quinta-feira, julho 09, 2026

FESTIVAL DE GRAMADO CHEGA A SUA 54 EDIÇÃO E ANUNCIA FILMES NACIONAIS E CURTAS GAÚCHOS CONCORRENTES

Foto montagem: “Feito Pipa”, “Leite em Pó”, “Justino - Nos Bastidores do Reino”, “Nosso Segredo”, “Pele de Rinoceronte” e “Chorão: Só os Loucos Sabem” são os filmes selecionados para a Mostra Competitiva de Longas-Metragens Brasileiros
O Festival de Cinema de Gramado divulgou nesta quarta-feira, 8 de julho, os seis longas-metragens brasileiros de ficção da mostra competitiva de sua 54ª edição: "Chorão: Só os Loucos Sabem" (SP), de Hugo Prata e Felipe Novaes; "Feito Pipa" (CE), de Allan Deberton; "Justino - Nos Bastidores do Reino" (DF), de José Eduardo Belmonte; "Leite em Pó" (MG/SP/RN), de Carlos Segundo; "Nosso Segredo" (MG), de Grace Passô; e "Pele de Rinoceronte" (RJ), de Marcello Ludwig Maia. Realizado pela Gramadotur, autarquia municipal de turismo e cultura, o mais tradicional festival de cinema do Brasil este ano acontece entre 12 e 22 de agosto, com abertura oficial no dia 14 de agosto, com exibição hors-concours do longa-metragem “Antártida”, de Bruno Safadi.
Os anúncios foram realizados durante coletiva de imprensa na Serra Gaúcha, e a presidente da Gramadotur, Rosa Helena Volk, também apresentou outros destaques da programação, como os curtas-metragens gaúchos selecionados para o Prêmio Assembleia Legislativa, o agraciado com o troféu Sirmar Antunes, as homenagens da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul ao cinema gaúcho, além de detalhes sobre acessibilidade, sessões especiais e o Conexões Gramado Film Market, segmento mercadológico do evento serrano. Os demais conteúdos e homenagens desta edição serão divulgados em coletivas de imprensa no Rio de Janeiro, no próximo dia 13 de julho, e em São Paulo, no dia 16.
A curadoria de longas-metragens brasileiros e documentários é assinada pelas atrizes Ana Flavia Cavalcanti e Camila Morgado e pelo jornalista, professor e crítico de cinema Marcos Santuario, e a seleção sublinha a força de Gramado como a primeira janela de exibição dos mais recentes títulos da cinematografia brasileira. Todos os filmes são inéditos no Brasil e três deles marcam a estreia de seus diretores em longas de ficção: Grace Passô, Carlos Segundo e Marcello Ludwig Maia.
“Escolher filmes nunca foi uma tarefa de consenso. É um gesto de confiança no cinema, mas também um exercício de escuta do presente. Cada edição de um festival é uma fotografia do tempo em que vivemos e, ao mesmo tempo, uma aposta no tempo que ainda está por vir. Foi com esse espírito que construímos a seleção da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Todos os títulos apresentados nesta edição chegam ao público brasileiro pela primeira vez. Mais que estreias, são encontros inaugurais. Cada sessão carrega a emoção do desconhecido, a possibilidade da surpresa e o privilégio de assistir a filmes que ainda não foram apropriados pelo olhar coletivo. Gramado continua sendo esse lugar raro onde o cinema nasce diante da plateia. Onde os filmes vêm ‘para nascer e não para morrer’”, destacam os curadores.
Dirigido por Hugo Prata e Felipe Novaes, “Chorão: Só os Loucos Sabem” mergulha na vida do rapper e cantor que marcou gerações na banda Charlie Brown Jr. Em Santos, no litoral paulista, ele conhece Graziela e, do encontro entre amor, rebeldia e vulnerabilidade, nasceram músicas que marcaram gerações. Com José Loreto e Nanda Marques, o filme é produzido pela Bravura Cinematográfica em coprodução com a Globo Filmes.
Em “Feito Pipa”, de Allan Deberton, o jovem Gugu sonha em se tornar um grande jogador de futebol. Criado pela avó, ele teme voltar a ter que morar com o pai, com quem tem uma relação complicada, e fará de tudo para evitar que isso aconteça. Com Lázaro Ramos, Yuri Gomes e Teca Pereira, o longa-metragem é uma produção da Deberton Filmes e da Biônica Filmes.
O Rio de Janeiro da década de 1980 é o cenário de “Justino - Nos Bastidores do Reino”, história em que o protagonista encontra em uma poderosa igreja neopentecostal a chance de sair da pobreza. Em sua rápida ascensão e no sucesso como pastor estão desejos reprimidos, segredos e ambição. Depois de 15 anos, Justino quer acertar as contas com o passado. Dirigido por José Eduardo Belmonte, o filme traz no elenco nomes como Christian Malheiros, Antonio Pitanga, Caio Blat e Onna Silva. A produção é da Mercado Filmes.
Com direção de Carlos Segundo e produção de O Sopro do Tempo, Vitrine Filmes e Les Valseurs, “Leite em Pó” apresenta a história de um músico obcecado por rock que vê sua vida desabar após uma perda familiar. Sozinho e sem dinheiro, ele decide aceitar um trabalho que o força a circular pela cidade, encontrando diferentes pessoas que desafiam sua visão de mundo. Entre memórias incômodas e os novos laços, ele inicia uma jornada transformadora para enfrentar seus fantasmas. O elenco apresenta Vinicius de Oliveira, Antonio Pitanga, Zezita Matos e Rejane Faria.
