quinta-feira, agosto 13, 2009

BEM-VINDO






O garoto Bilal (Firat Ayverdi) tem dois grandes sonhos na vida: chegar à Inglaterra para jogar pelo Manchester United e também encontrar a namorada, Mina (Derya Ayverdi), que não vê há vários meses. O problema é que ele está ilegal na França, depois de passar três meses caminhando entre o Iraque e o país europeu. Agora, um problema à sua frente: cruzar o Canal da Mancha. Este é o mote de BEM-VINDO, de Phillipe Lioret. O drama de Bilal retrata bem o que sofrem os imigrantes na Europa, principalmente com o preconceito. Numa cena emblemática, após um grupo de imigrantes ser impedido de entrar num supermercado, sob o olhar indiferente das pessoas, um dos personagens centrais da trama diz para outro: "Por que você não fez nada?" e ouve como resposta: "O que eu poderia fazer e além do mais não quero arranjar problemas", para ouvir em seguida: "Acho que terei de comprar um livro de história para você!". Chocante.
Voltando a Bilal, ele quer atravessar o Canal da Mancha, que separa a França da Inglaterra, e ganha o apoio do professor de natação Simon (o ótimo Vincente Lindon), que mesmo sabendo estar indo contra a lei e com uma separação incômoda em sua vida, não desiste de ajudar o garoto de 17 anos. Bilal, não bastasse a perseguição na França, ainda vem de uma etnia perseguida no natal Iraque, ele é curdo, povo perseguido cruelmente no período da ditadura de Sadam Hussein.
O término de BEM-VINDO é marcante, mostrando um jogode futebol entre o Manchester United e o Lyon francês. Pode-se ali fazer uma leitura de que apesar da crescente xenofobia na Europa, o futebol, com sua crescente importação de jogadores de todas as partes do mundo, supera as barreiras do preconceito. Pelo menos dentro das quatro linhas...Chico Izidro

O GUERREIRO GÊNGIS KHAN






O cineasta russo Sergei Bodrov criou um épico à moda antiga, que recorda muito aqueles clássicos dos anos 1960 como Lawrence da Arábia, El Cid e Dr. Jivago, entre outros. O GUERREIRO GÊNGIS KHAN, que pretende o diretor transformar em trilogia, retrata a ascenção do mongól Temudjin (na infância Odnyam Odsuren e na fase adulta o excelente ator japonês Tanadobu Osanu), que aos nove anos já mostrava ter muita personalidade. Primeiro, contraria o pai e escolhe a própria noiva. E depois, ao ficar órfão, após o assassinato do pai, foge, pois passa a ser jurado de morte por aqueles que passaram a dominar sua tribo. A vida de Temudjin passa, então, a ser um turbilhão, prisões, escravidão, fugas, mais prisões. Porém sua determinação em ser um homem livre e ter sua própria clã, além de recuperar sua noiva, a bela Borte (Khulan Chuluun), o fazem superar todos os percalços.
O filme vai somente até Gêngis (que significa ferocidade) Khan unir várias tribos, após uma épica batalha contra outras tribos mongóis. Como se sabe, depois ele conquistaria a maior parte do mundo conhecido na época, entre os séculos XII e XIII. O GUERREIRO GÊNGIS KHAN prima por excepcionais cenas das estepes da Mongólia - e vale a pena citar que apesar de ser um dos maiores países em extensão territorial do mundo, ele tem hoje apenas 3 milhões de habitantes -, com batalhas filmadas em câmera lenta, o que por muito diminui o impacto da violência para aqueles que não suportam sangue. A música também é algo a destacar, com seu canto gutural típico da região, que perpasa cada minuto deste belo filme de guerra, sangue, amor e vingança (desculpem-me o clichê). Chico Izidro

