quarta-feira, junho 17, 2026

“TOY STORY 5”

Foto: Disney
Iniciada em 1995, a saga em que os brinquedos ganham vida quando os humanos não estão olhando, ganha um novo capítulo. Em “Toy Story 5”, direção conjunta de Andrew Stanton e McKenna Harris. Agora os bonecos são liderados pela vaqueira Jessie, com o astronauta Buzz Lightyear como seu primeiro ajudante – e rola uma química entre esses dois personagens.
E os brinquedos pertencem à pequena Bonnie, garotinha tímida de oito anos, que sofre para fazer amizades. E quando tenta, acaba sofrendo bullying de outras meninas, pois ela ainda brinca com seus brinquedos, enquanto as outras amigas estão dominadas pelos seus celulares.
Para tentar fazer com que Bonnie se integre as novas tendências, os seus pais a presenteiam ccm um tablet em forma de sapo chamado Lilypad.
Porém, o tablet acaba sendo visto como uma ameaça pelos demais brinquedos, com Jessie fazendo campanha intensa para que Bonnie se livre de Lilypad, com medo de serem abandonados pela garotinha. E isso vai fazer com que os brinquedos acabem entrando em diversas aventuras, se perdendo pelas ruas da cidade. E no meio de toda a bagunça, o cowboy Woody, que agora pertence a outra criança, surge para ajudar seus antigos companheiros.
O filme tem aquele clima de nostalgia – e muita gente vai se identificar com o passado, onde as crianças iam para as ruas brincarem e não ficavam trancadas, dentro de casa, olhando para telas de celulares e computadores.
“A tecnologia mudou a vida de todos, mas estamos nos perguntando o que isso significa para nós e para nossos filhos”, disse Andrew Stanton, um dos diretores do filme. “Hoje os brinquedos parecem ocupar um espaço menor na vida das crianças. Ver um quarto sem o domínio de dispositivos eletrônicos é quase algo do passado.”
Duração: 1h42
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=-YbiBclEEgo

“CINCO DA TARDE”

Foto: 3 Tabela Filmes
"Cinco da Tarde" é dirigido por Eduardo Nunes e acompanha Anabel (Bárbara Luz, de “Ainda Estou Aqui”), uma jovem de 17 anos que está lidando com a recente morte de sua avó. Ela acaba conhecendo a vizinha de sua avó, a tímida e solitária Meiko (Sharon Cho).
As duas começam a conversar, de forma tímida, e acabam descobrindo uma conexão inesperada – e à medida em que vão convivendo, vão encontrando muitos sentimentos em comum, como perda, solidão e pertencimento. “Cinco da Tarde” é todo ele feito em P & B, com várias longas cenas silenciosas. A depressão pega forte, transformando a experiência da assistir ao filme, por vezes, difícil e cansativa.
O longa-metragem foi filmado em agosto de 2022 (ainda se vivia a pandemia, tanto que em várias cenas, os atores aparecem usando máscaras), em locações de Niterói, no Rio de Janeiro, refletindo a cidade natal do diretor e roteirista. Lugares como o Campo de São Bento, a Igreja Porciúncula de Sant’Ana e o Edifício Cézanne, erguido onde já foi o antigo Cine São Bento, aparecem como cenários marcantes no filme.
“O filme foi realizado através do Primeiro Edital de Fomento do Audiovisual da Prefeitura de Niterói, e tenho muito orgulho disso, pois acredito que a cidade tem um potencial enorme para o cinema. Não à toa uma das mais importantes Escolas de Cinema do Brasil reside aqui em Niterói. Este edital permitiu que eu, depois de mais de 30 anos de carreira, filmasse pela primeira vez em minha cidade. E foi muito especial voltar a lugares onde passei a infância, como o Campo de São Bento e os arredores da Igreja Porciúncula de Sant’Ana. Além de fazer uma homenagem ao Cine São Bento, que meus pais frequentavam”, disse o diretor.
Duração: 2h05
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Fhtn80pCjqc

“O AFINADOR” (Tuner)

