domingo, outubro 01, 2006

A Casa do Lago (The Lake House)


Podem dizer que ando ficando com o coração mole, mas gostei desta comediazinha romântica A Casa do Lago (The Lake House, de Alejandro Agresti), com os quarentões Keanu Reeves e Sandra Bullock, que não estão conseguindo mais esconder a idade na tela grande.
Eles são dois solitários que começam a se corresponder depois que a médica Kate Foster (Bullock) se muda da tal Casa do Lago e a deixa para o arquiteto Alex Wyler (Reeves). Eles acabam se apaixonando através das cartas, até descobrirem que estão vivendo em anos diferentes. Wyler está em 2004 e Kate em 2006. Ou seja, a história é sobre aqueles casais que se formam, mas ainda não era para ser. Enquanto um estava conectado, o outro estava desligadão.
O filme tem um "ar" do horrível Ghost, alguém ainda se lembra desta porcaria (é isso mesmo), que encheu a paciência de muita gente no começo dos anos 1990. Porém não pode ser analisado a seco, pois caso contrário começam a aparecer os furos de roteiro. E não são poucos. Apenas relaxe e curta o filme, que dá belas dicas de leitura, principalmente Persuação, de Jane Austen (Orgulho e Preconceito), mas também Dostoiévski, com Crime e Castigo. Se não leram ainda nenhum dos dois, vão atrás.
Com participação do veteranissimo Christopher Plumer (A Noviça Rebelde).

Breakfast on Pluto (Café da Manhã em Plutão)


Imagine ser homossexual e católico numa conturbada Irlanda na virada dos anos 1960 para os 70? É o que acontece com Patrick "Kitten" Bred (o excelente Cillian Murphy, o vilão de Batman Returns), que adora andar travestido na pequena e provinciana Cavan. Órfão, ele provoca a irritação da mãe adotiva e dos professores da escola em que estuda devido ao seu temperamento e sexualidade diferenciada. Seu sonho é encontrar a mãe, que o abandonou ainda benê na casa do padre interpretado por Liam Neeson.
Já amadurecido, Kitten decide ir para Londres em busca da mãe. Lá, vai parar no submundo, se prostituindo, se apaixonando e sendo assediado por homens que, por fora são heterossexuais, mas que no escuro das ruas londrinas, se soltam sem temor.
Mesmo numa Londres que vivia uma forte revolução cultural no começo da década de 1970, ele consegue provocar desconforto quando descobrem ser ele um homem e não uma mulher.
Além de tratar do tema do homossexualismo, Breakfast não esquece de outro problemão britânico: a eterna briga entre cristãos (com os militantes do IRA - Exército Repúblicano Irlandês) e protestantes, apoiados pelo governo de Londres.
O filme é genial e tem uma trilha sonora que vale a pena ser curtida e ouvida milhares de vezes. Neil Jordan, o diretor, que já tratara do tema do homossexualismo e do IRA em Traídos pelo Desejo, de 1992, acerta o pé num belo filme.

Xeque-Mate (Lucky Number Slevin)


Alguns filmes pegam a gente de surpresa. Um crítico da Folha de S. Paulo afirmou que o filme era previsível demais. Eu já não achei o mesmo. Falo de Xeque-Mate, que apesar de Bruce Willis e sua mesma interpretação de sempre - ele não consegue fazer outra cara a não ser aquela de segurando o sorriso?
Slevin Kelevra (Josh Hartnett, de Pearl Harbour e o ainda inédito Dália Negra) é um cara que, traído pela namorada, decide mudar de ares e vai visitar um amigo em Nova Iorque. Só que o amigo sumiu e duas gangues procuram o cara e Hartnett é confundido com a figura - no filme até é lembrado o clássico Intriga Internacional, de Alfred Hitchcock, com Cary Grant e a clássica troca de identidades.
Slevin passa a correr risco de morte se não pagar uma dívida deixada pelo amigo desaparecido ou se não matar o filho de um dos gângster - um deles é Morgan Freeman e o outro Sir Ben Kingsley (os personagens dos dois eram amigos, mas por razões que o orgulho explica, acabam se tornando inimigos de morte). Só que o personagem de Hartnett tem uma doença que o faz não ter preocupações. Ele apanha de todas as formas dos asseclas dos mafiosos e tudo dá errado em sua vida, a não ser se envolver com a bela Lucy Liu, a vizinha curiosa.
Lá pela metade da trama, ocorre uma virada que pegará muita gente de calça curta. Não vou contar aqui para não estragar a surpresa, mas é surpreendente. Só um detalhe: não tire os olhos da tela por nenhum momento, para não se perder no filme
inteligente e divertido. O problema, repito, é Bruce Willis. Mas Xeque-Mate passa por cima.

