quarta-feira, julho 01, 2026

“MINIONS & MONSTROS” (Minions and Monsters)

Fotos: Universal Pictures
“Minions & Monsters”, direção conjunta de Pierre Coffin e Patrick Delage, para mim, sem sombra de dúvida é o melhor filme já feito pela franquia, que começou lá atras, em 2010, com os pequenos seres amarelos sendo protagonistas ao lado do vilão Gru. Agora, em novo filme da carreira solo deles, a trama faz uma homenagem excelente ao cinema – é o terceiro filme da franquia spin-off de “Meu Malvado Favorito”.
Tudo começa em uma excursão de turistas a um estúdio de cinema em Hollywood, onde uma guia vai mostrando personagens importantes da indústria, e dê-lhe citações, como E.T. e até mesmo Keanu Reeves e o diretor George Lucas preso em uma jaula de vidro. Até surgir uma estátua de dois minions, os irrequietos James e Henry, desconhecidos pelos visitantes.
Então a guia decide contar a história dos minions, que são imortais e vagam pela Terra há milênios, sempre em busca de um vilão para servir, sem questionar (taí a explicação mais do que certeira do apelido dado aos seguidores do inominável – bolsominions).
Ao longo dos séculos, os minions fazem uma busca incessante e geralmente estragando a vida do líder escolhido e da deles mesmos. Mas eis que eles chegam na Hollywood do final dos anos 1920, sendo contratados pela produtora Bright Brothers Studios e trabalhando com o diretor alemão Max (uma referência aos vários diretores germânicos que fugiram da Alamanha nazista e foram trabalhar nos EUA, como Fritz Lang, Ernst Lubitsch e Michael Curtiz.
Eles acabam fazendo sucesso, tornam-se celebridades do cinema mudo e ficam muito ricos. Porém, seguindo na toada das citações cinematográficas, o cinema se torna falado e devido a dificuldade de se comunicarem, falando naquela língua toda própria deles, acabam sendo demitidos – olha aí “Cantando na Chuva”.
Porém James decide que quer dirigir seu próprio filme e ganhar um Oscar, e um longa-metragem de monstros. Para isso, ao lado de seu amigo Henry, conjuram um livro de feitiçarias de um antigo mestre deles, libertando vários monstros, um deles devastador, que pretende acabar com o planeta.
E o espectador se dobrando de rir e se deleitando, ao longo de pouco menos de uma hora e meia, de diversas homenagens a filmes e atores de Hollywood. Além dos já citados acima, tem espaço, entre outros, para “O Dia em que a Terra Parou”, “Tubarão”, “Cidadão Kane”,” Independence Day”, “A Múmia”, Charlie Chaplin e seu “Tempos Modernos”, e Buster Keaton e “O Homem-Mosca”.
“Minions & Monstros” é feito quase que praticamente para cinéfilos, mas também pode fazer com quem não saque as citações, fique curioso, e corra atrás das obras que o inspirou. Um dos melhores filmes animados dos últimos anos.
Duração: 1h29
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=tL_WTeAA-JA

segunda-feira, junho 29, 2026

"ANATOMIA DO CAOS"