Em “Nosso Segredo”, uma família tenta reconstruir a rotina após uma perda recente. Enquanto cada um foge do luto à sua maneira, o filho mais jovem guarda um segredo que pode ajudá-los a enfrentar a dor e encontrar um novo caminho. Com Robert Frank, Efraim Santos, Jéssica Gaspar, Flip e Ju Colombo, o filme tem direção de Grace Passô. A Entre Filmes assina a produção do longa-metragem, em coprodução com a Globo Filmes.
Ambientado na década de 1970, “Pele de Rinoceronte”, de Marcello Ludwig Maia, traz Débora Falabella no papel de uma repórter de um jornal popular que, ao lado de uma advogada criminalista, vê sua vida mudar após um homicídio que chocou o Brasil e marcou o início do debate sobre o feminicídio. O drama, que também apresenta Naruna Costa, Irandhir Santos, Augusto Madeira, Elli Fêrreira e Daniel Rangel, é produzido pela República Pureza Filmes, em coprodução com o Canal Brasil e Telecine.
FORA DA MOSTRA COMPETITIVA - "ANTÁRTIDA"
Foto: Marina Ruy Barbosa em “Antártida”/Fabio Rocha
Produzido pelo Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo em coprodução com a TV Globo, “Antártida”, com direção de Bruno Safadi e roteiro de Claudia Jouvin, é estrelado por Andrea Beltrão, Marina Ruy Barbosa, Leandra Leal, Antonio Calloni, Lázaro Ramos e João Vitor Silva. Com distribuição da Paris Filmes, o longa tem lançamento confirmado nos cinemas para 17 de setembro.
Na trama, cientistas e militares se preparam para enfrentar o inverno rigoroso em uma base brasileira na Antártida. Tudo muda após a primeira noite, quando Inês (Marina Ruy Barbosa) sofre uma violência brutal e a situação torna todos os homens suspeitos, incluindo o Comandante Barros (Antônio Calloni) e o Capitão Vicente (Lázaro Ramos). Sob clima de tensão e desconfiança, a subcomandante Elisabeth (Andrea Beltrão) lidera uma investigação em busca do criminoso com o apoio das mulheres da base — entre elas, Marina, médica da estação, interpretada por Leandra Leal.
TROFÉU CIDADE DE GRAMADO
Crédito: Divulgação
O Troféu Cidade de Gramado, que reconhece personalidades ligadas ao festival, cuja atuação contribuiu para a projeção do evento e da região, será entregue ao ator, roteirista e diretor Marcos Caruso. Com uma longa trajetória de mais de quatro décadas no cinema, na televisão e no teatro, iniciou a carreira nos palcos na década de 1970 em montagens como “Rei Momo” e “Alegro Desbum”. Estreou na televisão em 1978 em “Aritana” e, desde então, integrou o elenco de grandes sucessos como “Mulheres Apaixonadas” e “Avenida Brasil”. Nos cinemas, participou de mais de 20 longas-metragens, com destaque para “Memórias Póstumas”, de André Klotzel; “Depois daquele Baile”, de Roberto Bomtempo; e “Polaróides Urbanas”, de Miguel Falabella.
PRÊMIO ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
Tradicional janela de exibição do cinema gaúcho, o Prêmio Assembleia Legislativa apresenta 18 títulos que formam um mosaico plural e descentralizado para uma mostra tradicionalmente reconhecida por revelar novos talentos da produção audiovisual local.
O famoso “Gauchão”, nome carinhosamente adotado pelo público para se referir à mostra, é realizado em parceria com a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, distribuindo troféus e prêmios em dinheiro para os vencedores de 12 categorias. As exibições acontecem nos dias 15 e 16 de agosto, às 13h, no Palácio dos Festivais, com a cerimônia de premiação marcada também para o dia 16, a partir das 20h.
Os filmes de curta-metragem selecionados:
"O Acumulador de Memórias" (Pelotas), de Camisla
"Banho Maria" (Porto Alegre), de Gabriel Faccini
"Batidão de Botas" (Pelotas), de Camila Santos (Camisla), Daniel Galuppo, Esther Costa, Maria Eduarda Bandeira e Stella Mahle
"Braço Forte" (Pelotas), de Rubens Fabricio Anzolin e João Fernando Chagas
"Claudete" (Santa Cruz do Sul), de Gabriela Kopp
"Coisa Ruim" (Porto Alegre), de Lucas Tergolina
"Drunken Car" (Garibaldi), de Brunella Martina
"Elisete Tem que Casar!" (Caxias do Sul), de Gaby Buffon
"Estátuas Também Morrem?" (Brasil/Hungria/Portugal/Bélgica), de Thais Fernandes
"Grão" (Rio Grande), de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa
"Manjericão" (Xangri-Lá), de Raphaela Serafim Maciel e Eric Pauli
"Mizandrika" (Pelotas), de Kali Breder
"Procura-se Ator" (Imbé/Tramandaí), de Airton Tomazzoni e Laura Lautert
"Raidinalha" (Porto Alegre), de Marco Arruda
"O Retorno" (Porto Alegre), de Cesar Meneghetti e Mario Gianni
"Terra Bruta" (Canoas), de Allan Riggs e Guilherme Suman
"A Vaidade é a Última Que Morre" (Porto Alegre), de Natália Zambon
"O Véu" (Porto Alegre), de Gabriel Motta.

quarta-feira, julho 01, 2026

“MINIONS & MONSTROS” (Minions and Monsters)

