quarta-feira, janeiro 21, 2026

“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” (Return To Silent Hill)

Foto: Paris Filmes
“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” (Return To Silent Hill) é dirigido por Cristophe Gans, e é o terceiro filme da cinessérie.
A trama acompanha James Sunderland (Jeremy Irvine), que está devastado após ter perdido o grande amor de sua vida, Mary (Hannah Emily Anderson). Mas certo dia, ele recebe uma carta dela, e se vê impelido a ir atrás de Mary numa cidade chamada Silent Hill.
Ao chegar ao local, descobre tudo devastado, embaixo de cinzas, e com poucos sobreviventes. E logo descobre que Silent Hill está dominada por uma força demoníaca, e repleta de seres monstruosos pelas ruas e prédios. Então enquanto procura por Mary, James tenta escapar dos monstros.
Porém, é tudo sem sentido, o personagem tendo visões, encontrando mulheres que se parecem com Mary. Em meia-hora, o espectador já está sem paciência e que tal tortura acabe.
Certamente “Terror em Silent Hill - Regresso para o Inferno” pode ganhar o título de um dos piores filme de todos os tempos.
Cotação: ruim
Duração: 1h46m
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=gGhMrWOVJMs

terça-feira, janeiro 20, 2026

“Marty Supreme”

Foto: Diamond Films
Dirigido por Josh Safdie, “Marty Supreme” é protagonizado por Timothée Chalamet, que vive Marty, um jovem judeu na Nova Iorque dos anos 1950, que trabalha na loja de sapatos do tio e vive de aplicar pequenos golpes na vizinhança. E ele é um pródigo jogador de tênis de mesa e sonha em ser campeão mundial. Não bastasse isso, Marty ainda é amante de uma vizinha casada, Rachel, interpretada por Odessa A’zion, e que está grávida dele.
Mas Marty não para por aí, e seduz Kay, que já foi uma estrela de Hollywood, mas que trocou sua carreira pela segurança de um casamento com um empresário que pode ajudar o garoto em sua meta de viajar para o Japão para disputar o campeonato mundial.
Ainda existe uma terceira mulher na vida de Marty, sua mãe Rebecca, vivida por Fran Drescher, conhecida pelo seu trabalho no seriado noventista “The Nanny”. Já seu melhor amigo é o taxista negro Wally, interpretado por Tyler Okonma (músico Tyler, The Creator). Os dois passam por várias situações complicadas pelos botecos nova-iorquinos, onde aplicam seus golpes.
A trama de “Marty Supreme” é repleta de humor negro, violência. O protagonista não mede esforços para tentar conquistar a fama e a fortuna, pisando em cima de qualquer um. Marty é incrivelmente egoísta, olhando sempre para o próprio umbigo.
E nisto está o charme de Timothée Chalamet, muito à vontade no papel e que treinou durante seis anos tênis de mesa, o nosso pingue-pongue, para viver Marty. O sacrifício permitiu que o próprio ator fizesse as cenas, sem a necessidade de um dublê.
Já Gwyneth Paltrow assume tranquilamente as rugas e o peso a mais de sua personagem cinquentona e frustrada no casamento – a atriz já está com 53 anos de idade, mas segue bela.
E Odessa A’zion, atriz de uma beleza exótica e que vem ganhando destaque em produções recentes, como a série “Ghost” e filmes como “Aquele que Habita em Mim” e “Until Dawn – Noite de Terror”, ganha todas as cenas em que aparece. “Rachel é uma estrategista habilidosa, assim como Marty. A ligação deles é tão forte que ela permanece leal a ele, mesmo quando ele está ausente de sua vida. Rachel é a única pessoa que Marty não consegue enganar, ela o enxerga além das aparências quando ninguém mais consegue”, afirmou A’zion.
Cotação: ótimo
Duração: 2h29
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=SovoTyFeF-I

quarta-feira, janeiro 14, 2026

“O Beijo da Mulher Aranha” (Kiss of the Spider Woman)

