quinta-feira, maio 07, 2026

COLETIVO AUDIOVISUAL TV OVO COMPLETA 30 ANOS, MOSTRANDO QUE CINEMA É PARA TODOS

Texto: Homero Pivotto Jr
Foto: Oficina Olhares da Comunidade EMEF Adelmo Simas Genro / Nathália Arantes
O PENSAMENTO COMUM no meio audiovisual, de que ninguém faz cinema sozinho, tem suas razões para existir. A quantidade de atores envolvidos em uma produção é uma delas – são profissionais de diferentes áreas, da direção à maquinaria, passando por produção, câmera, áudio e tantos outros. Foi com essa ideia do fazer em conjunto que a TV OVO, coletivo audiovisual de Santa Maria, projetou-se por três décadas.
Iniciada como uma oficina de vídeo na periferia (Vila Caramelo), a entidade celebra mais um aniversário com inúmeras conquistas. Entre elas: ser ponto de cultura certificado pelo Ministério da Cultura (MinC) desde 2005; ter sido autora e colaborado com diversos tipos de produções – desde videoclipes, passando por curtas, documentários (seu carro-chefe) ou ficção, até um longa-metragem premiado –; servir de espaço contínuo na formação de adolescentes e jovens; e atuar como fomentadora do setor, principalmente, mas não apenas, na região central do Rio Grande do Sul. Porém, diferentemente de um filme, que registra cenas de um tempo que já se foi, a TV OVO joga os holofotes para o presente e segue em frente, com projetos em andamento no audiovisual, mas um em especial, que é a continuidade da obra do seu centro cultural: o Sobrado.
“Cada ação que a TV OVO faz, enquanto coletivo, que é como a gente trabalha, sempre busca melhorar o que está posto, e isso importa mais do que qualquer adversidade encontrada pelo caminho nesses 30 anos. Então, tem muita doação, muita falta de recurso, mas também não nos falta motivação para ir adiante, trabalhando com a comunidade”, pontua Marcos Borba, um dos fundadores do coletivo, que ingressou no grupo aos 16 ano. A data que marca a efeméride de 30 anos é 12 de maio. Nessa dia, às 15h, está agendada uma sessão especial na Câmara de Vereadores de Santa Maria em homenagem à TV OVO. Antes disso, em 8 de maio, ocorre o lançamento no YouTube do filme “Cartas de Felippe” (que busca recuperar a arte e a política do santa-mariense Felippe D’Oliveira, expoente da literatura do início do século XX), dirigido por Marcos Borba.
As atividades celebrativas estendem-se por todo 2026, com diferentes iniciativas. Estão na programação, por exemplo, exibições gratuitas e o lançamento no YouTube do documentário “Morada”, dirigido por Neli Mombelli (contemplado pelo Edital 002/2023 da Lei Paulo Gustavo da Secretaria de Cultura de Santa Maria) – obra que traz reflexões sobre pertencimento, direitos estudantis e as marcas que carregamos, e deixamos, nos lugares por onde passamos. Também está em processo de finalização a série “Rock do K7”, dirigida por Marcos Borba e Neli Mombelli, que conta a história de 10 veteranas bandas de Rock Gaúcho. Esse projeto, que une música e cinema, tem financiamento do Instituto Estadual de Cinema do Rio Grande do Sul, Pró Cultura RS, Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura e Governo Federal - Brasil: União e Reconstrução, bem como apoio da Locall e a Finish como produtora associada.
Durante o Festival de Gramado de 2025, a TV OVO recebeu uma das conquistas mais marcantes de sua trajetória e que também marca a história de Santa Maria: foi agraciada com o Kikito de Melhor Longa-metragem Gaúcho e de Júri Popular para “Quando a Gente Menina Cresce”, dirigido por Neli Mombelli, aprovado no edital SEDAC n° 01/2022 – FAC Filma RS – Financiamento Pró-cultura RS. O primeiro longa da TV OVO, que discute a primeira menstruação e acompanha um grupo de meninas que vive a transição da infância para adolescência em uma escola pública na periferia, também recebeu Menção Honrosa para o elenco feminino.
“Somos reconhecidos por nossos documentários de curta-metragem, sempre relacionados a temas sociais. Então, quando decidimos produzir um longa, foi um mergulho num formato diferente e novo para todos nós. O reconhecimento do filme pelos dois festivais mais antigos e tradicionais do país, que são o de Gramado e de Brasília, nos deu imensa alegria, já que esse tipo de janela é dificílima de acessar. E isso também aumenta a nossa responsabilidade, para que possamos seguir fazendo mais e cada vez melhor”, reflete Neli, que está na TV OVO desde 2009 e é a atual coordenadora geral.
Desde o início, na Vila Caramelo, quando gestada em meio ao movimento das rádios e TV’s comunitárias, a TV OVO pautou sua atuação cultural na educomunicação e na coletividade. Essa postura rendeu reconhecimento nacional por meio dos prêmios Escola Viva (2007), Selo Cultura Viva (2007), Ponto Mídia Livre (2010), Selo e Prêmio Cultura Viva (2011), Ponto de Memória (2013) e Culturas Populares (2019). Reforça, ainda, a relevância da entidade, o fato de ter se tornado Pontão de Cultura, em 2009. A certificação possibilitou parcerias, acesso a recursos financeiros e mais visibilidade para projetos.
Lar do cinema no casarão de 110 anos
A TV OVO fica em uma área anexa ao casarão histórico (construído em 1916) na esquina das ruas Floriano Peixoto e Ernesto Beck. O espaço, adquirido pelo jornalista Marcelo Canellas e com escritura doada à TV em 2016 – como presente pelas duas décadas de serviços prestados – deve tornar-se um complexo cultural. A proposta em andamento prevê transformar o local e o galpão no mesmo terreno em um centro voltado às artes, com ênfase para o audiovisual.
A primeira fase da restauração do Sobrado Centro Cultural captou recursos a partir da Lei de Incentivo à Cultura do Estado, o que permitiu fazer as primeiras intervenções na infraestrutura do casarão. No momento, parcerias com o poder público, por meio de emendas parlamentares, têm viabilizado a acessibilidade do prédio, com a construção de rampas de acesso, finalização de escadas, colocação de guarda-corpo e instalação de uma plataforma elevatória. As emendas foram direcionadas pelo vereador santa-mariense Werner Rempel e pelo deputado estadual Valdeci Oliveira. A partir dos avanços na obra proporcionados por esses recursos, será possível realizar as primeiras atividades abertas à comunidade no local.
“Temos nos dedicado a este projeto desde 2012. Ele é complexo e necessita de muitos recursos e de muitos profissionais de outras áreas, por se tratar de uma obra e de um bem tombado. Acreditamos no papel dele para dinamizar a circulação de bens culturais na cidade. E, também, por ser mais um espaço agregador de ideias e de ações que tenham a nossa identidade, bem como a formação de jovens no centro dos debates e das atividades a serem oferecidas”, pontua Denise Copetti, que integra a entidade desde 2007 e atua, sobretudo, na produção executiva.
Ainda há muito a ser feito para se chegar na execução final do projeto. Para isso, a TV OVO tem inscrito projetos em editais e buscado viabilizar a obra pela Lei Rouanet. A primeira etapa das melhorias estruturais, aprovada pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC) do Rio do Grande do Sul, está concluída. Essa parte contemplou reforma interna do casarão. Interessados em contribuir com a captação de recursos podem entrar em contato pelo e-mail sobrado@tvovo.org.
O projeto do Sobrado Centro Cultural prevê, no primeiro andar, um café para sediar a socialização de saberes, debates e mostras durante o happy hour. No mesmo piso, deve ser montada a Biblioteca do Audiovisual Sérgio de Assis Brasil (importante nome do segmento na região centro do Rio Grande do Sul), com acervo de livros e filmes de acesso gratuito para a população. Ainda no primeiro nível da edificação, o objetivo é alocar o museu da imagem e do som, com materiais brutos feitos pela TV OVO ao longo dos anos – e que é constantemente atualizado. Já no segundo andar, a ideia é uma sala de cinema com programação contínua voltada para lançamentos nacionais.
Foto: Fachada do Sobrado Centro Cultural/ Alice Pozzobon
O Sobrado Centro Cultural pretende fomentar o estudo, a discussão e a produção audiovisual também no prédio anexo. Nele, além de o segundo andar abrigar a futura sede da TV OVO, o terceiro conta com área para oficinas, workshops e coworking. No primeiro piso, a intenção é fazer um estúdio para produções de cinema e TV, que também pode ser utilizado para espetáculos, shows e saraus. E, no subsolo, outros dois estúdios menores estão nos planos: um para pequenas produções audiovisuais e outro voltado para a produção sonora.
História que daria filme
A TV OVO tem uma trajetória que renderia um bom roteiro, principalmente pelo lado social. Em 30 anos, desenvolveu inúmeros projetos e oficinas em comunidades periféricas e escolas públicas. Foram realizadas ações de formação, cineclube e núcleos de vídeo comunitário nos projetos Ponto de Cultura Espelho da Comunidade, em Santa Maria, e Pontão de Cultura FOCU em Pontos de Cultura do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Há, ainda, o projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade que, desde 2008, recupera a história de pessoas, ruas, bairros e distritos de Santa Maria.
Merece destaque, ainda, o trabalho junto à Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss de Santa Maria (AVTSM), no qual a TV OVO colaborou na organização de espaços de discussões sobre a tragédia e registrou o desenrolar da busca por justiça. De parte desse processo, foi produzido o documentário “Depois Daquele Dia” (2018), dirigido por Luciane Treulieb, licenciado para o Canal Brasil em janeiro de 2023, e a série “Boate Kiss: a tragédia de Santa Maria “ (2023), com direção de Marcelo Canellas, para o Globoplay. Outro trabalho de destaque é a série documental “Nova Santa Marta”, com três episódios (Cidade de Lona, Cidade de Madeira e Cidade de Concreto), com direção de Paulo Tavares e Alan Orlando, que resgatam os 30 anos de uma das maiores ocupações urbanas da América Latina (contemplada pelo financiamento do edital 002/2023 da Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria de Cultura de Santa Maria).
O tempo também permitiu a TV OVO construir pontes por meio de parcerias com TV Brasil, Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Canal Futura e TVE-RS. Há mais de uma década, a TV OVO atua em projetos pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC) de Santa Maria voltados para a produção de documentários a respeito da memória local. Já são mais de 40 produções sobre culturas populares, saberes tradicionais, histórias de ruas, bairros, distritos e toda a sua gente. O currículo da TV OVO contempla ainda oficinas de realização audiovisual em escolas municipais, colóquios e workshops para ampliar o conhecimento e fortalecer a cadeia audiovisual.

