quarta-feira, fevereiro 18, 2026

“ISSO AINDA ESTÁ DE PÉ?” (Is This Thing On)

Foto: Disney
Bah, o filme “Isso Ainda Está de Pé?” (Is This Thing On), dirigido por Bradley Cooper, é um prato cheio para os integrantes da Quinta Série. Pois o título é completamente duplo sentido.
Mas na realidade, o filme é um drama sobre recuperação, sobre recomeço. E foca no casal Alex Novak (Will Arnett) e Tess (Laura Dern), que se separam após 20 anos de casados, pois ela cansou e quer uma vida nova.
Alex fica desorientado, não sabe o que fazer da sua vida, e em certa noite, circulando pelo centro da cidade, acaba tentando entrar em um bar de stand-up comedy. Mas sem dinheiro para o ingresso, só poderá ingressar no local se se apresentar.
E é o que ele faz, meio tímido e sem saber muito o que dizer. O personagem acaba desabafando sobre os infortúnios de seu casamento, e agrada a plateia.
E o stand-up comedy é praticamente isso. Raramente tem piadas escrachadas, mas é uma arte que consiste em falar sobre observações da vida, sobre os problemas de relacionamentos e trabalho. Alex acaba se encontrando neste filão, e logo se transforma em uma estrela do estilo, enquanto tenta recomeçar sua vida romântica.
O filme foca basicamente em Alex, mas a personagem de Laura Dern quer recuperar o tempo perdido. Tess era uma atleta de destaque no vôlei, mas largou tudo, e sonha em voltar para trabalhar com a equipe olímpica como assistente.
“Isso Ainda Está de Pé?” é dirigido a um público 40+, pela sua temática em relação a casamentos terminados, recomeços. Ele traz cenas contemplativas, reflexivas, com muita conversa. Não é uma obra fácil para o público que consome cinema nos dias de hoje. Por isso é exemplar.
E termina com uma banda da escola dos filhos do casal fazendo um sensacional cover de “Under Pressure”, hit imortalizado por David Bowie e Queen...E que dá uma vontade de a gente sair dançando do cinema.
Cotação: ótimo
Duração: 2h04m
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=KccWatb6D9g

“O FRIO DA MORTE” (Dead Of Winter)

Foto: Paris Filmes
“O Frio da Morte” (Dead Of Winter), com direção de Brian Kirk II, é um daqueles filmes que pensamos: bah, a protagonista estava precisando pagar uns boletos atrasados para embarcar numa barca furada dessas.
No caso, a protagonista é a excepcional atriz britânica Emma Thompson, que vive a viúva Barb, que resolve pescar no Lago Hilda, no remoto norte de Minnesota, no meio de uma violenta nevasca (aos poucos, o filme vai mostrando o real motivo de sua ida para o local, e de como ela criou uma casca para combater o que surgirá à sua frente). Mas perdida no meio de tanta neve, ela encontra uma cabana isolada na floresta, e pede informações a um desconfiado homem.
Pouco depois, Barb descobre que ele está acompanhado de uma mulher, vivida por Judy Greer, e que os dois raptaram uma jovem, Leah (Laurel Marsden) e decide tentar salvar a garota.
Longe de tudo e todos, e praticamente sem comunicação, resta a Barb tentar salvar a garota sozinha. E aí a coisa descamba. A protagonista vira uma espécie de Rambo, com direito a costurar uma ferida provocada por um tiro de fuzil.
O roteiro tenta justificar os absurdos, explicando que Barb foi forjada no meio selvagem com a convivência com o falecido marido. Porém nada convence, tudo parece tão forçado. Realmente, Emma Thompson está precisando pagar o aluguel atrasado.
Cotação: ruim
Duração: 1h38
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=bJP_O4nDGro

terça-feira, fevereiro 10, 2026

“O Morro dos Ventos Uivantes” (Wuthering Heights)