Fotos: Descoloniza Filmes
Em “Anatomia do Caos”, a diretora baiana Dandara Ferreira revisita a negligência do governo de Jair Bolsonaro na pandemia de coronavírus a partir dos trabalhos da CPI da Covid. A diretora teve acesso aos bastidores da comissão no Senado e entrevistou parlamentares no longa que pretende discutir memória e justiça no Brasil.
O documentário político relembra as omissões do governo de Jair Bolsonaro e a postura de parlamentares da extrema direita durante a pandemia que culminaram na morte de mais de 700 mil brasileiros. A obra traça um panorama nacional de como decisões deliberadas e a falta de respostas adequadas diante de uma emergência sanitária global moldaram o cenário de crise em todo o país, revelando registros inéditos de bastidores de senadores que integravam a CPI e buscavam respostas, documentos e investigações que expõem as falhas estruturais na condução da crise.
Em abril de 2021, a diretora Dandara Ferreira decidiu ir a Brasília registrar os trabalhos da comissão em um momento de incerteza e medo. “O que me movia naquele momento era a percepção de que o país atravessava algo maior do que uma crise sanitária. Havia uma disputa brutal em torno da própria realidade”, disse ela, que fez a sua estreia no cinema de ficção com a cinebiografia de Gal Costa (“Meu Nome É Gal”), protagonizada por Sophie Charlotte.
Para a realizadora, a CPI da Covid surge no documentário como o palco de uma tragédia nacional, um teatro político. O filme explora como o discurso oficial produziu uma confusão deliberada e colocou a ciência em xeque. “Não se tratava apenas de negligência. Havia uma construção de uma narrativa em curso, uma política da desinformação que transformava a morte em estatística e a dor coletiva em deboche”, pontua a cineasta, “Anatomia do Caos” também aborda uma questão recorrente nos processos de CPIs no país: a impunidade ao final dos trabalhos. Segundo a diretora, o documentário não busca apenas revisitar o passado, mas questionar o presente e o que significa seguir adiante sem justiça ou responsabilização. “Esse filme nasce da necessidade pessoal de registrar esse período e da certeza de que algumas imagens precisam continuar abertas, porque elas ainda nos olham de volta”, concluiu.
O lançamento de “Anatomia do Caos” será marcado por um amplo circuito de exibições seguidas de debate, com a presença da diretora, reforçando o papel do filme como um espaço de diálogo e reflexão coletiva sobre a história recente do Brasil. As sessões especiais estão previstas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Recife, Curitiba, Salvador, Brasília e Fortaleza, permitindo que o público discuta a memória da pandemia e a necessidade de justiça.
Duração: 1h31
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=_epVTK4hl8w

CLUBE DE CINEMA EXIBE “NAS GARRAS DO VÍCIO NA SALA REDENÇÃO NESTA QUINTA-FEIRA

Fotos: Divulgação
O Clube de Cinema de Porto Alegre realiza, nesta quinta-feira, dia 2 de julho, mais uma sessão do ciclo "Nouvelle Vague e suas influências", desta vez com a exibição de “Nas Garras do Vício” (Le beau Serge, 1958), primeiro longa-metragem de Claude Chabrol e considerado por muitos críticos e historiadores como a obra inaugural da Nouvelle Vague francesa. A sessão acontece na Sala Redenção da UFRGS, na Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, no Parque Farroupilha, a partir das 19h.
Após a exibição, o público poderá participar de um debate com a professora, pesquisadora e crítica de cinema Fatimarlei Lunardelli, ampliando a experiência de reflexão sobre a obra e seu contexto histórico.
Mais do que um estilo cinematográfico, a Nouvelle Vague representou uma ruptura com os modelos tradicionais de produção. O movimento nasceu no final dos anos 1950 a partir de jovens críticos ligados à revista Cahiers du Cinéma, que decidiram colocar em prática suas reflexões sobre a linguagem cinematográfica.
Filmando em locações reais, com equipes reduzidas e maior liberdade narrativa, diretores como Claude Chabrol, François Truffaut, Jean-Luc Godard, Agnès Varda, Jacques Rivette e Éric Rohmer consolidaram o chamado cinema de autor, no qual a visão artística do diretor passa a ocupar um papel central. Sua influência permanece viva até hoje, inspirando realizadores em todo o mundo.
Em “Nas Garras do Vício”, Chabrol acompanha François, que retorna à sua cidade natal para se recuperar de uma doença e reencontra Serge, antigo amigo consumido pelo alcoolismo e pelo desencanto. Enquanto revive lembranças e confronta as tensões daquele pequeno vilarejo francês, o protagonista tenta ajudar o amigo a romper o ciclo de autodestruição que marcou sua trajetória. Filmado em cenários reais e marcado por uma forte dimensão psicológica, o longa antecipa muitas das características que se tornariam marcas da Nouvelle Vague.
Neste ano, o ciclo "Nouvelle Vague e suas influências" integra as ações de extensão da UFRGS realizadas em parceria com a Sala Redenção. Os participantes podem obter certificado de participação, válido para o aproveitamento de horas complementares pelos estudantes. Inscrições podem ser feitas aqui.
Serviço
Clube de Cinema de Porto Alegre – Ciclo "Nouvelle Vague e suas influências"
Local: Sala Redenção – UFRGS
Endereço: Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, Parque Farroupilha
Filme: Nas Garras do Vício (Le beau Serge)
Data: 2 de julho, quinta-feira
Horário: 19h
Debate: Fatimarlei Lunardelli
Entrada: Franca e aberta à comunidade
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=kWh3zETifk4

quarta-feira, junho 24, 2026

“SUPERGIRL”

