quarta-feira, março 25, 2026

“Eles Vão te Matar” (They Will Kill You)

Foto: Warner Bros
Dirigido por Kirill Sokolov, “Eles Vão te Matar” (They Will Kill You) é um filme de terror com um ritmo acelerado – lembrei muito de “Um Drink no Inferno” em alguns momentos, e muito, muito sangue jorrando na tela. e membros decepados, mas logo regenerados. Sim, a trama ainda traz momentos sobrenaturais.
A personagem Asia Reaves (Zazie Beetz) arranja um emprego de empregada em um antigo prédio nova-iorquino, o Virgil (na realidade as filmagens foram realizadas na Cidade do Cabo, na África do Sul). Mas logo percebe que caiu em uma tremenda furada – os proprietários do local são membros de um culto satanista, que exigem frequentemente sacríficios humanos, para manterem suas imortalidades. E ela é, digamos assim, a vítima da vez para ser sacrificada.
Mas Asia não foi ao local impunemente. A garota tem uma missão, tentar resgatar sua irmã Maria (Myha'la), que estava trabalhando no prédio, e acabou desaparecendo. E Asia, mesmo sem saber com o que lidaria, foi preparada para enfrentar o desconhecido, e se torna um alvo muito difícil de ser derrubado.
E em meio a facadas, tiros, machadadas, os personagens se embrenham pelos corredores e interiores do prédio. O ritmo de “Eles Vão Te Matar” é insano...pausas para respirar apenas quando surgem flashbacks para explicar como as personagens, principalmente Maria, foi parar naquela situação. Ela carrega uma grande culpa por, dez anos antes, ter deixado a irmã para trás, sob o controle de um pai abusivo – mesmo assim, passou a década presa por tentativa de homicídio.
O filme segue um espiral de violência explicita praticamente do começo ao fim. Zazie Beetz assume com muito vigor o protagonismo, com sua personagem sofrendo todo tipo de sofrimento físico, mas sabendo que não pode vacilar, pois isso custaria a vida.
“Eles Vão Te Matar” tem ainda as participações de Patricia Arquette como uma governanta muito, muito maligna, Heather Graham, Tom Felton, Myha'La e Paterson Joseph.
Cotação: regular
Duração: 1h35min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=NkcaGqZ8jUY

“Tatame”

Foto: Kajá Filmes
Em época onde o Irã está nas manchetes, envolvido em uma guerra contra os Estados Unidos e Israel, chega o filme “Tatame”, com direção de Guy Nattiv (vencedor do Oscar de curta-metragem por “Skin”) e Zar Amir Ebrahimi (Melhor Atriz no Festival de Cannes por “Holy Spider”), sendo a primeira coprodução cinematográfica dirigida por cineastas do Irã e de Israel.
Irã e Israel tem uma rixa violenta no Oriente Médio, pois o país islâmico, além de não reconhecer o estado judeu, ainda fomenta os grupos guerrilheiros palestinos, como por exemplo o Hamas.
E a trama de “Tatame”, baseada em eventos reais, é ambientada durante a disputa de um Campeonato Mundial de Judô. A judoca iraniana Leila (Arienne Mandi) vai vencendo todas as suas competidoras, e o seu caminho para ganhar a medalha de ouro acaba esbarrando em uma questão totalmente política.
Os líderes políticos de seu país se dão conta que ela, com grande potencial para chegar à decisão, pode ter de enfrentar uma judoca israelense, e isso é inadmissível para eles, visto não reconhecerem o estado de Israel – aí fiquei pensando, como são burros, deveriam deixar Leila combater com a israelense, pois caso ganhassem, poderiam dizer que seu país é mais forte do que os rivais...
Então para evitar um conflito interno, passam a exigir que Leila abandone o campeonato ou finja uma lesão para evitar ter de lutar com a israelense.
Leila passa a sofrer pressão de todos os lados, inclusive de sua treinadora, Maryam (a própria diretora Zar Amir), que carrega traumas semelhantes do passado. As duas sofrem chantagens e veem suas famílias serem ameaçadas, caso não acatem as ordens vindas de Tehran.
“Tatame” é um grande retrato de como a política é suja, interferindo no desenvolvimento esportivo. Cena forte e marcante é quando Leila tira seu lenço, deixando os cabelos à mostra durante uma luta, provocando o regime iraniano – onde as mulheres devem, pelas leis islâmicas, sempre deixarem os cabelos escondidos, pois eles “podem provocar a libido masculina”.
Fotografado em preto e branco, com câmera móvel e próxima aos corpos das personagens, “Tatame” transforma cada luta em cena de alta tensão cinematográfica.
O filme recebeu o Brian Award no Festival de Veneza, prêmio dedicado a obras que promovem valores como direitos humanos, democracia e liberdade de consciência, sem distinção de gênero ou religião — distinção que, em 2024, também foi concedida a “O Quarto ao Lado”, de Pedro Almodóvar. Além disso, “Tatame” conquistou dois prêmios no 36º Festival Internacional de Cinema de Tóquio: o Prêmio Especial do Júri e o de Melhor Atriz para Zar Amir Ebrahimi, codiretora e também atriz do filme.
Cotação: ótimo
Duração: 105 min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Ocb_2uH55CQ</blockquote>