Foto: Warner Bros.
A nova versão de “O Morro dos Ventos Uivantes” (Wuthering Heights) para o cinema é como uma facada no peito dos fãs da obra da escritora inglesa Emily Brontë (1818-1848), que publicou o livro em 1847, um ano antes de sua morte, vítima de tuberculose, aos 30 anos.
A diretora Emerald Fennell, que dirigiu o bom “Uma Bela Vingança” chega nesta que é mais uma adaptação da obra, tantas vezes revista no cinema e na TV, estragando tudo. Talvez a versão mais conhecida das telonas seja a de 1939, com Laurence Olivier no papel do rancoroso Heathcliff.
A trama central está lá, como no livro, contando a história do amor da jovem rica Catherine e do órfão Heathcliff, vividos respectivamente, por Margot Robbie ("Barbie") e Jacob Elordi (Frankenstein). E o atropelo já começa na mudança de raça do rapaz, que no livro é negro, e vira um cara branco – estamos em 2026, por favor, né!
Os dois são criados como irmãos, ele adotado pelo pai de Catherine, depois de ser encontrado nas ruas de Liverpool. Mas o amor fraternal deles vira amor, e Heathcliff se sente traído pela garota, desaparecendo por um tempo e depois de um tempo, retornando rancoroso e vingativo.
Mas a cineasta fez questão de sumir com alguns personagens centrais na trama, e criando ainda um filme que beira o soft-pornô, com várias cenas quentes de sexo. Que absolutamente não estão no livro e nem em versões anteriores no cinema. Inclusive o zelador Joseph, um homem extremamente religiosa, beirando a carolice, vira pegador de empregada...
Talvez Emerald Fennell queira atrair um novo público, que talvez não fosse ao cinema assistir ingleses deprimidos, sofredores, românticos, sentados tomando chá enquanto falam de suas agruras. Mas não precisava abusar tanto.
O novo “O Morro dos Ventos Uivantes” até apresenta cenas deslumbrantes, um belo visual de época, mas tem uma trilha sonora exagerada e situações que beiram o ridículo.
Porém talvez faça algum espectador curioso pegar o livro e aí sim, usufruir de uma bela história de amor, sofrimento e vingança. Mas o filme...quanta decepção.
Cotação: ruim
Duração: 2h16
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=xmBW_EYuhv4

quinta-feira, fevereiro 05, 2026

“ZAFARI”

Foto: Vitrine Filmes
“Zafari”, sexto longa-metragem da venezuelana Mariana Rondón. Ela é uma cineasta que realiza obras sempre focadas pelas crises sociais e econômicas que atingem seu país, a Venezuela, Rondón imagina em “Zafari” uma sociedade distópica, onde a população enfrenta a ausência das regras sociais, a falta de trabalho e, sobretudo, de comida; um mundo no qual a fome pode transformar humanos em selvagens. A diretora mistura elementos de suspense e de terror, com a narrativa podendo ser vista como a metáfora de uma Venezuela fraturada.
A trama foca em uma família que mora em frente a um pequeno zoológico em Caracas, onde a chegada do hipopótamo Zafari é comemorada por vizinhos de diferentes classes sociais.
A família de Ana (Daniela Ramírez) e Edgar (Francisco Denis) vê o prédio onde mora ser abandonado aos poucos. Ela passa os dias percorrendo os corredores e invadindo os apartamentos em busca de comida deixada por quem foi embora para outro país. E emigrar é o sonho deles, mas para tanto, precisam de dinheiro para a viagem.
E da janela do apartamento deles, acompanham os moradores mais pobres da região invadindo o condomínio e se refrescando na piscina. E o hipopótamo Zafari é o único que ainda tem o que comer. Sua rotina alimentar e seu corpo arredondado despertam sentimentos inesperados em quem encara privações.
Rondón explica que decidiu contar o filme como uma fábula distópica. “Para nós era realmente importante realizar esse filme e apresentar ao espectador a pergunta: até onde seríamos capazes de chegar se isso acontecesse com a gente? Conseguiríamos permanecer estáveis? Conseguiríamos ter um sistema ético? Ou simplesmente viveríamos em um mundo selvagem sem trégua?”, questiona.
Já Marité Ugás, corroteirista do filme, o encontro da ironia com o cinema de gênero ajuda a tocar nos temas que são caros à dupla de cineastas: “Todos os elementos apontavam para a necessidade de dar um passo em direção ao suspense e também um pouco ao terror. Mostrar a sensação física da fome nos pareceu importante para contar a história”, finaliza.
Ah, e não confundir Zafari, o hipopótamo, que é uma homenagem a um hipopótamo que realmente teve um final trágico em Caracas, e se chamava Safari, com a rede de supermercados gaúcha Zaffari.
Cotação: ótimo
Duração: 1h40min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=PKPtCxIzFmw

“O SOM DA MORTE” (Whistle)

