quinta-feira, fevereiro 21, 2008

MUTUM



O filme encantou os alemães. Os europeus, aliás, gostam de ver aquele Brasil interiorano. E isso recebem de "montão" em Mutum, de Sandra Kogut (Passaporte Húngaro). Mutum significa mudo ou uma ave negra que só canta à noite. E também o local onde mora o garoto Thiago com sua família, no sertão mineiro. Lá, onde a pobreza impera, a paz se encerra quando a mãe do garoto se envolve com o irmão do marido. E o mundo do garoto desaba e ele passa a sonhar com um lugar distante de tanta miséria e desconforto.
Mutum não tem trilha sonora, mas cansa - poderia ter vários minutos a menos. E o espectador tem dificuldades de entender determinadas falas, devido ao forte sotaque dos atores, escolhidos entre moradores da região. Não é um Brasil bonito de se ver para os brasileiros, mas é o Brasil real.

Chico Izidro

O Grande Chefe (The Boss of it All)



Você já viu o seriado The Office, tanto em sua versão inglesa quanto a americana? Se não, vá na sua locadora e alugue. E passe longe do novo filme de Lars Von Trier (Dogville), O Grande Filme. Como disse um espectador na saída do cinema "se o humor dinamarquês é assim, imagine o mau humor"....
Um ator é contratado para representar o poderoso chefão de uma empresa que está sendo colocada à venda e o dono tem medo de contar a verdade aos seus funcionários. E no decorrer da farsa, o chefão de mentirinha começa a se inteirar da realidade da firma, mas não pode mais fugir das teias do vigarista. Sorrisos amarelos ao longo de seus...longos 90 minutos, dificultados ainda pelas letras brancas sobre o fundo branco da tela.
E como disse outro espectador: se você não gostar do filme, é um idiota e deve mesmo assistir aos Rambos da vida. Se gostou, é um intelectual metido a besta. Não há saída.

Chico Izidro

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Elizabeth: A Era do Ouro



Cate Blanchett não tem mais nada a provar. É uma excelente atriz, como fica provado mais uma vez em Elizabeth: A Era do Ouro, do diretor indiano Shekhar Kapur. A dupla já havia trabalhado junto em 1998, na primeira parte da história da chamada Rainha Virgem. Agora, o filme retrata o período Elizabeth defendeu seu império protestante contra a católica Espanha, em 1588.
Mas nem sempre boas atuações rendem um bom filme. O elenco é de primeira, com Clive Owen (no papel de Walter Raleigh, o explorador inglês e interesse romântico da rainha) e Geoffrey Rush como o conselheiro Francis Walsingham. E a beleza Abbie Cornish como Bess, uma das damas-de-honra da rainha. A loirinha já fora vista em Candy, com o falecido Heath Ledger, e lembra uma Nicole Kidman mais fofinha.
Mas voltando ao filme. A rainha Elizabeth tem de se preocupar com as traições de sua prima Mary Stuart (Samantha Morton, de Minority Report e Terra de Sonhos), que reclamava para si a coroa inglesa e que acabaria "tendo o pescoço separado do corpo", e a guerra contra os espanhóis. E o filme derrapa. Ocorrem erros históricos crassos, apesar do cuidado com o visual da época, e os atores quase declamam as falas, dando um ar quase teatral. E isso, apesar de ajudar no entendimento do inglês, acaba dando sono aos mais impacientes.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet



A obra de Tim Burton se baseia na morbidez. Agora em seu novo trabalho, o "irmão gêmeo" de Robert Smith, do The Cure, une seu tema preferisdo a um estilo de dificil aceitação pelo público: o musical. Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet nos leva a Londres do século 19 e a vingança de um homem que se viu injustiçado.
O tal homem e barbeiro é Johnny Depp, alter-ego de Burton e que faz seu sétimo trabalho com o diretor. Todd ficou preso durante 15 anos, para sair do caminho do vilanesco juiz Turpin (Alan Rickman), que quis para si a mulher do infeliz. De volta à Londres, ele planeja a vingança, ao mesmo tempo que se transforma num serial killer, incentivado pela cozinheira sra. Lovett (Helena Bonham Carter), que faz bolos de carne...humana!
Há de se ter muita paciência para ouvir duas horas de cantorias - o diretor optou por escalar atores cantando ao invés de dublá-los. Só que o visual de época compensa o sacrifício. Outra coisa: se você se negou a ver Jogos Mortais por achar que tem muito sangue e degolamentos por lá, não vá achando que em Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet será diferente. O sangue jorra fartamente.
Depp, como sempre, dispensa comentários. Seu personagem é apaixonante e a cena em que canta enquanto duela com suas navalhas podem (devem) se tornar um clássico. Helena Bonham Carter, a esposa de Burton na vida real, tem um visual aterrador, mas é uma boa atriz.
No entanto, Alan Rickman, o professor Severo Snape, da série Harry Potter, virou o ator de um personagem só. Ele sempre aparece afeminado, com as mesmas "caras e bocas". Deveria fazer uma reciclagem. Assim como o eterno coadjuvante Timothy Spall, o Beadle. Apesar de respeitado no teatro da Inglaterra, o baixinho de dentes tortos, repete o mesmo de outros filmes, onde é sempre o ajudante do vilão.

