quarta-feira, outubro 07, 2026

“DIGGER”

Fotos: Warner Bros.
“Digger”, direção do grande diretor mexicano Alejandro González Iñárritu (Babel, 21 Gramas e Amores Perros) é um filme farsa, ou seja, mostra uma coisa, mas na realidade é outra.
O protagonista da trama é o magnata do petróleo Digger Rockwell, interpretado por Tom Cruise, quase irreconhecível por trás de várias próteses, que o deixaram idoso e extremamente gordo (me lembrou o personagem vivido pelo ator no hilário “Trovão Tropical”). Digger vive em sua mansão, cercado de funcionários, que maltrata até além da conta, e extremamente carinhoso com uma gata que tem três décadas, e é praticamente moribunda.
Seu mundo começa a mudar quando uma operação de sua empresa no Ártico provoca uma rachadura gigantesca, após uma explosão de metano. Se formam então tremendos icebergs, e um parte descontrolado para o continente europeu. Uma reunião emergencial é convocada, com a participação de militares, cientistas e o presidente dos Estados Unidos, à beira da morte por conta de um câncer anal, vivido por um hilário John Goodman. Eles precisam achar uma solução para a crise ambiental, que poderá destruir toda a Europa.
Então, depois de várias tentativas de destruir o gigantesco iceberg, o filme toma uma virada completamente inesperada – e que não posso contar aqui para não dar um violento spoiler e estragar a surpresa.
“Digger” discute crise climática, influência dos Estados Unidos sobre o planeta e o poder dos grandes magnatas. A produção é grandiosa, bem dirigida, com uma excelente fotografia e Tom Cruise sem medo de interpretar um anti-herói. E além dele e John Goodman, tambpem se destacam Riz Ahmed, Sandra Hüller, Michael Stuhlbarg e Jesse Plemons.
Duração: 2h09
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=TWONhlEX_Nk

“A QUEDA 2 – NO LIMITE” ( Fall 2: Deadpoin)

Foto: Paris Filmes
“A Queda 2 – No Limite”, direção conjunta de Peter Spierig, Michael Spierig, é a continuação do ótimo e assustador “A Queda”, de 2022, que mostrava duas garotas presas no alto de uma torre, a 600 metros do solo. Eu, que tenho verdadeiro medo de altura, quase enfartei.
Agora, nesta sequência, inteligentemente a produção mudou o local de onde o pavor se instala. Nada de torres ou prédios altos. A trama, agora se passa em uma montanha, provocando muita tensão e pânico no espectador.
A história acompanha Jax (Harriet Slater), irmã mais velha de Shiloh (Virginia Gardner), que morreu no primeiro filme. Sofrendo com o luto, ela acaba aceitando, depois de muita insistência, o convite de Luce (Arsema Thomas), amiga de Shiloh, para homenageá-la subindo o Monte Kwan, na Tailândia.
Apesar da subida ser ilegal, pois considerada extremamente perigosa pelas autoridades, as duas conseguem a ajuda de Jon Platt (Tom Brittney), um guia norte-americano, exilado no país asiático. Evidente que as coisas irão dar errado, pois um terremoto provoca um deslizamento de terra e as duas presas ficam presas a mais de 900 metros de altura – o guia desaparece.
O terror se instala tanto na tela, quanto para os espectadores, vendo as personagens tentando escapar de uma queda terrível, sustentadas apenas por pequenas barras de ferro. E ainda com condições climáticas adversas para dar mais perigo para a trama, como fortes chuvas e ventos. Além do que, segredos começam a vir à tona durante os momentos de desespero das duas jovens, penduradas à centenas de metros em um paredão, onde qualquer deslize significa a morte.
“A Queda 2 – No Limite” acertou quando trocou o cenário da torre por uma montanha numa região paradisíaca na Ásia. E também a motivação das personagens. Porém, no final do filme, o roteiro conseguiu estragar uma boa história que estava sendo construída, fazendo os personagens tomando atitudes estúpidas e incoerentes.
Duração: 1h40m
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=VRUZXvWI7sA