Fotos: Universal Pictures
“Minions & Monsters”, direção conjunta de Pierre Coffin e Patrick Delage, para mim, sem sombra de dúvida é o melhor filme já feito pela franquia, que começou lá atras, em 2010, com os pequenos seres amarelos sendo protagonistas ao lado do vilão Gru. Agora, em novo filme da carreira solo deles, a trama faz uma homenagem excelente ao cinema – é o terceiro filme da franquia spin-off de “Meu Malvado Favorito”.
Tudo começa em uma excursão de turistas a um estúdio de cinema em Hollywood, onde uma guia vai mostrando personagens importantes da indústria, e dê-lhe citações, como E.T. e até mesmo Keanu Reeves e o diretor George Lucas preso em uma jaula de vidro. Até surgir uma estátua de dois minions, os irrequietos James e Henry, desconhecidos pelos visitantes.
Então a guia decide contar a história dos minions, que são imortais e vagam pela Terra há milênios, sempre em busca de um vilão para servir, sem questionar (taí a explicação mais do que certeira do apelido dado aos seguidores do inominável – bolsominions).
Ao longo dos séculos, os minions fazem uma busca incessante e geralmente estragando a vida do líder escolhido e da deles mesmos. Mas eis que eles chegam na Hollywood do final dos anos 1920, sendo contratados pela produtora Bright Brothers Studios e trabalhando com o diretor alemão Max (uma referência aos vários diretores germânicos que fugiram da Alamanha nazista e foram trabalhar nos EUA, como Fritz Lang, Ernst Lubitsch e Michael Curtiz.
Eles acabam fazendo sucesso, tornam-se celebridades do cinema mudo e ficam muito ricos. Porém, seguindo na toada das citações cinematográficas, o cinema se torna falado e devido a dificuldade de se comunicarem, falando naquela língua toda própria deles, acabam sendo demitidos – olha aí “Cantando na Chuva”.
Porém James decide que quer dirigir seu próprio filme e ganhar um Oscar, e um longa-metragem de monstros. Para isso, ao lado de seu amigo Henry, conjuram um livro de feitiçarias de um antigo mestre deles, libertando vários monstros, um deles devastador, que pretende acabar com o planeta.
E o espectador se dobrando de rir e se deleitando, ao longo de pouco menos de uma hora e meia, de diversas homenagens a filmes e atores de Hollywood. Além dos já citados acima, tem espaço, entre outros, para “O Dia em que a Terra Parou”, “Tubarão”, “Cidadão Kane”,” Independence Day”, “A Múmia”, Charlie Chaplin e seu “Tempos Modernos”, e Buster Keaton e “O Homem-Mosca”.
“Minions & Monstros” é feito quase que praticamente para cinéfilos, mas também pode fazer com quem não saque as citações, fique curioso, e corra atrás das obras que o inspirou. Um dos melhores filmes animados dos últimos anos.
Duração: 1h29
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=tL_WTeAA-JA

segunda-feira, junho 29, 2026

"ANATOMIA DO CAOS"

Fotos: Descoloniza Filmes
Em “Anatomia do Caos”, a diretora baiana Dandara Ferreira revisita a negligência do governo de Jair Bolsonaro na pandemia de coronavírus a partir dos trabalhos da CPI da Covid. A diretora teve acesso aos bastidores da comissão no Senado e entrevistou parlamentares no longa que pretende discutir memória e justiça no Brasil.
O documentário político relembra as omissões do governo de Jair Bolsonaro e a postura de parlamentares da extrema direita durante a pandemia que culminaram na morte de mais de 700 mil brasileiros. A obra traça um panorama nacional de como decisões deliberadas e a falta de respostas adequadas diante de uma emergência sanitária global moldaram o cenário de crise em todo o país, revelando registros inéditos de bastidores de senadores que integravam a CPI e buscavam respostas, documentos e investigações que expõem as falhas estruturais na condução da crise.
Em abril de 2021, a diretora Dandara Ferreira decidiu ir a Brasília registrar os trabalhos da comissão em um momento de incerteza e medo. “O que me movia naquele momento era a percepção de que o país atravessava algo maior do que uma crise sanitária. Havia uma disputa brutal em torno da própria realidade”, disse ela, que fez a sua estreia no cinema de ficção com a cinebiografia de Gal Costa (“Meu Nome É Gal”), protagonizada por Sophie Charlotte.
Para a realizadora, a CPI da Covid surge no documentário como o palco de uma tragédia nacional, um teatro político. O filme explora como o discurso oficial produziu uma confusão deliberada e colocou a ciência em xeque. “Não se tratava apenas de negligência. Havia uma construção de uma narrativa em curso, uma política da desinformação que transformava a morte em estatística e a dor coletiva em deboche”, pontua a cineasta, “Anatomia do Caos” também aborda uma questão recorrente nos processos de CPIs no país: a impunidade ao final dos trabalhos. Segundo a diretora, o documentário não busca apenas revisitar o passado, mas questionar o presente e o que significa seguir adiante sem justiça ou responsabilização. “Esse filme nasce da necessidade pessoal de registrar esse período e da certeza de que algumas imagens precisam continuar abertas, porque elas ainda nos olham de volta”, concluiu.
O lançamento de “Anatomia do Caos” será marcado por um amplo circuito de exibições seguidas de debate, com a presença da diretora, reforçando o papel do filme como um espaço de diálogo e reflexão coletiva sobre a história recente do Brasil. As sessões especiais estão previstas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Recife, Curitiba, Salvador, Brasília e Fortaleza, permitindo que o público discuta a memória da pandemia e a necessidade de justiça.
Duração: 1h31
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=_epVTK4hl8w