“Ditto: Conexões do Amor” (Ditto)

Foto: Sato Company
“Ditto: Conexões do Amor”, dirigido por Eun-young Seo, é a releitura do filme homônimo de 2000, que teve a direção de Kim Jung Kwon, e acompanha a vida de Yoo So-Eun (Kim Ha Neul), uma estudante universitária, em 1979, que se comunicava com Ji In (Yoo Ji Tae), e apesar de serem estudantes da mesma universidade, o garoto vivia algumas décadas depois da que ela estava.
A nova versão apresenta mudanças tecnológicas e comportamentais, mas sem deixar de lado a essência romântica que transformou o original em um cult.
O novo filme conta a história de Kim Yong (Yeo Jin Goo), um jovem estudante de Engenharia Mecânica em 1999, e que sofre de amor por sua grande paixão, Seo Han Sol (Kim Hye Yoon), sua grande paixão, ele encontra um rádio-amador antigo. Só que sem saber, o aparelho é uma espécie de máquina do tempo. E através dele, Seo passa a se comunicar com Kim Mu Nee (Cho Yi Hyun), uma estudante de Sociologia da mesma universidade. Os dois vão criando um forte laço de amizade pelas ondas do rádio, e combinam de se encontrar.
No entanto, existe entre eles um grande empecilho: Mu Nee vive em 2022. Até os dois entenderem o que se passa, ocorrem muitos desentendidos entre os dois – um acha que o outro está zoando do outro e vice-versa. A sacada é genial.
E apesar do laço atemporal, surge entre eles uma grande conexão e um laço de amizade profunda, pois passam a dividir histórias, sonhos e sentimentos. A dupla acaba construindo uma relação que atravessa o tempo, apresentando afinidades e uma ligação surpreendentes.
Cotação: bom
Duração: 1h54min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=BBpRCsImsMo

“13 Dias, 13 Noites” (13 Jours, 13 Nuits)