Foto: Paris Filmes
“O Afinador” (Tuner), dirigido por Daniel Roher, apresenta o jovem Niki (Leo Woodall, de Nuremberg), que trabalha com o veterano Harry Horowitz, afinando pianos em New York. Niki tem uma audição extraordinariamente sensível, devido a um acidente, e isso o torna um excelente profissional em sua área.
Os dois passam os dias circulando pela cidade, indo a casas de ricaços ou escolas de música para afinar pianos – na realidade, apenas Niki trabalha, com Harry apenas observando, pois já fez muito e está passando o bastão para o ajudante.
Porém, a qualidade extraordinária de Niki vai atrair as pessoas erradas – um vigarista, Uri (Lior Raz, do seriado israelense Fauda) que tem uma empresa de alarmes, mas a usa como fachada para arrombar cofres de mansões nova-iorquinas, acaba aliciando o jovem, que mostra tremenda habilidade de abrir cofres devido a sua audição especial.
“O Afinador” até não é um filme ruim, apresentando uma baita trilha sonora, recheada de jazz, mas o roteiro se mostra muito previsível e com muitas conveniências por demais forçadas. E parece que New York tem poucas quadras, pois os personagens se “batem” com uma facilidade absurda.
E para encerrar, Dustin Hoffman é, simplesmente, subutilizado. Seu personagem passa boa parte do tempo sentado ou deitado numa cama, e spoiler, nem chega ao final do filme. Desperdício total desse baita ator.
Duração: 1h49min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=xALbRCZSEuQ

quarta-feira, junho 10, 2026

“DIA D” (Disclosure Day)

Fotos: Universal Pictures
Quando foi anunciado o novo filme de Steven Spielberg, eu pensei ansioso de que ele iria revisitar a II Guerra, como no genial “O Resgate do Soldado Ryan”, que começa exatamente no dia que marcou a invasão aliada à Europa, pelos aliados, em 6 de agosto de 1944. Porém eu me equivoquei. Porém não é por este motivo que me decepcionei com o longa-metragem.
“Dia D” (Disclosure Day) ou o Dia da Descoberta, vemos o especialista em informática David Kellmer, vivido por Josh O’Connor (de Rivais), fugindo de homens que não sabemos se são de alguma agência governamental ou privada, pois roubou alguns documentos, sob ordens de Hugo (Colman Domingo). Junto com Kellner, na longa escapada, está sua namorada, a ex-noviça Jane (Eve Hewson).
Ao mesmo tempo em que Kellner e Jane tentam se esconder de agentes comandados por Noah (Colin Firth), surge a personagem de Emily Blunt, Margaret Fairchild, garota do tempo de uma pequena emissora de TV de Kansas City, que do dia para a noite recebe poderes sobrenaturais, como falar outras línguas e poder ler o pensamento de outras pessoas.
Os dois, David e Margaret acabam se unindo em meio a um caos que acontece nos Estados Unidos, com a população levando de assalto produtos de minimercados, como se estivesse esperando uma guerra ou uma invasão extraterrestre. E o roteiro de David Koepp baseado em uma história do próprio Spielberg. Os dois já haviam trabalhado juntos em "Jurassic Park" (1993) e "Guerra dos mundos" (2005).
Consegue esconder por boa parte do filme o motivo da fuga de David, que papéis e HDs são aqueles que o personagem carrega em uma mochila – e por que Noah o persegue com tanta vontade. Colin Firth abusou demais e transformou seu vilão em um personagem caricato.
As fugas são estilosas, espetaculares, apesar de inverossímeis ao extremo. A cena do trem é tensa, mas abusa dos malabarismos dos protagonistas Daniel e Margaret. Porém aí, Spielberg revisita o momento em que se viciou em cinema, reproduzindo o momento do acidente que ele relembra em “Os Fabelmans” (2022). Quando criança, o diretor foi levado ao cinema para assistir “O Maior Espetáculo da Terra" (1952), dirigido por Cecil B. DeMille, e onde o clímax é a famosa colisão entre duas seções do trem do circo.
Mas voltando a “Dia D”, o diretor ainda traz reminiscências de dois de seus clássicos, "Contatos imediatos do terceiro grau" (1977) e "E.T. O extraterrestre" (1982). Para mim, Spielberg segue uma crença de que existem realmente extraterrestres e a existência dos monstrinhos verdes são escondidas por organizações governamentais, ou no caso de seu novo filme, de uma agência privada.
E sei lá, mas se os alienígenas do novo filme fossem mais bélicos, até poderia comprar a ideia. Afinal, a humanidade não deu certo, e eles podiam dar um pulinho na Terra para fazer o trabalho do meteoro. Mas ET bonzinho e a população mundial parada, boquiaberta, olhando em seus celulares a revelação da existência desses seres, é pedir demais.
Cotação: regular
Duração: 2h17min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=cULQTp0ImEM

