quarta-feira, agosto 12, 2026

“O FIM DA RUA” (The End of the Oak Street)

Fotos: Warner Bros.
“O Fim da Rua” (The End of the Oak Street), com direção de David Robert Mitchell, é ambientado no começo dos anos 1980, em um daqueles bairros de subúrbio americano, e mostra o casal Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor) com seus dois filhos adolescentes, mas vivendo uma crise no casamento. Greg trabalha como entregador de pizza, e ela, dona de casa, sonha em ser escritora.
Mas tudo vira de cabeça para baixo, quando em certa noite uma tempestade misteriosa cai sobre o bairro de Oak Street. Na manhã seguinte, eles descobrem que o local está sendo habitado por seres pré-históricos, como dinossauros famintos por carne fresca, cobras gigantes, e outros perigosos seres voadores.
Denise, Greg e os filhos passam, então, a se preocupar apenas com a sobrevivência e como conseguir sair do bairro – que descobrem, foi transportado para a pré-história. E dê-lhe correrias, mortes cruéis de personagens secundários e confrontos com os seres monstruosos. E adolescente agindo como adolescente, ou seja, fazendo burrices.
“O Fim da Rua” é um bom divertimento para sessão da tarde, ou em uma reunião com os amigos, comendo pipoca e tomando guaraná. Dá seus sustos, tem cenas tensas, um protagonista vai desta para melhor. Porém, numa avaliação mais rigorosa, não passa de uma colagem de muita coisa que já foi feita. O longa-metragem é nada mais do que reciclagem de outros filmes e séries, como “Jumanji”, “Stranger Things”, “Elo Perdido”, “Parque dos Dinossauros”, “La Brea – A Terra Perdida”, entre outros.
Duração: 1h39
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=HIvEeEVBmZM

“UMA QUINTA PORTUGUESA”

Fotos: Kajá filmes
“Uma Quinta Portuguesa”, dirigido por Avelina Prat, é um sensível filme português, mostrando a reviravolta na vida de um professor de geografia espanhol, Fernando (Manolo Solo). Certo dia, ele chega em casa e descobre que sua esposa, a croata Milena (Kasia Kapcia) sumiu – ela simplesmente cansou da vida de estrangeira em Madrid, e voltou para a terra natal.
Fernando não consegue encontrar a esposa, simplesmente abandona o apartamento, e decide fazer uma viagem para a vizinha Portugal, onde encontra um jardineiro, Manuel (Xavi Mira), com quem cria uma rápida amizade. O trabalhador está se preparando para ir ao novo emprego, um sítio. Porém, morre repentinamente.
Fernando, querendo achar um sentido para a sua vida, simplesmente assume a identidade do jardineiro, e se apresenta na fazenda de Amália (Maria de Medeiros), no lugar do amigo morto. E assim passa a viver no local, com identidade falsa e criando forte laço com Amália, que passa a desconfiar do novo funcionário. Mas com confiança em Fernando/Manuel, o mantém no emprego. E a trama foca ainda no destino de Milena e uma outra mulher, que surge ocupando o apartamento do professor, também chamada Milena.
“Uma Quinta em Portugal” acaba falando de confiança, descobrimento, renascimento, amizade. Tudo embalado naquele belo sotaque português da Terrinha. Deu vontade de ir a Portugal.
Duração: 1h54
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=E1hKIev6NK0

“HONESTINO”

