“Zafari”, sexto longa-metragem da venezuelana Mariana Rondón. Ela é uma cineasta que realiza obras sempre focadas pelas crises sociais e econômicas que atingem seu país, a Venezuela, Rondón imagina em “Zafari” uma sociedade distópica, onde a população enfrenta a ausência das regras sociais, a falta de trabalho e, sobretudo, de comida; um mundo no qual a fome pode transformar humanos em selvagens. A diretora mistura elementos de suspense e de terror, com a narrativa podendo ser vista como a metáfora de uma Venezuela fraturada.
A trama foca em uma família que mora em frente a um pequeno zoológico em Caracas, onde a chegada do hipopótamo Zafari é comemorada por vizinhos de diferentes classes sociais.
A família de Ana (Daniela Ramírez) e Edgar (Francisco Denis) vê o prédio onde mora ser abandonado aos poucos. Ela passa os dias percorrendo os corredores e invadindo os apartamentos em busca de comida deixada por quem foi embora para outro país. E emigrar é o sonho deles, mas para tanto, precisam de dinheiro para a viagem.
E da janela do apartamento deles, acompanham os moradores mais pobres da região invadindo o condomínio e se refrescando na piscina. E o hipopótamo Zafari é o único que ainda tem o que comer. Sua rotina alimentar e seu corpo arredondado despertam sentimentos inesperados em quem encara privações.
Rondón explica que decidiu contar o filme como uma fábula distópica. “Para nós era realmente importante realizar esse filme e apresentar ao espectador a pergunta: até onde seríamos capazes de chegar se isso acontecesse com a gente? Conseguiríamos permanecer estáveis? Conseguiríamos ter um sistema ético? Ou simplesmente viveríamos em um mundo selvagem sem trégua?”, questiona.
Já Marité Ugás, corroteirista do filme, o encontro da ironia com o cinema de gênero ajuda a tocar nos temas que são caros à dupla de cineastas: “Todos os elementos apontavam para a necessidade de dar um passo em direção ao suspense e também um pouco ao terror. Mostrar a sensação física da fome nos pareceu importante para contar a história”, finaliza.
Ah, e não confundir Zafari, o hipopótamo, que é uma homenagem a um hipopótamo que realmente teve um final trágico em Caracas, e se chamava Safari, com a rede de supermercados gaúcha Zaffari.
Cotação: ótimo
Duração: 1h40min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=PKPtCxIzFmw