Foto: California Filmes
“13 Dias, 13 Noites” (13 Jours, 13 Nuits), dirigido por Martin Bourboulon (Os Três Mosqueteiros: D'Artagnan; Os Três Mosqueteiros: Milady; Eiffel), mostra o retorno do Talibã ao controle do Afeganistão após mais de duas décadas. O filme é baseado no livro do comandante Mohamed Bida, chefe da segurança da embaixada francesa durante o período em que tropas internacionais ocuparam o território afegão.
Em 2020, os Estados Unidos, que controlavam o território do país asiático havia quase 30 anos e que expulsara os fanáticos do Talibã, anunciou que retiraria suas tropas do Afeganistão no começo do ano seguinte.
A população, que vivia em extrema pobreza, pelo menos, tinha o controle de suas vidas e as mulheres haviam podido voltar a trabalhar, estudar e ter suas liberdades individuais. Porém, sabiam que sob o Talibã, tudo ruiria.
E os fanáticos religiosos, tão logo os Estados Unidos e seus países aliados, foram embora, voltaram para a capital Cabul, trazendo o pânico à população – lembrando muito o que ocorreu no Vietnã e Camboja em 1975, quando da saída dos americanos – as tropas vencedoras tomaram as ruas das cidades, provocaram o caos, e passaram a perseguir aqueles que haviam trabalhado ao lado dos ocupantes do país.
E com Cabul tomada pelos Talibãs, uma das únicas chances de refúgio para os afegãos é a Embaixada da França, que ainda mantinha alguns funcionários. Sob proteção do comandante Mohamed Bida (vivido no filme por Roschdy Zem), e das tropas francesas, o local tornou-se palco de refúgio para cerca de 300 afegãos caçados pela milícia talibã.
Durante exatos 13 dias e 13 noites, Bida e seus poucos soldados tiveram de lidar com várias pessoas desesperadas dentro da embaixada, e também com a pressão dos talibãs, que ameaçavam invadir o local, mesmo desrespeitando leis internacionais, para capturarem suas vítimas.
Desde fazer listas de quem teria direito a ir embora sob o cuidado dos franceses, alimentação, higiene, foram dias cruéis. E a última missão da tropa era, ainda, atravessar Cabul com centenas de pessoas, e tentar chegar até o aeroporto, para a evacuação.
O filme, apesar de se conhecer como tudo acabou, mantém a tensão e o suspense em suas quase duas horas de intensas cenas de ação, e com grande reconstituição dos eventos.
Cotação: excelente
Duração: 112 min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=benAcXswGv4

"Velhos Bandidos"

Foto: Paris Filmes
"Velhos Bandidos", direção de Cláudio Torres, é simplesmente um desperdício de tempo, talentos e tudo de errado em um filme, que conta com um elenco estelar nacional. Mas se afunda na falta de carisma dos personagens, nas piadas sem graça, nos tiques nervosos e desnecessários de seus personagens.
E olha que “Velhos Bandidos” traz ninguém mais, ninguém menos do que nossa primeira dama do cinema nacional, Fernanda Montenegro. Será que a aposentadoria dela atrasou, para ela embarcar e, tal furada:
Na trama, ela vive Marta, que ao lado de R odolfo, interpretado por Ary Fontoura, são um casal de aposentados que planejam o crime perfeito, após terem o dinheiro de uma vida ser afanado deles – a ideia é simplesmente um grande assalto a um banco.
Para concretizar o plano, obrigam o jovem casal de ladrões Nancy e Sid (sim, você não leu errado), interpretados por Bruna Marquezine e Vladimir Brichta, a se juntarem a eles.
Mas enquanto planejam o assalto, passam a ser investigados pelo detetive Oswaldo Aranha, papel de Lázaro Ramos, cuja filha está desenganada em um hospital, pois o remédio que precisa para sobreviver, custa muito mais do que o salário de um policial honesto consegue pagar. Pistas...
O elenco de apoio também naufraga vergonhosamente, com nomes de veteranos como Tony Tornado, Vera Fischer, Reginaldo Faria, Nathália Timberg e Teca Pereira.
Tudo em "Velhos Bandidos" é desperdiçado, previsível, soluções fáceis e incoerentes. Traz um roteiro tantas vezes explorado no cinema, mas com muito mais graça. Aliás, era para ser uma comédia...e nenhuma cena provoca uma mínima risada, só vergonha alheia.
Cotação: ruim
Duração: 1h38
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=FWIX2wi9nNU

Filme sobre a Palestina será exibido na Sala Redenção durante a I Conferência Nacional Antifascista em Porto Alegre

