quarta-feira, julho 15, 2026

“A ODISSEIA” (The Odyssey)

Fotos: Universal Pictures
Christopher Nolan acertou em cheio em “A Odisseia” (The Odyssey), filmaço de quase três horas baseado no poema grego “Odisseia”, de Homero, surgida cerca de 800 a.C., e que é um dos dois principais poemas épicos da Grécia Antiga, sendo uma sequência da “Ilíada”, outra obra creditada ao poeta.
A trama mostra a longa jornada de Odisseu (interpretado por Matt Damon, em excelente atuação), rei de Ítaca, e que tenta voltar para casa e para os braços da amada rainha Penélope (Anne Hathaway) e para a convivência com o filho Telêmaco (Tom Holland), após a Guerra de Troia.
A história traz o protagonista relembrando, na companhia da ninfa da ilha de Ogígia, Calipso (Charlize Theron), todos os percalços que sofreu durante a campanha militar, enquanto ela tenta manter Odisseu como seu parceiro na imortalidade.
Ao mesmo tempo, em Ítaca, Penélope tenta manter afastado vários pretendentes, que desejam esposá-la, já que Odisseu é dado como morto, para assim assumirem o trono do reino, sendo o mais insistente e vilanesco Antinoo (Robert Pattinson, confirmando mais uma vez que virou um baita ator).
Em seu desejo de saber como foi parar ao lado da ninfa, Odisseu vai relembrando a sua longa viagem e então vão sendo mostradas as lendas do poema de Homero – como a invasão militar de Troia por meio do gigantesco cavalo de madeira, o encontro com seres míticos como o Cíclope Polifemo – em um dos momentos mais extraordinários e assustadores do filme, o embate com a feiticeira Circe (Samantha Morton, mais assustadora do que nunca), que transforma os guerreiros de Odisseu em porcos, e a tentativa de escapar da armadilha do canto das sereias – cujas figuras nem precisam aparecer, para trazer uma grande tensão na cena.
As cenas são grandiosas, com o filme trazendo aquele clima dos grandes épicos dos anos 1950 e 1960, sendo ainda bem superior a versão de 1954, “Ulysses”, dirigido por Mario Camerini, com Kirk Douglas como o protagonista. As batalhas são bem construídas, os cenários estupendos, o figurino excelente e o roteiro é bem arquitetado, não deixando pontas soltas. E apesar de suas quase três horas de duração, o espectador não sente o tempo passar.
E além dos atores já citados, “A Odisseia” traz ainda Lupita Nyong'o em papel duplo como Helena de Troia e sua gêmea Clitemnestra, Zendaya como Atena, a deusa da sabedoria, da guerra e do artesanato, que protege Odisseu, Jon Bernthal como Menelau, o rei grego de Esparta, e John Leguizamo como Eumeu, servo fiel de Odisseu e pastor de porcos cego. Todos estão muito bem em seus papéis, neste que certamente é o melhor filme do ano até agora.
Duração: 2h52
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Y7kyuElktjo

“XICA DA SILVA”

Fotos: Luz Mágica
“Xica da Silva”, dirigido por Cacá Diegues, de 1976, e baseado no livro "Memórias do Distrito de Diamantina da Comarca do Serro Frio" (1868), de João Felício dos Santos, retorna aos cinemas em uma versão restaurada em 4K, em comemoração aos seus 50 anos de seu lançamento.
Apesar de retratar figura real e histórica – Xica da Silva, cujo nome verdadeiro era Francisca da Silva de Oliveira nasceu por volta de 1732, e foi uma mulher negra escravizada que conseguiu alforria, acumulando grande fortuna e tendo papel de destaque na elite de Diamantina (então Arraial do Tejuco, em Minas Gerais) durante o século XVIII –, o filme é praticamente uma comédia, por vezes beirando o escracho e a sexualidade tão forte no cinema nacional nos anos 1970.
Xica da Silva é vivida por Zezé Motta, que era propriedade do comerciante Sargento-mor (Rodolfo Arena), sendo usada sexualmente por ele e o filho José (Stepan Nercessian), em Arraial do Tejuco (hoje Diamantina).
Abusada e sem papas na língua, a escrava acaba virando objeto de desejo do Contratador João Fernandes, um representante do governo e um dos homens mais ricos do império português, que chega à cidade e é interpretado por Walmor Chagas.
Encantado por aquela mulher, ele acaba primeiro a comprando do Sargento-mor, e tempos depois recebe a alforria, transformando a localidade quase em seu reino particular, devido a proteção de João Fernandes. Ele faz todos os desejos de Xica da Silva, que começa a atrair o ódio da elite local, principalmente dona Hortência (a inesquecível Elke Maravilha, hilária).
A produção aposta no humor, erotismo e irreverência para apresentar as vivências de uma personagem real que rompeu barreiras. Em seu lançamento, o filme levou mais de 3 milhões de espectadores aos cinemas.
Duração: 1h57
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=UEEevjNB9L8