CLUBE DE CINEMA EXIBE “NAS GARRAS DO VÍCIO NA SALA REDENÇÃO NESTA QUINTA-FEIRA

Fotos: Divulgação
O Clube de Cinema de Porto Alegre realiza, nesta quinta-feira, dia 2 de julho, mais uma sessão do ciclo "Nouvelle Vague e suas influências", desta vez com a exibição de “Nas Garras do Vício” (Le beau Serge, 1958), primeiro longa-metragem de Claude Chabrol e considerado por muitos críticos e historiadores como a obra inaugural da Nouvelle Vague francesa. A sessão acontece na Sala Redenção da UFRGS, na Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, no Parque Farroupilha, a partir das 19h.
Após a exibição, o público poderá participar de um debate com a professora, pesquisadora e crítica de cinema Fatimarlei Lunardelli, ampliando a experiência de reflexão sobre a obra e seu contexto histórico.
Mais do que um estilo cinematográfico, a Nouvelle Vague representou uma ruptura com os modelos tradicionais de produção. O movimento nasceu no final dos anos 1950 a partir de jovens críticos ligados à revista Cahiers du Cinéma, que decidiram colocar em prática suas reflexões sobre a linguagem cinematográfica.
Filmando em locações reais, com equipes reduzidas e maior liberdade narrativa, diretores como Claude Chabrol, François Truffaut, Jean-Luc Godard, Agnès Varda, Jacques Rivette e Éric Rohmer consolidaram o chamado cinema de autor, no qual a visão artística do diretor passa a ocupar um papel central. Sua influência permanece viva até hoje, inspirando realizadores em todo o mundo.
Em “Nas Garras do Vício”, Chabrol acompanha François, que retorna à sua cidade natal para se recuperar de uma doença e reencontra Serge, antigo amigo consumido pelo alcoolismo e pelo desencanto. Enquanto revive lembranças e confronta as tensões daquele pequeno vilarejo francês, o protagonista tenta ajudar o amigo a romper o ciclo de autodestruição que marcou sua trajetória. Filmado em cenários reais e marcado por uma forte dimensão psicológica, o longa antecipa muitas das características que se tornariam marcas da Nouvelle Vague.
Neste ano, o ciclo "Nouvelle Vague e suas influências" integra as ações de extensão da UFRGS realizadas em parceria com a Sala Redenção. Os participantes podem obter certificado de participação, válido para o aproveitamento de horas complementares pelos estudantes. Inscrições podem ser feitas aqui.
Serviço
Clube de Cinema de Porto Alegre – Ciclo "Nouvelle Vague e suas influências"
Local: Sala Redenção – UFRGS
Endereço: Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, Parque Farroupilha
Filme: Nas Garras do Vício (Le beau Serge)
Data: 2 de julho, quinta-feira
Horário: 19h
Debate: Fatimarlei Lunardelli
Entrada: Franca e aberta à comunidade
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=kWh3zETifk4

quarta-feira, junho 24, 2026

“SUPERGIRL”

Foto: Warner Bros.
“Supergirl”, dirigido por Craig Gillespie, é baseado na história em quadrinhos “Supergirl: Mulher do Amanhã” ilustrada pela brasileira Bilquis Evely, e tem roteiro escrito pela atriz e filha de pai brasileiro Ana Nogueira. E consegue ser tão ruim quanto o filme da heroína de 1984, protagonizado pela bela Helen Slater e que contava com um elenco de primeira, como por exemplo Faye Dunaway, Peter O’Toole, Mia Farrow e Brenda Vaccaro, que com certeza, estavam precisando pagar o aluguel de suas mansões.
Agora, 42 anos depois, a super-heroína é vivida pela australiana Milly Alcock, do seriado da HBO “Casa do Dragão”, e que talvez seja o único acerto do filme, com sua atuação de uma jovem deprimida, que sofre por não sofrer com a vida na Terra e com fortes lembranças de seu planeta natal. Passa o aniversário de 23 anos bebendo e vomitando em um planeta onde seus superpoderes não funcionam.
E a trama, sim, se passa toda no espaço, com o tema vingança como foco central. E Supergirl se envolve com a adolescente Ruthye Marie Knoll (Eve Ridley), que teve a família assassinada pelo vilão Krem (Matthias Schoenaerts). A jovem parte em busca de vingança, pedindo a ajuda de Kara, que a princípio, nega ajudar a garota – o clichê do herói que recusa a missão, para depois voltar atrás, quando seu cão de estimação, Krypto, é envenenado pelo vilão.
Então as duas saem pela galáxia atrás de Krem, encontrando pelo caminho todos os tipos de alienígenas, entre eles o caçador de recompensas Lobo (Jason Momoa).
O roteiro até mantém diversos elementos fundamentais da história em quadrinhos, como o desejo de vingança de Ruthye, o envenenamento de Krypto, e os traumas da infância de Kara em seu planeta natal, mostrados em interessantes flash-backs. Mas saindo disto, o restante se mostra fraco, sem imaginação, as cenas de ação de “Supergirl” são escuras, não sei se por problema de projeção ou se opção da produção mesmo. Além disso, o filme se mostra uma compilação de várias obras cinematográficas, desde “Star Wars”, com seus mais variados personagens extraterrestres, “John Wick”, com a mocinha só tomando uma atitude depois de que seu cão de estimação é atacado pelo vilão, “Mad Max” e seu vilão genérico Krem, vestindo roupas de couro pretas e o rosto coberto por piercings. E até mesmo “Máquina Mortífera”, com sua personagem principal autodestrutiva, bebendo até cair.
O que se salva é realmente a atuação de Milly Alcock, carismática e convincente como bêbada, mostrando vulnerabilidade. Já Jason Momoa interpreta mais do mesmo em seus personagens cinematográficos, com cara de mau, violento e irônico. Sem graça nenhuma. Enfim, são quase duas horas que demoram a passar.
Duração: 1h50
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=bFD0IU3_TFY