“ERA UMA VEZ MINHA MÃE” (Ma Mère, Dieu et Sylvie Vartan)

Foto: California Filmes
“Era Uma Vez Minha Mãe” (Ma Mère, Dieu et Sylvie Vartan), com direção de Ken Scott, conhecido pelos sucessos “Meus 533 Filhos” e “De Repente Pai”, é um excelente filme de memórias. O longa é baseado na autobiografia do advogado francês Roland Perez, que nasceu com uma deficiência em uma das pernas que o impedia de andar. A obra faz uma homenagem à sua mãe, a judia marroquina Esther, que fez de tudo para garantir que ele tivesse um futuro brilhante mesmo diante das adversidades.
O filme tem seu início na Paris de 1963, quando Roland nasce, filho mais novo do casal de imigrantes Maklouf (Lionel Dray) e Esther (Leïla Bekhti). Ele nasce com o pé direito torto, e devido às condições da época, os médicos diagnosticaram que ele nunca andaria e nunca teria uma vida normal. Porém, a mãe, extremamente religiosa e apegada ao caçula, passou anos se dedicando para que o garoto pudesse andar, inclusive apelando para diversas orações, acreditando que poderia ocorrer um milagre. “Era Uma Vez Minha Mãe” atravessa décadas na vida de mãe e filho, relatando as conquistas e dificuldades do menino, a partir de uma visão íntima e acolhedora.
O filme apresenta um trabalho meticuloso de reconstituição de época, o que garantiu ao filme uma segunda indicação ao César (o Oscar francês), na categoria de direção de arte. A atriz Leïla Bekhti, conhecida por participações em filmes como “O Profeta” e “A Famosa Invasão dos Ursos na Sicília”, foi indicada por sua performance ao César de melhor atriz. Roland é interpretado por vários atores, que o representam nas diferentes fases de sua vida, com destaque para Jonathan Cohen, de “Amanda” e “Enorme”, que o vive em sua idade adulta.
O elenco ainda tem Joséphine Japy, Lionel Dray, Jeanne Balibar e o jovem Milo Machado-Graner, de “Anatomia de uma Queda”. A cantora Sylvie Vartan, figura recorrente na vida de Roland, também faz uma participação especial, interpretando a si mesma. “Era Uma Vez Minha Mãe” é um filmaço.
Cotação: excelente
Duração: 1h42min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=CbY0YbD2BxM

“ECLIPSE”

Foto: Mercúrio Produções
“Eclipse”, filme nacional é dirigido por Djin Sganzerla, filha do cineasta Rogério Sganzerla (1946-2004), e nasceu depois dela tomar conhecimento de um caso real: o de uma mulher que descobriu que o próprio marido a difamava e ameaçava de morte em um fórum na internet. A partir desse ponto, Djin imaginou o encontro entre uma astrônoma grávida e sua meia-irmã de origem indígena — um encontro que destrava memórias reprimidas e expõe camadas ocultas de relações abusivas, no passado e no presente. Do choque entre ciência e ancestralidade, emerge uma jornada marcada por intuição, investigação e transformação.
Na trama, a própria Djin interpreta a astrônoma Cleo, é casada com Tony (Sergio Guizé), e fica sabendo da existência de uma meia-irmã, Nalu (Lian Gaia), de origem indígena e especialista em computação, e fruto de uma relação extraconjugal de seu falecido pai. Depois do choque inicial, as duas começam a conviver.
E enquanto espera os meses para dar a luz, Cleo começa a desconfiar de ações do seu marido, e pede ajuda a Nalu para investigá-lo nas profundezas da deep web, acabando por descobrir segredos terríveis do parceiro.
Protagonizado pela própria diretora, atriz com mais de duas décadas de carreira, o filme reúne ainda nomes conhecidos do público, como Sergio Guizé, que recentemente estrelou a novela “Êta Mundo Melhor!”, e Lian Gaia, da série “DOM” e da novela “Vai na Fé”.
“Eclipse” conta também com presenças fundamentais do cinema brasileiro, como Luís Melo, Selma Egrei, Clarisse Abujamra, Gilda Nomacce e a icônica Helena Ignez, mãe da diretora e uma das artistas mais revolucionárias do país.
“Ao tratar da relação entre mulheres e do convívio entre pessoas de diferentes origens, o filme ‘Eclipse’ reflete questões essenciais para o Brasil de hoje”, disse Marina Moreira Gama, superintendente da Área de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES, uma das patrocinadoras do projeto.
Cotação: ótimo
Duração: 1h50
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=fSLoBKqtOIw

quarta-feira, abril 29, 2026

“SALA-ESCURA - CINEMA POR CHICO IZIDRO” COMPLETA 20 ANOS

Então é isso, o “Sala-Escura, Cinema por Chico Izidro”, acaba de completar 20 anos – sim, duas décadas e mais de 2.500 análises de filmes. O projeto surgiu numa noite de sábado de 2006, como forma de poder falar de todos os filmes que eu assistia semanalmente, mas não encontrava espaço para todos nos veículos em que colaborava – a revista “Carta Capilé”, de São Leopoldo, e o programa “Cena de Cinema”, da Ipanema FM.
A partir de 2009, o “Sala-Escura” passou a dividir espaço com o blog “Cine CP”, criado por mim, e que contava ainda com Adriana Androvandi e Marcos Santuário. Mas desde a minha demissão do Correio do Povo em 2024, o “Sala-Escura, Cinema por Chico Izidro” voltou a ser meu espaço exclusivo para a publicação das críticas e resenhas.