“O CONVITE” (The invite)

Fotos: A24
“O Convite” (The invite) é dirigido por Olivia Wilde, com roteiro de Will McCormack e Rashida Jones, sendo uma releitura do filme espanhol de 2020, "Sentimental" (As Pessoas do Andar de Cima), de Cesc Gay.
A história mostra o casal Angela (Olivia Wilde) e Joe (Seth Rogen) recebendo seus vizinhos do andar de cima, Piña (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton), em seu apartamento que acabou de ser reformado.
O problema é que Angela e Joe, casados há cerca de sete anos, já não se entendem mais, sendo que ele não se sente nenhum pouco confortável com as visitas, da qual ele não queria receber. Já Piña e Hawk é um casal extremamente liberal, juntos há pouco menos de um ano, e sem nenhuma trava na língua. Aos poucos, eles vão mostrando que os seus anfitriões vivem uma profunda crise, da qual não haviam se dado conta ou não queriam reconhecer.
“O Convite” é quase uma peça de teatro, sendo filmada 98% dentro de um apartamento em São Francisco. Os quatro atores estão muito bem confortáveis em seus papéis.
Seth Rogen é praticamente ele mesmo, o escape humorístico, fumando maconha e se sentindo o ser mais rejeitado do mundo, enquanto Edward Norton apresenta um personagem cínico. Já Olivia Wilde se despe da maquiagem, para mostrar uma mulher cujo relacionamento está indo para o esgoto, e Penélope Cruz transborda sexualidade.
Muitos espectadores ao verem “O Convite” sentirão conexão com os personagens – ou por já terem passado situações em que viram seus relacionamentos ficarem deteriorados ou por estarem vivendo o começo de um novo. Eis a graça do filme.
Duração: 1h47
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=3-AlcX7TdjY

