quarta-feira, janeiro 14, 2026

“O Beijo da Mulher Aranha” (Kiss of the Spider Woman)

Foto: Paris Filmes
Já adaptado ao cinema em 1985 por Héctor Babenco, com William Hurt (vencedor do Oscar) e Raul Julia no elenco, “O Beijo da Mulher-Aranha” (Kiss of the Spider Woman), romance homónimo de Manuel Puig, publicado em 1976, volta repaginado aos cinema, agora como um musical.
Na nova versão, Valentín (Diego Luna) é um preso político da ditadura argentina nos anos 1980 que divide cela com Molina (Tonatiuh), um ex-decorador de vitrines que foi detido por atentado ao pudor.
Para passar o tempo na cela e afastar o medo das torturas (eles escutam prisioneiros sendo torturados e veem os mortos carregados pelos corredores), o gay Molina passa a narrar para o seu companheiro as histórias de seu musical de Hollywood favorito, um drama colorido e espetacular protagonizado por sua atriz predileta Ingrid Luna (Jennifer Lopez).
No começo da convivência, Valentín age com raiva e repulsa ao parceiro de infortúnio, por causa de sua homofobia. Mas aos poucos, o divertido Molina, que foi colocado na cela para ser um espião e descobrir as atividades guerrilheiras do grupo de Valentín, vai conquistando a simpatia do outro prisioneiro, e eles acabam formando um forte vínculo.
Pois a história contada para Valentín, o musical “O Beijo da Mulher Aranha” para a ser uma fuga da realidade para ambos, vítimas da violenta repressão militar, que está em seus estertores – ela durou de 1976 a 1983, marcada por sequestros, torturas e terrorismo de Estado -, exatamente o ano em que se passa a trama.
Logo, um forte vínculo se forma entre a dupla, enquanto Molina tenta escapar da realidade política brutal através da imaginação. Logo, inicia-se uma fantástica história de romance.
A nova versão de “O Beijo da Mulher Aranha” é um musical inspirada numa peça homônima da Broadway, com músicas de Kander e Ebb (Cabaret, Chicago), realização de Bill Condon (Dreamgirls).
O filme mantém a essência do encontro improvável entre dois presos e um filme dentro de um filme. Molina é uma figura trans em sintonia com a visão de Manuel Puig, que via no personagem a luta interna de cada homem pela libertação da feminilidade aprisionada, detido por “atos de degeneração”; e Valentín é um ativista político, que representa o machismo, a homofobia, e que sempre que pode fala da namorada que está longe e a quem nunca disse que amava.
Embora Jennifer Lopez se destaque em três papéis como Ingrid Luna, Aurora e a sedutora Mulher-Aranha, é o ator assumidamente gay Tonatiuh quem rouba o filme. A sua atuação é esplendorosa, cativante, hipnotizante.
Cotação: ótimo
Duração: 2h08
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=gxoGZnGi6IE

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