“SEGREDO OBSCURO” (Shell)

Foto: Paris Filmes
“Segredo Obscuro” (Shell), direção de Max Minghella, já concorre ao título de pior filme do ano. A trama é simplesmente absurda, envolvendo a atriz Samantha Lake (Elisabeth Moss, do seriado The Handmaid's Tale, do qual fez par com o diretor Max Minghella), que vive ainda da fama de ter participado de um seriado televisivo de sucesso no passado – a história se passa em um futuro próximo -, mas passada dos 40 anos, não consegue mais trabalhos em sua área.
Influenciada por seu agente e dando de cara pela cidade com outdoors da estética Shell, Sam decide procurar a empresa para mudar o visual. Ela está acima do peso, anda sempre com um casaco fora de moda, e vai atrás do tratamento considerado milagroso. E logo cai nas graças da CEO da Shell, a elegante e linda Zoe Shannon (Kate Hudson).
O começo do tratamento logo resulta na volta de sua autoestima e na obtenção de um papel em um grande trabalho, e a volta dos fãs. Só que aos poucos, mudanças começam a aparecer em seu corpo – escamas vão aparecendo no pescoço, nas costas, nas pernas. E uma amiga, da qual ela foi babá, a modelo e aspirante à estrela hollywoodiana Chloe (Kaia Gerber), acaba sumindo de forma misteriosa, fazendo com que Sam acredite estar envolta em uma grande conspiração.
O problema é que, depois de um começo onde o roteiro parece sugerir a presença de um assassino e de um certo suspense e mistério, tudo é jogado no lixo. A história simplesmente, do nada, se transforma em uma mistura de “A Substância” com “A Mosca”. Inacreditável.
Duração: 1h42
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=llfByPSLwFw

quarta-feira, junho 17, 2026

“TOY STORY 5”

Foto: Disney
Iniciada em 1995, a saga em que os brinquedos ganham vida quando os humanos não estão olhando, ganha um novo capítulo. Em “Toy Story 5”, direção conjunta de Andrew Stanton e McKenna Harris. Agora os bonecos são liderados pela vaqueira Jessie, com o astronauta Buzz Lightyear como seu primeiro ajudante – e rola uma química entre esses dois personagens.
E os brinquedos pertencem à pequena Bonnie, garotinha tímida de oito anos, que sofre para fazer amizades. E quando tenta, acaba sofrendo bullying de outras meninas, pois ela ainda brinca com seus brinquedos, enquanto as outras amigas estão dominadas pelos seus celulares.
Para tentar fazer com que Bonnie se integre as novas tendências, os seus pais a presenteiam ccm um tablet em forma de sapo chamado Lilypad.
Porém, o tablet acaba sendo visto como uma ameaça pelos demais brinquedos, com Jessie fazendo campanha intensa para que Bonnie se livre de Lilypad, com medo de serem abandonados pela garotinha. E isso vai fazer com que os brinquedos acabem entrando em diversas aventuras, se perdendo pelas ruas da cidade. E no meio de toda a bagunça, o cowboy Woody, que agora pertence a outra criança, surge para ajudar seus antigos companheiros.
O filme tem aquele clima de nostalgia – e muita gente vai se identificar com o passado, onde as crianças iam para as ruas brincarem e não ficavam trancadas, dentro de casa, olhando para telas de celulares e computadores.
“A tecnologia mudou a vida de todos, mas estamos nos perguntando o que isso significa para nós e para nossos filhos”, disse Andrew Stanton, um dos diretores do filme. “Hoje os brinquedos parecem ocupar um espaço menor na vida das crianças. Ver um quarto sem o domínio de dispositivos eletrônicos é quase algo do passado.”
Duração: 1h42
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=-YbiBclEEgo

“CINCO DA TARDE”

Foto: 3 Tabela Filmes
"Cinco da Tarde" é dirigido por Eduardo Nunes e acompanha Anabel (Bárbara Luz, de “Ainda Estou Aqui”), uma jovem de 17 anos que está lidando com a recente morte de sua avó. Ela acaba conhecendo a vizinha de sua avó, a tímida e solitária Meiko (Sharon Cho).
As duas começam a conversar, de forma tímida, e acabam descobrindo uma conexão inesperada – e à medida em que vão convivendo, vão encontrando muitos sentimentos em comum, como perda, solidão e pertencimento. “Cinco da Tarde” é todo ele feito em P & B, com várias longas cenas silenciosas. A depressão pega forte, transformando a experiência da assistir ao filme, por vezes, difícil e cansativa.
O longa-metragem foi filmado em agosto de 2022 (ainda se vivia a pandemia, tanto que em várias cenas, os atores aparecem usando máscaras), em locações de Niterói, no Rio de Janeiro, refletindo a cidade natal do diretor e roteirista. Lugares como o Campo de São Bento, a Igreja Porciúncula de Sant’Ana e o Edifício Cézanne, erguido onde já foi o antigo Cine São Bento, aparecem como cenários marcantes no filme.
“O filme foi realizado através do Primeiro Edital de Fomento do Audiovisual da Prefeitura de Niterói, e tenho muito orgulho disso, pois acredito que a cidade tem um potencial enorme para o cinema. Não à toa uma das mais importantes Escolas de Cinema do Brasil reside aqui em Niterói. Este edital permitiu que eu, depois de mais de 30 anos de carreira, filmasse pela primeira vez em minha cidade. E foi muito especial voltar a lugares onde passei a infância, como o Campo de São Bento e os arredores da Igreja Porciúncula de Sant’Ana. Além de fazer uma homenagem ao Cine São Bento, que meus pais frequentavam”, disse o diretor.
Duração: 2h05
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Fhtn80pCjqc