quinta-feira, julho 09, 2026

FESTIVAL DE GRAMADO CHEGA A SUA 54 EDIÇÃO E ANUNCIA FILMES NACIONAIS E CURTAS GAÚCHOS CONCORRENTES

Foto montagem: “Feito Pipa”, “Leite em Pó”, “Justino - Nos Bastidores do Reino”, “Nosso Segredo”, “Pele de Rinoceronte” e “Chorão: Só os Loucos Sabem” são os filmes selecionados para a Mostra Competitiva de Longas-Metragens Brasileiros
O Festival de Cinema de Gramado divulgou nesta quarta-feira, 8 de julho, os seis longas-metragens brasileiros de ficção da mostra competitiva de sua 54ª edição: "Chorão: Só os Loucos Sabem" (SP), de Hugo Prata e Felipe Novaes; "Feito Pipa" (CE), de Allan Deberton; "Justino - Nos Bastidores do Reino" (DF), de José Eduardo Belmonte; "Leite em Pó" (MG/SP/RN), de Carlos Segundo; "Nosso Segredo" (MG), de Grace Passô; e "Pele de Rinoceronte" (RJ), de Marcello Ludwig Maia. Realizado pela Gramadotur, autarquia municipal de turismo e cultura, o mais tradicional festival de cinema do Brasil este ano acontece entre 12 e 22 de agosto, com abertura oficial no dia 14 de agosto, com exibição hors-concours do longa-metragem “Antártida”, de Bruno Safadi.
Os anúncios foram realizados durante coletiva de imprensa na Serra Gaúcha, e a presidente da Gramadotur, Rosa Helena Volk, também apresentou outros destaques da programação, como os curtas-metragens gaúchos selecionados para o Prêmio Assembleia Legislativa, o agraciado com o troféu Sirmar Antunes, as homenagens da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul ao cinema gaúcho, além de detalhes sobre acessibilidade, sessões especiais e o Conexões Gramado Film Market, segmento mercadológico do evento serrano. Os demais conteúdos e homenagens desta edição serão divulgados em coletivas de imprensa no Rio de Janeiro, no próximo dia 13 de julho, e em São Paulo, no dia 16.
A curadoria de longas-metragens brasileiros e documentários é assinada pelas atrizes Ana Flavia Cavalcanti e Camila Morgado e pelo jornalista, professor e crítico de cinema Marcos Santuario, e a seleção sublinha a força de Gramado como a primeira janela de exibição dos mais recentes títulos da cinematografia brasileira. Todos os filmes são inéditos no Brasil e três deles marcam a estreia de seus diretores em longas de ficção: Grace Passô, Carlos Segundo e Marcello Ludwig Maia.
“Escolher filmes nunca foi uma tarefa de consenso. É um gesto de confiança no cinema, mas também um exercício de escuta do presente. Cada edição de um festival é uma fotografia do tempo em que vivemos e, ao mesmo tempo, uma aposta no tempo que ainda está por vir. Foi com esse espírito que construímos a seleção da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Todos os títulos apresentados nesta edição chegam ao público brasileiro pela primeira vez. Mais que estreias, são encontros inaugurais. Cada sessão carrega a emoção do desconhecido, a possibilidade da surpresa e o privilégio de assistir a filmes que ainda não foram apropriados pelo olhar coletivo. Gramado continua sendo esse lugar raro onde o cinema nasce diante da plateia. Onde os filmes vêm ‘para nascer e não para morrer’”, destacam os curadores.
Dirigido por Hugo Prata e Felipe Novaes, “Chorão: Só os Loucos Sabem” mergulha na vida do rapper e cantor que marcou gerações na banda Charlie Brown Jr. Em Santos, no litoral paulista, ele conhece Graziela e, do encontro entre amor, rebeldia e vulnerabilidade, nasceram músicas que marcaram gerações. Com José Loreto e Nanda Marques, o filme é produzido pela Bravura Cinematográfica em coprodução com a Globo Filmes.
Em “Feito Pipa”, de Allan Deberton, o jovem Gugu sonha em se tornar um grande jogador de futebol. Criado pela avó, ele teme voltar a ter que morar com o pai, com quem tem uma relação complicada, e fará de tudo para evitar que isso aconteça. Com Lázaro Ramos, Yuri Gomes e Teca Pereira, o longa-metragem é uma produção da Deberton Filmes e da Biônica Filmes.
O Rio de Janeiro da década de 1980 é o cenário de “Justino - Nos Bastidores do Reino”, história em que o protagonista encontra em uma poderosa igreja neopentecostal a chance de sair da pobreza. Em sua rápida ascensão e no sucesso como pastor estão desejos reprimidos, segredos e ambição. Depois de 15 anos, Justino quer acertar as contas com o passado. Dirigido por José Eduardo Belmonte, o filme traz no elenco nomes como Christian Malheiros, Antonio Pitanga, Caio Blat e Onna Silva. A produção é da Mercado Filmes.
Com direção de Carlos Segundo e produção de O Sopro do Tempo, Vitrine Filmes e Les Valseurs, “Leite em Pó” apresenta a história de um músico obcecado por rock que vê sua vida desabar após uma perda familiar. Sozinho e sem dinheiro, ele decide aceitar um trabalho que o força a circular pela cidade, encontrando diferentes pessoas que desafiam sua visão de mundo. Entre memórias incômodas e os novos laços, ele inicia uma jornada transformadora para enfrentar seus fantasmas. O elenco apresenta Vinicius de Oliveira, Antonio Pitanga, Zezita Matos e Rejane Faria.