Fotos: Pandora Filmes
Conheço diversas histórias de guerrilheiros que lutaram contra a Ditadura Militar (e escrever isso me lembra a vez em que escrevi uma reportagem no jornal em que trabalhei 30 anos, sobre os Anos de Chumbo. E o diretor do veículo me chamou e disse que não houve ditadura militar – o puxa-saco queria agradar os bispos que comandam o jornal...depois de uma discussão, eu pedi que se ele fosse suprimir isso, que meu nome não saísse na matéria. No final, saiu governo militar...). Bem, tudo isso só para contar que o estudante personagem deste documentário me era desconhecido.
“Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles, e com roteiro de Aurélio Michiles e André Finotti e produção de Nilson Rodrigues, conta a história do jovem Honestino Guimarães, líder estudantil, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e um dos mais importantes desaparecidos políticos da Ditadura Militar.
O longa-metragem é uma fusão entre documentário e ficção, e reconstitui a trajetória do líder estudantil da geração de 1968, presidente da UNE e aluno da Universidade de Brasília (UnB). Preso cinco vezes por sua militância política, Honestino foi sequestrado pela Ditadura Militar em 1973, aos 26 anos, e nunca mais foi visto. Seu desaparecimento tornou-se um dos casos mais emblemáticos da violência de Estado durante o regime militar brasileiro.
A narrativa é construída a partir de cartas, poemas, imagens de arquivo e depoimentos de familiares, amigos e companheiros de militância, recuperando não apenas a trajetória política de Honestino, mas também a dimensão humana de um jovem que se tornou símbolo da resistência e cuja história continua inspirando novas gerações. Entre os depoentes estão nomes como Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa do líder estudantil.
As cenas ficcionais são interpretadas por Bruno Gagliasso, que dá vida a Honestino em momentos reconstruídos a partir dos registros e relatos reunidos pelo filme. A combinação entre documentos históricos, testemunhos e dramatização busca aproximar o público da trajetória de um personagem cuja história foi interrompida pela repressão e cujo paradeiro permanece desconhecido.
Ao recuperar a história de Honestino, o longa também lança um olhar sobre os mecanismos de apagamento utilizados pela Ditadura Militar para silenciar opositores e interferir na memória pública. Sua trajetória é colocada em diálogo com a de outras vítimas da violência de Estado, como Rubens Paiva, Vladimir Herzog e José Carlos da Mata Machado, reforçando a importância da memória como ferramenta de enfrentamento ao esquecimento.
Duração: 1h25min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Zpex0lMmUW8

“CLUBE DO CINEMA EXIBE CORRA, LOLA, CORRA, NO GOETHE”

Fotos: X-Filme Creative Pool
O Clube de Cinema de Porto Alegre exibe, no próximo sábado, 15 de agosto, às 10h15, o cult “Corra, Lola, Corra” (1998), do diretor alemão Tom Tykwer. Realizada em parceria com o Goethe-Institut Porto Alegre, a sessão acontece no auditório da instituição, com entrada gratuita e aberta ao público.
O título já dá a ideia: temos muita ação, montagem frenética e um inesquecível cabelo vermelho-fogo de Lola (Franka Potente). “Corra, Lola, Corra” acompanha uma jovem que recebe um telefonema desesperado de seu namorado, Manni. Ele perdeu uma grande quantia de dinheiro e precisa recuperá-la em apenas 20 minutos. A partir daí, Lola atravessa as ruas de Berlim em uma corrida contra o tempo, enquanto pequenos acontecimentos parecem ser capazes de alterar o rumo da história.
Um dos filmes alemães mais populares de todos os tempos, e um dos mais marcantes da década de 1990, "Corra, Lola, Corra" combina ação, romance, animação e experimentação narrativa em um cenário tão acelerado quanto sua protagonista.
A exibição integra a parceria entre o Clube de Cinema de Porto Alegre e o Goethe-Institut Porto Alegre, voltada à divulgação e à valorização da cinematografia alemã.
Serviço
Exibição de “Corra, Lola, Corra” (Tom Tykwer, Alemanha, 1998)
Local: Auditório do Goethe-Institut Porto Alegre
Endereço: Rua 24 de Outubro, 112, Moinhos de Vento, Porto Alegre
Quando: sábado, 15 de agosto
Horário: 10h15
Entrada: gratuita e aberta ao público
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=M7V8eEBS5ec

quarta-feira, julho 22, 2026

“FUTURO FUTURO”

