quarta-feira, abril 17, 2013

“Jack, o Caçador de Gigantes”




Já estava cansado das deturpações de contos infantis transpostos para o cinema, como por exemplo “João e Maria – Caçadores de Bruxas”, onde os heróis usam metralhadoras e tomam insulina em plena Idade Média. Pois em “Jack, o Caçador de Gigantes”, dirigido por Bryan Singer, mantém aquela aura infantil. O título brasileiro suaviza um pouco a profissão de Jack. Lá fora, o filme foi intitulado de Jack, the Giant Slayer, ou Jack, o matador de gigantes, que convenhamos não iria assustar a criançada, acostumada a videogames violentos.

Jack é o fazendeiro que trocou o cavalo da família, paupérrima, por feijões. Ele toma um esporro do tio, que o considera quase um idiota, mas na realidade ele é um sonhador, leitor voraz. Os feijões, porém, são mágicos e em contato com a água, crescem além dos limites da terra, transformando-se num portal para um lugar onde vivem, exilados, gigantes devoradores de carne humana. Aprisionados lá há centenas de anos, os monstros conseguem retornar à terra, em busca de comida e de vingança para os descendentes do rei que os expulsou. E a presa principal é a princesa Isabelle, que claro, mostra-se par perfeito para Jack, interpretado por Nicholas Hoult, de “Um Grande Garoto” e “Meu Namorado é um Zumbi”. Como ele é da ralé, terá de mostrar valor para se mostrar digno da princesa.

“Jack, o Caçador de Gigantes” é bem contado, tem ótimos efeitos especiais, é algumas vezes assustador, e não abusa da inteligência do espectador, evitando mostrar coisas modernas na época antiga em que se passa, além de tentar se manter um pouco fiel ao conto que o originou. Hoult é o protagonista, mas tem um leve ar abobalhado, e acaba tendo sua atuação eclipsada pelos ótimos coadjuvantes Stanley Tucci, Ewan McGregor e Eleanor Tomlinson, que vive a princesa Isabelle.

Cotação: bom
Chico Izidro

"Disparos"



“Disparos” é um belo filme brasileiro, lamentavelmente pouco visto. Dirigido por Juliana Reis, é uma sucessão de eventos relacionados com um assalto, e o que ele provoca em várias pessoas. O personagem principal é vivido por Gustavo Machado, excelente, fotógrafo que ao tentar recuperar o cartão de memória de sua máquina na cena de um atropelamento, acaba sendo preso. Na delegacia, cercado por policiais irônicos, liderado pelo também ótimo Caco Ciocler, no papel de um irritante e cínico delegado, o fotógrafo tenta explicar que ele não provocou o acidente, e sim, estava sendo assaltado pelo atropelado.

Aos poucos, as peças vão sendo encaixadas. Ao sofrer tentativa de assalto, o fotógrafo é ajudado por um motorista de outro carro, não identificado, que atropela e mata o ladrão, que estava numa moto com o comparsa. Mas quem foi o motorista que atropelou o ladrão, quem estava no carro com o fotógrafo, quem era o comparsa do assaltante? São respostas que vão sendo respondidas aos poucos, mostrando ainda um pouco da vida de cada personagem. A trama é contada de forma inteligente, vai sendo montado um quebra-cabeça, mostrando os absurdos que ocorrem nas cidades grandes. Uma história deliciosa. E que continua a ser contada após o término dos créditos.

Cotação: ótimo
Chico Izidro

quinta-feira, abril 04, 2013

“Mama”




Não dá para acertar sempre. Jessica Chastain tem participado de bons filmes nos últimos tempos, vide “A Hora Mais Escura”, “Os Infratores” e “O Abrigo”. Pois o terror “Mama” acaba sendo uma decepção. Dirigido por Andres Muschetti, tem a maternidade como pano de fundo. Tudo começa quando um pai mata a esposa e leva as filhas embora, sofrendo um acidente na fuga. Ele e as meninas refugiam-se numa cabana para escapar do frio, e ali as garotas, uma com quatro anos e a outra com um, passarão os próximos cinco anos, sobrevivendo de forma selvagem e ajudadas por uma entidade, a quem chamam de Mama.