Em “Nosso Segredo”, uma família tenta reconstruir a rotina após uma perda recente. Enquanto cada um foge do luto à sua maneira, o filho mais jovem guarda um segredo que pode ajudá-los a enfrentar a dor e encontrar um novo caminho. Com Robert Frank, Efraim Santos, Jéssica Gaspar, Flip e Ju Colombo, o filme tem direção de Grace Passô. A Entre Filmes assina a produção do longa-metragem, em coprodução com a Globo Filmes.
Ambientado na década de 1970, “Pele de Rinoceronte”, de Marcello Ludwig Maia, traz Débora Falabella no papel de uma repórter de um jornal popular que, ao lado de uma advogada criminalista, vê sua vida mudar após um homicídio que chocou o Brasil e marcou o início do debate sobre o feminicídio. O drama, que também apresenta Naruna Costa, Irandhir Santos, Augusto Madeira, Elli Fêrreira e Daniel Rangel, é produzido pela República Pureza Filmes, em coprodução com o Canal Brasil e Telecine.
FORA DA MOSTRA COMPETITIVA - "ANTÁRTIDA"
Foto: Marina Ruy Barbosa em “Antártida”/Fabio Rocha
Produzido pelo Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo em coprodução com a TV Globo, “Antártida”, com direção de Bruno Safadi e roteiro de Claudia Jouvin, é estrelado por Andrea Beltrão, Marina Ruy Barbosa, Leandra Leal, Antonio Calloni, Lázaro Ramos e João Vitor Silva. Com distribuição da Paris Filmes, o longa tem lançamento confirmado nos cinemas para 17 de setembro.
Na trama, cientistas e militares se preparam para enfrentar o inverno rigoroso em uma base brasileira na Antártida. Tudo muda após a primeira noite, quando Inês (Marina Ruy Barbosa) sofre uma violência brutal e a situação torna todos os homens suspeitos, incluindo o Comandante Barros (Antônio Calloni) e o Capitão Vicente (Lázaro Ramos). Sob clima de tensão e desconfiança, a subcomandante Elisabeth (Andrea Beltrão) lidera uma investigação em busca do criminoso com o apoio das mulheres da base — entre elas, Marina, médica da estação, interpretada por Leandra Leal.
TROFÉU CIDADE DE GRAMADO
Crédito: Divulgação
O Troféu Cidade de Gramado, que reconhece personalidades ligadas ao festival, cuja atuação contribuiu para a projeção do evento e da região, será entregue ao ator, roteirista e diretor Marcos Caruso. Com uma longa trajetória de mais de quatro décadas no cinema, na televisão e no teatro, iniciou a carreira nos palcos na década de 1970 em montagens como “Rei Momo” e “Alegro Desbum”. Estreou na televisão em 1978 em “Aritana” e, desde então, integrou o elenco de grandes sucessos como “Mulheres Apaixonadas” e “Avenida Brasil”. Nos cinemas, participou de mais de 20 longas-metragens, com destaque para “Memórias Póstumas”, de André Klotzel; “Depois daquele Baile”, de Roberto Bomtempo; e “Polaróides Urbanas”, de Miguel Falabella.
PRÊMIO ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
Tradicional janela de exibição do cinema gaúcho, o Prêmio Assembleia Legislativa apresenta 18 títulos que formam um mosaico plural e descentralizado para uma mostra tradicionalmente reconhecida por revelar novos talentos da produção audiovisual local.
O famoso “Gauchão”, nome carinhosamente adotado pelo público para se referir à mostra, é realizado em parceria com a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, distribuindo troféus e prêmios em dinheiro para os vencedores de 12 categorias. As exibições acontecem nos dias 15 e 16 de agosto, às 13h, no Palácio dos Festivais, com a cerimônia de premiação marcada também para o dia 16, a partir das 20h.
Os filmes de curta-metragem selecionados:
"O Acumulador de Memórias" (Pelotas), de Camisla
"Banho Maria" (Porto Alegre), de Gabriel Faccini
"Batidão de Botas" (Pelotas), de Camila Santos (Camisla), Daniel Galuppo, Esther Costa, Maria Eduarda Bandeira e Stella Mahle
"Braço Forte" (Pelotas), de Rubens Fabricio Anzolin e João Fernando Chagas
"Claudete" (Santa Cruz do Sul), de Gabriela Kopp
"Coisa Ruim" (Porto Alegre), de Lucas Tergolina
"Drunken Car" (Garibaldi), de Brunella Martina
"Elisete Tem que Casar!" (Caxias do Sul), de Gaby Buffon
"Estátuas Também Morrem?" (Brasil/Hungria/Portugal/Bélgica), de Thais Fernandes
"Grão" (Rio Grande), de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa
"Manjericão" (Xangri-Lá), de Raphaela Serafim Maciel e Eric Pauli
"Mizandrika" (Pelotas), de Kali Breder
"Procura-se Ator" (Imbé/Tramandaí), de Airton Tomazzoni e Laura Lautert
"Raidinalha" (Porto Alegre), de Marco Arruda
"O Retorno" (Porto Alegre), de Cesar Meneghetti e Mario Gianni
"Terra Bruta" (Canoas), de Allan Riggs e Guilherme Suman
"A Vaidade é a Última Que Morre" (Porto Alegre), de Natália Zambon
"O Véu" (Porto Alegre), de Gabriel Motta.