“CRIADAS”

Fotos: Vitrine Filmes
“Criadas” é o primeiro filme de ficção dirigido por Carol Rodrigues, misturando drama psicológico, realismo fantástico e horror subjetivo. A trama acompanha o reencontro entre as primas Sandra (Mawusi Tulani) e Mariana (Ana Flavia Cavalcanti), mulheres negras que cresceram juntas na mesma casa, mas ocuparam lugares radicalmente diferentes dentro dela. A mãe de Sandra trabalhou no local como empregada residente ali no passado, enquanto que os pais de Mariana eram os donos da casa.
O reencontro das duas traz à tona memórias boas e outras negativas, pesadas. Sandra é uma mulher negra, de pele escura, acima do peso e sofre para poder provar suas qualidades profissionais – ela é engenheira em uma grande construtora, envolta em um grande projeto. Já Mariana tem a pele clara, magra e parece ter passado incólume pelos problemas raciais.
Conforme Carol Rodrigues, “o filme nasce da tentativa de compreender as contradições dentro da própria família e das marcas deixadas pelo trabalho doméstico nas dinâmicas afetivas brasileiras.”
“A casa guarda aquilo que as personagens tentaram esquecer. Era importante para mim pensar o espaço como uma presença viva, que observa, cobra e devolve memórias”, acrescenta a diretora.
“Criadas” fala de amor, ressentimento, ancestralidade e permanência. É um filme sobre mulheres negras tentando reorganizar suas próprias narrativas depois de terem sido definidas, durante muito tempo, pelo olhar dos outros”, completa Rodrigues.
As protagonistas do longa também destacam a dimensão emocional do encontro entre suas personagens. Mawusi Tulani define Sandra como uma mulher atravessada por sonhos de ascensão e pelas marcas silenciosas do racismo estrutural. “Sandra é uma mulher preta, gorda, retinta. Assim como acontece em muitas famílias negras brasileiras, ela cresceu acreditando que os estudos seriam o caminho para transformar sua vida e conquistar ascensão social.” e completa “Sandra é movida pela esperança e pela ambição de ocupar outros espaços, mas ao revisitar a casa de sua prima Mariana, acaba também revisitando o próprio passado, suas memórias, dores e feridas ainda abertas. É nesse processo que começa a compreender as questões que moldaram sua trajetória e sua existência”.
Para Mawusi, o filme utiliza a intimidade das personagens para discutir estruturas sociais mais amplas. “Criadas transforma experiências privadas em reflexão coletiva. O filme fala sobre racismo, solidão, colorismo e sobre aquilo que muitas mulheres negras carregam sem conseguir nomear completamente”, afirma.
Já a atriz Ana Flavia Cavalcanti conta um pouco sobre sua experiência com a personagem: “Ela é uma mulher distante de mim, eu nasci em uma família bastante miscigenada, filha de uma mulher negra e um homem afro-indígena todos com raízes no Nordeste e em Minas Gerais. Nasci em uma favela muito perigosa nos anos 80, em Diadema”, relembra.
“Mariana, não. Ela é uma mulher que nasce em um contexto social muito próspero. O pai é branco e rico e a mãe preta que para conseguir pertencer àquele mundo embranquece à medida que os anos passam. Mariana cresce com muitas estruturas, mas sem nenhum letramento racial e por isso sofre a falta de pertencimento.” Ela finaliza: “o filme nos faz refletir sobre as estruturas que a escravidão coordenou durante tantos séculos e seus desdobramentos.”
Cotação: bom
Duração: 1h45
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=VbFQsIRyePc

terça-feira, junho 02, 2026

“NATAL AMARGO” (Amarga Navidad)