Foto: Paris Filmes
Já adaptado ao cinema em 1985 por Héctor Babenco, com William Hurt (vencedor do Oscar) e Raul Julia no elenco, “O Beijo da Mulher-Aranha” (Kiss of the Spider Woman), romance homónimo de Manuel Puig, publicado em 1976, volta repaginado aos cinema, agora como um musical.
Na nova versão, Valentín (Diego Luna) é um preso político da ditadura argentina nos anos 1980 que divide cela com Molina (Tonatiuh), um ex-decorador de vitrines que foi detido por atentado ao pudor.
Para passar o tempo na cela e afastar o medo das torturas (eles escutam prisioneiros sendo torturados e veem os mortos carregados pelos corredores), o gay Molina passa a narrar para o seu companheiro as histórias de seu musical de Hollywood favorito, um drama colorido e espetacular protagonizado por sua atriz predileta Ingrid Luna (Jennifer Lopez).
No começo da convivência, Valentín age com raiva e repulsa ao parceiro de infortúnio, por causa de sua homofobia. Mas aos poucos, o divertido Molina, que foi colocado na cela para ser um espião e descobrir as atividades guerrilheiras do grupo de Valentín, vai conquistando a simpatia do outro prisioneiro, e eles acabam formando um forte vínculo.
Pois a história contada para Valentín, o musical “O Beijo da Mulher Aranha” para a ser uma fuga da realidade para ambos, vítimas da violenta repressão militar, que está em seus estertores – ela durou de 1976 a 1983, marcada por sequestros, torturas e terrorismo de Estado -, exatamente o ano em que se passa a trama.
Logo, um forte vínculo se forma entre a dupla, enquanto Molina tenta escapar da realidade política brutal através da imaginação. Logo, inicia-se uma fantástica história de romance.
A nova versão de “O Beijo da Mulher Aranha” é um musical inspirada numa peça homônima da Broadway, com músicas de Kander e Ebb (Cabaret, Chicago), realização de Bill Condon (Dreamgirls).
O filme mantém a essência do encontro improvável entre dois presos e um filme dentro de um filme. Molina é uma figura trans em sintonia com a visão de Manuel Puig, que via no personagem a luta interna de cada homem pela libertação da feminilidade aprisionada, detido por “atos de degeneração”; e Valentín é um ativista político, que representa o machismo, a homofobia, e que sempre que pode fala da namorada que está longe e a quem nunca disse que amava.
Embora Jennifer Lopez se destaque em três papéis como Ingrid Luna, Aurora e a sedutora Mulher-Aranha, é o ator assumidamente gay Tonatiuh quem rouba o filme. A sua atuação é esplendorosa, cativante, hipnotizante.
Cotação: ótimo
Duração: 2h08
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=gxoGZnGi6IE

"Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" (Hamnet)

Foto: Universal Pictures
Inspirado no premiado livro de Maggie O’Farrell de 2021, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” (Hamnet) tem roteiro de Maggie O’Farrell e Chloé Zhao, também responsável pela direção.
Não se sabe o que é real ou ficção na história do relacionamento de William Shakespeare (1564-1616) e Agnes (c.1556-1623), com a trama se baseando na imaginação, criada a partir de poucos fatos disponíveis da vida do escritor inglês.
Agnes (a excelente Jessie Buckley) é uma camponesa especialista em ervas e poções medicinais e também com supostos poderes de prever o futuro (séria candidata a queimar em uma fogueira), que engravida de William Shakespeare (Paul Mescal) e os dois acabam se casando. Eles teriam ainda duas filhas.
Porém, Hamnet acabaria morrendo com apenas 11 anos de idade, vítima da peste negra, sendo enterrado em um dia 11 de agosto de 1596. Agnes ficaria inconsolável com a morte do garoto, e é neste fato que transcorre a história poderosa.
É quase certo que Shakespeare estava em viagem com sua companhia de teatro. Ele não teria podido regressar à sua cidade, Stratford, para acompanhar o funeral. Mas cerca de quatro anos depois, Shakespeare escreveria uma das maiores obras da dramaturgia universal: Hamlet.
“Hamnet” é um filme emocionante, com destacada reconstituição de época (notem que os personagens vivem sujos, quase imundos, sem se importar com os cuidados higiênicos) e que mostra a força do luto e a capacidade de recuperação. E ao mesmo em que apresenta o pano de fundo para o surgimento de “Hamlet”, a obra mais famosa do dramaturgo.
Cotação: ótimo
Duração: 2h05
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=VSgmc5CqdC0

terça-feira, janeiro 13, 2026

“ATO NOTURNO”