quinta-feira, agosto 06, 2009

KILLSHOT - TIRO CERTO



O deformado Mickey Rourke, que foi um galã nos anos 1980, havia voltado com tudo no ótimo O Lutador, onde interpretava um profissional da luta livre. Agora, em KILLSHOT- TIRO CERTO (KILLSHOT, de John Maden), Rourke e Blackbird/Armand, um índio e assassino de aluguel, que após um trabalho onde cometeu um equívoco, tem de se esconder. Ao mesmo tempo, ele conhece o jovem marginal Richie Nix (Joseph Gordon-Levitt, do seriado Third Rock From the Sun e do filme G.I. Joe, A origem de Cobra), que ao conviver com Blackbird, revela ser um serial killer e por demais tagarela. Os dois tentem um golpe contra uma imobiliária, que sai errado. Mas são vistos por Wayne e Carmen Colson (Thomas Jane, de O Justiceiro, e Diane Lane, linda nos seus 50 anos), que está em processo de separação. O casal passa a ser perseguido pela dupla de criminosos, num verdadeiro jogo de gato e rato, lembrando os melhores momentos dos filmes de Joel e Etan Coen. A trama, apesar de não guardar muitos segredos para o seu final, é instigante e não deixa ninguém tirar o olho da tela por nenhum momento.
Chico Izidro

O CONTADOR DE HISTÓRIAS



Vou começar com aquela frase clichê: baseado em fatos reais, O CONTADOR DE HISTÓRIAS, de Luiz Villaça, conta a história real do ex-garoto de rua Roberto Carlos Ramos( aqui interpretado pelos atores Marco Antônio Ribeiro na infância, Paulo Henrique Mendes na adolescência e Clayton dos Santos Silva no começo da fase adulta). Inácio Araújo, crítico da Folha de S. Paulo, arrasou o filme, classificando-o como ruim. Não cheguemos a extremos. Não é uma maravilha, mas está longe de ser um péssimo filme. O CONTADOR DE HISTÓRIAS inicia-se em 1978, quando a mãe de Roberto Carlos, acreditando numa propaganda da Febem de que a instituição poderia ajudar o garoto, já que ela com 10 filhos, não conseguia "dar conta" de criar todos. O menino, sonhador, também imaginava que estaria entrando num mundo mágico, com palhaços, brincadeiras, até ver a realidade cruel. A Febem, no entanto, não era nada daquilo que as propagandas governistas pintavam. Roberto Carlos acaba se perdendo e vai parar nas ruas, é preso, volta para a instituição, foge de novo e assim sua vida segue pelas ruas de Belo Horizonte, numa boa resconstituição de época.
O destino de Roberto Carlos começa a mudar no dia em que ele conhece a pedagoga francesa Margherit (a portuguesa Maria de Medeiros, de Henry e June), que acreditava poder salvar o menino da marginalidade. Ele, no começo, se mostra irrecuperável, mas vai cedendo aos poucos, após descobrir o mundo dos livros, principalmente 20 mil léguas submarinas e a paciência da francesa com ele.
O CONTADOR DE HISTÓRIAS tem momentos repetitivos e quase cansativos, como por exemplo o garoto se tranca no banheiro da casa de Margherit. Porém isso simbolicamente siginifica a paciência e a persistência da pedagoga. Outra cena emblemática é quando ela e a diretora da Febem (Malu Galli) fumam durante longos minutos e colocam as bitucas no cinzeiro: o final de uma era? Entre altos e baixos, O CONTADOR DE HISTÓRIAS se salva. Detalhe: a história é narrada em off pelo próprio Roberto Carlos, hoje quarentão e pai de 13 filhos adotivos, todos ex-garotos de rua. E é considerado um dos 10 maiores narradores de histórias do mundo, dando palestras e fazendo apresentações em empresas e escolas.
Chico Izidro

G.I. JOE - A ORIGEM DE COBRA



Existem filmes para guriazinhas e para os cuecas. G.I. JOE - A ORIGEM DE COBRA, de Stephen Sommers, é feito sob medida para os meninos. As mulheres vão odiar. G.I. JOE é o famoso Comandos em Ação, que fez sucesso em versão animada na década de 1980. Nada de novo por aqui. O vilão McCullen (o careteiro Christopher Eccleston) quer dominar o mundo e para isso, pretende destruir as principais cidades do planeta. Para isso, aplica um golpe na Otan, que financia um projeto seu. Para deter o vilão e seus asseclas, entram em ação, ops, o grupo especial, capitaneado pelo general Hawn (Dennis Quaid). A trupe de integrantes como Duke (Channing Tatum), Ripcord (Marlon Wayans) vai combater o grupo onde destaca-se a vilã Ana (a maravilhosa Sienna Miller), que protagoniza um "cat fight" com Shana Ohara (Rachel Nichols), de deixar os homens endoidecidos. Muitos efeitos especiais, explosões e um dos vilões que é uma cópia descarada de Darth Vader, inclusive com a respiração ofegante. Olha, é bom para se ver numa sessão da tarde e era isso.
Chico Izidro