Foto: Warner Bros.
“Supergirl”, dirigido por Craig Gillespie, é baseado na história em quadrinhos “Supergirl: Mulher do Amanhã” ilustrada pela brasileira Bilquis Evely, e tem roteiro escrito pela atriz e filha de pai brasileiro Ana Nogueira. E consegue ser tão ruim quanto o filme da heroína de 1984, protagonizado pela bela Helen Slater e que contava com um elenco de primeira, como por exemplo Faye Dunaway, Peter O’Toole, Mia Farrow e Brenda Vaccaro, que com certeza, estavam precisando pagar o aluguel de suas mansões.
Agora, 42 anos depois, a super-heroína é vivida pela australiana Milly Alcock, do seriado da HBO “Casa do Dragão”, e que talvez seja o único acerto do filme, com sua atuação de uma jovem deprimida, que sofre por não sofrer com a vida na Terra e com fortes lembranças de seu planeta natal. Passa o aniversário de 23 anos bebendo e vomitando em um planeta onde seus superpoderes não funcionam.
E a trama, sim, se passa toda no espaço, com o tema vingança como foco central. E Supergirl se envolve com a adolescente Ruthye Marie Knoll (Eve Ridley), que teve a família assassinada pelo vilão Krem (Matthias Schoenaerts). A jovem parte em busca de vingança, pedindo a ajuda de Kara, que a princípio, nega ajudar a garota – o clichê do herói que recusa a missão, para depois voltar atrás, quando seu cão de estimação, Krypto, é envenenado pelo vilão.
Então as duas saem pela galáxia atrás de Krem, encontrando pelo caminho todos os tipos de alienígenas, entre eles o caçador de recompensas Lobo (Jason Momoa).
O roteiro até mantém diversos elementos fundamentais da história em quadrinhos, como o desejo de vingança de Ruthye, o envenenamento de Krypto, e os traumas da infância de Kara em seu planeta natal, mostrados em interessantes flash-backs. Mas saindo disto, o restante se mostra fraco, sem imaginação, as cenas de ação de “Supergirl” são escuras, não sei se por problema de projeção ou se opção da produção mesmo. Além disso, o filme se mostra uma compilação de várias obras cinematográficas, desde “Star Wars”, com seus mais variados personagens extraterrestres, “John Wick”, com a mocinha só tomando uma atitude depois de que seu cão de estimação é atacado pelo vilão, “Mad Max” e seu vilão genérico Krem, vestindo roupas de couro pretas e o rosto coberto por piercings. E até mesmo “Máquina Mortífera”, com sua personagem principal autodestrutiva, bebendo até cair.
O que se salva é realmente a atuação de Milly Alcock, carismática e convincente como bêbada, mostrando vulnerabilidade. Já Jason Momoa interpreta mais do mesmo em seus personagens cinematográficos, com cara de mau, violento e irônico. Sem graça nenhuma. Enfim, são quase duas horas que demoram a passar.
Duração: 1h50
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=bFD0IU3_TFY

“SEGREDO OBSCURO” (Shell)

Foto: Paris Filmes
“Segredo Obscuro” (Shell), direção de Max Minghella, já concorre ao título de pior filme do ano. A trama é simplesmente absurda, envolvendo a atriz Samantha Lake (Elisabeth Moss, do seriado The Handmaid's Tale, do qual fez par com o diretor Max Minghella), que vive ainda da fama de ter participado de um seriado televisivo de sucesso no passado – a história se passa em um futuro próximo -, mas passada dos 40 anos, não consegue mais trabalhos em sua área.
Influenciada por seu agente e dando de cara pela cidade com outdoors da estética Shell, Sam decide procurar a empresa para mudar o visual. Ela está acima do peso, anda sempre com um casaco fora de moda, e vai atrás do tratamento considerado milagroso. E logo cai nas graças da CEO da Shell, a elegante e linda Zoe Shannon (Kate Hudson).
O começo do tratamento logo resulta na volta de sua autoestima e na obtenção de um papel em um grande trabalho, e a volta dos fãs. Só que aos poucos, mudanças começam a aparecer em seu corpo – escamas vão aparecendo no pescoço, nas costas, nas pernas. E uma amiga, da qual ela foi babá, a modelo e aspirante à estrela hollywoodiana Chloe (Kaia Gerber), acaba sumindo de forma misteriosa, fazendo com que Sam acredite estar envolta em uma grande conspiração.
O problema é que, depois de um começo onde o roteiro parece sugerir a presença de um assassino e de um certo suspense e mistério, tudo é jogado no lixo. A história simplesmente, do nada, se transforma em uma mistura de “A Substância” com “A Mosca”. Inacreditável.
Duração: 1h42
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=llfByPSLwFw

quarta-feira, junho 17, 2026

“TOY STORY 5”