“ZICO - O SAMURAI DE QUINTINO”

Foto: Vudoo Filmes
“Zico, o Samurai de Quintino”, dirigido por João Wainer, é um excepcional documentário, que homenageia plenamente o legado do craque Arthur Antunes Coimbra, o Zico, para o futebol brasileiro e também para o desenvolvimento do esporte no Japão.
O documentário mergulha na trajetória do craque, ídolo do Flamengo, do Kashima Antlers e com três participações em Copas do Mundo defendendo a Seleção Brasileira. O trabalho apresenta imagens raras, desde a infância até a fase adulta, registros de arquivo e bastidores inéditos. A produção mostra gols antológicos e conquistas marcantes, episódios pouco conhecidos da carreira, os desafios enfrentados ao decidir jogar no Japão e a construção de um legado e inspiração que ultrapassa gerações – a destacar os primeiros passos de Zico no futebol japonês no começo dos anos 1990, quando a estrutura do esporte na Terra do Sol Nascente era praticamente nula.
O filme traz depoimentos exclusivos e conversas com personagens-chave, ex-parceiros e fãs que se tornaram ídolos, como Júnior Maestro, Carpegiani, Carlos Alberto Parreira, Ronaldo Fenômeno, o radialista José Carlos Araújo, entre outros. Além deles, os três filhos de Zico e sua esposa, Sandra, visitam o vasto acervo pessoal do Galinho de Quintino. Ao equilibrar emoção, contexto histórico e análise esportiva, o filme dialoga tanto com quem acompanhou de perto a trajetória do camisa 10 quanto com novas gerações que continuam a descobrir a dimensão de sua influência dentro e fora dos gramados.
“Mais do que as conquistas e glórias do Zico, venho aprendendo com ele lições que vão além do futebol, como humildade, respeito e gentileza. Posso garantir que toda a equipe trabalhou com muita dedicação e afeto para construir um filme emocionante e repleto de informação”, disse o diretor João Wainer.
O produtor André Wainer complementou, lembrando que a proposta do projeto é colocar Zico no lugar e na dimensão que ele merece. “Trabalhamos não apenas para trazer elementos novos, mas para usar esses elementos na construção de uma narrativa inédita sobre o Galinho. Gostamos de dizer que este é um filme de não ficção, apesar de muitas jogadas do Zico parecerem fora da realidade”, destacou o produtor.
As filmagens tiveram início em 2023, quando Zico completou 70 anos, e passaram por locais emblemáticos como a casa do jogador em Quintino, ruas do Rio de Janeiro e um set especialmente montado para receber convidados. O projeto também percorreu o Japão, país onde ele se tornou um pioneiro e desenvolvedor do futebol, do time operário do Sumitomo à seleção, de quem foi técnico.
A produção reúne ainda um vasto acervo pessoal, com dezenas de fitas VHS, filmes Super-8 e objetos históricos, entre eles, a camisa 10 usada na final do Mundial de 1981 e um caderno com anotações detalhadas de gols ao longo da carreira.
Cotação: ótimo
Duração: 2h
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Mwt21FirOjA

“O DIABO VESTE PRADA 2” (The Devil Wears Prada 2)

Foto: 20th Century Studios
“O Diabo Veste Prada 2” (The Devil Wears Prada 2), chega exatamente 20 anos depois do primeiro filme, com David Frankel novamente na direção, e trazendo os mesmos protagonistas, Miranda Prestley (Meryl Streep), Andy Sachs (Anne Hathaway), Emily (Emily Blunt) e Nigel (Stanley Tucci), mas agora tendo as adições de Lucy Liu, Kenneth Branagh, Simone Ashley e Lady Gaga.
A primeira parte mostrava a recém formada Andy tendo de conviver com uma chefe abusiva, Miranda, na prestigiada revista de moda nova-iorquina Runway, baseada na real Vogue. Obra baseada no livro de mesmo nome escrito por Lauren Weisberger.
Agora, duas depois, Andy é uma jornalista conceituada e premiada, que ao receber mais um prêmio, descobre que foi demitida de seu jornal, assim como todos os colegas. Vivendo num apartamento precário em Nova Iorque, é convidada pelo dono da Runway, por Irv Ravitz (Tibor Feldman), a assumir um cargo de chefia na revista, para apagar uma crise provocada pela editora-chefe Miranda Priestley.
Ela volta para a publicação, verifica que o mundo mudou muito nestes 20 anos, mas Miranda segue praticamente sendo a quase mesmo chefe carrasca, um pouco mais contida, para evitar processos – nisto o roteiro, escrito por Aline Brosh McKenna e Lauren Weisberger acerta -, pois agora assédio moral é crime grave.
Então, Andy passa a tentar ver seu trabalho reconhecido e prestigiado por Miranda, que faz de conta que não a conhecia...e o personagem de Anne Hathaway (atriz que parece não ter envelhecido um dia), nem parece ter vinte anos de uma carreira bem sucedida, agindo como uma mulher insegura, enquanto procura validação por suas matérias e encontra um par romântico totalmente sem química no personagem Peter (Patrick Brammall). E não faz nenhum sentido Andy se esforçar além da conta para tentar manter o emprego de Miranda, uma personagem escrota, maligna, que só pensa em seus interesses, não se importando com as pessoas ao seu redor.
Porém, outro acerto do roteiro é em tratar da crise em que passa o jornalismo, com as publicações impressas sendo extintas, com o predomínio do material online, as demissões frequentes dos jornalistas, que perdem espaço cada vez maior para influencers, a superficialidade nas matérias e a cada vez maior influência de anunciantes no que deve ou não ser publicado. No mais, o filme é uma avalanche de personagens vazios, preocupados com vestidos, sapatos e bolsas.
“O Diabo Veste Prada 2” acaba sendo cansativo, com personagens caricatos – tem até o gordinho que sofre bullying de uma colega, a melhor amiga conselheira, o namorado sem noção e burro de Emily (Emily Blunt), e a bilionária que surge do nada para salvar o dia.
Podem me chamar de antipático, mas não consigo ter empatia por nenhum dos dois filmes, nem pelos personagens, todos me parecendo vazios.
Cotação: ruim
Duração: 1h58
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=r3_gZDsy1iQ

terça-feira, abril 21, 2026

“MICHAEL”