“O AFINADOR” (Tuner)

Foto: Paris Filmes
“O Afinador” (Tuner), dirigido por Daniel Roher, apresenta o jovem Niki (Leo Woodall, de Nuremberg), que trabalha com o veterano Harry Horowitz, afinando pianos em New York. Niki tem uma audição extraordinariamente sensível, devido a um acidente, e isso o torna um excelente profissional em sua área.
Os dois passam os dias circulando pela cidade, indo a casas de ricaços ou escolas de música para afinar pianos – na realidade, apenas Niki trabalha, com Harry apenas observando, pois já fez muito e está passando o bastão para o ajudante.
Porém, a qualidade extraordinária de Niki vai atrair as pessoas erradas – um vigarista, Uri (Lior Raz, do seriado israelense Fauda) que tem uma empresa de alarmes, mas a usa como fachada para arrombar cofres de mansões nova-iorquinas, acaba aliciando o jovem, que mostra tremenda habilidade de abrir cofres devido a sua audição especial.
“O Afinador” até não é um filme ruim, apresentando uma baita trilha sonora, recheada de jazz, mas o roteiro se mostra muito previsível e com muitas conveniências por demais forçadas. E parece que New York tem poucas quadras, pois os personagens se “batem” com uma facilidade absurda.
E para encerrar, Dustin Hoffman é, simplesmente, subutilizado. Seu personagem passa boa parte do tempo sentado ou deitado numa cama, e spoiler, nem chega ao final do filme. Desperdício total desse baita ator.
Duração: 1h49min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=xALbRCZSEuQ

quarta-feira, junho 10, 2026

“DIA D” (Disclosure Day)

Fotos: Universal Pictures
Quando foi anunciado o novo filme de Steven Spielberg, eu pensei ansioso de que ele iria revisitar a II Guerra, como no genial “O Resgate do Soldado Ryan”, que começa exatamente no dia que marcou a invasão aliada à Europa, pelos aliados, em 6 de agosto de 1944. Porém eu me equivoquei. Porém não é por este motivo que me decepcionei com o longa-metragem.
“Dia D” (Disclosure Day) ou o Dia da Descoberta, vemos o especialista em informática David Kellmer, vivido por Josh O’Connor (de Rivais), fugindo de homens que não sabemos se são de alguma agência governamental ou privada, pois roubou alguns documentos, sob ordens de Hugo (Colman Domingo). Junto com Kellner, na longa escapada, está sua namorada, a ex-noviça Jane (Eve Hewson).
Ao mesmo tempo em que Kellner e Jane tentam se esconder de agentes comandados por Noah (Colin Firth), surge a personagem de Emily Blunt, Margaret Fairchild, garota do tempo de uma pequena emissora de TV de Kansas City, que do dia para a noite recebe poderes sobrenaturais, como falar outras línguas e poder ler o pensamento de outras pessoas.
Os dois, David e Margaret acabam se unindo em meio a um caos que acontece nos Estados Unidos, com a população levando de assalto produtos de minimercados, como se estivesse esperando uma guerra ou uma invasão extraterrestre. E o roteiro de David Koepp baseado em uma história do próprio Spielberg. Os dois já haviam trabalhado juntos em "Jurassic Park" (1993) e "Guerra dos mundos" (2005).
Consegue esconder por boa parte do filme o motivo da fuga de David, que papéis e HDs são aqueles que o personagem carrega em uma mochila – e por que Noah o persegue com tanta vontade. Colin Firth abusou demais e transformou seu vilão em um personagem caricato.
As fugas são estilosas, espetaculares, apesar de inverossímeis ao extremo. A cena do trem é tensa, mas abusa dos malabarismos dos protagonistas Daniel e Margaret. Porém aí, Spielberg revisita o momento em que se viciou em cinema, reproduzindo o momento do acidente que ele relembra em “Os Fabelmans” (2022). Quando criança, o diretor foi levado ao cinema para assistir “O Maior Espetáculo da Terra" (1952), dirigido por Cecil B. DeMille, e onde o clímax é a famosa colisão entre duas seções do trem do circo.
Mas voltando a “Dia D”, o diretor ainda traz reminiscências de dois de seus clássicos, "Contatos imediatos do terceiro grau" (1977) e "E.T. O extraterrestre" (1982). Para mim, Spielberg segue uma crença de que existem realmente extraterrestres e a existência dos monstrinhos verdes são escondidas por organizações governamentais, ou no caso de seu novo filme, de uma agência privada.
E sei lá, mas se os alienígenas do novo filme fossem mais bélicos, até poderia comprar a ideia. Afinal, a humanidade não deu certo, e eles podiam dar um pulinho na Terra para fazer o trabalho do meteoro. Mas ET bonzinho e a população mundial parada, boquiaberta, olhando em seus celulares a revelação da existência desses seres, é pedir demais.
Cotação: regular
Duração: 2h17min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=cULQTp0ImEM