quarta-feira, setembro 09, 2026

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures
“Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Sedução", onde Sandra Bullock e Nicole Kidman, que seguem tão lindas quase três décadas depois, interpretam as irmãs feiticeiras Sally e Gillian Owens, respectivamente, com direção de Susanne Bier. A história é baseada no romance “O Livro de Magia”, de Alice Hoffman.
A trama foca em uma maldição que acompanha as mulheres Owen desde os tempos dos puritanos, impedindo que elas possam ter relacionamentos – quando uma passa a amar o companheiro, ele acaba morrendo.
Agora, nesta sequência, a maldição afeta uma das filhas de Gillian, Kylie, vivida por Joey King, que se apaixona pelo jovem Gideon (Xolo Maridueña). A jovem desconhece o mal que afeta a família, pois ela e a irmã Antonia (Maisie Williams), tiveram as memórias apagadas devido aos incidentes ocorridos no primeiro filme. Mas ao ser afetada, quando o namorado sofre um grave acidente, ela decide partir para a Inglaterra, terra ancestral dos seus antepassados, em busca da solução para acabar com a maldição.
Ao saberem da viagem de Kylie, Sally e Gillian, também atravessam o oceano, para tentar salvar a garota, que não sabe os riscos que corre, ao se envolver com bruxos malignos.
“Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” tem mais erros do que acertos. Faz uma boa ponte com a primeira parte, de 1998. Porém não explica bem a passagem de tempo – afinal, quanto tempo se passou entre as sequências, pois Kylie e Antonia parecem ter pouco mais de 20 anos, quando se fossemos somar a diferença de anos entre um filme ou outro, as personagens deveriam ter quase 40 anos. E as cenas de batalhas entre feiticeiros são completamente ridículas. Tem quem goste. E alguns diálogos são, por demais, forçados. Além do que, o filme poderia ter, tranquilamente, meia-hora a menos.
Por outro lado, a trama se mantém fiel à primeira parte, não mudando o jeito de ser das protagonistas. E traz de volta as veteranas Stockard Channing e Dianne Wiest como as adoráveis tias feiticeiras Franny e Jetty, que proporcionam os momentos mais tristes desta sequência.
Duração: 2h10
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=qCQWKOHtQ4Y

quarta-feira, setembro 02, 2026

“NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS”

Foto: Descoloniza Filmes
O documentário "Não Existe Almoço Grátis", dirigido por Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, acompanha a vida de três mulheres negras, Bizza, Jurailde e Socorro, que lideram uma Cozinha Solidária na maior favela do país, Sol Nascente, a apenas 30 km do centro de Brasília.
Todo o processo começou por causa dos danos causados pela pandemia da Covid-19, que além do mortal vírus, também trouxe outro fantasma para as populações carentes: a fome. A falta de políticas públicas para enfrentar a grave situação levou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a organizar dezenas de Cozinhas Solidárias, distribuindo almoços grátis por todo o país.
Assim, quando a terrível época do governo Bolsonaro estava terminando, e às vésperas da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bizza, Jurailde e Socorro, ficaram encarregadas de cozinhar para as centenas de militantes do movimento que chegariam em Brasília para assistir à cerimônia no dia 1º de janeiro de 2023.
As três protagonistas possuem arcos narrativos singulares, apresentados de modo não linear ao longo do filme. Bizza sonha em construir sua casa e abrir seu próprio negócio no lote que conquistou através da luta no MTST. Jurailde, evangélica, vincula sua conexão com a terra à sua ancestralidade indígena e seu passado de trabalho infantil. Socorro, por sua vez, descobre o orgulho de si ao formar sua própria família depois de ter sido abandonada pelo pai na infância.
"Costurando relatos íntimos ao registro vivo e em movimento da força da organização coletiva, o filme é um manifesto contra as máximas neoliberais da meritocracia, do individualismo e do lucro. Sua linguagem visual e sonora marca o contraste da desigualdade social no Distrito Federal, fazendo de Brasília uma personagem símbolo de injustiças a serem superadas. É nesta cidade partida que Socorro, Jurailde e Bizza se conhecem e se tornam coordenadoras de uma das Cozinhas Solidárias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, distribuindo almoços grátis diariamente", refletem os diretores Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel.
Em meio a ameaças de golpe e crescente violência política, "Não Existe Almoço Grátis" acompanha esta saga de preparação logística e culinária massiva no contexto da posse presidencial mais paradigmática desde a redemocratização. Ao mesmo tempo, o filme traz entrevistas profundas com Bizza, Jurailde e Socorro, cujas vidas têm sido cheias de dificuldades, mas de muita resistência.
O filme traz, ainda, reflexões sobre a importância da organização coletiva e como laços de afeto e comunidade são essenciais para combater estruturas injustas e desafiar máximas de mérito e lucro individual. Na luta diária por moradia e contra a fome, Bizza, Jurailde e Socorro já antecipam muito do que sonham e provam que o futuro se cozinha hoje e a muitas mãos.
Duração: 1h14min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=VyizSpDFB1Q

quarta-feira, agosto 26, 2026

“PONTO SEM RETORNO” (Point of No Return)