BAADER-MEINHOF GROUP



O Baader-Meinhof Group foi um dos vários grupos terroristas que agitaram o mundo nos anos 1970, ao lado das Brigadas Vermelhas na Itália, do ETA, na Espanha, dos palestinos da OLP. O diretor alemão Uli Edel, de Christiane F., Drogada e Prostituída, pisou na ferida ao tocar em assunto tão grave para a Alemanha naquele período, ao contar a história do grupo em BAADER-MEINHOF KLOMPEX desde o seu surgimento, no final dos anos 1960 até 1978. Os seus integrantes seguiam cegamente os líderes Andreas Baader (Moritz Bleibtreu, excelente como o terrorista fanático que não media as consequências de seus atos) e a jornalista Ulrike Meinhof (Martina Gedeck), que largou uma vida de classe média e duas filhas pequenas para entrar no submundo. Mesmo depois de presos após cometerem crimes violentos na Alemanha, eles continuaram a ter seguidores na Alemanha, que continuaram com atentados, assassinatos e sequestros. O objetivo do BMG era o de tentar impedir que a Alemanha se transforma-se num estado policial, como o fora na época do nazismo. E isso só poderia ser alcançado através da luta armada, mesmo que custasse a vida de inocentes. O grupo, com o tempo, ficou sem razão de ser. Em 2008, um de seus últimos integrantes foi solto após 25 ano de prisão.
Os líderes se suícidaram na prisão, primeira Ulrike em 1976, e depois Baader em 1977, este depois que uma tentativa de sequestro de um avião naufragou. A reconstituição de época é primorosa, desde aquele figurino kitsch do período, os personagens fumando sem parar e descarregando filosofias jurássicas da luta da esquerda contra a direita. Aí fica uma pergunta que pode ofender muita gente: se os integrantes do BMG eram contra o sistema capitalista, por que não se mudaram para o outro lado do muro, onde então imperava a então Alemanha Oriental?
Chico Izidro

HALLOWEEN - O INÍCIO



No ano passado chegou aos cinemas a origem do psicopata Jason Vorhees. Agora é a vez da origem de outro serial killer que usa máscara: Michael Myers. HALLOWEEN - O INÍCIO, de Rob Zombie (líder da banda metal White Zombie), mostra a infância perturbada de Myers numa família disfuncional. O garoto (Daegh Faersh) vive usando uma máscara de palhaço e sofrendo com a estupidez do padrasto e da irmã mais velha. Seu suporte é a carinhosa mãe (Sheri Moon Zombie) e a irmãzinha caçula. Numa noite de Halloween, ele, que costumava torturar e matar animais, como o fazem trocentos psicopatas, mata os familiares que lhe incomodavam e vai parar numa instituição, onde passa a ser supervisionado pelo médico Samuel Loomis (Malcolm McDowell, de Laranja Mecânica). Após 15 anos e com mais de dois metros de altura, Myers foge do manicômio e vai em busca da irmãzinha, que foi adotada por uma família de classe média. E no caminho vai deixando uma trilha de assassinatos brutais. E nada de novo. Como em todos os filmes da série, a questão é (e isso já escrevi antes) saber quem será a vítima da hora. HALLOWEEN - O INÍCIO ainda sofre com cortes abruptos em várias cenas, pois elas teriam sido consideradas fortes demais (são cerca de 20 minutos, para poder adequar a censura de 18 para 14 anos). Porém quem se propõe a ver um filme desses não precisa quem lhe diga o que deve ou não deve ver. Enfim, é um filme que não acrescenta nada e chega a irritar com tantos berros e correrias.
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...