quinta-feira, janeiro 10, 2008

O REINO



Sem entrar no mérito ideológico, pois pode ser classificado de direita, O Reino é um filmaço dirigido por Peter Berg. O terrorismo islâmico está no centro das atenções depois de um atentado que vitima mais de 100 pessoas num condômínio americano em Riad, na Arábia Saudita (o filme, na realidade foi filmado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos). E entre os mortos está um agente do FBI. Então um comando liderado por Jamie Foxx (Ray e Colateral) parte em busca da captura dos extremistas. O Reino possui elementos para prender a respiração por suas quase duas horas. Interessante, mas não novidade, é o choque de culturas, aqui entre policiais americanos e árabes. O exemplo mais famoso deste entrelaçamento ocorreu em Chuva Negra, com Michael Douglas, no começo da década de 1990.
Em O Reino encontramos, e aí o trocadilho é obrigatório, vestígios do seriado C.S.I, pois os agentes americanos são especialistas em diferentes áreas forenses (a linda Jennifer Garner, de Elektra, por exemplo, é a médica-legista, Chris Cooper, de A Supremacia Bourne, é o perito em bombas).
Mas um detalhe não pode passar despercebido. Em um violento tiroteio, potentes armas destróem paredes como se fossem elas de papelão, mas não conseguem furar latarias de carros. Mas o que importa?

Meu Nome Não é Johnny



Meu Nome Não é Johnny, de Mauro Lima, não tem nada de inovador. Didático, relata a ascenção e queda verídica de um traficante/viciado da classe média carioca entre os anos 1980 e 1990, João Guilherme Estrella. Mas o que temos aqui é mais uma interpretação primorosa de Selton Mello (O Cheiro do Ralo), como o personagem central da trama. E fujo do clichê de usar o batido termo "o melhor ator de sua geração". Ainda mais que também temos Lázaro Ramos e Wagner Moura. Os três estão empatados em belas atuações contemporâneas de nosso cinema. O filme tem traços de Cazuza, Carandiru e o Bicho de Sete Cabeças, pois segue a tríade vida louca, drogas e cadeia. Mas não dá para esquecer a presença de Cleo Pires, deslumbrante como a namorada de João.

Desejo e Reparação



A garotinha Briony (Saiorse Ronan), com sua imaginação fértil e inocência dos 13 anos, pois estamos em 1935, no interior da Inglaterra, vai alterar a vida de entes queridos em Desejo e Reparação (Atonement, de Joe Wright), baseado em romance de Ian McEwan. A menina acusa o jovem Robbie (James McAvoy), namorado de sua irmã, Cecilia (Keira Knightley) de estuprar a prima delas. O incidente provocará mudanças terríveis nos próximos cinco anos na vida do casal e em toda a existência de Briony, que sempre tentará corrigir o erro.
O filme começa tedioso, mas intencionalmente, como era a época, numa Inglaterra de senhores e serviçais. A tensão no ar, o tempo que não passa, as grandes e verdes extensões de terra para poucas pessoas.
Em sua segunda parte, já estamos no começo da Segunda Guerra Mundial, com seus personagens amadurecidos e rancorosos. O tom é quase cinza, para retratar a tristeza daqueles dias. Numa cena angustiante e sufocante em Dunquerque, durante a retirada do derrotado exército britânico devido a iminente chegada dos alemães e seus panzers, mal conseguimos distinguir os rostos dos personagens. No final, temos uma arrebatadora atuação da já septuagenária Vanessa Redgrave como Briony na terceira idade. Emocionante.