Foto: Universal Pictures.
Dirigido por Antoine Fuqua, “Michael” pretende trazer uma cinebiografia de um dos maiores artistas da história, o cantor Michael Jackson (1958-2009). Porém, com produção da família do astro, a trama transforma a obra em longa-metragem quase chapa-branca, ou seja, evita entrar mais fundo na conturbada história do criador de “Thriller”, o disco mais vendido da história com mais de 100 milhões de cópias.
Praticamente toda a família de Michael está envolvida na história, inclusive um dos sobrinhos do astro, Jaafar Jackson, interpreta o cantor. E aqui um fato evidente: o garoto merece concorrer ao Oscar por sua interpretação convincente. O diretor é o competente Antoine Fuqua, conhecido por dirigir “Dia de Treinamento” (2001), que rendeu um Oscar de melhor ator para Denzel Washington, a quem dirigiu na trilogia “O Proteror”.
“Michael” conta a história de Michael Jackson desde o começo da carreira em Gary, Indiana, onde o astro era severamente cobrado pelo pai, Joe Jackson, interpretado por Colman Domingo (Fear of The Walking Dead), uma pessoa tirânica e que tentou, de forma invejosa, deter o sucesso individual do filho. O filme segue com o crescente sucesso do garoto, que antes dos 20 anos, já era um astro mundial, à frente do grupo Jackson 5, formado ao lado dos irmãos.
O filme mostra que Michael Jackson era uma pessoa que se negou a crescer, assim como Peter Pan, livro que acompanha o astro, que vivia cercado de animais e de ajudar crianças. Porém, o longa-metragem evita tocar em assuntos polêmicos, inclusive passa rapidamente na questão de o cantor sofrer de vitiligo, de ser viciado em cirurgias plásticas e das acusações de pedofilia, e do vício em remédios. Além disso, “Michael” se mostra ansioso e pula eventos cronológicos, como por exemplo, focar no disco “Off the Wall” como se fosse o primeiro solo dele, sendo que já havia lançado vários discos antes sem contar com a participação dos irmãos.
Porém, acerta na reconstituição de “Thriller” (1982), disco que é um marco da música mundial, com hits como "Beat It", "Billy Jean", e "Thriller", mas esquece de citar as importantes participações de Eddie Van Hálen (1955–2020) e Vincent Price (1911-1993) na construção da obra.
O filme é cuidadoso em mostrar as feituras das coreografias, as filmagens dos videoclipes de "Beat It" e "Thriller", e a pressão de sua gravadora, a CBS, para que os trabalhos passassem a ser veiculados pela emergente MTV, que se negava a colocar no ar o trabalho de artistas negros – Michael Jackson quebraria esta barreira na primeira metade dos anos 1980.
Quem viveu nos anos 1980 se lembra da febre que era Michael Jackson, mesmo quem não curtia seu trabalho, sabia de sua importância. Por isso, outro erro do filme é esquecer do fenômeno que foi “We Are The World”, a música e videoclipe para arrecadar fundos para a fome no continente africano. Simplesmente “Michael” não dispensa uma simples menção, uma frase ao evento, liderado pelo astro pop.
Porém, perde muito tempo mostrando shows de Michael, sua fixação pelos animais que criava e o conflito com o pai, numa interpretação caricata de Colman Domingo, que geralmente entrega um ótimo trabalho. Além dele, o filme tem Nia Long como a mãe Katherine Jackson, Jessica Sula como a irmã LaToya e Miles Teller como o empresário John Branca. O estreante Juliano Valdi vive Michael na infância.
"Michael" falha em retratar um dos maiores astros da história, morto precocemente aos 50 anos, com medo de macular sua trajetória incrível. A música dele supera qualquer problema que ele poderia apresentar. O filme ainda mostra apenas um recorte de 30 anos de sua vida, parando em 1988. Nos anos 1990, o astro começaria a perder popularidade, protagonizando incidentes patéticos com os casamentos, um deles com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie Presley, e tendo seus dois filhos, gerados por inseminação artificial. Mas sua importância para a cultura pop é inegável.
Cotação: regular
Duração: 2h08
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=HZZgZUU9XIc

quarta-feira, abril 15, 2026

“A MALDIÇÃO DA MÚMIA” (Lee Cronin’s The Mummy)

Foto: Warner Bros.
“A Maldição da Múmia” ((Lee Cronin’s The Mummy), dirigido por Lee Cronin, é mais um filme da franquia sobrenatural, que tem seu começo lá em 1932, com “A Múmia”, estrelado por Boris Karloff. Porém, este novo longa-metragem tem um diferencial em relação aos seus pares, pois é uma obra que realmente foca no terror, com muito sangue, cenas repugnantes e deixando praticamente o humor (muito usado nos filmes dos anos 2000, protagonizados por Brendan Fraser) de lado.
Na trama, uma família americana que mora no Egito, o pai jornalista, Charlie (Jack Reynor) e a enfermeira Lari (Laia Costa), sofrem com o rapto de sua filha pequena, Katie (Natalie Grace). Oito anos depois e já morando em Albuquerque, no Novo México (EUA), e com uma outra filha, eles recebem a notícia de que Katie foi encontrada no deserto, dentro de um sarcófago que estava sendo transportado por um pequeno avião, que caiu, matando seus pilotos.
A garota, agora uma adolescente, volta ao convívio dos pais. Porém, seu corpo está destroçado, coberto de chagas, os membros retorcidos, depois de anos de aprisionamento e sofrimento. Só que Katie carrega dentro de si um demônio – sim, aqui a múmia é mais um demônio malévolo, disposto a se libertar e matar todo mundo ao seu redor.
“A Maldição da Múmia” é um filme tenso, repleto de referências, como por exemplo “A Profecia”, “O Silêncio do Lago”, “Fome Animal” e “A Morte do Demônio”, O diretor não poupa cenas de vômitos, pele arrancada, sangue jorrando à profusão e inocentes possuídos e trabalhando em prol do demônio – a produção escorrega no humor somente em determinada cena onde aparece a avó extremamente católica.
O filme poderia ser mais curto – ele ultrapassa as duas horas -, e tem alguns momentos personagem idiota, como por exemplo, por que eles insistem em ficar no escuro, tendo o interruptor do lado? Mas são detalhes. No final, “A Maldição da Múmia” surpreende, assusta e se mostra uma obra digna do gênero.
Cotação: bom
Duração: 2h17min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=fUANevKVe78

“O ESTRANGEIRO” ((L’Étranger))

Foto: California Filmes
Baseado no clássico homônimo da literatura mundial escrito pelo franco-argelino Albert Camus (1913-1960), “O Estrangeiro” ((L’Étranger), é dirigido por François Ozon. A obra já havia ido para as telas em 1967, pelas mãos de Luchino Visconti e com Marcelo Mastroianni como o protagonista.
Esta nova versão, filmada toda em preto e branco, é estrelada por Benjamin Voisin, parceiro de Ozon em “Verão de 85”, que aqui vive o jovem Meursault, um francês que vive em Argel, na Argélia dos anos 1930. Ele trabalha em um escritório, mas pede uns dias de folga depois que recebe a notícia de que sua mãe, que vivia em um asilo, morreu.
Meursault vai ao funeral, onde não demonstra sentimentos pela perda, e depois, passa os dias a vagar por Argel com a recente namorada, Marie (Rebecca Marder). Vão ao cinema, bares, à praia, quando ocorre a tragédia. O jovem acaba, depois de um desentendimento, assassinando um jovem árabe, à sangue-frio.
O episódio provoca sua prisão, e um julgamento. A visão da acusação não é apenas no assassinato, mas também a postura e a personalidade do jovem, visto como uma pessoa indiferente a tudo e todos. Ele não parece se importar nem com o destino dele mesmo...
O filme é reflexivo, tanto que em quase toda a sua primeira parte, não existem diálogos, apenas o dia a dia de Meursault, e apenas uma trilha sonora tensa – aliás, nos créditos é tocada a sensacional “Killing an a Arab”, hit de 1979 do The Cure. Aliás, outro destaque de “O Estrangeiro” é sua excepcional reconstituição de época...tudo é bem cuidado, desde as roupas, os carros, os penteados.
Cotação: ótimo
Duração: 2h03
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=7e3DoPyFH0M

“PINÓQUIO”