Fotos: 20th Century
“Ponto Sem Retorno”, dirigido pelo veterano Ridley Scott, é baseado no livro “The Dog Stars”, escrito por Peter Heller, e transcorre num futuro pós-apocaliptico, onde a maioria da população mundial acabou morrendo por causa de um violento vírus – e aí vem uma crítica subliminar aos antivacinas, que não aprendem o quanto elas se fazem necessárias para a história da humanidade.
O filme tem como protagonista um mecânico, Hig (Jacob Elordi), que vive isolado num hangar abandonado no Colorado, ao lado de um ex-fuzileiro naval, Bangley (Josh Brolin). Mas com seu cão, passa os dias percorrendo a região em seu pequeno avião, em busca de suprimentos, inclusive ajudando uma comunidade religiosa nas montanhas.
Inquieto e vivendo o luto pela perda de sua mulher e de sua filha pequena, o seu objetivo é sair dali, após escutar uma transmissão de rádio, acreditando que exista um local onde a humanidade possa viver tranquilamente. Por isso, um dia parte, indo parar em uma fazenda também isolada, habitada pela jovem viúva Cima (Margareth Qualey, de A Substância) e seu pai, Pops, um quase irreconhecível Guy Pearce.
Após ser quase expulso do lugar, Hig começa a ganhar a simpatia da dupla. Porém, a calmaria desaba quando são atacados por uma tribo de selvagens, tendo de partir às pressas da fazenda, para mais à frente, encarar outros perigos.
“Ponto Sem Retorno” é um filme com muita ação, suspense, boas cenas de batalhas. E apesar disso, é um requentado de muita coisa que já se viu em filmes pós-apocalípticos. A primeira parte é quase uma cópia de “Eu Sou A Lenda”, com o herói e seu cão vasculhando um lugar abandonado. E depois, surgem as tribos violentas e até canibais pelo caminho. Não tira a força do longa-metragem, mas não traz nada de novo.
Duração: 1h58
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=EpDrdWcksg4

“NOSSO SEGREDO”

Foto: Entre Filmes
A trama foca em uma família preta, que tenta retomar o seu cotidiano ao mesmo tempo em que lida com o luto pela perda do pai. Cada uma das pessoas da casa tem o seu jeito de enfrentar a dor e o silêncio, mas é Tutu, o filho caçula, quem guarda um segredo que pode ajudá-los a confrontar os sentimentos e encontrar um novo caminho.
Duração: 103min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=p_E7fhQ5EoI

“MUITO PRAZER”

Fotos: Globo Filmes
“Muito Prazer”, de Jorge Furtado, é uma comédia que tem a mesma pegada de filmes impagáveis do diretor, como “Saneamento Básico”, por exemplo. A trama se passa em Porto Alegre, que porém não é identificada, mas em suas cenas iniciais, aparecem imagens das pontes próximas ao Guaíba.
A história fica em Rubem, vivido por Daniel Oliveira, que trabalha como motorista de aplicativo, e totalmente falido. E ele recebe de herança de um tio o decadente Motel Pérola, que está abandonado. A herança, na realidade, para Rubem, significa também ter de resolver as inúmeras dívidas do tio.
Ao chegar no motel, o herdeiro acaba deparando com uma antiga funcionária do lugar, que mora ali por não ter para onde ir, Grace, interpretada por Luisa Arraes.
Depois de um começo de estranhamento entre os dois, chegam num acordo para tirar o motel do buraco. Após alguns tropeços, eles conhecem a técnica em TI Nalva (Samantha Jones, simplesmente sensacional), e criam um plano, onde gravam, com câmeras escondidas nos quartos, os fregueses transando e postando as imagens em sites eróticos. É quando começam a resolver os problemas, mas também a encontrar percalços da era digital.
No entanto, ao serem descobertos, eles terão que provar que os vídeos são falsos, iniciando assim novas filmagens inesperadas para fugirem da cadeia.
A pegada do filme é de muitas tiradas engraçadas, e apesar de “Muito Prazer” falar de sexo, as imagens das pessoas transando são leves, nada de apelativo. E muito, muito divertido. E o trio centra, Daniel de Oliveira, Luísa Arraes e Samantha Jones exibem uma química incrível, passando a impressão de estarem se divertindo muito em cena.
Duração: 1h38min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=4y7i1Uai9IA

“DIGGER”

Fotos: Warner Bros. “Digger”, direção do grande diretor mexicano Alejandro González Iñárritu (Babel, 21 Gramas e Amores Perros) é um filme ...