Fotos: Vulcana Cinema
“Futuro Futuro” é o quarto longa do diretor gaúcho Davi Pretto que, depois de “Castanha” (2014), “Rifle” (2016) e de “Continente” (2024), transformou sua cidade natal, Porto Alegre, em uma metrópole futurista.
O filme é uma ficção-científica de baixo orçamento que se passa em um futuro distópico e investiga o perigo, a estupidez e o absurdo da inteligência artificial em um futuro precarizado, assolado pela constante crise ambiental e o sofrimento coletivo.
“Futuro Futuro” teve inspiração na literatura ciberpunk de William Gibson e Philip K. Dick. A trama acompanha K (Zé Maria Pescador), um homem de 40 anos que perdeu a memória e é acolhido por Silvio (João Carlos Castanha), um clickworker solitário de 60 anos, na região mais empobrecida de uma cidade constantemente castigada pelas chuvas torrenciais. Ao experimentar um dispositivo de inteligência artificial altamente viciante durante um curso voltado a pessoas afetadas pela síndrome, K inicia uma jornada marcada pelo absurdo e pela tragédia em busca de compreender sua identidade e encontrar um lugar no mundo.
Para interpretar K, personagem protagonista, o diretor escalou o potiguar Zé Maria, ator conhecido por seus trabalhos em filmes como “O Clube dos Canibais” (2018) e “Paloma” (2022), além da série “Maria e o Cangaço” (2025).
Além de Zé Maria Pescador, o filme conta também com João Carlos Castanha (que batiza e protagoniza o primeiro filme do cineasta), Carlota Joaquina, Clara Choveaux, Higor Campagnaro, Olivia Torres e Gabriela Greco.
“Futuro Futuro” foi rodado em apenas 16 dias em Porto Alegre. A produção teve suas filmagens interrompidas por meses devido à maior enchente da história do estado, em maio de 2024. Ironicamente, um filme distópico que se deparou com uma distopia real inimaginável. Depois que a enchente inundou locações que ainda fariam parte das filmagens, e diante de recursos escassos para concluir as diárias, Davi decidiu incorporar radicalmente imagens de inteligência artificial, tanto como o elemento distópico previsto na história, quanto como uma solução para terminar o filme.
Para o cineasta, usar imagens IA para refletir sobre os riscos dessa tecnologia é um gesto necessário para investigar essa tecnologia. “Qualquer alternativa para conter os avanços da IA infelizmente não recai sobre decisões individuais em não usá-la. Estamos falando de uma tecnologia que atualmente 7 em 10 brasileiros afirmam usar diariamente. Há ainda um medo crescente de quem não usa acabar ficando para trás no mercado de trabalho, isso é sabido. Pensar que a responsabilidade está no indivíduo é uma distração similar ao conceito da pegada individual de carbono, criado como campanha de marketing de uma gigante empresa de petróleo para desviar o real debate do climático. Data centers de bilhões de reais para treinar IAs são criados anualmente no Brasil com incentivo e apoio dos governos locais e federal. Muitos desses data centers não divulgam para quais plataformas IA elas prestam serviço. Se há ainda alternativas, é através de grandes organizações coletivas", afirmou Pretto.
"Ao imaginar um futuro marcado pela inteligência artificial e pelos impactos da tecnologia, o filme Futuro Futuro convida o público a refletir sobre os rumos do desenvolvimento tecnológico e seus efeitos na vida cotidiana. Patrocinador do longa, o BNDES acredita na força do audiovisual brasileiro para estimular o diálogo e a reflexão crítica sobre temas relevantes para sociedade, sem abrir mão da emoção e do engajamento com o público", pontua Marina Moreira, superintendente da Área de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES.
Duração: 1h24
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=W1dU0ahmzks

quinta-feira, julho 16, 2026

54ª FESTIVAL DE GRAMADO DIVULGA CURADORIA E CURTAS BRASILEIROS DA MOSTRA COMPETITIVA

Foto: Divulgação
Doze produções de sete estados diferentes integram a mostra competitiva de curtas-brasileiros do 54º Festival de Cinema de Gramado. Os finalistas foram selecionados por Chico Izidro, jornalista, escritor e crítico de cinema; Alice Urbim, jornalista, produtora e diretora; Cavi Borges, diretor, produtor e distribuidor; Danny Barbosa, atriz, roteirista, diretora e produtora; e Taty Behar, comunicóloga.
"A seleção foi um misto de desafio e prazer. Desafio porque era preciso escolher aproximadamente dez por cento, entre quase mil obras; prazer porque, ao exercitar a retina crítica, nos deparamos com uma diversidade que mostra caminhos novos para o cinema nacional. Nosso critério privilegiou, além da qualidade estética e do rigor técnico, filmes cujas narrativas tragam urgências de discurso e olhares sensíveis sobre temas que merecem ganhar espaço nas telas. Buscamos trabalhos que provoquem reflexões, ampliem perspectivas e deem vez a vozes pouco escutadas. A curadoria precisou contemplar a multiplicidade cultural do país desde a sua primeira etapa — olhares femininos e masculinos, raciais, trans e intergeracionais, além das distintas regionalidades que compõem o Brasil", destaca a comissão de curadores.
Confira os filmes selecionados:
- “A Menina que Queria Ser Pedra” (MG), de Jackson Abacatu. 9’
- “As Gêmeas” (RJ), de Vanessa Aguiar. 11’
- “Divino: Sua Alma, Sua Lente” (MT), de Clea Torres e Gilson Costa, com codireção de Divino Tserewahú. 20’
- “Fúrias” (RS), de Nica Maleoa. 18’
- “Graxa e o Zepelim” (PE), de Camilo Soares. 21’
- “Maior que a Casa Toda” (RO), de Fabiano Barros e Neto Cavalcanti. 15’
- “Mulher Papaya” (SP), de Camila Tarifa. 19’
- “Pão Doce” (SP), de Wesley Gabriel Silva Santos. 17’
- “Pique-Pega” (RJ), de Mia Lima Rocha. 12’
- “Revelação” (RJ/SP/FR), de Gabriela I. Gaia. 17’
- “씨발 (Shibal)” (SP), de João Rubio Rubinato. 20’
- “Um Passeio” (SP), de Thalles Cabral e Fernanda Rocha. 16’