Foto: Paris Filmes
"Pinóquio" é uma adaptação live-action do conto de Carlo Collodi, dirigida pelo russo Igor Voloshin. A produção russa é focada em nostalgia e moralidade, mas trazendo muitas mudanças em relação ao conto lançado em 1883.
O filme é baseado numa versão russa conhecida como Buratino, inspirada na obra de Aleksey Tolstoy (1936). A história todo mundo conhece, do boneco de madeira construído pelo artesão Gepetto, que fez um pedido e uma fada deu vida ao marionete – que podendo andar e falar, passa a desejar ser um garoto de carne e osso.
Nesta versão, não existe a Fada Azul, nem o Grilo Falante. Ela é substituída por uma tal dona tartaruga, enquanto que o grilo é trocado por três baratas, e uma delas é a narradora da história. Além disso, Pinóquio não mente, ou seja, seu nariz não cresce. E no final, o boneco não se transforma em um menino de verdade, permanecendo de madeira.
Não bastasse isso, o filme é um emaranhado de técnicas de filmagem, passando a grande sensação de que ele foi todo gerado por IA (inteligência artificial). “Pinóquio” acaba sendo cansativo, com suas longas cenas de canto e dança, alterações da história. Tudo soa tão artificial, que decepciona fortemente.
Cotação: ruim
Duração: 1h42
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=5uDJGeb9FME

“O CALDEIRÃO DA SANTA CRUZ DO DESERTO”

Foto: Ronaldo Nunes
“O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto” é o primeiro longa-metragem do cineasta cearense Rosemberg Cariry. O filme é um marco no cinema brasileiro, sendo também considerado o primeiro documentário em longa-metragem realizado no estado do Ceará.
Ele foi lançado originalmente em 1986, e volta agora, 40 anos depois, marcando os 50 anos de carreira de Rosemberg Cariry e os 100 anos da criação da Comunidade do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, liderada pelo beato José Lourenço. A comunidade foi um marco de construção social solidária no Ceará até sua destruição violenta em 1936. O massacre foi perpetrado por uma conjunção reacionária de forças políticas e do clero conservador, valendo-se do braço armado do Estado, que invadiu o território em setembro daquele ano. A perseguição aos remanescentes estendeu-se até o bombardeio aéreo dos acampamentos de refugiados na Serra do Araripe, em maio de 1937, um período de intensa agitação nacional que antecedeu a instalação da ditadura do Estado Novo, por Getúlio Vargas.
O Caldeirão é um lugar real e simbólico que, embora destruído, renasce agora como patrimônio da história, da luta e da cultura do povo brasileiro. A violência policial resultou em muitas vítimas, com estimativas que variam para além de mil camponeses mortos, em um dos episódios mais trágicos da história do Nordeste brasileiro. Essa destruição de uma comunidade camponesa igualitária é frequentemente comparada ao massacre de Canudos, embora em menor escala, representando a repressão da elite brasileira contra movimentos sociorreligiosos que buscavam autonomia e vivência comunitária no sertão, fugindo da exploração dos latifúndios.
Com roteiro escrito por Cariry e Firmino Holanda e fotografia de Ronaldo Nunes, “O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto” reuniu depoimentos raros e inéditos de sobreviventes e até de algozes do massacre da comunidade. “Durante décadas, foi um tabu falar desse episódio tão trágico, até que um grupo de jovens cearenses resolveu fazer um filme, quando o país vivia o seu processo de redemocratização. Graças a esse resgate histórico, a memória da comunidade não se perdeu; ao contrário, continua a pulsar, despertando reflexões e inspirando movimentos de organização comunitária, sobretudo no âmbito do Movimento Sem Terra. Considero o filme O Caldeirão a conquista de uma geração que ousou fazer cinema em uma época em que, no Ceará, quase nada apontava para esse caminho”, afirma Cariry.
Cultuado e reconhecido por seu pioneirismo e por sua experimentação insubmissa, o filme permanece como um documento vivo e uma experiência estética singular, unindo a narrativa histórica à força e à diversidade das culturas populares em uma construção narrativa ousada para a época. Trata-se de um registro inestimável entre o tempo da história e o tempo da arte, reafirmando o compromisso de vida do cineasta com o resgate das memórias profundas do povo cearense e nordestino.
Duração: 87 minutos
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=TkW-MgpcoGI

quinta-feira, abril 09, 2026

“OS ESTRANHOS 3 – O CAPÍTULO FINAL” (The Strangers – Chapter 3)

Foto: Paris Filmes
“Os Estranhos 3 - Capítulo Final” é o desfecho da trilogia de terror dirigida por Renny Harlin, iniciada em 2024. A trama foca em três psicopatas mascarados que realizam um jogo de perseguição, atacando e matando pessoas que, desavisadamente, põem os pés na pequena cidade de Venus.
Este terceiro filme tem como foco o embate entre Maya (Madelaine Petsch), a única pessoa que conseguiu sobreviver a ataques, e os assassinos, que continuam a persegui-la. E desta vez, é explicado o envolvimento das autoridades locais com os seriais killers – um deles é filho do xerife local, que acoberta os crimes, depois de ter feito um acordo com os criminosos: eles deveriam matar apenas forasteiros, evitando assassinar pessoas da região.
O filme começa com uma volta no tempo, em um crime praticado pelos mascarados em 2021, quando atacam uma garota em um quarto de hotel, para depois ir explicando a motivação dos assassinos.
Então “Os Estranhos 3 - Capítulo Final” começa a focar em Maya, fugindo de seus perseguidores. E a coisa vira quase um Sexta-Feira 13, com um dos assassinos parecendo Jason, porém com uma máscara feita de um saco de batatas e um machado na mão. E os dois antagonistas levam facadas, machadadas, pancadas na cabeça, caem em buracos, e não morrem. Sendo que o mascarado ainda surge nos lugares mais improváveis, do nada...
Não fosse o suficiente, o roteiro ainda tenta sugerir em determinado momento que Maya, poupada pelos assassinos, assuma o lugar de uma das figuras mascaradas, que morrera minutos antes. Mas logo a ideia é abandonada, pois não faria o mínimo sentido.
E
o final é total anticlímax...fica evidente que faltou paciência para os roteiristas, e tudo é resolvido rapidamente, transformando um filme que já não tinha ritmo e criatividade, em uma obra ruim e sem nenhuma identidade. Fuja.
Cotação: ruim
Duração: 1h31min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=ghTZuL6CW6g

domingo, abril 05, 2026

“O Drama” (The Drama)

Foto: Diamond Filmes
“O Drama” (The Drama), direção e roteiro de Kristoffer Borgli, tem gerado muita polêmica nos Estados Unidos, por tocar em um assunto muito dolorido para os americanos: o tiroteio em escolas. E uma pergunta: vale a pena contar seus segredos mais íntimos para as pessoas que você ama?
A trama mostra o casal apaixonado formado por Emma Harwood (Zendaya) e Charlie Thompson (Pattinson), que está nos preparativos finais para se casarem. No entanto, na semana anterior ao grande dia de suas vidas, durante um jantar, uma simples brincadeira entre amigos coloca em xeque o relacionamento de Emma com seu noivo e com os padrinhos: cada um tinha de confessar as piores coisas que já fizeram na vida. Zendaya e Robert Pattinson mostram excelente química em tela.
E Emma solta um segredo terrível, deixando Charlie e todos em choque. A noiva revela ter planejado, quando adolescente, um tiroteio na sua escola. Mas mais do que apenas pensar no ato terrorista, ela chegou a treinar tiro e levar o rifle do pai para a aula, desistindo do crime na última hora.
A revelação coloca em risco toda a confiança e o amor entre os noivos, e traz à tona o ódio da madrinha, Rachel (Alana Haim), cuja irmã ficou paraplégica após levar um tiro durante um atentado.
Assim, “O Drama”, que tem uma montagem onde a história é contada com idas e vindas no tempo, passa a refletir o quanto uma pessoa pode permanecer ou não ao lado de alguém que parecia tão normal, mas esconde algo sinistro em seu ser.
E o filme ainda relembra incidentes trágicos em escolas, sendo o mais lembrado o massacre de Columbine, no Colorado, em 1999. Na ocasião, dois estudantes, Eric Harris e Dylan Klebold, de 18 e 17 anos respectivamente, mataram 12 alunos e um professor, e feriram mais de 20 em uma escola, antes de se matarem.
Então, você perdoaria seu par se ele confessasse algo tão cruel?
Cotação: excelente
Duração: 1h46min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Hn8YHkQXiS0