Foto: Avante Filmes
Porto Alegre é o cenário por trás de “Ato Noturno”, thriller erótico dirigido pelos gaúchos Filipe Matzembacher e Marcio Reolon.
A trama acompanha o ator vindo do interior do estado Matias (Gabriel Faryas, que é sósia do cantor oitentista Terence Trent D'Arby), que integra a companhia teatral Tremor, que está para estrear uma peça em Porto Alegre. Ele divide apartamento com o colega de trabalho Fábio (Henrique Barreira), e se relaciona com vários homens através de aplicativos de relacionamentos, conhecendo Rafael (Cirillo Luna), com quem começa a ter encontros frequentes, até descobrir que o parceiro de jogos sexuais é um político em ascenção, que mira a prefeitura da capital gaúcha.
Então vai aparecer uma rivalidade entre Matias e Fábio, quando uma série nacional de TV será filmada em Porto Alegre, e a produção procura um ator gaúcho para ser o protagonista. Os dois então amigos passam a disputar o papel que pode mudar suas vidas, não poupando trapaças e outras vigarices para tentar ganhar a vaga.
Ao mesmo tempo, Matias vê sua relação com Rafael se intensificar, sendo que os dois são obrigados, pelos seus objetivos profissionais, a esconderem a homossexualidade. E as coisas vão piorando, quando descobrem ter fetiche por fazer sexo em lugares públicos, colocando em risco o futuro.
Entre o teatro, a política e a noite, “Ato Noturno” acompanha personagens presos a diferentes formas de encenação, numa jornada de erotismo e perigo.
E em “Ato Noturno” é apresentada como como um personagem central da narrativa. O filme retrata uma cidade que não apenas abriga a história, mas molda afetos, silêncios, conflitos e desejos de um ator e um político com segredos guardados no armário. Lugares icônicos da capital aparecem em seu esplendor, como o Parque da Redenção, a Avenida Mauá, o Theatro São Pedro e a Praça da Matriz.
“Por mais que o filme se enquadre nesse gênero de um neo noir e um thriller erótico, que são gêneros mais ligados ao cinema norte-americano, um consenso que a gente tem ouvido bastante é como conseguimos pegar esses gêneros e fazer deles algo contemporâneo, queer e muito brasileiro. Um neo noir subtropical”, disse o diretor Marcio Reolon.
“O Brasil é isso: a gente vive rodeado por essas potências de desejo, violências e essa política atravessando as nossas vidas o tempo todo”, completou Filipe Matzembacher.
Embora tratem de experiências universais, todos os longas dos diretores até aqui foram ambientados em alguma região do estado do Rio Grande do Sul. “Beira-Mar” foi rodado majoritariamente no litoral, enquanto os demais, foram filmados na capital gaúcha, inclusive “Ato Noturno”, que consolida a ligação dos cineastas com suas origens.
O filme conta ainda em seu elenco com os atores Kaya Rodrigues, Antônio Czamanski, Gabriela Greco e Ivo Müller.
Cotação: bom
Duração: 117 min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=g8CGFh709lw

segunda-feira, janeiro 05, 2026

“Família de Aluguel” (Rental Family)