Anos depois, as duas são encontradas, vivendo como animais, tanto que andam de quatro, e entregues ao tio Lucas (Nicolaj Coster-Waldau, de Game of Thrones) e a namorada roqueira Annabel (Chastain), que nem de longe sonha em ser mãe, afinal quer seguir tocando baixo numa banda punk. Mas eventos que se sucedem acabam fazendo com que Annabel se veja sozinha com as duas meninas numa enorme casa. Só que elas não estão sozinhas, pois o tal espirito as seguiu e deseja ficar com as pequenas, para suprir a ausência de seu bebê, que perdeu quando ainda era um ser vivo nos anos 1860.

No início até ocorrem bons sustos e a trama nos prende na cadeira, principalmente nas primeiras aparições do fantasma. E a atuação das meninas é de se elogiar. Só que ao longo da história começam a aparecer tremendos erros de roteiro. Um exemplo é o médico que investiga o caso das meninas levar quase um dia para chegar à cabana onde elas viviam, e o casal protagonista necessitar de apenas dois minutos, apenas descendo do carro e atravessando uma clareira. E os furos vão se sucedendo, piorados pela cara de enfado de Chastain, que devia estar pensando na roubada que se metera, testando a paciência e inteligência dos espectadores.

Cotação: ruim
Chico Izidro

“Uma História de Amor e Fúria”



A animação “Uma História de Amor e Fúria”, de Luiz Bolognesi, traz um pequeno resumo da história do Brasil na figura de um homem de quase 600 anos de idade. Em sua busca eterna, a amada Janaína em diversas encarnações. Ele próprio não morre, transforma-se em pássaro, enquanto atravessa o tempo, em suas várias reencarnações.

A história começa nos anos 1560, quando da guerra dos tupinambás e tupiniquins, com a interferência dos portugueses e franceses. Um índio tenta viver ao lado da amada Janaína, mas a perseguição do homem branco é cruel. Duzentos e poucos anos depois, o imortal se vê no Maranhão, onde reencontra Janaína reencarnada numa negra liberta. Encarnado na figura de Balaio, ele vai liderar movimento de libertação contra o governo imperial. Sem conseguir paz, passados mais quase 150 anos, agora o imortal se vê apaixonado pela guerrilheira Janaína durante a ditadura militar brasileira nos anos 1960. A história terá fim quase ao término do século XXI, quando o Brasil encontra-se numa escassez de água, na posse dos ricos e poderosos.

O imortal é dublado por Selton Mello, enquanto Janaína tem a voz de Camila Pitanga. A animação tem traços claros de história em quadrinhos, devagar quase parando, é bem feita, sim, e o que incomoda talvez seja a voz de Selton Mello – irreconhecível, mas que torna-se enfadonha quando não vemos o rosto engraçado do ator. Pitanga dá ao seu personagem uma voz sexy, e Janaína é uma personagem sexy, mesmo com todo o sofrimento à sua volta.

Cotação: regular
Chico Izidro

“O Último Elvis”




Terminado “O Último Elvis”, fui verificar se o protagonista John McInerny havia mesmo cantado as músicas do Rei do Rock no filme ou se as havia dublado. Bem, o cantor argentino, na vida real sobrevive como cover do astro morto em 1977. Ou seja, a voz é dele mesmo! Isso faz com que o filme dirigido por Armando Bo ganhe ainda mais força.

McInerny vive de forma espetacular, sem reparos, Carlos Gutierrez, operário de uma fábrica de componentes eletrônicos nos arredores de Buenos Aires. E ele só se sujeita ao emprego, onde passa os dias com fones de ouvidos escutando o Rei, pois pode se dedicar a sua verdadeira vocação: ser Elvis. Sim, ele acredita ser o próprio. Só aceita ser chamado de Carlos por causa das convenções sociais, e isso o irrita. E por causa de sua crença, seu casamento foi para o espaço, e a filha o vê com desconfiança. Detalhe, a mulher chama-se Alejandra, mas ele só a chama de Priscila, nome da esposa de Elvis, e a filha, convenientemente, foi batizada de Lise Marie. E ele é viciado em sanduíche de pasta de amendoim com banana, tal qual seu ídolo, ou ele mesmo...