“RUAS DA GLÓRIA”

Foto: Syndrome Filmes
“Ruas da Glória”, com direção e roteiro de Felipe Sholl, é um filme gay, ambientado no bairro da Glória e no Centro do Rio de Janeiro, e segue o jovem professor de literatura Gabriel (Caio Macedo), que recém chegou à cidade. Ele conversa mentalmente com a sua avó, sua grande parceira e que faleceu, enquanto recebe mensagens do pai, que vive ordenando sua volta para a terra natal e “abandone” o pecado de sua vida.
Tentando se ambientar no Rio de Janeiro, frequenta boates gays, e em uma delas, de propriedade de Mônica (Diva Menner, que fez história como a primeira mulher transgênero a participar do reality The Voice Brasil), ele conhece Adriano (Alejandro Claveaux), um garoto de programa uruguaio, por quem se apaixona perdidamente. Os dois acabam tendo um relacionamento intenso, mas ao mesmo tempo fugaz. Adriano, porém, é uma alma livre, e certo dia desaparece, para desespero de Gabriel, que se afunda em desespero.
Então, o professor passa a circular pelas noites cariocas tentando encontrar o motivo de sua paixão, enquanto busca apoio na boate gay de Mônica, onde é acolhido pelos frequentadores da casa.
Felipe Sholl, que também assina o roteiro, constrói uma narrativa intensa com olhar atento às margens sociais. “Ruas da Glória é um filme muito pessoal pra mim e espero que as pessoas se identifiquem também. É um filme cheio de amor, que fala sobre emoções intensas, luto, e busca de conexão”, afirma o diretor. “Ruas da Glória” revela uma jornada imersiva de pertencimento e busca por amor e conexão. Em meio a uma atmosfera mundana e sob a ótica de seu protagonista que, a fim de lidar com o luto, o atravessa de forma controversa ao vivenciar seus desejos.
Cotação: bom
Duração: 1h47m
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=9dBPSp4BNbQ

“CHEIRO DE DIESEL”

Foto: Amana Cine
“Cheiro de Diesel, é um documentário dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins, e se propõe a investigar os impactos das operações militares nas favelas do Rio de Janeiro, especialmente durante o período dos grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, quando diferentes territórios foram ocupados sob operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
A obra se constrói a partir de relatos de moradores de regiões como Maré, Penha e Morro do Salgueiro, que trazem em suas histórias as consequências diretas da presença militar no cotidiano dessas populações. A narrativa reúne denúncias de violações de direitos, incluindo invasões a casas, escolas e unidades de saúde, além de episódios de revistas constantes e assassinatos.
Esses relatos também revelam como os efeitos dessas operações permanecem no tempo. “Os traumas são permanentes. Todas as pessoas têm muito viva a memória do tanque na sua porta, do cheiro do diesel, da tortura e da falta de informação”, afirma Natasha Neri.
A diretora Gizele Martins, jornalista e comunicadora da Favela da Maré, premiada com o Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, aponta que a ocupação militar da Maré serviu como base para ações semelhantes em outras favelas do Rio. “Este é um filme que retrata a minha própria realidade”, afirma. “A democracia ainda é um sonho pra gente que vive nesses territórios”.
Ao lado dela, Natasha Neri contribui com sua experiência na direção de documentários e pesquisas sobre justiça criminal. Diretora de “Auto de Resistência”, premiado no festival É Tudo Verdade, Neri desenvolve “Cheiro de Diesel“ a partir do acompanhamento direto de casos de violência de Estado e da relação com familiares de vítimas ao longo dos últimos anos. “O filme nasce dessa luta para dar visibilidade às famílias, vítimas de violações praticadas pelas forças armadas”, explica.
A partir dessas histórias, o documentário também mostra quais são os obstáculos enfrentados na busca por justiça. Muitos dos casos retratados são conduzidos pela justiça militar, o que limita o acesso à informação e à responsabilização. “Nenhuma das famílias teve reparação. Nenhuma teve o mínimo de acesso à informação”, conta Neri.
A partir de tudo isso, “Cheiro de Diesel” se constrói como um filme de denúncia e memória. “A ideia é registrar esse período e convidar o espectador a refletir sobre essa cidade dividida”, disse Gizele e Natasha completa: “As forças armadas não são solução para a segurança pública”.
Cotação: bom
Duração: 1h22m
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=hHoJA8RqAPY

quarta-feira, março 25, 2026

“Eles Vão te Matar” (They Will Kill You)

Foto: Warner Bros
Dirigido por Kirill Sokolov, “Eles Vão te Matar” (They Will Kill You) é um filme de terror com um ritmo acelerado – lembrei muito de “Um Drink no Inferno” em alguns momentos, e muito, muito sangue jorrando na tela. e membros decepados, mas logo regenerados. Sim, a trama ainda traz momentos sobrenaturais.
A personagem Asia Reaves (Zazie Beetz) arranja um emprego de empregada em um antigo prédio nova-iorquino, o Virgil (na realidade as filmagens foram realizadas na Cidade do Cabo, na África do Sul). Mas logo percebe que caiu em uma tremenda furada – os proprietários do local são membros de um culto satanista, que exigem frequentemente sacríficios humanos, para manterem suas imortalidades. E ela é, digamos assim, a vítima da vez para ser sacrificada.
Mas Asia não foi ao local impunemente. A garota tem uma missão, tentar resgatar sua irmã Maria (Myha'la), que estava trabalhando no prédio, e acabou desaparecendo. E Asia, mesmo sem saber com o que lidaria, foi preparada para enfrentar o desconhecido, e se torna um alvo muito difícil de ser derrubado.
E em meio a facadas, tiros, machadadas, os personagens se embrenham pelos corredores e interiores do prédio. O ritmo de “Eles Vão Te Matar” é insano...pausas para respirar apenas quando surgem flashbacks para explicar como as personagens, principalmente Maria, foi parar naquela situação. Ela carrega uma grande culpa por, dez anos antes, ter deixado a irmã para trás, sob o controle de um pai abusivo – mesmo assim, passou a década presa por tentativa de homicídio.
O filme segue um espiral de violência explicita praticamente do começo ao fim. Zazie Beetz assume com muito vigor o protagonismo, com sua personagem sofrendo todo tipo de sofrimento físico, mas sabendo que não pode vacilar, pois isso custaria a vida.
“Eles Vão Te Matar” tem ainda as participações de Patricia Arquette como uma governanta muito, muito maligna, Heather Graham, Tom Felton, Myha'La e Paterson Joseph.
Cotação: regular
Duração: 1h35min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=NkcaGqZ8jUY

“Tatame”