Foto: Disney
Iniciada em 1995, a saga em que os brinquedos ganham vida quando os humanos não estão olhando, ganha um novo capítulo. Em “Toy Story 5”, direção conjunta de Andrew Stanton e McKenna Harris. Agora os bonecos são liderados pela vaqueira Jessie, com o astronauta Buzz Lightyear como seu primeiro ajudante – e rola uma química entre esses dois personagens.
E os brinquedos pertencem à pequena Bonnie, garotinha tímida de oito anos, que sofre para fazer amizades. E quando tenta, acaba sofrendo bullying de outras meninas, pois ela ainda brinca com seus brinquedos, enquanto as outras amigas estão dominadas pelos seus celulares.
Para tentar fazer com que Bonnie se integre as novas tendências, os seus pais a presenteiam ccm um tablet em forma de sapo chamado Lilypad.
Porém, o tablet acaba sendo visto como uma ameaça pelos demais brinquedos, com Jessie fazendo campanha intensa para que Bonnie se livre de Lilypad, com medo de serem abandonados pela garotinha. E isso vai fazer com que os brinquedos acabem entrando em diversas aventuras, se perdendo pelas ruas da cidade. E no meio de toda a bagunça, o cowboy Woody, que agora pertence a outra criança, surge para ajudar seus antigos companheiros.
O filme tem aquele clima de nostalgia – e muita gente vai se identificar com o passado, onde as crianças iam para as ruas brincarem e não ficavam trancadas, dentro de casa, olhando para telas de celulares e computadores.
“A tecnologia mudou a vida de todos, mas estamos nos perguntando o que isso significa para nós e para nossos filhos”, disse Andrew Stanton, um dos diretores do filme. “Hoje os brinquedos parecem ocupar um espaço menor na vida das crianças. Ver um quarto sem o domínio de dispositivos eletrônicos é quase algo do passado.”
Duração: 1h42
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=-YbiBclEEgo

“CINCO DA TARDE”

Foto: 3 Tabela Filmes
"Cinco da Tarde" é dirigido por Eduardo Nunes e acompanha Anabel (Bárbara Luz, de “Ainda Estou Aqui”), uma jovem de 17 anos que está lidando com a recente morte de sua avó. Ela acaba conhecendo a vizinha de sua avó, a tímida e solitária Meiko (Sharon Cho).
As duas começam a conversar, de forma tímida, e acabam descobrindo uma conexão inesperada – e à medida em que vão convivendo, vão encontrando muitos sentimentos em comum, como perda, solidão e pertencimento. “Cinco da Tarde” é todo ele feito em P & B, com várias longas cenas silenciosas. A depressão pega forte, transformando a experiência da assistir ao filme, por vezes, difícil e cansativa.
O longa-metragem foi filmado em agosto de 2022 (ainda se vivia a pandemia, tanto que em várias cenas, os atores aparecem usando máscaras), em locações de Niterói, no Rio de Janeiro, refletindo a cidade natal do diretor e roteirista. Lugares como o Campo de São Bento, a Igreja Porciúncula de Sant’Ana e o Edifício Cézanne, erguido onde já foi o antigo Cine São Bento, aparecem como cenários marcantes no filme.
“O filme foi realizado através do Primeiro Edital de Fomento do Audiovisual da Prefeitura de Niterói, e tenho muito orgulho disso, pois acredito que a cidade tem um potencial enorme para o cinema. Não à toa uma das mais importantes Escolas de Cinema do Brasil reside aqui em Niterói. Este edital permitiu que eu, depois de mais de 30 anos de carreira, filmasse pela primeira vez em minha cidade. E foi muito especial voltar a lugares onde passei a infância, como o Campo de São Bento e os arredores da Igreja Porciúncula de Sant’Ana. Além de fazer uma homenagem ao Cine São Bento, que meus pais frequentavam”, disse o diretor.
Duração: 2h05
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Fhtn80pCjqc

“MINIONS & MONSTROS” (Minions and Monsters)

Fotos: Universal Pictures “Minions & Monsters”, direção conjunta de Pierre Coffin e Patrick Delage, para mim, sem sombra de dúvida é o ...