quinta-feira, fevereiro 21, 2008

JUNO



O que há de novo na história de uma garota que engravida e não está preparada para ser mãe? Absolutamente nada. Nem a forma como a história é contada em Juno, de Jason Reitman (filho de Ivan Reitman, de Os Caça-Fantasmas). Então o filme não merece ser visto? Não, pelo contrário. Pois Juno se fortalece principalmente de sua atriz principal, Ellen Page, de Meninama.com.
A garota tem domínio total de cena e tiradas engraçadas, ao se ver da noite para o dia tendo de lidar com temas como aborto, adoção, a ausência de um namorado - pois ela transou com o melhor amigo. Page já mostra ao que veio no começo, quando impaciente, toma litros de suco de laranja na frente de uma loja de conveniências, onde pretende entrar para fazer um teste de gravidez.
Já Michael Cera, o tal amigo em questão, recebeu de certa crítica: ele merece um capítulo à parte. Concordo. Pois o garoto é um mini-Jack Nicholson. Tanto na séria Arrested Development quanto em Superbad, o mesmo personagem aparvalhado. E em Juno? Não mudou nada. Mas veja o filme por Elle Page, que em determinada parte relembra sua personagem anterior, quando ela coloca um certo casaquinho vermelho. Bela sacada.

Chico Izidro

Antes de Partir (The Bucket List)




Em My Name Is Earl, seriado do canal FX e estrelado por Jason Lee, um cara mau-caráter decide fazer uma lista e se regenerar depois de ganhar na loteria e ser atropelado. Ao sair do hospital, ele procura as pessoas listadas e pede perdão pelos erros cometidos no passado. Tudo em tom de comédia. E das mais inteligentes dos últimos anos. Pois nada se cria, tudo se copia. Então temos Antes de Partir (The Bucket List), de Rob Reiner e com Jack Nicholson e Morgan Freeman.
Os dois veteranos descobrem que têm câncer e que possuem poucos meses de vida. Passados os primeiros sinais de negação e antipatia entre os dois, a dupla organiza uma lista (da bota, ou seja, coisas para fazer antes de batê-las, ou seja, morrer) e sai pelo mundo para concretizá-la. E dê-lhe momentos piegas, com Jack Nicholson fazendo as pazes com a filha e Freeman jantando com a família, mesmo tendo uma esposa mandona.
Nicholson, aliás, é um caso à parte. O consagrado ator faz, há anos, o mesmo papel, o do personagem cínico, debochado e preconceituoso. Assim fica fácil. Para fazer chorar.

Chico Izidro

Senhores do Crime



A temporada mal começou e já temos um candidato ao filme mais violento do ano: Senhores do Crime, de David Cronenberg. Nele, a bela Naomi Watts, de O Chamado e King Kong 2005, se vê envolvida com a máfia russa após descobrir o conteúdo de um diário de uma garota ajudada por ela. Nele, indícios de tráfico de escravas brancas, prostituição e estupros.
E não há tempo para se pensar - aliás, o filme não é para se pensar e sim para se sentir incomodado na poltrona, principalmente numa das melhores cenas de briga, que ocorre numa sauna e que tem como protagonista o bom Viggo Mortesen, de Senhor dos Anéis e Marcas da Violência, no papel de um motorista da máfia. Porém o seu personagem é dúbio, como não o é o sr.... (Armin Muhler-Stahl, outra fera e cuja presença em cena transmite todo o mal que possa pisar na face da terra). Provocador.

Chico Izidro

Vestida Para Casar (27 Dresses)



Vestida para casar é daqueles filmes feitos para garotas que sonham em encontrar o amor de suas vidas e subir ao altar para dizer a famosa frase "eu aceito". Romântico ao extremo, pode fazer mal aos diabéticos. Dirigido por Anne Fletcher, conta a história da jovem e bonita, apesar de não se achar (um dos tantos absurdos do roteiro) Jane, que adora ser a dama de companhia nos casamentos das amigas, enquanto espera chegar o seu dia. Contudo, a garota surta quando descobre que sua irmã vai casar com o homem de seus sonhos. Ao mesmo tempo, é perseguidas por um repórter, Kevin (James Marsden, o Cíclope de X-Men), que escreve sobre casamentos.
Lá pelos 15 minutos de filme já deu para sacar o que vai acontecer. Porém o que importa aqui é que Elizabeth Heigl segura bem as pontas. Ela é considerada uma das novas sensações de Hollywood e pode ser vista na série Grey's Anatomy e no recente sucesso da telona Ligeiramente Grávidos. A atriz protagoniza uma cena que pode se tornar clássica, quando realiza o desfile dos 27 vestidos do título original.

Chico Izidro

Via-Láctea



Mesmo com a presença da bonita Alice Braga (a valorizada sobrinha de Sônia Braga, depois de participar do mega-sucesso Eu sou a Lenda), Via-Láctea, de Lina Chamie, decepciona. E profundamente, por tentar se passar por filme pseudo-intelectual. Resultado final: uma chatice fundamental na história do professor de literatura e escritor que tenta reatar o namoro com uma veterinária.
A história se passa em cerca de duas horas pelas movimentadas e engarrafadas ruas de São Paulo, enquanto o protagonista Marcos Ricca (de O Que é Isso Companheiro?) se dirige para a casa de Alice, com o objetivo de reatar. No caminho, ele reflete sobre os momentos passados ao lado da garota. E dê-lhe citações forçadas de Manuel Bandeira, a trilha sonora despropositada. E a diretora ainda consegue citar a cadela Laika, aquela que foi para o espaço na década de 1950, após o atropelamento de um cachorro...como??? por quê???


Chico Izidro

Casa de Alice



Um filme nacional surpreendente. É o que é Casa de Alice, de Chico Teixeira. Uma família disfuncional típica dos filmes americanos, mas deslocada para uma cidade da Grande São Paulo. A mãe, Alice (a excelente Carla Ribas) trabalha como manicure e tenta recuperar a juventude perdida enquanto vê a família não lhe dar o mínimo respeito. Desde o marido, taxista, que se envolve com a vizinha adolescente, e os filhos. Um é um ladrãozinho, o outro soldado no quartel, mas na hora vaga, michê, e o mais novo mimado ao extremo. Quem se salva é a mãe (Berta Zemel, o nome de destaque do longa), que mora junto e vê tudo acontecer, mas em silêncio. E nisso o filme se diferencia. Pois quase tudo é sugerido, não é explicitado. Bastam olhares e frases curtas para mostrar a realidade crua. Imperdível.

Chico Izidro

Propriedade Privada (Nue Proprieté),



Propriedade Privada (Nue Proprieté), de Joachim Lafosse, lida com um tema difícil: a ganância. E ela surge devido a uma bela casa no interior da França, administrada por Pascalle (Isabelle Hubert). Só que ela não consegue ter uma vida tranqüila, pois tem de cuidar dos filhos gêmeos, François e Thierry, que mesmo adultos, nem pensam em sair de casa e em arranjar empregos. Os dois se mostram em toda a sua vilania no momento em que ela decide vender o local e se mudar com o namorado para uma pousada.
Propriedade Privada mostra quais limites devem ser impostos aos filhos para que não se tornem usurpadores. E filme feito na França não dispensa massas e vinhos, o que dá ao espectador uma vontade tremenda de correr para o restaurante mais próximo no final da sessão. Pena que a comida possa descer amarga.

Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...