quarta-feira, abril 15, 2026

“A MALDIÇÃO DA MÚMIA” (Lee Cronin’s The Mummy)

Foto: Warner Bros.
“A Maldição da Múmia” ((Lee Cronin’s The Mummy), dirigido por Lee Cronin, é mais um filme da franquia sobrenatural, que tem seu começo lá em 1932, com “A Múmia”, estrelado por Boris Karloff. Porém, este novo longa-metragem tem um diferencial em relação aos seus pares, pois é uma obra que realmente foca no terror, com muito sangue, cenas repugnantes e deixando praticamente o humor (muito usado nos filmes dos anos 2000, protagonizados por Brendan Fraser) de lado.
Na trama, uma família americana que mora no Egito, o pai jornalista, Charlie (Jack Reynor) e a enfermeira Lari (Laia Costa), sofrem com o rapto de sua filha pequena, Katie (Natalie Grace). Oito anos depois e já morando em Albuquerque, no Novo México (EUA), e com uma outra filha, eles recebem a notícia de que Katie foi encontrada no deserto, dentro de um sarcófago que estava sendo transportado por um pequeno avião, que caiu, matando seus pilotos.
A garota, agora uma adolescente, volta ao convívio dos pais. Porém, seu corpo está destroçado, coberto de chagas, os membros retorcidos, depois de anos de aprisionamento e sofrimento. Só que Katie carrega dentro de si um demônio – sim, aqui a múmia é mais um demônio malévolo, disposto a se libertar e matar todo mundo ao seu redor.
“A Maldição da Múmia” é um filme tenso, repleto de referências, como por exemplo “A Profecia”, “O Silêncio do Lago”, “Fome Animal” e “A Morte do Demônio”, O diretor não poupa cenas de vômitos, pele arrancada, sangue jorrando à profusão e inocentes possuídos e trabalhando em prol do demônio – a produção escorrega no humor somente em determinada cena onde aparece a avó extremamente católica.
O filme poderia ser mais curto – ele ultrapassa as duas horas -, e tem alguns momentos personagem idiota, como por exemplo, por que eles insistem em ficar no escuro, tendo o interruptor do lado? Mas são detalhes. No final, “A Maldição da Múmia” surpreende, assusta e se mostra uma obra digna do gênero.
Cotação: bom
Duração: 2h17min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=fUANevKVe78

“O ESTRANGEIRO” ((L’Étranger))

Foto: California Filmes
Baseado no clássico homônimo da literatura mundial escrito pelo franco-argelino Albert Camus (1913-1960), “O Estrangeiro” ((L’Étranger), é dirigido por François Ozon. A obra já havia ido para as telas em 1967, pelas mãos de Luchino Visconti e com Marcelo Mastroianni como o protagonista.
Esta nova versão, filmada toda em preto e branco, é estrelada por Benjamin Voisin, parceiro de Ozon em “Verão de 85”, que aqui vive o jovem Meursault, um francês que vive em Argel, na Argélia dos anos 1930. Ele trabalha em um escritório, mas pede uns dias de folga depois que recebe a notícia de que sua mãe, que vivia em um asilo, morreu.
Meursault vai ao funeral, onde não demonstra sentimentos pela perda, e depois, passa os dias a vagar por Argel com a recente namorada, Marie (Rebecca Marder). Vão ao cinema, bares, à praia, quando ocorre a tragédia. O jovem acaba, depois de um desentendimento, assassinando um jovem árabe, à sangue-frio.
O episódio provoca sua prisão, e um julgamento. A visão da acusação não é apenas no assassinato, mas também a postura e a personalidade do jovem, visto como uma pessoa indiferente a tudo e todos. Ele não parece se importar nem com o destino dele mesmo...
O filme é reflexivo, tanto que em quase toda a sua primeira parte, não existem diálogos, apenas o dia a dia de Meursault, e apenas uma trilha sonora tensa – aliás, nos créditos é tocada a sensacional “Killing an a Arab”, hit de 1979 do The Cure. Aliás, outro destaque de “O Estrangeiro” é sua excepcional reconstituição de época...tudo é bem cuidado, desde as roupas, os carros, os penteados.
Cotação: ótimo
Duração: 2h03
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=7e3DoPyFH0M

“PINÓQUIO”

Foto: Paris Filmes
"Pinóquio" é uma adaptação live-action do conto de Carlo Collodi, dirigida pelo russo Igor Voloshin. A produção russa é focada em nostalgia e moralidade, mas trazendo muitas mudanças em relação ao conto lançado em 1883.
O filme é baseado numa versão russa conhecida como Buratino, inspirada na obra de Aleksey Tolstoy (1936). A história todo mundo conhece, do boneco de madeira construído pelo artesão Gepetto, que fez um pedido e uma fada deu vida ao marionete – que podendo andar e falar, passa a desejar ser um garoto de carne e osso.
Nesta versão, não existe a Fada Azul, nem o Grilo Falante. Ela é substituída por uma tal dona tartaruga, enquanto que o grilo é trocado por três baratas, e uma delas é a narradora da história. Além disso, Pinóquio não mente, ou seja, seu nariz não cresce. E no final, o boneco não se transforma em um menino de verdade, permanecendo de madeira.
Não bastasse isso, o filme é um emaranhado de técnicas de filmagem, passando a grande sensação de que ele foi todo gerado por IA (inteligência artificial). “Pinóquio” acaba sendo cansativo, com suas longas cenas de canto e dança, alterações da história. Tudo soa tão artificial, que decepciona fortemente.
Cotação: ruim
Duração: 1h42
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=5uDJGeb9FME