quarta-feira, julho 01, 2026

“MINIONS & MONSTROS” (Minions and Monsters)

Fotos: Universal Pictures
“Minions & Monsters”, direção conjunta de Pierre Coffin e Patrick Delage, para mim, sem sombra de dúvida é o melhor filme já feito pela franquia, que começou lá atras, em 2010, com os pequenos seres amarelos sendo protagonistas ao lado do vilão Gru. Agora, em novo filme da carreira solo deles, a trama faz uma homenagem excelente ao cinema – é o terceiro filme da franquia spin-off de “Meu Malvado Favorito”.
Tudo começa em uma excursão de turistas a um estúdio de cinema em Hollywood, onde uma guia vai mostrando personagens importantes da indústria, e dê-lhe citações, como E.T. e até mesmo Keanu Reeves e o diretor George Lucas preso em uma jaula de vidro. Até surgir uma estátua de dois minions, os irrequietos James e Henry, desconhecidos pelos visitantes.
Então a guia decide contar a história dos minions, que são imortais e vagam pela Terra há milênios, sempre em busca de um vilão para servir, sem questionar (taí a explicação mais do que certeira do apelido dado aos seguidores do inominável – bolsominions).
Ao longo dos séculos, os minions fazem uma busca incessante e geralmente estragando a vida do líder escolhido e da deles mesmos. Mas eis que eles chegam na Hollywood do final dos anos 1920, sendo contratados pela produtora Bright Brothers Studios e trabalhando com o diretor alemão Max (uma referência aos vários diretores germânicos que fugiram da Alamanha nazista e foram trabalhar nos EUA, como Fritz Lang, Ernst Lubitsch e Michael Curtiz.
Eles acabam fazendo sucesso, tornam-se celebridades do cinema mudo e ficam muito ricos. Porém, seguindo na toada das citações cinematográficas, o cinema se torna falado e devido a dificuldade de se comunicarem, falando naquela língua toda própria deles, acabam sendo demitidos – olha aí “Cantando na Chuva”.
Porém James decide que quer dirigir seu próprio filme e ganhar um Oscar, e um longa-metragem de monstros. Para isso, ao lado de seu amigo Henry, conjuram um livro de feitiçarias de um antigo mestre deles, libertando vários monstros, um deles devastador, que pretende acabar com o planeta.
E o espectador se dobrando de rir e se deleitando, ao longo de pouco menos de uma hora e meia, de diversas homenagens a filmes e atores de Hollywood. Além dos já citados acima, tem espaço, entre outros, para “O Dia em que a Terra Parou”, “Tubarão”, “Cidadão Kane”,” Independence Day”, “A Múmia”, Charlie Chaplin e seu “Tempos Modernos”, e Buster Keaton e “O Homem-Mosca”.
“Minions & Monstros” é feito quase que praticamente para cinéfilos, mas também pode fazer com quem não saque as citações, fique curioso, e corra atrás das obras que o inspirou. Um dos melhores filmes animados dos últimos anos.
Duração: 1h29
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=tL_WTeAA-JA

segunda-feira, junho 29, 2026

"ANATOMIA DO CAOS"

Fotos: Descoloniza Filmes
Em “Anatomia do Caos”, a diretora baiana Dandara Ferreira revisita a negligência do governo de Jair Bolsonaro na pandemia de coronavírus a partir dos trabalhos da CPI da Covid. A diretora teve acesso aos bastidores da comissão no Senado e entrevistou parlamentares no longa que pretende discutir memória e justiça no Brasil.
O documentário político relembra as omissões do governo de Jair Bolsonaro e a postura de parlamentares da extrema direita durante a pandemia que culminaram na morte de mais de 700 mil brasileiros. A obra traça um panorama nacional de como decisões deliberadas e a falta de respostas adequadas diante de uma emergência sanitária global moldaram o cenário de crise em todo o país, revelando registros inéditos de bastidores de senadores que integravam a CPI e buscavam respostas, documentos e investigações que expõem as falhas estruturais na condução da crise.
Em abril de 2021, a diretora Dandara Ferreira decidiu ir a Brasília registrar os trabalhos da comissão em um momento de incerteza e medo. “O que me movia naquele momento era a percepção de que o país atravessava algo maior do que uma crise sanitária. Havia uma disputa brutal em torno da própria realidade”, disse ela, que fez a sua estreia no cinema de ficção com a cinebiografia de Gal Costa (“Meu Nome É Gal”), protagonizada por Sophie Charlotte.
Para a realizadora, a CPI da Covid surge no documentário como o palco de uma tragédia nacional, um teatro político. O filme explora como o discurso oficial produziu uma confusão deliberada e colocou a ciência em xeque. “Não se tratava apenas de negligência. Havia uma construção de uma narrativa em curso, uma política da desinformação que transformava a morte em estatística e a dor coletiva em deboche”, pontua a cineasta, “Anatomia do Caos” também aborda uma questão recorrente nos processos de CPIs no país: a impunidade ao final dos trabalhos. Segundo a diretora, o documentário não busca apenas revisitar o passado, mas questionar o presente e o que significa seguir adiante sem justiça ou responsabilização. “Esse filme nasce da necessidade pessoal de registrar esse período e da certeza de que algumas imagens precisam continuar abertas, porque elas ainda nos olham de volta”, concluiu.
O lançamento de “Anatomia do Caos” será marcado por um amplo circuito de exibições seguidas de debate, com a presença da diretora, reforçando o papel do filme como um espaço de diálogo e reflexão coletiva sobre a história recente do Brasil. As sessões especiais estão previstas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Recife, Curitiba, Salvador, Brasília e Fortaleza, permitindo que o público discuta a memória da pandemia e a necessidade de justiça.
Duração: 1h31
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=_epVTK4hl8w