Serpentes a Bordo (Snakes on a Plane)


Seria um dos piores filmes de todos os tempos se não fosse tão hilário. Sim, estou falando de Serpentes a bordo (Snakes on a Plane), de David Ellis (Premonição 2). É um dos filmes mais ridículos dos últimos tempos e a platéia brasileira, acho, não caiu no truque, pois na sessão em que estive apenas 5 pessoas estavam presentes e olha que era um domingo à noite.
A trama é simples: um policial, Samuel L. Jackson, que gosta de entrar em algumas roubadas de vez em quando, tem de levar a testemunha de um crime do Havaí para Los Angeles. Só que o criminoso, depois de soltar a ridícula frase: "Já tentei de tudo para matar a testemunha"...decide colocar no avião centenas de cobras venenosas, que no meio da viagem vão passar a atacar os passageiros. E passa a acontecer um massacre hilário. Num deles, a vítima tem o pênis mordido enquanto está urinando.
Além de Samuel L. Jackson, quem também decidiu entrar na fria foi Juliane Margullies, de E.R. E ela faz o par romântico do herói, mas detalhe: com o é um casal inter-racial, não ocorre nenhum beijinho entre os dois. Ah, Hollywood e seus velhos preconceitos. O filme é uma piada, mas talvez faça muito sucesso em DVD. Ah, se você tem pavor de cobras, passe longe, pois depois ficará com medo até de olhar embaixo do sofá. Simplesmente ridículo.

Terra Prometida


Vamos combinar...quanto dinheiro desperdiçado neste curta que fez tanto alarde em Gramado: Terra Prometida, de Guilherme Castro...Lamentável mesmo. Um pequeno agricultor morre e durante o seu velório, a família recebe a visita de um grande agricultor e sua esposa. Ele deseja adquirir as terras do morto e conversa com o irmão, que estava ocupado construindo o caixão. E de repente...bem, de tão curta, o filme acaba...sem sentido! Talvez o humor negro da situação pudesse ter sido melhor explorado...mas até isso o diretor deixou escapar. Fica pra próxima, mesmo com seus seis prêmios em Gramado. Com participação de Araci Esteves (Anahy De Las Misiones).

Em Segredo (Grbravica)


Um filme de guerra sem guerra. Este é o mote do excelente Em Segredo (no original Grbavica - pronuncia-se Gribavitiza -, o bairro em Sarajevo onde houve muitos conflitos e mortes entre bósnios e sérvios em meados dos anos 1990). É um filme de desolação, de solidão, é um filme feminino, pois se os homens vão para a guerra, as mulheres ficam em casa cuidando dos filhos e expostas aos inimigos, correndo o risco de estupros e todo o tipo de tirania vindo do lado contrário.
Esma (Mirjana Karanovic) é uma dessas mulheres, que tem de cuidar da rebelde filha Sara (Luna Mijovic), que está entrando na adolescência, descobrindo a sexualidade e querendo saber o que houve com o seu pai, uma possível vítima e herói da guerra racial na ex-Iugoslávia.
Esma tem de se virar em vários empregos, procurar um novo amor para não se sentir tão só e ainda por cima arranjar 200 euros para que a filha possa viajar com os coleguinhas numa viagem de final de semana. Além disso, se recusa a falar para a filha o segredo: o que houve com o pai de Sara?
Em Segredo mostra uma Sarajevo ainda tentando se reestruturar depois da guerra genocida. Prédios destruídos, pessoas trabalhando em funções para que não se prepararam, como professores universitários se virando como leões-de-chácara. E o filme mostra ainda um frio incessante, muita neve, pois tudo em Sarajevo é gelado, diistante, triste. Alguns tentam se ajudar...mas a maioria pensa: cada um por si. Enfim, um filme de guerra sem a guerra.

Carol Witczak mete o pau em Miami Vice


Bom, já que este blog não é só para acordos, desta vez haverá aqui duas críticas para o mesmo filme. Talvez isso também represente uma divisão de opiniões entre o público que vai assistir ou já assistiu o filme, não é mesmo? Miami Vice é um blockbuster diferente.Além de partir de um seriado oitentista ovacionado por muitos, teve os rumos que o próprio diretor da série original, Michael Mann, desejou dar. Mas não é diferente por isso, e sim porque tem áurea própria e autenticidade.
A reclamação de muitos críticos é de que ele não foi fiel a pontos marcantes, como o ar ensolarado de Miami que dominava as filmagens na versão seriada, dentre figurinos e até mesmo os atores principais (Don Johnson e Philip Michael Thomas), que são acusados de serem muito mais sérios e violentos.
Bem, mesmo assim acho que a trama se enrola demais e esfria em alguns momentos para dar lugar a enrolações desnecessárias, embora fique nítido que haverá uma solução conveniente. Para uma expectadora que, como eu, não assistiu ao seriado original, posso dizer que considerei o filme um tanto quanto "sem sal", mesmo com o mundo caindo, as cargas de contrabando sendo transportadas, uma certa calma, algumas vezes, fica no ar...Falta uma inquietude total, um stress a flor da pele.
James "Sonny" Crockett (Colin Farrell) não demonstrou o menor desespero por sua mulher estar quase morrendo por sua "culpa" (de sua profissão). Bem, já meu "editor", ao contrário, adorou os novos traços da história no filme. Uma fotografia mais obscura, com tomadas feitas à noite, o figurino também muito mais "street" e em cores escuras... Bom, de alguma forma, Miami Vice teve considerável fracasso nas bilheterias norte-americanas (mercado que realmente importa em Hollywood): tendo custado 135 milhões de dólares, o filme rendeu somente 25 milhões de dólares no primeiro fim de semana em cartaz nos EUA. Abaixo do esperado.

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...