Foto: Kajá Filmes
Em época onde o Irã está nas manchetes, envolvido em uma guerra contra os Estados Unidos e Israel, chega o filme “Tatame”, com direção de Guy Nattiv (vencedor do Oscar de curta-metragem por “Skin”) e Zar Amir Ebrahimi (Melhor Atriz no Festival de Cannes por “Holy Spider”), sendo a primeira coprodução cinematográfica dirigida por cineastas do Irã e de Israel.
Irã e Israel tem uma rixa violenta no Oriente Médio, pois o país islâmico, além de não reconhecer o estado judeu, ainda fomenta os grupos guerrilheiros palestinos, como por exemplo o Hamas.
E a trama de “Tatame”, baseada em eventos reais, é ambientada durante a disputa de um Campeonato Mundial de Judô. A judoca iraniana Leila (Arienne Mandi) vai vencendo todas as suas competidoras, e o seu caminho para ganhar a medalha de ouro acaba esbarrando em uma questão totalmente política.
Os líderes políticos de seu país se dão conta que ela, com grande potencial para chegar à decisão, pode ter de enfrentar uma judoca israelense, e isso é inadmissível para eles, visto não reconhecerem o estado de Israel – aí fiquei pensando, como são burros, deveriam deixar Leila combater com a israelense, pois caso ganhassem, poderiam dizer que seu país é mais forte do que os rivais...
Então para evitar um conflito interno, passam a exigir que Leila abandone o campeonato ou finja uma lesão para evitar ter de lutar com a israelense.
Leila passa a sofrer pressão de todos os lados, inclusive de sua treinadora, Maryam (a própria diretora Zar Amir), que carrega traumas semelhantes do passado. As duas sofrem chantagens e veem suas famílias serem ameaçadas, caso não acatem as ordens vindas de Tehran.
“Tatame” é um grande retrato de como a política é suja, interferindo no desenvolvimento esportivo. Cena forte e marcante é quando Leila tira seu lenço, deixando os cabelos à mostra durante uma luta, provocando o regime iraniano – onde as mulheres devem, pelas leis islâmicas, sempre deixarem os cabelos escondidos, pois eles “podem provocar a libido masculina”.
Fotografado em preto e branco, com câmera móvel e próxima aos corpos das personagens, “Tatame” transforma cada luta em cena de alta tensão cinematográfica.
O filme recebeu o Brian Award no Festival de Veneza, prêmio dedicado a obras que promovem valores como direitos humanos, democracia e liberdade de consciência, sem distinção de gênero ou religião — distinção que, em 2024, também foi concedida a “O Quarto ao Lado”, de Pedro Almodóvar. Além disso, “Tatame” conquistou dois prêmios no 36º Festival Internacional de Cinema de Tóquio: o Prêmio Especial do Júri e o de Melhor Atriz para Zar Amir Ebrahimi, codiretora e também atriz do filme.
Cotação: ótimo
Duração: 105 min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Ocb_2uH55CQ</blockquote>

“Ditto: Conexões do Amor” (Ditto)

Foto: Sato Company
“Ditto: Conexões do Amor”, dirigido por Eun-young Seo, é a releitura do filme homônimo de 2000, que teve a direção de Kim Jung Kwon, e acompanha a vida de Yoo So-Eun (Kim Ha Neul), uma estudante universitária, em 1979, que se comunicava com Ji In (Yoo Ji Tae), e apesar de serem estudantes da mesma universidade, o garoto vivia algumas décadas depois da que ela estava.
A nova versão apresenta mudanças tecnológicas e comportamentais, mas sem deixar de lado a essência romântica que transformou o original em um cult.
O novo filme conta a história de Kim Yong (Yeo Jin Goo), um jovem estudante de Engenharia Mecânica em 1999, e que sofre de amor por sua grande paixão, Seo Han Sol (Kim Hye Yoon), sua grande paixão, ele encontra um rádio-amador antigo. Só que sem saber, o aparelho é uma espécie de máquina do tempo. E através dele, Seo passa a se comunicar com Kim Mu Nee (Cho Yi Hyun), uma estudante de Sociologia da mesma universidade. Os dois vão criando um forte laço de amizade pelas ondas do rádio, e combinam de se encontrar.
No entanto, existe entre eles um grande empecilho: Mu Nee vive em 2022. Até os dois entenderem o que se passa, ocorrem muitos desentendidos entre os dois – um acha que o outro está zoando do outro e vice-versa. A sacada é genial.
E apesar do laço atemporal, surge entre eles uma grande conexão e um laço de amizade profunda, pois passam a dividir histórias, sonhos e sentimentos. A dupla acaba construindo uma relação que atravessa o tempo, apresentando afinidades e uma ligação surpreendentes.
Cotação: bom
Duração: 1h54min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=BBpRCsImsMo

“13 Dias, 13 Noites” (13 Jours, 13 Nuits)

Foto: California Filmes
“13 Dias, 13 Noites” (13 Jours, 13 Nuits), dirigido por Martin Bourboulon (Os Três Mosqueteiros: D'Artagnan; Os Três Mosqueteiros: Milady; Eiffel), mostra o retorno do Talibã ao controle do Afeganistão após mais de duas décadas. O filme é baseado no livro do comandante Mohamed Bida, chefe da segurança da embaixada francesa durante o período em que tropas internacionais ocuparam o território afegão.
Em 2020, os Estados Unidos, que controlavam o território do país asiático havia quase 30 anos e que expulsara os fanáticos do Talibã, anunciou que retiraria suas tropas do Afeganistão no começo do ano seguinte.
A população, que vivia em extrema pobreza, pelo menos, tinha o controle de suas vidas e as mulheres haviam podido voltar a trabalhar, estudar e ter suas liberdades individuais. Porém, sabiam que sob o Talibã, tudo ruiria.
E os fanáticos religiosos, tão logo os Estados Unidos e seus países aliados, foram embora, voltaram para a capital Cabul, trazendo o pânico à população – lembrando muito o que ocorreu no Vietnã e Camboja em 1975, quando da saída dos americanos – as tropas vencedoras tomaram as ruas das cidades, provocaram o caos, e passaram a perseguir aqueles que haviam trabalhado ao lado dos ocupantes do país.
E com Cabul tomada pelos Talibãs, uma das únicas chances de refúgio para os afegãos é a Embaixada da França, que ainda mantinha alguns funcionários. Sob proteção do comandante Mohamed Bida (vivido no filme por Roschdy Zem), e das tropas francesas, o local tornou-se palco de refúgio para cerca de 300 afegãos caçados pela milícia talibã.
Durante exatos 13 dias e 13 noites, Bida e seus poucos soldados tiveram de lidar com várias pessoas desesperadas dentro da embaixada, e também com a pressão dos talibãs, que ameaçavam invadir o local, mesmo desrespeitando leis internacionais, para capturarem suas vítimas.
Desde fazer listas de quem teria direito a ir embora sob o cuidado dos franceses, alimentação, higiene, foram dias cruéis. E a última missão da tropa era, ainda, atravessar Cabul com centenas de pessoas, e tentar chegar até o aeroporto, para a evacuação.
O filme, apesar de se conhecer como tudo acabou, mantém a tensão e o suspense em suas quase duas horas de intensas cenas de ação, e com grande reconstituição dos eventos.
Cotação: excelente
Duração: 112 min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=benAcXswGv4

"Velhos Bandidos"

Foto: Paris Filmes
"Velhos Bandidos", direção de Cláudio Torres, é simplesmente um desperdício de tempo, talentos e tudo de errado em um filme, que conta com um elenco estelar nacional. Mas se afunda na falta de carisma dos personagens, nas piadas sem graça, nos tiques nervosos e desnecessários de seus personagens.
E olha que “Velhos Bandidos” traz ninguém mais, ninguém menos do que nossa primeira dama do cinema nacional, Fernanda Montenegro. Será que a aposentadoria dela atrasou, para ela embarcar e, tal furada:
Na trama, ela vive Marta, que ao lado de R odolfo, interpretado por Ary Fontoura, são um casal de aposentados que planejam o crime perfeito, após terem o dinheiro de uma vida ser afanado deles – a ideia é simplesmente um grande assalto a um banco.
Para concretizar o plano, obrigam o jovem casal de ladrões Nancy e Sid (sim, você não leu errado), interpretados por Bruna Marquezine e Vladimir Brichta, a se juntarem a eles.
Mas enquanto planejam o assalto, passam a ser investigados pelo detetive Oswaldo Aranha, papel de Lázaro Ramos, cuja filha está desenganada em um hospital, pois o remédio que precisa para sobreviver, custa muito mais do que o salário de um policial honesto consegue pagar. Pistas...
O elenco de apoio também naufraga vergonhosamente, com nomes de veteranos como Tony Tornado, Vera Fischer, Reginaldo Faria, Nathália Timberg e Teca Pereira.
Tudo em "Velhos Bandidos" é desperdiçado, previsível, soluções fáceis e incoerentes. Traz um roteiro tantas vezes explorado no cinema, mas com muito mais graça. Aliás, era para ser uma comédia...e nenhuma cena provoca uma mínima risada, só vergonha alheia.
Cotação: ruim
Duração: 1h38
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=FWIX2wi9nNU