CLUBE DE CINEMA EXIBE “NAS GARRAS DO VÍCIO NA SALA REDENÇÃO NESTA QUINTA-FEIRA

Fotos: Divulgação
O Clube de Cinema de Porto Alegre realiza, nesta quinta-feira, dia 2 de julho, mais uma sessão do ciclo "Nouvelle Vague e suas influências", desta vez com a exibição de “Nas Garras do Vício” (Le beau Serge, 1958), primeiro longa-metragem de Claude Chabrol e considerado por muitos críticos e historiadores como a obra inaugural da Nouvelle Vague francesa. A sessão acontece na Sala Redenção da UFRGS, na Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, no Parque Farroupilha, a partir das 19h.
Após a exibição, o público poderá participar de um debate com a professora, pesquisadora e crítica de cinema Fatimarlei Lunardelli, ampliando a experiência de reflexão sobre a obra e seu contexto histórico.
Mais do que um estilo cinematográfico, a Nouvelle Vague representou uma ruptura com os modelos tradicionais de produção. O movimento nasceu no final dos anos 1950 a partir de jovens críticos ligados à revista Cahiers du Cinéma, que decidiram colocar em prática suas reflexões sobre a linguagem cinematográfica.
Filmando em locações reais, com equipes reduzidas e maior liberdade narrativa, diretores como Claude Chabrol, François Truffaut, Jean-Luc Godard, Agnès Varda, Jacques Rivette e Éric Rohmer consolidaram o chamado cinema de autor, no qual a visão artística do diretor passa a ocupar um papel central. Sua influência permanece viva até hoje, inspirando realizadores em todo o mundo.
Em “Nas Garras do Vício”, Chabrol acompanha François, que retorna à sua cidade natal para se recuperar de uma doença e reencontra Serge, antigo amigo consumido pelo alcoolismo e pelo desencanto. Enquanto revive lembranças e confronta as tensões daquele pequeno vilarejo francês, o protagonista tenta ajudar o amigo a romper o ciclo de autodestruição que marcou sua trajetória. Filmado em cenários reais e marcado por uma forte dimensão psicológica, o longa antecipa muitas das características que se tornariam marcas da Nouvelle Vague.
Neste ano, o ciclo "Nouvelle Vague e suas influências" integra as ações de extensão da UFRGS realizadas em parceria com a Sala Redenção. Os participantes podem obter certificado de participação, válido para o aproveitamento de horas complementares pelos estudantes. Inscrições podem ser feitas aqui.
Serviço
Clube de Cinema de Porto Alegre – Ciclo "Nouvelle Vague e suas influências"
Local: Sala Redenção – UFRGS
Endereço: Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, Parque Farroupilha
Filme: Nas Garras do Vício (Le beau Serge)
Data: 2 de julho, quinta-feira
Horário: 19h
Debate: Fatimarlei Lunardelli
Entrada: Franca e aberta à comunidade
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=kWh3zETifk4

“A ODISSEIA” (The Odyssey)

Fotos: Universal Pictures Christopher Nolan acertou em cheio em “A Odisseia” (The Odyssey), filmaço de quase três horas baseado no poema g...