Gutierrez, além da fábrica, trabalha numa agência de dublês – e a Argentina é conhecida pela supremacia de suas cópias humanas, vide os grupos que homenageiam os Beatles, Queen, Pink Floyd, tocando a obra deles à perfeição. E Gutierrez, quando sobe ao palco, acredita ainda mais ser o próprio Elvis, mesmo tocando em muquifos de quinta categoria. Gutierrez tem um plano para sua vida, e esse é atrapalhado de certa forma quando a mulher sofre um acidente, entra em coma, e ele se vê obrigado a cuidar da filha em tempo integral. Mas quem conhece a vida de Elvis Presley, aos poucos irá matando as charadas que surgem ao longo deste delicioso filme, cujo destino será Graceland.

Cotação: ótimo
Chico Izidro

“Vai Que Dá Certo”



As comédias brasileiras têm sido uma sucessão de erros, vide “De Pernas Pro Ar”, “Billi Pig”, “Totalmente Inocentes”, “Agamenon” e por aí vai. Então não é que “Vai Que Dá Certo”, de Maurício Freitas, consegue não ser ruim. Sério.

Não esqueçamos conseguir achar graça em comédias americanas onde os erros se sucedem. Pois é o que acontece aqui, com destaque para Danton Mello, o irmão do Selton. O mesmo timbre de voz, mas com quilinhos a mais, bem a mais. Ele é um músico de bar que é demitido e por cima colocado no olho da rua pela mulher por suas irresponsabilidades. O jeito é para sobreviver, aceitar o emprego oferecido pelo primo, de motorista numa transportadora de valores. Mas ainda dá para conseguir uma grana extra se aceitar participar de um golpe contra a empresa. Ele topa, ao lado de três apatetados, infantis e irresponsáveis amigos, fanáticos por histórias em quadrinhos e games.

O plano é estudado à profusão, não tem como dar errado, mas esquecem que todos não deram certo na vida não foi por acaso. As trapalhadas se sucedem, mas o acerto aqui é nunca derrapar para o besteirol, evitando ainda os atores berrando os diálogos. E alguns são legais, relacionados a cultura pop. Além do mais Fábio Porchat conteve-se em sua atuação, que às vezes parece que vai extrapolar, e o chato Bruno Mazzeo é colocado num papel secundário, assim não atrapalhando o desenrolar da história.

Cotação: bom
Chico Izidro

“HaHaHa”




Aqui ou em qualquer lugar, todo mundo está interligado por uma ou mais pessoas. A famosa teoria dos seis graus de separação, onde o personagem principal é o ator Kevin Bacon, é mais real do que nunca. Pois na comédia sul-coreana “HaHaHa”, do diretor Hong Sang-Soo, a história repete-se.

Num restaurante, dois amigos, o diretor de cinema Jo Moon-Kyeong e o crítico de cinema Jong-sik Bang conversam, enquanto bebem, comem e repetem incessantemente a palavra saúde. No decorrer do bate-papo, acabam descobrindo que fizeram uma viagem para uma pequena cidade litorânea na Coreia do Sul, e ali conheceram e conviveram com duas pessoas ao mesmo tempo, e não se encontraram durante a sucessão dos eventos, que tinha como foco central uma garota, que trabalhava na cidade como guia turística, e era azarada com os homens.

A história de “HaHaHa” não é de fácil assimilação, assim como o humor embutido nela. Afinal, a cultura sul-coreana é completamente distinta da nossa. Além do quê, até entrar no clima, quem não está acostumado à sonoridade do coreano, vai sentir um pouco de desconforto no início.

Cotação: bom
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...