quarta-feira, julho 15, 2026

“A ODISSEIA” (The Odyssey)

Fotos: Universal Pictures
Christopher Nolan acertou em cheio em “A Odisseia” (The Odyssey), filmaço de quase três horas baseado no poema grego “Odisseia”, de Homero, surgida cerca de 800 a.C., e que é um dos dois principais poemas épicos da Grécia Antiga, sendo uma sequência da “Ilíada”, outra obra creditada ao poeta.
A trama mostra a longa jornada de Odisseu (interpretado por Matt Damon, em excelente atuação), rei de Ítaca, e que tenta voltar para casa e para os braços da amada rainha Penélope (Anne Hathaway) e para a convivência com o filho Telêmaco (Tom Holland), após a Guerra de Troia.
A história traz o protagonista relembrando, na companhia da ninfa da ilha de Ogígia, Calipso (Charlize Theron), todos os percalços que sofreu durante a campanha militar, enquanto ela tenta manter Odisseu como seu parceiro na imortalidade.
Ao mesmo tempo, em Ítaca, Penélope tenta manter afastado vários pretendentes, que desejam esposá-la, já que Odisseu é dado como morto, para assim assumirem o trono do reino, sendo o mais insistente e vilanesco Antinoo (Robert Pattinson, confirmando mais uma vez que virou um baita ator).
Em seu desejo de saber como foi parar ao lado da ninfa, Odisseu vai relembrando a sua longa viagem e então vão sendo mostradas as lendas do poema de Homero – como a invasão militar de Troia por meio do gigantesco cavalo de madeira, o encontro com seres míticos como o Cíclope Polifemo – em um dos momentos mais extraordinários e assustadores do filme, o embate com a feiticeira Circe (Samantha Morton, mais assustadora do que nunca), que transforma os guerreiros de Odisseu em porcos, e a tentativa de escapar da armadilha do canto das sereias – cujas figuras nem precisam aparecer, para trazer uma grande tensão na cena.
As cenas são grandiosas, com o filme trazendo aquele clima dos grandes épicos dos anos 1950 e 1960, sendo ainda bem superior a versão de 1954, “Ulysses”, dirigido por Mario Camerini, com Kirk Douglas como o protagonista. As batalhas são bem construídas, os cenários estupendos, o figurino excelente e o roteiro é bem arquitetado, não deixando pontas soltas. E apesar de suas quase três horas de duração, o espectador não sente o tempo passar.
E além dos atores já citados, “A Odisseia” traz ainda Lupita Nyong'o em papel duplo como Helena de Troia e sua gêmea Clitemnestra, Zendaya como Atena, a deusa da sabedoria, da guerra e do artesanato, que protege Odisseu, Jon Bernthal como Menelau, o rei grego de Esparta, e John Leguizamo como Eumeu, servo fiel de Odisseu e pastor de porcos cego. Todos estão muito bem em seus papéis, neste que certamente é o melhor filme do ano até agora.
Duração: 2h52
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Y7kyuElktjo

“O FIM DA RUA” (The End of the Oak Street)

Fotos: Warner Bros. “O Fim da Rua” (The End of the Oak Street), com direção de David Robert Mitchell, é ambientado no começo dos anos 1980,...