quinta-feira, outubro 15, 2015

"A Colina Escarlate" (Crimson Peak)



"A Colina Escarlate", dirigido por Guillermo del Toro, é uma história sombria, com ares fúnebres, mas não é um filme de terror, apesar de contar com aparições fantasmagóricas. A história se passa no final do século XIX, onde a jovem Edith (Mia Wasikowska) sonha em ser escritora, escrevendo histórias de fantasmas. E recebe a visita do fantasma de sua mãe, que morreu quando ela era pequena. E um aviso: "Cuidado com a Colina Escarlate".

A garota acaba se apaixonando por Sir Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), que também é inventor e vagueia pelo mundo, ao lado da irmã Lucille (Jessica Chastain), em busca de quem invista em seu projeto. Após uma nova tragédia familiar, Edith decide casas com Thomas e se muda com ele para a Inglaterra, onde vão morar numa mansão decadente, chamada exatamente de Colina Escarlate. Do chão do local sai muita argila, que está provocando o afundamento da mansão. E lá Edith convive com a irmã de Thomas, e recebe a visira de fantasmas, que sempre lhe pedem para ter cuidado. Aos poucos, a garota vai tomando conhecimento dos horrores que o local abriga. E como fazer para sair dali?

O problema de "A Colina Escarlate" é ele não provocar medo. Seus fantasmas, por mais que tenham aparências horríveis, são do "bem" e não dão medo. E afinal, qual a função deles? Por outro lado, a belezinha Mia Wasikowska vai bem na pele da inocente e sonhadora Edith, mas quem ganha ofilme é Jessica Chastain na pele de Lucille, uma mulher fria e repressora. Sempre séria e misteriosa, sua personagem imprime pavor a cada aparição.

Cotação: regular
Chico Izidro

"Bata Antes de Entrar" (Knock, Knock)



Nos anos 1980, Michael Douglas foi atormentado por Glenn Close em "Atração Fatal", visto como uma alegoria da AIDS, que assombrava o mundo naquele período. O personagem dele havia pulado a cerca com a loira e devia pagar por seus pecados. Passados quase 30 anos, é a vez da consciência pesar sobre Keanu Reeves em "Bata Antes de Entrar" (Knock, Knock), direção de Eli Roth.

Reeves é Evan Webber, um arquiteto que está sozinho na bela casa, pois a mulher e os dois filhos foram viajar. Então lá está ele, em seu projeto, ouvindo música e fumando um baseado, quando duas gatas batem à porta. Lá fora estão Genesis (Lorenza Izzo) e Bel (Ana de Armas), molhadas, porque chove muito e elas estão perdidas. E pedem para entrar e usarem o telefone. Evan, de início, vacila, mas acaba cedendo. E isto lhe custará caro, pois as duas passam a tentar seduzí-lo.

Evan acaba cedendo as tentações, provocando a ira das duas garotas, que dali em diante irão torturar o arquiteto, prometendo destruir seu casamento. Afinal, ele foi infiel. Keanu Reeves passa o tempo todo fazendo cara de idiota, aparvalhado. Está mal em cena, ao contrário de Lorenza Izzo, que é esposa do diretor, e Ana de Armas, que usam e abusam da sensualidade para viverem mulheres más. O filme, porém, não explica muito a motivação das duas garotas em torturar Evan. Simplesmente ele está lá, cai na sedução delas, e era isso.

Cotação: ruim
Chico Izidro

"Filme Sobre Um Bom Fim"




O documentário "Filme Sobre Um Bom Fim", dirigido por Boca Migotto, é para saudosistas. Através de imagens de época e depoimentos daqueles personagens que viveram os anos 1970 e 1980, períodos mais efevercentes do bairro de grande marca cultural de Porto Alegre. Ali se formaram grupos políticos que discutiam como combater a ditadura militar na década de 1970, enquanto frequentavam bares da esquina maldita, ou seja Osvaldo Aranha com Sarmento Leite, como o Alaska, o Mariu's e o Copa 70.

Já nos anos 1980, o bairro viu aflorescer um intenso movimento musical, cinematográfico e teatral. Época que se inicia em 1981 com o filme "Deu Pra Ti Anos 70", de Nelson Nadotti e Giba Assis Brasil, e que dão seus depoimentos, lembrando aquele período e de como foi retratada a Avenida Osvaldo Aranha, principal via do Bom Fim. O bairro era endereço de bares como Lola, Lancheria do Parque, e do Ocidente, este ainda na ativa.

O bairro ganhou seu nome no final do século XIX, quando ainda era grande a população de ngros. Depois, o Bom Fim viria a se transformar em um bairro de predominância judaica. Mas em seu período retratado no documentário era local de reunião de punks, headbangers, mods, atores, cineastas, teatrólogos, bêbados, traficantes. Gente que sofreu muita repressão policial, principalmente no final dos anos 1980, e relembrada no filme.

