terça-feira, abril 19, 2011

Fora da Lei



A Batalha de Argel, de Gillo de Pontecorvo, é o melhor clássico sobre uma revolução, no caso a independência da Argélia em 1962. Todo ele foi filmado na capital argelina ainda na década de 1960, mostrando os atos extremos de violência entre os nativos e os colonizadores franceses.
Mais de quatro décadas depois, a libertação do país africano é revista em Fora da Lei, de Rachid Bouchareb. A história é centrada na vida de três irmãos que são expulsos de suas terras, acabando por viver separados por alguns anos.
O mais velho, Messaoud (Roschdy Zem) entra no exército francês e serve na guerra da Indochina, Abdelkader (Sami Bouajila) participa do movimento de libertação da Argélia e passa anos preso na França. Já o caçula Said (Jamel Debbouze) entra para o submundo, onde vira gigolô, mas depois passa a ser proprietário de uma boate e empresário de boxe.
Ao contrário da Batalha de Argel, onde a ação se passa toda no continente africano, Fora da Lei mostra os atos terroristas da Frente de Libertação Nacional (FLN) em território francês. Além disso, a reconstituição de época vale a pena ser registrada, inclusive com as favelas onde os imigrantes argelinos e marroquinos viviam na periferia da capital francesa.
O trio de protagonistas Zem, Bouajila e Debbouze esteve também presente em outro filme de Rachid Bouchareb, o também excelente Dias de Glória, que mostrava a presença de soldados africanos no exército francês durante a Segunda Guerra Mundial. Debbouze é um ator com uma forte característica, pois a sua mão direita é defeituosa e ele passa os filmes com ela no bolso.
Cotação: ótimo
Chico Izidro

Turnê



No Brasil ficou conhecido como Teatro de Revista, na Europa e nos Estados Unidos como Vaudeville - que é um gênero de entretenimento misturando danças, cantos e até mesmo truques de mágica. Algo pré-televisão.
Pois em Turnê, do francês Mathieu Amalric, este estilo é celebrado nos dias de hoje, quando o próprio diretor interpreta Joachim Zand, à frente de um grupo de dançarinas que saem pelo interior da França. Zand é também um indivíduo meio inescrupuloso, cheio de inimigos e dívidas. Ele é tão errante que afastou-se até mesmo dos dois filhos pré-adolescentes e com quem vai tentar uma reaproximação.
O grande objetivo do empresário é apresentar o espetáculo em algum teatro de sua Paris natal, local onde não é benquisto. O show é meio grotesto, onde as dançarinas são mulheres de meia-idade, sem vergonha de mostrar seus quilinhos a mais. Elas são divertidas e com a sexualidade extrapolando, não se furtando de transas no banheiro de um hotel. Vindas dos Estados Unidos, sonham em se apresentar na Cidade Luz, mas nem imaginam das dificuldades de Joachim Zand em arranjar um teatro.
Em Turnê, tudo parece dar errado, de uma desilusão tremenda. Mas nem por isso deixa de passar uma mensagem de otimismo.
Mathieu Amalric está excelente, sem vergonha de parecer ridículo, com suas roupas estilo bicheiro da década de 1970. Ele é um ator de recursos, vide o triste O Escafandro e a Borboleta e o violento Munique.
Cotação: bom
Chico Izidro

quarta-feira, abril 06, 2011

Atividade Paranormal em Tóquio



Geralmente os filmes japoneses é que são refilmados pelos americanos. Agora os nipônicos deram o "troco" e levaram o terror para Tóquio ao invés de exportá-lo.
Esqueça O Grito e O Chamado, que metiam medo, principalmente o segundo e seu bordão seven days (sete dias).
Em Atividade Paranormal em Tóquio, acontecem misteriosos eventos sobrenaturais ocorrem no quarto de uma jovem japonesa interpretada por Noriko Aoyama. A garota recém havia retornado de uma temporada em San Diego, nos Estados Unidos, local em que foram registrados eventos sinistros no lar de uma família comum americana. Talvez ela tenha levado o ser maligno com ela para a capital do Japão.
Noriko divide a casa com o irmão nerd vivido por Aoi Nakamura. Os dois são péssimos atores e não conseguem passar o temor de viver numa casa mal-assombrada. Aliás, em Atividade Paranormal em Tóquio, os sustos sugeridos à plateia são tão ridículos que ao invés de medo provocam risadas. E quando não está rindo, o espectador está condenado a dormir solenemente na poltrona.
cotação: ruim
Chico Izidro

terça-feira, abril 05, 2011

Fúria sobre Rodas



Fúria sobre Rodas é mais uma bobagem em que Nicolas Cage parece se divertir muito. E lembra e em muito dois outros filmes em que esteve presente o sobrinho de Francis Ford Coppola, 60 Segundos e Motoqueiro Fantasma.
Cage tem vivido altos e baixos, mais baixos nos últimos anos, ele que ganhou um Oscar em 1995 por Despedida em Las Vegas. Em Furia sobre Rodas, ele é John Milton, um misterioso andarilho que parte em busca de um bebê raptado por uma seita satânica comandada por Jonah King (Billy Burke, o pai de Kristen Stewart em Crepúsculo). Em sua busca incessante, Milton acaba trombando com a gata Piper (Amber Heard, de Zumbilândia), que resolve acompanhá-lo depois de flagrar o namorado transando com outra.
Milton, porém, esconde um segredo. Ele é um ex-criminoso que fugiu do inferno. Por isso, o diabo mandou um ajudante, O Contador (William Fichtner, de Falcão Negro em Perigo e Batman, o Cavalheiro das Trevas) vir buscá-lo e levá-lo de novo para o inferno.
Como não tem bonzinhos em Furia sobre Rodas, as cenas de violência são extremas, com tiros na cara, corpos estraçalhados, explosões. E claro, não dá para esquecer o título. Afinal, Milton é um aficionado por carrões e estes cruzam aquelas imensas rodoviass americanas, em perseguições bem filmadas, numa profusão de batidas e mais explosões. Ou seja, nada de novo e de aproveitável neste filme dirigido por Patrick Lussier.
Cotação: ruim
Chico Izidro
FOTO: Nicolas Cage e Amber Heard