Foto: Warner Bros. Pictures
“Natal Amargo” (Amarga Navidad), é o seu 24º longa-metragem do espanhol de 76 anos Pedro Almodóvar, e é um filme dentro do filme. E onde o consagrado diretor expõe mais uma vez suas feridas.
No filme, seguimos a história de dois cineastas obcecados em trabalhar, e em dois tempos distintos, 2004 e 2026: Elsa (Bárbara Lennie) e Raúl (Leonardo Sbaraglia), uma espécie de um alter ego de Almodóvar. Ela acabou indo para a área dos comerciais publicitários, depois de ter lançado um filme que fracassou, mas virou cult. E sofre com o luto da perda da mãe e vive com crises de enxaqueca. Além disso, namora Bonifácio (Patrick Criado), que trabalha como bombeiro e nas horas vagas, atua como stripper numa boate e onde ela o conheceu.
Já Raúl é um diretor veterano de sucesso, mas em bloqueio criativo – em determinado momento, um dos personagens chega a sugerir que ele aceite as ofertas de filmar para a Netflix, mas seu ego o impede. Raúl passa os dias sentado em seu escritório, tentando escrever um roteiro. Mas deixa de lado sua vida pessoal e praticamente ignora a presença de seu namorado, Santi (Quim Gutiérrez).
Então, de repente, o roteiro, que vai pulando entre as duas décadas diferentes, deixa claro que a vida de Elsa é simplesmente fruto da imaginação de Raúl, baseado em histórias de sua assessora, Mônica (Aitana Sánchez-Gijón).
Mas é muito interessante como Almodóvar cria a ponte entre ficção e realidade. Se o espectador piscar, pode ficar boiando, tantas são as mudanças de tempo. Porém, fica claro de como Almodóvar reflete sobre sua própria carreira e o medo de envelhecer e perder a criatividade. Só que o espanhol mostra que ainda tem muita lenha para queimar.
E para encerrar, Almodóvar se mostra impecável em seu tradicional jogo de cores fortes, iluminação e um cuidado estético vigoroso.
Cotação: ótimo
Duração: 111 minutos
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=1JfX-T1Zvig

domingo, maio 31, 2026

“EU NÃO TE OUÇO”

Foto: Amaia Filmes
“Eu Não Te Ouço”, dirigido por Caco Ciocler, é um road-movie brasileiro e inesperado, cercado de nonsense e humor. O longa-metragem é baseado em fatos reais, pegando como personagem aquele patriota que em 2023, durante os protestos golpistas, se segurou no para-brisas de um caminhão. O bolsonarista viajou durante várias horas, percorrendo 15 quilômetros na BR-232 em Caruaru (PE).
Em “Eu Não Te Ouço”, a ideia é imaginar o que as duas pessoas que protagonizaram o evento estavam pensando. Os dois, motorista e patriota são interpretados pelo ator Márcio Vito. O filme levanta questionamentos sobre o momento político que a sociedade brasileira vive.
De dentro da cabine, o motorista tenta uma conversa impossível, seja pelo barulho do vento, seja pelo vidro que separava aqueles dois mundos. “O filme é também sobre esse vidro. Sobre o país que, três anos depois, segue tentando uma conversa consigo mesmo que soa cada vez mais impossível. Não mais pelo dito — a oposição dos discursos — e sim pelo que não se escuta”, explicou Ciocler.
Cotação: bom
Duração: 1h12
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=esfeMSQjpv8

“TOY STORY 5”

Foto: Disney Iniciada em 1995, a saga em que os brinquedos ganham vida quando os humanos não estão olhando, ganha um novo capítulo. Em “Toy...