vincent Price (1911-1993) na construção da obra.
O filme é cuidadoso em mostrar as feituras das coreografias, as filmagens dos videoclipes de "Beat It" e "Thriller", e a pressão de sua gravadora, a CBS, para que os trabalhos passassem a ser veiculados pela emergente MTV, que se negava a colocar no ar o trabalho de artistas negros – Michael Jackson quebraria esta barreira na primeira metade dos anos 1980.
Quem viveu nos anos 1980 se lembra da febre que era Michael Jackson, mesmo quem não curtia seu trabalho, sabia de sua importância. Por isso, outro erro do filme é esquecer do fenômeno que foi “We Are The World”, a música e videoclipe para arrecadar fundos para a fome no continente africano. Simplesmente “Michael” não dispensa uma simples menção, uma frase ao evento, liderado pelo astro pop.
Porém, perde muito tempo mostrando shows de Michael, sua fixação pelos animais que criava e o conflito com o pai, numa interpretação caricata de Colman Domingo, que geralmente entrega um ótimo trabalho. Além dele, o filme tem Nia Long como a mãe Katherine Jackson, Jessica Sula como a irmã LaToya e Miles Teller como o empresário John Branca. O estreante Juliano Valdi vive Michael na infância.
"Michael" falha em retratar um dos maiores astros da história, morto precocemente aos 50 anos, com medo de macular sua trajetória incrível. A música dele supera qualquer problema que ele poderia apresentar. O filme ainda mostra apenas um recorte de 30 anos de sua vida, parando em 1988. Nos anos 1990, o astro começaria a perder popularidade, protagonizando incidentes patéticos com os casamentos, um deles com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie Presley, e tendo seus dois filhos, gerados por inseminação artificial. Mas sua importância para a cultura pop é inegável.
Cotação: regular
Duração: 2h08
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=HZZgZUU9XIc

COLETIVO AUDIOVISUAL TV OVO COMPLETA 30 ANOS, MOSTRANDO QUE CINEMA É PARA TODOS

Texto: Homero Pivotto Jr Foto: Oficina Olhares da Comunidade EMEF Adelmo Simas Genro / Nathália Arantes O PENSAMENTO COMUM no meio audio...