sexta-feira, abril 01, 2011

Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles



Os et's mais uma vez invadiram a terra para roubar os recursos naturais. E claro que o planeta é salvo pelo exército americano, ou aliás, meia dúzia de fuzileiros navais em Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles, direção de Jonathan Liebesman.
A ficção científica é estrelada por Aaron Eckhardt, de Obrigado por Fumar, e não tem nenhuma vergonha de chupar outras fontes. Nitidamente calcado em Guerra dos Mundos, Distrito Nove, Cloverfield, Skyline - A Invasão e Guerra ao Terror, tem a câmera nervosa, aquela que fica tremendo, quase deixando o telespectador enjoado, e pouca profundidade de seus personagens.
Eckhardt é um fuzileiro prestes a dar baixa do exército e traumatizado por ter falhado em uma missão no Iraque, quando perdeu vários de seus homens. Por isso, a tropa não leva muita fé nele. E os soldados tem três horas para evacuar os civis de uma área de Los Angeles antes que seja lançado no local uma bomba para tentar dizimar os alienigenas, que não querem conversa, matando qualquer terráqueo que cruze na frente deles.
Então começa uma tremenda patriotada, em que os soldados morrem às pencas, mas não desistem nunca. Afinal, fazem parte do melhor exército do mundo. Os efeitos especiais também deixam a desejar. Os et's - metade metálicos, metade uma gosma nojenta - são mal-feitos, quase risíveis. Assim como esta pataquada.
Cotação: ruim
Chico Izidro

Jogo de Poder



Hoje sabemos que a Guerra do Iraque começou com uma farsa do governo George W. Bush. O patético presidente autorizou a invasão do país de Saddam Hussein em 2003 sob a alegação de que o ditador estava preparando armas químicas para destruição em massa. Foi um grande erro. E de conhecimento da agente secreta da CIA Valerie Plame e de seu marido, o ex-diplomata Joe Wilson. Os dois acabaram tendo suas vidas arruinadas e considerados traidores da nação por denunciar o erro de Bush.
Jogo de Poder é um excepcional filme dirigido por Doug Liman e interpretado quase a perfeição pela bela Naomi Watts (de King Kong) no papel de Valerie Plame e o cada vez melhor Sean Pean como Joe Wilson.
Valerie é uma profissional competente que comanda equipes investigativas em quase todo o mundo e se atém no governo iraquiano, que estaria produzindo as tais armas de destruição em massa. Com a ajuda do marido, acaba descobrindo que o Iraque não tem a mínima condição de fazer tal trabalho e que seus cientistas são peupérrimos.
Mesmo com os relatórios da CIA, Bush determina a a invasão. Wilson tenta desmentir o governo e este retalia, expondo a verdadeira função de Valerie, que tem assim a sua carreira arruinada.
O casal passa também a ser perseguido pela mídia e por ameaças de nacionalistas e quase tem o casamento arruinado, até provar que estava certo. E que a guerra produzida por Bush foi um erro estratégico tremendo.
Jogo de Poder prende do primeiro ao último minuto, quando vemos na tela a verdadeira Valerie Plame depondo no Congresso. Claro, antes de provar a inocência dela e do marido, muito chão teve de ser percorrido. E o filme mostra isto com incrível destreza.
Cotação: ótimo
Chico Izidro

Rango



O bichinho da vez é um camaleão, que se transforma num vingador do oeste, que parece ser velho, mas é bem moderninho. Rango é uma divertida animação dirigida por Gore Verbinski, de Piratas do Caribe.
A comédia animada, como já é de costume, faz um mix de clássicos do cinema. Ou seja, não é apenas para as crianças, que se divertem com o colorido dos bichinhos, mas também para os adultos. Estes podem tentar adivinhar as várias obras cinematográficas que são citadas no filme.
E elas vão de Chinatown, de Roman Polanski, passando por Apocalipse Now, Medo e Delírio e Guerra nas Estrelas, até chegar aos faroestes estrelados por Clint Eastwood nos anos 1960 e 70. Mas também tem O Homem que Matou o Facínora e Matar ou Morrer.
Rango é um camaleão que se perde no deserto. Solitário, ele cria um mundo todo dele, até que vai parar numa deprimente cidadezinha e tem a chance de viver um personagem totalmente diferente de seu estilo de vida. De um modo atrapalhado, e com o malvado prefeito, uma centenária tartaruga, Rango tentará solucionar um incrível mistério (onde foi parar a água da cidade?).
A destacar ainda o par romântico de Rango, uma doninha que paralisa quando fica nervosa, e as corujas mariachis, que narram os capítulos do filme.
Cotação: bom
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...