“O CALDEIRÃO DA SANTA CRUZ DO DESERTO”

Foto: Ronaldo Nunes
“O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto” é o primeiro longa-metragem do cineasta cearense Rosemberg Cariry. O filme é um marco no cinema brasileiro, sendo também considerado o primeiro documentário em longa-metragem realizado no estado do Ceará.
Ele foi lançado originalmente em 1986, e volta agora, 40 anos depois, marcando os 50 anos de carreira de Rosemberg Cariry e os 100 anos da criação da Comunidade do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, liderada pelo beato José Lourenço. A comunidade foi um marco de construção social solidária no Ceará até sua destruição violenta em 1936. O massacre foi perpetrado por uma conjunção reacionária de forças políticas e do clero conservador, valendo-se do braço armado do Estado, que invadiu o território em setembro daquele ano. A perseguição aos remanescentes estendeu-se até o bombardeio aéreo dos acampamentos de refugiados na Serra do Araripe, em maio de 1937, um período de intensa agitação nacional que antecedeu a instalação da ditadura do Estado Novo, por Getúlio Vargas.
O Caldeirão é um lugar real e simbólico que, embora destruído, renasce agora como patrimônio da história, da luta e da cultura do povo brasileiro. A violência policial resultou em muitas vítimas, com estimativas que variam para além de mil camponeses mortos, em um dos episódios mais trágicos da história do Nordeste brasileiro. Essa destruição de uma comunidade camponesa igualitária é frequentemente comparada ao massacre de Canudos, embora em menor escala, representando a repressão da elite brasileira contra movimentos sociorreligiosos que buscavam autonomia e vivência comunitária no sertão, fugindo da exploração dos latifúndios.
Com roteiro escrito por Cariry e Firmino Holanda e fotografia de Ronaldo Nunes, “O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto” reuniu depoimentos raros e inéditos de sobreviventes e até de algozes do massacre da comunidade. “Durante décadas, foi um tabu falar desse episódio tão trágico, até que um grupo de jovens cearenses resolveu fazer um filme, quando o país vivia o seu processo de redemocratização. Graças a esse resgate histórico, a memória da comunidade não se perdeu; ao contrário, continua a pulsar, despertando reflexões e inspirando movimentos de organização comunitária, sobretudo no âmbito do Movimento Sem Terra. Considero o filme O Caldeirão a conquista de uma geração que ousou fazer cinema em uma época em que, no Ceará, quase nada apontava para esse caminho”, afirma Cariry.
Cultuado e reconhecido por seu pioneirismo e por sua experimentação insubmissa, o filme permanece como um documento vivo e uma experiência estética singular, unindo a narrativa histórica à força e à diversidade das culturas populares em uma construção narrativa ousada para a época. Trata-se de um registro inestimável entre o tempo da história e o tempo da arte, reafirmando o compromisso de vida do cineasta com o resgate das memórias profundas do povo cearense e nordestino.
Duração: 87 minutos
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=TkW-MgpcoGI

quinta-feira, abril 09, 2026

“OS ESTRANHOS 3 – O CAPÍTULO FINAL” (The Strangers – Chapter 3)

Foto: Paris Filmes
“Os Estranhos 3 - Capítulo Final” é o desfecho da trilogia de terror dirigida por Renny Harlin, iniciada em 2024. A trama foca em três psicopatas mascarados que realizam um jogo de perseguição, atacando e matando pessoas que, desavisadamente, põem os pés na pequena cidade de Venus.
Este terceiro filme tem como foco o embate entre Maya (Madelaine Petsch), a única pessoa que conseguiu sobreviver a ataques, e os assassinos, que continuam a persegui-la. E desta vez, é explicado o envolvimento das autoridades locais com os seriais killers – um deles é filho do xerife local, que acoberta os crimes, depois de ter feito um acordo com os criminosos: eles deveriam matar apenas forasteiros, evitando assassinar pessoas da região.
O filme começa com uma volta no tempo, em um crime praticado pelos mascarados em 2021, quando atacam uma garota em um quarto de hotel, para depois ir explicando a motivação dos assassinos.
Então “Os Estranhos 3 - Capítulo Final” começa a focar em Maya, fugindo de seus perseguidores. E a coisa vira quase um Sexta-Feira 13, com um dos assassinos parecendo Jason, porém com uma máscara feita de um saco de batatas e um machado na mão. E os dois antagonistas levam facadas, machadadas, pancadas na cabeça, caem em buracos, e não morrem. Sendo que o mascarado ainda surge nos lugares mais improváveis, do nada...
Não fosse o suficiente, o roteiro ainda tenta sugerir em determinado momento que Maya, poupada pelos assassinos, assuma o lugar de uma das figuras mascaradas, que morrera minutos antes. Mas logo a ideia é abandonada, pois não faria o mínimo sentido.
E
o final é total anticlímax...fica evidente que faltou paciência para os roteiristas, e tudo é resolvido rapidamente, transformando um filme que já não tinha ritmo e criatividade, em uma obra ruim e sem nenhuma identidade. Fuja.
Cotação: ruim
Duração: 1h31min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=ghTZuL6CW6g

domingo, abril 05, 2026

“O Drama” (The Drama)

