sábado, junho 20, 2009

OS FALSÁRIOS



Os Falsários, de Stefan Ruzowitzky, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2007. Mas só agora aporta no Brasil. E a história até passa - indiretamente - por Porto Alegre. Durante a 2ª Guerra Mundial, o falsificador judeu Salomon "Sally" Sorowitsch (Karl Markovics, ótimo) é enviado a um campo de concentração, onde obrigado pelos nazistas, vai comandar um grupo de artistas e falsários como ele a fabricar libras esterlinas e depois dólares. O objetivo alemão é colocar o dinheiro falso no mercado e detonar a economia dos aliados, que estavam ganhando a guerra.
Os judeus sabem que estão numa berlinda: ou obedecem e ajudam aos seus algozes e vão sobrevivendo, mesmo que sabendo que se estes vencessem a guerra, eles seriam executados, ou se negam e são eliminados instantaneamente.
Ah, o que Porto Alegre tem a ver com isso? Sally, após a Guerra, veio para a América do Sul, e depois de um período na Argentina, instalou-se em Porto Alegre, onde viria a falecer nos anos 1970.

KATYN



O octagenário cineasta polonês
Andrzej Wajda buscou as memórias de infância e a perda do pai a inspiração para filmar o excepcional Katyn. Já no seu início, é mostrado o esmagamento da Polônia, quando dois grupos de poloneses se encontram numa ponte. Um foge dos invasores alemães e outro dos invasores soviéticos. Em seguida, milhares de militares polacos são presos e têm o destino incerto - depois saberia-se: eles seriam executados pelos soviéticos. Mas por muitos anos, a culpa seria atribuida aos nazistas.
Os militares, assim como grande parte da inteligência polonesa (cerca de 15 mil pessoas), foram executados nas florestas de Katyn, pois assim acreditava-se, seria difícil para a Polônia se reerguer novamente. O pai de Andrzej Wajda foi um dos executados. No filme, é mostrada a busca de Anna (Maja Ostaszewska) em busca do marido, Andrzej (Artur Zmijewski), e a sua própria fuga, ao lado da filha, Agnieszka ( Magdalena Cielecka). Afinal, os parentes dos militares também estavam na lista dos que estavam marcados para morrer. Uma ótima obra, que devido à idade, pode ser o testamento definitivo do cineasta.

O MILAGRE EM SANTA ANA



Logo no começo do filme, um dos personagens assiste na televisão ao clássico O Mais Longo dos Dias, com John Wayne. E exclama: "Nós também estávamos lá!". Ele reclama de os filmes e livros sobre a Segunda Guerra Mundial não citarem a presença de soldados negros na batalha contra os nazistas. Logo em seguida, o mesmo personagem é mostrado em seu serviço, nos correios, assassinando um cliente...
É aí que começa O Milagre em Santa Ana, do cineasta e ativista Spike Lee, de Faça a Coisa Certa e Mamcolm X, registra a participação de um batalhão de soldados negros que se perde atrás das linhas alemãs no sul da Itália em 1944. E eles serviam como "bucha de canhão", comandados por um tenente branco que não confiava em seus próprios soldados - por serem eles negros ou "de cor", como era costume na época.
O batalhão acaba entrando no vilarejo de Santa Ana, onde acaba se apegando aos seus moradores - e se sentindo seres humanos pela primeira vez. Pois nos Estados Unidos eram considerados cidadãos de segunda classe e ali, naquela pequena vila, as pessoas não olhavam para a cor de suas peles. Um dos soldados, o mais lento deles e que carrega um busto, acaba se apegando a um garotinho que escapou de um massacre perpetrado pelos alemães.
Uma cena marcante é quando o grupo, ainda em terras americanas, vai a uma sorveteria, mas o dono se nega a serví-los, ao mesmo tempo que um grupo de prisioneiros alemães comem tranquilamente seus sorvetes numa mesa próxima. De revoltar o estômago.