Across The Universe



Pena que as pessoas ainda mantenham um ranço em relação aos musicais. Como qualquer gênero cinematográfico, tem coisas boas e ruins. Com Across The Universe, de Julie Taymor (Frida), e obrigado por manterem o nome no original, o saldo permanece positivo. Toda a história é contada através de canções dos Beatles e se passa nos anos 60 do século passado, em plena Guerra do Vietnã e as lutas pacifistas – mas quem quiser pode entender como uma crítica a interminável invasão norte-americana ao Iraque –, com ares de Hair. Tem até o garoto convocado para lutar em terra estranha. A guerra é, porém, o pano de fundo para o inglês Jude (Jim Sturgees), que sai de Liverpool em busca do pai americano que não conhece. Nos States, conhece e se apaixona pela sonhadora e idealista Lucy (Evan Rachel Wood, de Aos Treze e lembrando muito Chlöe Sevigny). Aliás, Lucy e Jude são nomes de canções dos Beatles. Os próprios atores interpretam as canções, que emocionam até mesmo aqueles que não curtem os 4 fabulosos. E prepare-se para viagens psicodélicas.
Muitos personagens remetem a outros históricos como Sadie (Dana Fuchs , uma espécie de Janis Joplin) e Jo-Jo (Martin Luther, sem dúvida calcado em Jimmy Hendrix). E Max (Joe Anderson é a cara de Kurt Cobain). Para ver e rever.

A Bússola de Ouro



Em A Bússola de Ouro, apesar de Nicole Kidman e Daniel Craig e dos efeitos especiais de primeira, a história da garotinha que tem em sua posse a tal relíquia com o poder de ler o futuro e o passado não empolga. Ela ainda é a escolhida para salvar crianças que estão tendo suas almas em forma de animais, chamadas de daemons, roubadas. Se você não for adolescente, fuja. Ah, vem a segunda parte por aí.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Coisas que Perdemos pelo Caminho



Em Coisas que Perdemos pelo Caminho (Things We Lost in The Fire), de Susanne Bier, a história poderia facilmente se perder, com o perdão do trocadilho, pelo trajeto. Porém na tentativa de os personagens de Halle Berry e Benicio del Toro recomeçarem suas vidas, após tragédias pessoais, não existe espaço para a apelação, para o dramalhão. Audrey (Berry) é a mulher que fica viúva e com dois filhos para criar, depois que o marido, interpretado por David Duchovny (ele mesmo, o Fox Mulder, de Arquivo X e agora em Californication) é assassinado. Ela acaba aceitando na sua casa o melhor amigo do marido. O problema é que Jerry (del Toro) é um junkie, ou seja, viciado em drogas quase incorrigível.
A dupla dá um show de atuação. Berry, com sua beleza, nos faz sentir mais propensos a cuidar dela e de seus fofíssimos filhos. Enquanto del Toro, de Traffic, rouba o filme, fumando sem parar, com uma expressão torturada, a pele enrugada. As cenas em que seu personagem passa pela crise de abstinência devem deixar qualquer candidato a se drogar com a certeza de que o vício uma grande roubada.
O filme, ainda por cima, é politicamente correto, mas sem ser pedante. Ele prega a tolerância numa América racista. Brancos e negros convivem harmoniosamente e drogados recebem a solidariedade, ao invés da rejeição.

P.S.: Eu Te Amo




P.S.: Eu Te Amo, de Richard LaGravenese, é um Ghost sem o toque espiritual. Hilary Swank (de Garota de Ouro e Meninos Não Choram e fazendo o seu papel mais feminino desde a garçonete namorada de Stevie em Barrados no Baile, na temporada de 1997) é Holly, que fica viúva de Gerry (o ator escocês Gerard Butler, ele mesmo, o Leonidas, de 300). Ela passa a receber há cada estação do ano uma carta do marido morto, com orientações do que deve fazer. Assim, Holly não consegue se desligar do passado e nem projetar o futuro. Seus dias são depressivos, de choro, de lembranças... rejeitando até o amigo apaixonado.
Butler, aparecendo em flash-backs, rouba o filme como o irlandês bem-humorado e encantador - que certamente vai arrebatar muitos corações femininos, muito mais do que Patrick Swayze em 1990. Mas a choradeira está lá. Os casais se derretem durante as duas horas do filme (dê uma olhada quando se acenderem as luzes e vejam por si mesmos), deixando passar erros crassos no filme. As atrizes, entre elas Lisa Kudrow, a Phoebe de Friends, e Gina Gershon, de A Outra Face e O Informante, estão mais para quarentonas, com suas bocas de botox, mas interpretam garotinhas de vinte e poucos anos. Elas também "vivem de ar", afinal não trabalham e passam o tempo fazendo programas caríssimos. Mas isso são apenas detalhes num filme para arrebatar corações apaixonados. Talvez eu tenha perdido o meu pelo caminho.

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...