“CRIADAS”

Fotos: Vitrine Filmes
“Criadas” é o primeiro filme de ficção dirigido por Carol Rodrigues, misturando drama psicológico, realismo fantástico e horror subjetivo. A trama acompanha o reencontro entre as primas Sandra (Mawusi Tulani) e Mariana (Ana Flavia Cavalcanti), mulheres negras que cresceram juntas na mesma casa, mas ocuparam lugares radicalmente diferentes dentro dela. A mãe de Sandra trabalhou no local como empregada residente ali no passado, enquanto que os pais de Mariana eram os donos da casa.
O reencontro das duas traz à tona memórias boas e outras negativas, pesadas. Sandra é uma mulher negra, de pele escura, acima do peso e sofre para poder provar suas qualidades profissionais – ela é engenheira em uma grande construtora, envolta em um grande projeto. Já Mariana tem a pele clara, magra e parece ter passado incólume pelos problemas raciais.
Conforme Carol Rodrigues, “o filme nasce da tentativa de compreender as contradições dentro da própria família e das marcas deixadas pelo trabalho doméstico nas dinâmicas afetivas brasileiras.”
“A casa guarda aquilo que as personagens tentaram esquecer. Era importante para mim pensar o espaço como uma presença viva, que observa, cobra e devolve memórias”, acrescenta a diretora.
“Criadas” fala de amor, ressentimento, ancestralidade e permanência. É um filme sobre mulheres negras tentando reorganizar suas próprias narrativas depois de terem sido definidas, durante muito tempo, pelo olhar dos outros”, completa Rodrigues.
As protagonistas do longa também destacam a dimensão emocional do encontro entre suas personagens. Mawusi Tulani define Sandra como uma mulher atravessada por sonhos de ascensão e pelas marcas silenciosas do racismo estrutural. “Sandra é uma mulher preta, gorda, retinta. Assim como acontece em muitas famílias negras brasileiras, ela cresceu acreditando que os estudos seriam o caminho para transformar sua vida e conquistar ascensão social.” e completa “Sandra é movida pela esperança e pela ambição de ocupar outros espaços, mas ao revisitar a casa de sua prima Mariana, acaba também revisitando o próprio passado, suas memórias, dores e feridas ainda abertas. É nesse processo que começa a compreender as questões que moldaram sua trajetória e sua existência”.
Para Mawusi, o filme utiliza a intimidade das personagens para discutir estruturas sociais mais amplas. “Criadas transforma experiências privadas em reflexão coletiva. O filme fala sobre racismo, solidão, colorismo e sobre aquilo que muitas mulheres negras carregam sem conseguir nomear completamente”, afirma.
Já a atriz Ana Flavia Cavalcanti conta um pouco sobre sua experiência com a personagem: “Ela é uma mulher distante de mim, eu nasci em uma família bastante miscigenada, filha de uma mulher negra e um homem afro-indígena todos com raízes no Nordeste e em Minas Gerais. Nasci em uma favela muito perigosa nos anos 80, em Diadema”, relembra.
“Mariana, não. Ela é uma mulher que nasce em um contexto social muito próspero. O pai é branco e rico e a mãe preta que para conseguir pertencer àquele mundo embranquece à medida que os anos passam. Mariana cresce com muitas estruturas, mas sem nenhum letramento racial e por isso sofre a falta de pertencimento.” Ela finaliza: “o filme nos faz refletir sobre as estruturas que a escravidão coordenou durante tantos séculos e seus desdobramentos.”
Cotação: bom
Duração: 1h45
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=VbFQsIRyePc

terça-feira, junho 02, 2026

“NATAL AMARGO” (Amarga Navidad)

Foto: Warner Bros. Pictures
“Natal Amargo” (Amarga Navidad), é o seu 24º longa-metragem do espanhol de 76 anos Pedro Almodóvar, e é um filme dentro do filme. E onde o consagrado diretor expõe mais uma vez suas feridas.
No filme, seguimos a história de dois cineastas obcecados em trabalhar, e em dois tempos distintos, 2004 e 2026: Elsa (Bárbara Lennie) e Raúl (Leonardo Sbaraglia), uma espécie de um alter ego de Almodóvar. Ela acabou indo para a área dos comerciais publicitários, depois de ter lançado um filme que fracassou, mas virou cult. E sofre com o luto da perda da mãe e vive com crises de enxaqueca. Além disso, namora Bonifácio (Patrick Criado), que trabalha como bombeiro e nas horas vagas, atua como stripper numa boate e onde ela o conheceu.
Já Raúl é um diretor veterano de sucesso, mas em bloqueio criativo – em determinado momento, um dos personagens chega a sugerir que ele aceite as ofertas de filmar para a Netflix, mas seu ego o impede. Raúl passa os dias sentado em seu escritório, tentando escrever um roteiro. Mas deixa de lado sua vida pessoal e praticamente ignora a presença de seu namorado, Santi (Quim Gutiérrez).
Então, de repente, o roteiro, que vai pulando entre as duas décadas diferentes, deixa claro que a vida de Elsa é simplesmente fruto da imaginação de Raúl, baseado em histórias de sua assessora, Mônica (Aitana Sánchez-Gijón).
Mas é muito interessante como Almodóvar cria a ponte entre ficção e realidade. Se o espectador piscar, pode ficar boiando, tantas são as mudanças de tempo. Porém, fica claro de como Almodóvar reflete sobre sua própria carreira e o medo de envelhecer e perder a criatividade. Só que o espanhol mostra que ainda tem muita lenha para queimar.
E para encerrar, Almodóvar se mostra impecável em seu tradicional jogo de cores fortes, iluminação e um cuidado estético vigoroso.
Cotação: ótimo
Duração: 111 minutos
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=1JfX-T1Zvig

domingo, maio 31, 2026

“EU NÃO TE OUÇO”