Cloverfield Monstro



Godzilla ataca Nova Iorque? Não, mas poderia ser, em Cloverfield Monstro, filme de Matt Reeves e idealizado por J.J. Abrams, da série Lost, e que é uma mescla de Bluxa de Blair e Godzilla. Um filme surpreendente, mas com ressalvas, pois pessoas com estômago fraco podem não suportar assistí-lo.
Com atores desconhecidos das grandes platéias - o nome mais conhecido é da gatinha Lizzy Caplan, que participou do filme Meninas Malvadas e do seriado The Class -, Cloverfield nos coloca em Nova Iorque sendo devastada por um monstro que surgiu do nada. O interessante é como a história é contada: sob a visão de um jovem segurando uma câmera, enquanto ele e mais alguns amigos tentam escapar de Manhatan, que está sendo destruída pela criatura. E quase não vemos a besta, que não tem a sua aparição explicada em nenhum momento.
Os efeitos especiais são de primeira (os prédios da Grande Maçã sendo destruídos e da Estátua da Liberdade degolada são aterrorizantes). E o espectador interage com o que se passa na tela, como se estivesse num video-game, numa montanha-russa. E isso pode proporcionar ânsia de vômito em alguns, tonturas em outros. Mas o certo é que ninguém sai incôlume da sala.

Onde os Fracos Não Têm Vez



Poderia chamar o novo filme dos irmãos Coen (Joel e Ethan) de mais do mesmo. Não que Onde os Fracos Não Têm Vez seja um filme fraco. Não o é, principalmente pelas atuações hipnotizantes de Josh Brolin, Javier Bardem e Tommy Lee Jones. Porém não é um thriller diferente de outras obras dos irmãos – temos aqui resquícios de Fargo e Arizona Nunca Mais.
Um vaqueiro e ex-soldado, Llewelyn Moss (Josh Brolin, o policial corrupto de O Gângster) encontra uma maleta cheia de dólares e passa a ser perseguido por um assassino cruel, Anton Chigurgh (Barden, com um cabelinho que lembra aquele personagem da série A Grande Família, o pasteleiro Beiçola). O matador não é de muita conversa e liquida suas vítimas com uma pistola de matar bovinos. Sempre um passo atrás deles está o xerife Bell (Lee Jones).
Onde os Fracos Não Têm Vez prende o espectador na poltrona, não que o faça pensar, pois existe apenas a caça do gato ao rato e muita carnificina. Mas pelo suspense: quem se safará da fúria assassina do personagem de Bardem, que por esta atuação concorre ao Oscar e aqui muito próximo de outro personagem seu recente, o Irmão Lorenzo, de Sombras de Goya. O que importa é ele e nada mais.

Meu Monstro de Estimação



Meu Monstro de Estimação, de Jay Russell, traz para os pequenos a lenda do Lago Ness. Mas pode ser curtido também por adolescentes e adultos. Confesso que estava com medo de assistir ao filme numa sessão lotada de crianças. Porém tão logo as luzes se apagaram a criançada silenciou e curtiu quase duas horas de bons ingredientes - efeitos especiais caprichados e história coerente.
E incrível, a piazada se portou melhor do que muito adulto que vai ao cinema, afinal tirando o monstrinho, a história pode ser considerada complexa demais para elas. Fala de uma lenda de mais de 1500 anos, de homens cortejando mulheres - apenas três em toda a história (ou seja, gira em torno de sexo) e da batalha entre britânicos e alemães na Segunda Guerra Mundial.
E é em meados do conflito, no interior da Escócia, que um garoto solitário, Angus MacMorrow (Alex Etel), encontra um ovo que se transforma no famoso monstro do lago Ness. Enquanto tenta proteger a criatura, que vai crescendo rapidamente, o pequeno vê seu mundo ser invadido por homens que só se preocupam com a guerra. Excelente para todas as idades. O problema para os adultos é a dublagem. Muitos dos personagens tem sotaque...carioca....

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...