Foto: Diamond Filmes
“O Drama” (The Drama), direção e roteiro de Kristoffer Borgli, tem gerado muita polêmica nos Estados Unidos, por tocar em um assunto muito dolorido para os americanos: o tiroteio em escolas. E uma pergunta: vale a pena contar seus segredos mais íntimos para as pessoas que você ama?
A trama mostra o casal apaixonado formado por Emma Harwood (Zendaya) e Charlie Thompson (Pattinson), que está nos preparativos finais para se casarem. No entanto, na semana anterior ao grande dia de suas vidas, durante um jantar, uma simples brincadeira entre amigos coloca em xeque o relacionamento de Emma com seu noivo e com os padrinhos: cada um tinha de confessar as piores coisas que já fizeram na vida. Zendaya e Robert Pattinson mostram excelente química em tela.
E Emma solta um segredo terrível, deixando Charlie e todos em choque. A noiva revela ter planejado, quando adolescente, um tiroteio na sua escola. Mas mais do que apenas pensar no ato terrorista, ela chegou a treinar tiro e levar o rifle do pai para a aula, desistindo do crime na última hora.
A revelação coloca em risco toda a confiança e o amor entre os noivos, e traz à tona o ódio da madrinha, Rachel (Alana Haim), cuja irmã ficou paraplégica após levar um tiro durante um atentado.
Assim, “O Drama”, que tem uma montagem onde a história é contada com idas e vindas no tempo, passa a refletir o quanto uma pessoa pode permanecer ou não ao lado de alguém que parecia tão normal, mas esconde algo sinistro em seu ser.
E o filme ainda relembra incidentes trágicos em escolas, sendo o mais lembrado o massacre de Columbine, no Colorado, em 1999. Na ocasião, dois estudantes, Eric Harris e Dylan Klebold, de 18 e 17 anos respectivamente, mataram 12 alunos e um professor, e feriram mais de 20 em uma escola, antes de se matarem.
Então, você perdoaria seu par se ele confessasse algo tão cruel?
Cotação: excelente
Duração: 1h46min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Hn8YHkQXiS0

“RUAS DA GLÓRIA”

Foto: Syndrome Filmes
“Ruas da Glória”, com direção e roteiro de Felipe Sholl, é um filme gay, ambientado no bairro da Glória e no Centro do Rio de Janeiro, e segue o jovem professor de literatura Gabriel (Caio Macedo), que recém chegou à cidade. Ele conversa mentalmente com a sua avó, sua grande parceira e que faleceu, enquanto recebe mensagens do pai, que vive ordenando sua volta para a terra natal e “abandone” o pecado de sua vida.
Tentando se ambientar no Rio de Janeiro, frequenta boates gays, e em uma delas, de propriedade de Mônica (Diva Menner, que fez história como a primeira mulher transgênero a participar do reality The Voice Brasil), ele conhece Adriano (Alejandro Claveaux), um garoto de programa uruguaio, por quem se apaixona perdidamente. Os dois acabam tendo um relacionamento intenso, mas ao mesmo tempo fugaz. Adriano, porém, é uma alma livre, e certo dia desaparece, para desespero de Gabriel, que se afunda em desespero.
Então, o professor passa a circular pelas noites cariocas tentando encontrar o motivo de sua paixão, enquanto busca apoio na boate gay de Mônica, onde é acolhido pelos frequentadores da casa.
Felipe Sholl, que também assina o roteiro, constrói uma narrativa intensa com olhar atento às margens sociais. “Ruas da Glória é um filme muito pessoal pra mim e espero que as pessoas se identifiquem também. É um filme cheio de amor, que fala sobre emoções intensas, luto, e busca de conexão”, afirma o diretor. “Ruas da Glória” revela uma jornada imersiva de pertencimento e busca por amor e conexão. Em meio a uma atmosfera mundana e sob a ótica de seu protagonista que, a fim de lidar com o luto, o atravessa de forma controversa ao vivenciar seus desejos.
Cotação: bom
Duração: 1h47m
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=9dBPSp4BNbQ

“A MALDIÇÃO DA MÚMIA” (Lee Cronin’s The Mummy)

Foto: Warner Bros. “A Maldição da Múmia” ((Lee Cronin’s The Mummy), dirigido por Lee Cronin, é mais um filme da franquia sobrenatural, que ...