Foto: Amaia Filmes
“Eu Não Te Ouço”, dirigido por Caco Ciocler, é um road-movie brasileiro e inesperado, cercado de nonsense e humor. O longa-metragem é baseado em fatos reais, pegando como personagem aquele patriota que em 2023, durante os protestos golpistas, se segurou no para-brisas de um caminhão. O bolsonarista viajou durante várias horas, percorrendo 15 quilômetros na BR-232 em Caruaru (PE).
Em “Eu Não Te Ouço”, a ideia é imaginar o que as duas pessoas que protagonizaram o evento estavam pensando. Os dois, motorista e patriota são interpretados pelo ator Márcio Vito. O filme levanta questionamentos sobre o momento político que a sociedade brasileira vive.
De dentro da cabine, o motorista tenta uma conversa impossível, seja pelo barulho do vento, seja pelo vidro que separava aqueles dois mundos. “O filme é também sobre esse vidro. Sobre o país que, três anos depois, segue tentando uma conversa consigo mesmo que soa cada vez mais impossível. Não mais pelo dito — a oposição dos discursos — e sim pelo que não se escuta”, explicou Ciocler.
Cotação: bom
Duração: 1h12
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=esfeMSQjpv8

“FORA DE CONTROLE” (Dis-moi juste que tu m'aimes)

Foto: California Filmes
“Fora de Controle” (Dis-moi juste que tu m'aimes), com direção de Anne Le Ny, parece ser aquelas comédias de erro, quando uma esposa fica enciumada com o surgimento de uma antiga paixão de seu marido, e acaba se envolvendo em um relacionamento extraconjugal. Mas no final acaba sendo uma obra que pega mais fundo, até lembrando um pouco “Atração Fatal”, de 1987.
Na trama, Marie (Élodie Bouchez) é casada há 15 anos com Julien (Omar Sy). O casal tem uma filha adolescente adorável, e vive em harmonia. Ele conselheiro na escola local, e ela, executiva de uma empresa.
Só que a relação é abalada quando a ex-namorada de infância de Julien, Anaëlle (Vanessa Paradis), volta para a cidade e abre um bar, disposta a ficar para sempre. Marie se mostra ameaçada com a presença de Anaëlle e cega de ciúmes, começa a ter um romance com o seu chefe, Thomas (José García).
Só que Marie não sabe que está sendo manipulada por Thomas, que no começo parece o amante perfeito, compreensivo, sem imaginar que ele inventa situações entre Julien e Anaëlle. E aos poucos, Thomas vai se mostrando uma pessoa perigosa e abusiva, e insistindo para que Marie abandone a família e fique com ele.
Filmado na região francesa da Bretanha, o filme foi descrito pela revista Screen Daily como “uma espécie de Atração Fatal com inversão de gênero.
Dirigido por Anne Le Ny, parceira de Omar desde sua revelação como ator, “Fora de Controle” retoma o tema da infidelidade que a diretora já havia explorado em seu longa anterior, “Le Torrent”, que trazia no elenco José Garcia, que já estrelou três filmes ao lado de Sy.
Cotação: bom
Duração: 1h51
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=5Db8h1T4ke8

“OBSESSÃO” (Obsession)

Foto: Universal
Em “Obsessão”, direção de Curry Barker, temos um dos grandes filmes de terror dos últimos anos. Na trama, o jovem Bear (Michael Johnston), que trabalha com os amigos Ian e Sarah, na loja de instrumentos musicais do pai de Sarah, é apaixonado secretamente pela amiga Nikki (Inde Navarrete, simplesmente sensacional), mas quer se declarar para a garota.
Então certo dia, frustrado após achar o seu gato de estimação morto, depois de ingerir acidentalmente oxicodona, Bear entra em um bazar, onde compra um presente para Nikki, um bastão chamado "Salgueiro dos Desejos", um brinquedo curioso que promete realizar um desejo por pessoa quando quebrado.
Naquele mesmo dia, Bear dá carona para a garota, que pergunta se ele gosta dela, mas ele nega e desiste de dar o presente para Nikki. Porém, Bear decide usar o bastão, desejando que Nikki o ame mais do que qualquer pessoa no mundo.
Imediatamente Nikki passa a amar profundamente Bear, e os dois passam a namorar. Porém, o jovem começa a perceber que o preço pelo pedido é mais caro do que possa se imaginar, já que a garota fica obsessiva por ele, demonstrando muito ciúmes dele e tendo um desejo de posse tremendo.
As coisas, enfim, saem do controle, e Nikki passa a ficar violenta com quem se aproxima de Bear, e até mesmo se mutilando, quando se sente rejeitada.
O filme é realmente assustador, com cenas violentas e inesperadas – uma delas sendo um dos personagens sendo assassinado com tijoladas no rosto.
E se o espectador pergunta se o bastão atendia apenas um desejo por pessoa, por que Bear não comprou outro e fez novo pedido? Simples, porque cada pessoa só tinha direito a um desejo, não importando quantos bastões adquirisse. Bela sacada.
Cotação: ótimo
Duração: 1h49
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=3z9AHxBH600

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