Filme sobre a Palestina será exibido na Sala Redenção durante a I Conferência Nacional Antifascista em Porto Alegre

Foto: Fabulário Filmes
O documentário “Notas Sobre um Desterro”, dirigido por Gustavo Castro, terá uma sessão especial em Porto Alegre, neste sábado, dia 28 de março, às 10h15, na Sala Redenção, na Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, Parque Farroupilha, Bom Fim.
A exibição integra a programação da I Conferência Internacional Antifascista e será seguida de um debate com o diretor e com a participação de Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL). A conversa com o público terá mediação de Kelly Demo Christ, diretora de comunicação do Clube de Cinema de Porto Alegre, que participa da atividade como parceiro da sessão.
O documentário aborda a realidade da Palestina sob ocupação israelense, reunindo registros realizados na Cisjordânia, imagens de arquivo e materiais produzidos pelos próprios palestinos durante a guerra em Gaza. Ao costurar esses diferentes materiais, o documentário constrói um relato sensível e político sobre os impactos da ocupação militar, do apartheid institucionalizado e da violência colonial na vida cotidiana da população palestina.
As filmagens começaram em 2018, quando Castro e o fotógrafo Rafael de Oliveira viajaram à Cisjordânia com a intenção inicial de investigar histórias de convivência entre diferentes comunidades e religiões na região. Durante cerca de um mês, a equipe percorreu cidades e vilarejos palestinos, sendo acolhida por uma família palestino-brasileira no vilarejo de Kobar.
Com a escalada da violência na região e os acontecimentos iniciados em outubro de 2023, o projeto foi revisitado e ganhou nova forma. O material original foi reeditado e combinado com registros históricos e vídeos compartilhados nas redes sociais por palestinos que documentam, em tempo real, os efeitos da guerra sobre a população civil.
A sessão na Sala Redenção, aberta à comunidade e gratuita, será uma oportunidade para que o público assista ao filme em sala de cinema e participe de um debate com o diretor Gustavo Castro e com Ualid Rabah sobre o processo de realização da obra, os desafios éticos envolvidos na utilização de imagens de guerra e o papel do audiovisual na construção de memória e reflexão política.
Serviço
O que: Sessão do filme “Notas Sobre um Desterro” (Gustavo Castro, 2025), seguida de bate-papo com o diretor e com Ualid Rabah (FEPAL). Parte da programação da I Conferência Nacional Antifascista em parceria com o Clube de Cinema de Porto Alegre
Local: Sala Redenção – UFRGS
Endereço: Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, Parque Farroupilha, Bom Fim
Quando: 28 de março, sábado
Horário: 10h15
Entrada: Gratuita
Veja o Trailer "Notas Sobre um Desterro" no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=Sc0bfTbM7Fw

quarta-feira, março 18, 2026

“Enzo”

Foto: Mares Filmes
“Enzo”, com direção de Laurent Cantet e Robin Campillo, é um filme que foca em tema sensível, mostrando a vida de um garoto de 16 anos que busca entender seu lugar no mundo.
Enzo, o estreante Eloy Pohu, vem de uma família de posses no sul da França – o irmão mais velho estuda para entrar em uma das universidades mais prestigiadas do país. Porém, ele rejeita os planos dos pais, e deseja algo bem mais simples: ser pedreiro. Desta forma, consegue uma colocação como aprendiz em uma obra na região, apesar de não conseguir mostrar nenhuma aptidão para a profissão.
Só que Enzo não desiste, apesar das exigências de seu chefe, que resolve dar mais chances ao adolescente. Porém, as coisas começam a mudar na vida de Enzo, que vai descobrindo os desejos sexuais, inicialmente com uma amiga. Mas logo, ele se encanta por um colega de trabalho ucraniano, o encantador Vlad (Maksym Slivinskyi).
Enzo começa a ter dúvidas de sua sexualidade. Ele seria gay ou é apenas um desejo passageiro? O garoto investe no colega, que vive preocupado, pois não sabe se fica na segura França ou retorna para sua terra natal e lutar na guerra entre Rússia e Ucrânia.
“Enzo” é um bom filme, conseguindo tratar com sensibilidade assuntos como escolhas de vida, amadurecimento e sexualidade. Simples e honesto.
Cotação: bom
Duração: 1h42min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=HQ32_n2FfqQ

“Casamento Sangrento: A Viúva” (Ready or Not 2: Here I Come)

Foto: 20th Century Fox
“Casamento Sangrento: A Viúva” (Ready or Not 2: Here I Come), dirigido pela dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, é a continuação do filme “Casamento Sangrento”, de 2019. Nesse, protagonista Grace ( Samara Weaving) casou com o herdeiro de uma família satânica e precisou escapar dos psicopatas durante toda uma noite para sobreviver. Agora, o novo filme mostra os dias seguintes aos eventos iniciais, mais gore e violento do que seu antecessor.
Gracie acorda no hospital, algemada, sendo acusada de ter praticado vários assassinatos. Eis que surge sua irmã, Faith (Kathryn Newton). E as duas, brigadas, não se falavam há 7 anos. O problema é que a família de seu ex-noivo, os Le Domas, faziam parte de uma organização de várias outras famílias satanistas, que dominam a região. E estas famílias, lideradas pelo magnata Chester Danforth (nada mais que o cineasta David Cronenberg) acham que Grace é a chave para os clãs manterem seus poderes e fortunas.
As famílias, vindas de diversas partes do mundo, se unem na mansão de Danforth para caçar Grace e Faith, que seguindo o clichê de duplas improváveis, no começo se odeiam, mas obrigadas a unirem forças para escapar da morte, criam uma grande empatia. As duas têm de escapar de assassinos durante quase 24 horas – só serão livres se se mantiverem vivas até o amanhecer.
“Casamento Sangrento: A Viúva”, assim como o filme anterior, traz um elenco de peso, desde Cronenberg, passando pela eterna Buffy (Sarah Michelle Gellar, Shawn Hatosy (talvez o grande destaque dos vilões), Néstor Carbonell, Olivia Cheng, Elijah Wood, Kevin Durand, entre outros. Todos parecendo se divertir muito, ainda mais que seus personagens vão morrendo das formas violentas, algumas até de forma engraçada.
O filme deixa alguns pontos soltos, mas mesmo assim, consegue manter a essência do longa-metragem original, mantendo o humor e o gore. A gente sabe que as mocinhas vão sobreviver, mas mesmo assim sofremos e torcemos para que elas escapem de seus perseguidores.
Cotação: ótimo
Duração: 1h48min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=tpWh7NWRnJI

COLETIVO AUDIOVISUAL TV OVO COMPLETA 30 ANOS, MOSTRANDO QUE CINEMA É PARA TODOS

Texto: Homero Pivotto Jr Foto: Oficina Olhares da Comunidade EMEF Adelmo Simas Genro / Nathália Arantes O PENSAMENTO COMUM no meio audio...