Foto: Fabulário Filmes
O documentário “Notas Sobre um Desterro”, dirigido por Gustavo Castro, terá uma sessão especial em Porto Alegre, neste sábado, dia 28 de março, às 10h15, na Sala Redenção, na Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, Parque Farroupilha, Bom Fim.
A exibição integra a programação da I Conferência Internacional Antifascista e será seguida de um debate com o diretor e com a participação de Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL). A conversa com o público terá mediação de Kelly Demo Christ, diretora de comunicação do Clube de Cinema de Porto Alegre, que participa da atividade como parceiro da sessão.
O documentário aborda a realidade da Palestina sob ocupação israelense, reunindo registros realizados na Cisjordânia, imagens de arquivo e materiais produzidos pelos próprios palestinos durante a guerra em Gaza. Ao costurar esses diferentes materiais, o documentário constrói um relato sensível e político sobre os impactos da ocupação militar, do apartheid institucionalizado e da violência colonial na vida cotidiana da população palestina.
As filmagens começaram em 2018, quando Castro e o fotógrafo Rafael de Oliveira viajaram à Cisjordânia com a intenção inicial de investigar histórias de convivência entre diferentes comunidades e religiões na região. Durante cerca de um mês, a equipe percorreu cidades e vilarejos palestinos, sendo acolhida por uma família palestino-brasileira no vilarejo de Kobar.
Com a escalada da violência na região e os acontecimentos iniciados em outubro de 2023, o projeto foi revisitado e ganhou nova forma. O material original foi reeditado e combinado com registros históricos e vídeos compartilhados nas redes sociais por palestinos que documentam, em tempo real, os efeitos da guerra sobre a população civil.
A sessão na Sala Redenção, aberta à comunidade e gratuita, será uma oportunidade para que o público assista ao filme em sala de cinema e participe de um debate com o diretor Gustavo Castro e com Ualid Rabah sobre o processo de realização da obra, os desafios éticos envolvidos na utilização de imagens de guerra e o papel do audiovisual na construção de memória e reflexão política.
Serviço
O que: Sessão do filme “Notas Sobre um Desterro” (Gustavo Castro, 2025), seguida de bate-papo com o diretor e com Ualid Rabah (FEPAL). Parte da programação da I Conferência Nacional Antifascista em parceria com o Clube de Cinema de Porto Alegre
Local: Sala Redenção – UFRGS
Endereço: Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, Parque Farroupilha, Bom Fim
Quando: 28 de março, sábado
Horário: 10h15
Entrada: Gratuita
Veja o Trailer "Notas Sobre um Desterro" no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=Sc0bfTbM7Fw

quarta-feira, março 18, 2026

“Enzo”

Foto: Mares Filmes
“Enzo”, com direção de Laurent Cantet e Robin Campillo, é um filme que foca em tema sensível, mostrando a vida de um garoto de 16 anos que busca entender seu lugar no mundo.
Enzo, o estreante Eloy Pohu, vem de uma família de posses no sul da França – o irmão mais velho estuda para entrar em uma das universidades mais prestigiadas do país. Porém, ele rejeita os planos dos pais, e deseja algo bem mais simples: ser pedreiro. Desta forma, consegue uma colocação como aprendiz em uma obra na região, apesar de não conseguir mostrar nenhuma aptidão para a profissão.
Só que Enzo não desiste, apesar das exigências de seu chefe, que resolve dar mais chances ao adolescente. Porém, as coisas começam a mudar na vida de Enzo, que vai descobrindo os desejos sexuais, inicialmente com uma amiga. Mas logo, ele se encanta por um colega de trabalho ucraniano, o encantador Vlad (Maksym Slivinskyi).
Enzo começa a ter dúvidas de sua sexualidade. Ele seria gay ou é apenas um desejo passageiro? O garoto investe no colega, que vive preocupado, pois não sabe se fica na segura França ou retorna para sua terra natal e lutar na guerra entre Rússia e Ucrânia.
“Enzo” é um bom filme, conseguindo tratar com sensibilidade assuntos como escolhas de vida, amadurecimento e sexualidade. Simples e honesto.
Cotação: bom
Duração: 1h42min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=HQ32_n2FfqQ

“Eles Vão te Matar” (They Will Kill You)

Foto: Warner Bros Dirigido por Kirill Sokolov, “Eles Vão te Matar” (They Will Kill You) é um filme de terror com um ritmo acelerado – lembr...