UM ATO DE LIBERDADE



Um grupo de judeus sobrevive à perseguição dos nazistas nas florestas da Bielo-Rússia no começo dos anos 1940. Ao final da Guerra, sob a liderança de Túvia Bielski (Daniel Craig, o atual 007), 1200 pessoas haviam sobrevivido. A história é real e é relatada no livro Um Ato de Liberdade, da escritora Nechama Tec (pronuncia-se Nerrama Téti), ela própria sobrevivente do Holocausto. Um Ato de Liberdade (Defiance, direção de Edward Zwick) mostra como o grupo de Túvia e seus irmãos Zus (Liev Schreiber) e Asael (Jamie Bell) começa a ser montado. No início, eles querem apenas sobreviver na floresta. Aos poucos, porém começam a incorporar fugitivos ao grupo - entre eles a maioria mulheres, crianças e velhos -, que acaba se tornando uma otriad (ou destacamento militar subordinado aos soviéticos).
O filme é quase fiel ao livro, porém toma algumas liberdades que o descaracterizam um pouco, como no seu final, quando ocorre uma batalha entre o grupo de judeus e um batalhão de nazistas, que mostra um pouco do caráter hollywoodiano do filme. Não contarei aqui para estragar, mas esta cena é totalmente inconsistente. Mas não desmerece seus outros 150 minutos.

AS TESTEMUNHAS



As Testemunhas (Les Témoins, de André Téchiné) não chega a ser um mal filme. O problema é que ele está deslocado no tempo. Trata do surgimento da aids na primeira metade da década de 1980 - mostrando a devastação no corpo do jovem homossexual e promíscuo Manu (Johan Libéreau). Aliás, tirando o médico Adrien (Michel Blanc), ninguém é de ninguém em As Testemunhas, inclusive a escritora Sarah (Emanuelle Béart, que já foi uma das mulheres mais lindas do mundo. Mas, meu deus, o que ela fez nos lábios?), casada com o policial de origem argelina Mehdi (Sami Bouajila), que descobre sua bissexualidade e traz o perigo da aids para dentro de casa. As Testemunhas, no entanto, peca pela falta de ineditismo. Talvez se o roteiro seguisse por outra linha, mostrando o progresso da doença nestes 25 anos e o que aconteceu com aquelas pessoas que sobreviveram ao vírus. Sem contar que o filme é extremamente cansativo - você tem a impressão de que se passaram três horas, mas na realidade são apenas duas e longas intermináveis horas.

X-MEN ORIGENS: WOLVERINE



Hugh Jackman nasceu para ser Wolverine. Isto já ficou bem entendido nos três filmes de X-MEN, onde ele interpreta o personagem principal do grupo de mutantes da Marvel. Em Wolverine - Origens, de Gavin Hood, nos é mostrado desde os primeiros dias do herói das garras metálicas, ainda no século XIX - sim, ele é imortal e se descobre indestrutível, participando desde então dos principais acontecimentos bélicos da humanidade (Guerra da Secessão, Primeira e Segunda Guerras Mundiais, Vietnã), ao lado do irmão, o também imortal Dentes de Sabre (Liev Schreiber, de Um Ato de Liberdade). A história passa também por sua transformação em arma letal do governo americano até a passagem à clandestinidade e a descoberta de outros seres especiais como ele. Enfim, o filme é feito para fãs, mas também ajuda os neófitos a entrar neste mundo fantástico que é o universo Marvel.

STAR TREK



O criador de Lost,J. J. Abrams, decidiu meter a mão em um dos clássicos do cinema de ficção científica, Star Trek, de Gene Rodenberry, e que imortalizou Leonard Nimoy como o Sr. Spock e William Shatner como capitão Kirk. Esquecendo os outros volumes cinematográficos e do seriado, que durou duas temporadas (mas que no imaginário popular parece ter 40 anos de existência) no final da década de 1960, J. J. Abrams optou por contar como a trupe da nave U.S.S. Enterprise se conheceu.
O então jovem Kirk, interpretado por Chris Pine, era um rebelde, que tinha tudo para se dar mal na vida. Além de sofrer com a antipatia deo jovem Spock (Zachary Quinto, o Sylar, do seriado Heroes, que poderia ser o filho de Nimoy, tal semelhança). O vulcaniano tenta evitar emoções, vindas de seu lado humano, provenientes de sua mãe terráquea, e não tentar ser emotivo - o seu lado vulcano. Ah, Leonard Nimoy até faz uma ponta no filme!
A primeira parte de Star Trek é interessante, mesmo para aqueles que não se interessam pela mitologia (como eu), por mostrar exatamente o surgimento de tudo. Porém na parte final, onde o grupo combate o vilão Nero (Eric Bana, de Hulk, completamente irreconhecível), o filme cai na banalidade, com explosões, brigas e batalhas entre naves, que já foram vistas centenas de vezes no cinema ou na televisão. Tudo seguindo a cartilha dos blockbusters. E aí dá aquele soninho...

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...