Foto: Paris Filmes
“O Som da Morte” (Whistle) é dirigido por Corin Hardy (de A Freira), e estrelado por Dafne Keen, conhecida por seu papel como Laura em “Logan” (2017), e Sophie Nélisse, de “A Menina que Roubava Livros” (2013).
O filme de terror apresenta um grupo de estudantes do ensino médio (todos os atores com mais de 25 anos interpretando adolescentes de 15, 16 anos...) que depois de uma antipatia inicial, acabam tendo de se unir contra uma força sinistra: um antigo apito fúnebre asteca. Quando assoprado, o instrumento, que meses antes já havia matado o astro do basquete da escola, solta a morte, que passa a caçá-los.
Sim, é uma versão de Premonição. Porém, aqui o diferencial é que os jovens acabam vendo suas futuras mortes os perseguindo – poderiam viver décadas, mas morrem como seria no futuro. Enfim, uma salada.
As mortes vão aumentando, no meio de tudo isso, ainda aparece um pastor traficante de drogas que não faz o menor sentido na história. E os jovens são tão irritantes, que o espectador acaba torcendo pelo fim deles.
A única coisa que se salva é a trilha sonora, que tem Iron Maiden. E era isso.
Cotação: ruim
Duração: 1h37
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=R1I1jOD9Mo4

terça-feira, janeiro 27, 2026

“Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” (Song Sung Blue)

Foto: Universal Pictures
Você conhece a obra do cantor americano Neil Diamond? Bem, sua obra é destacada em “Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” (Song Sung Blue), escrito, coproduzido e dirigido por Craig Brewer e baseado em documentário homônimo lançado em 2008 por Greg Kohs.
Além disso, a trama foca na história real de um casal, Mike e Claire Sardina, interpretados respectivamente por Hugh Jackman e Kate Hudson. Eles eram cantores amadores, que se conheceram em uma feira, se apaixonaram e criaram a banda tributo a Neil Diamond, Lightning & Thunder.
A dupla teve seu auge nos anos 1990, em Milwaukee, se tornando ídolos locais com seus shows reproduzindo fielmente as apresentações de Diamond, conhecido por hits como “Sweet Caroline”, “Cracklin' Rosie", "Song Sung Blue", "Longfellow Serenade", "I've Been This Way Before", "If You Know What I Mean", "Desirée", "America", "Yesterday's Songs" e "Heartlight".
A dupla "Lightning and Thunder" se casa em 1994, com Mike adotando os dois filhos adolescentes de Claire – ele tinha uma filha chegando à idade adulta. O auge foi quando abriram um show do Pearl Jam em 1995, preocupados que o seu estilo musical era completamente diferente dos ícones do grunge, mas a recepção foi acima das expectativas.
Porém, em determinado momento, o filme derrapa para o melodrama, como por exemplo, o acidente que Claire sofre – ela é atropelada na frente de casa, e perde uma das pernas. E Mike sofre com problemas cardíacos, além de ser alcoolista, em constante cuidado para não cair em tentação. E tem ainda os problemas financeiros. Mas aí a gente verifica que a história é real.
E as atuações de Jackman e Kate são fabulosas. Eles cantam, tocam, se entregam aos seus papéis com uma força, mostram uma rara química que emociona o espectador. E símbolos sexuais, não se importam em mostrar suas rugas e gordurinhas.
Um espetáculo.
Cotação: ótimo
Duração: 2h13min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=EFvGCvmFcys&list=RDEFvGCvmFcys&start_radio=1

quarta-feira, janeiro 21, 2026

“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” (Return To Silent Hill)

Foto: Paris Filmes
“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” (Return To Silent Hill) é dirigido por Cristophe Gans, e é o terceiro filme da cinessérie.
A trama acompanha James Sunderland (Jeremy Irvine), que está devastado após ter perdido o grande amor de sua vida, Mary (Hannah Emily Anderson). Mas certo dia, ele recebe uma carta dela, e se vê impelido a ir atrás de Mary numa cidade chamada Silent Hill.
Ao chegar ao local, descobre tudo devastado, embaixo de cinzas, e com poucos sobreviventes. E logo descobre que Silent Hill está dominada por uma força demoníaca, e repleta de seres monstruosos pelas ruas e prédios. Então enquanto procura por Mary, James tenta escapar dos monstros.
Porém, é tudo sem sentido, o personagem tendo visões, encontrando mulheres que se parecem com Mary. Em meia-hora, o espectador já está sem paciência e que tal tortura acabe.
Certamente “Terror em Silent Hill - Regresso para o Inferno” pode ganhar o título de um dos piores filme de todos os tempos.
Cotação: ruim
Duração: 1h46m
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=gGhMrWOVJMs

“ISSO AINDA ESTÁ DE PÉ?” (Is This Thing On)

Foto: Disney Bah, o filme “Isso Ainda Está de Pé?” (Is This Thing On), dirigido por Bradley Cooper, é um prato cheio para os integrantes da...