Foto: 20th Century Studios
Não é de hoje que o ator Brendan Fraser é uma das pessoas mais simpáticas da indústria cinematográfica. E no filme japonês “Família de Aluguel” (Rental Family), dirigido pela diretora Hikari, ele comprova com sobras no papel do frustrado ator norte-americano Phillip, que viajou para o Japão para um trabalho e acabou ficando no país.
Depois de sete anos, Philip sobrevive em Tóquio fazendo bicos pela cidade. Até que é convidado pelo diretor da empresa Rental Family, que fornece atores para interpretarem familiares e amigos de pessoas (a maioria solitárias), para fingir ser o noivo de uma garota lésbica, que já é casada com outra mulher, mas que deseja realizar um casamento tradicional para os seus pais.
Com o sucesso da empreitada, ele é chamado para novas atuações falsas. E duas vão marcar profundamente a sua vida. Um é fingir ser o pai de Mia (Shannon Gorman), uma menina que vive com a mãe, que sonha em a filha ser aceita numa das escolas mais tradicionais de Tóquio. O outro trabalho é agir como jornalista, para entrevistar Kikuo (Akira Emoto), um ator já idoso e esquecido pelo público, que está começando a sofrer com a perda de memória. O problema é que Philip vai se apegar a estas duas pessoas, que desconhecem ele ser contratado por familiares para trazer alegria à vida delas.
Este tipo de serviço emocional realmente existe no Japão, tendo surgido ainda nos anos 1980, atuando em várias áreas, desde o trabalho, em círculos sociais e dentro de casas.
Além disso, a diretora faz de Tóquio e da cultura japonesa também personagens de “Família de Aluguel”, com suas ruas, paisagens, o povo educado e silencioso.
E o filme acaba sendo uma produção que traz muito da simpatia e empatia de Brendan Fraser. Seu olhar meigo e carente emociona qualquer pessoa sensível. A diretora Hikari afirmou ter decidido escolher Fraser para o papel após ver o ator em sua atuação no oscarizado “A Baleia”. “Eu tive certeza de que ele era o meu Phillip”, garantiu ela.
Cotação: ótimo
Duração: 1h50min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=tRaIfUCjLY8

terça-feira, dezembro 16, 2025

“Sorry, Baby”

Foto: Mares Filmes
“Sorry, Baby” é o filme de estreia da diretora, roteirista e atriz Eva Victor, que vive a protagonista Agnes, traumatizada e com sua vida estagnada, enquanto que todos ao seu redor continuam seguindo a vida normalmente.
Na trama, Agnes é uma jovem professora acadêmica de literatura em Fairpoint, uma faculdade de artes no Estado de Nova Inglaterra, onde ela estudou e se formou. E segue vivendo na casa onde morou e um dia é visitada pela melhor amiga Lydie (Naomi Ackie), que se mudou para Nova Iorque e está grávida e tocando a vida ao lado da esposa. A visita traz lembranças, algumas amargas para Agnes, com o filme se dividindo em capítulos, passado, presente e futuro.
E então ela relembra sua vida três anos atrás, quando ainda era estudante e a preferida do professor de literatura, Decker (Louis Cancelmi), que irá causar o trauma da garota. O incidente, que nunca é mostrado, mas insinuado, simplesmente paralisa Agnes, que vê sua existência ficar semelhante a um vegetal. Ela passa a agir no automático, defensiva e isolada, conseguindo com muitas dificuldades interagir com o vizinho, Gavin (Lucas Hedges), e mais tarde vai adotar um pequeno gatinho encontrado na rua, e que lhe trará certo conforto.
A ideia do roteiro surgiu durante a pandemia, quando isolada a atriz Eva Victor, que na época participava da série “Billions”, para se sentir menos sozinha, assistiu a diversos filmes. E teve a ideia de escrever um roteiro onde desabafava sobre um abuso sexual sofrido no passado, incidente que nunca havia falado para ninguém. Talvez pudesse ajudar outras pessoas com o mesmo trauma.
O roteiro foi enviado à produtora do cineasta Barry Jenkins, vencedor do Oscar por “Moonlight”. E o projeto saiu do papel para virar este belo filme reflexivo, com Eva como diretora, roteirista e protagonista.
Cotação: ótimo
Duração: 1h44min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Rc0jgWoZo9w

“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” (Return To Silent Hill)

Foto: Paris Filmes “Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” (Return To Silent Hill) é dirigido por Cristophe Gans, e é o terceiro f...