"Filme Sobre Um Bom Fim" faz um retrato intenso daquela época, onde afloraram os barzinhos, para onde se dirigiam os jovens, muitas vezes sem dinheiro. E havia também os cinemas Baltimore e Bristol, este marcante por realizar mostras de cineastas cults. Tempo que foi e não volta mais.

Cotação: bom
Chico Izidro


quarta-feira, outubro 07, 2015

“A Travessia” (The Walk)



Em 1974, o francês Phillipe Petit protagonizou, talvez, a maior peripécia já feita por um ser humano em toda a história. Nada de subir ao cume do Monte Everest ou pular nas Cataratas do Niágara. Ele cruzou os mais de 60 metros que separavam os dois prédios do World Trade Center, em Nova Iorque, sob um fio de aço, a mais de 400 metros do solo.

Este feito, que já havia gerado o documentário oscarizado “O Equilibrista” (The Man on Wire), dirigido por James Marsh em 2008, agora vira filme no estonteante “A Travessia” (The Walk), dirigido soberbamente por Robert Zemeckis, de “De Volta Para o Futuro” e “O Náufrago”. E o longa segue passo a passo a trajetória de Petit, vivido por Joseph Gordon-Levitt, de “Como Não Perder Esta Mulher” e do seriado “3 Rock From The Sun”, e que levou anos para fazer o trajeto. Petit teve a ideia aos 17 anos, quando folheava uma revista na sala de espera de seu dentista, e viu uma matéria sobre as obras do World Trade Center. Cruzar aqueles prédios passou a ser o projeto de vida de Petit. Antes, ele cruzaria as torres da Igreja Notre-Dame e também a ponte da Baia de Sydney, na Austrália (este feito não é mostrado no filme).

Para cruzar as torres do WTC, Petit contou com a ajuda de vários amigos, franceses e americanos, estes recrutados em cima da hora. Eles tinham de fixar os cabos entre um prédio e outro. No dia da travessia, foi feita uma verdadeira ação de guerra – como entrar nos prédios e preparar os equipamentos, já que o ato era ilegal e não tinha autorização das autoridades. E logo no início da manhã de 7 de agosto, após vários contratempos, o equilibrista começou o trajeto, que levaria mais de 45 minutos, pois alertada pelo grande número de curiosos que observavam o evento, a polícia logo apareceu e tentou prendê-lo. Então Petit ficou indo e voltando, se equilibrando com um cabo de aço. Ele faria o percurso por 8 vezes, inclusive deitando, dançando e se ajoelhando no espaço vazio.

“A Travessia” é para ser visto em 3D em toda a sua magnitude – as cenas são de arrepiar, por vezes fazendo o espectador não conseguir encarar a tela, tal o incômodo que provoca, ainda mais para aqueles que sofrem com o medo de altura. Ficamos pensando “por que um cara resolve fazer isso?” ou então “deu, você já fez o percurso duas vezes, desce logo daí”. Impactante.

Cotação: excelente
Chico Izidro

“Horas de Desespero” (No Escape)



O engenheiro Jack Dwyer (Owen Wilson) se muda com a família para um país asiático em um momento não muito favorável. O país está prestes a ser tomado por revolucionários nacionalistas e xenófobos. O filme é “Horas de Desespero” (No Escape), dirigido por John Erick Dowdle.

Poucas horas depois de se instalarem no hotel, a família de Dwyer se vê envolvida em uma verdadeira caçada humana. Os golpistas decidem matar todos os estrangeiros que encontram pelo caminho. Jack, sua mulher e as duas filhas, têm de fugir pelas ruas da cidade, nunca nominada. E como não chamar a atenção no meio de gente de pele escurecida e olhos amendoados, tendo cabelos e olhos claros? E ir para onde em meio a tanto caos.

As cenas de ação são espetaculares, incluindo um salto entre dois prédios e correrias por escadarias e vielas estreitas. “Horas de Desespero” peca um pouco por sua visão dos orientais, vistos como homens cruéis e selvagens. E convenhamos, já estamos em 2015 – bem que está aí o Estado Islâmico para mostrar a irracionalidade em carne e osso.

Cotação: regular
Chico Izidro

“Peter Pan” (Pan)



Vamos alterar a história? Então dê-lhe uma nova versão do garoto que não queria crescer “Peter Pan” (Pan), dirigido por Joe Wright. A ideia aqui é contar a origem do garoto. A história é ambientada na Londres durante a II Guerra Mundial, onde o pequeno órfão Peter vive num orfanato controlado por uma freira inescrupulosa.

Curioso em descobrir o paradeiro de sua mãe, certo dia Peter e outros garotos do orfanato são sequestrados pelo pirata Barba Negra (Hugh Jackman). Transportados para a Terra do Nunca, eles se tornam escravos nas minas, onde devem procurar o pixum, uma pedra preciosa que concentra o pó das fadas. Mas de espírito contestador e libertário, Peter logo se une a outro prisioneiro, James Hook (Garret Hedlund), que no futuro se transformaria em seu principal inimigo, o Capitão Gancho.

Apesar do visual bonito e boas cenas de ação, criativas, o filme é cansativo, repetitivo em vários momentos. Mas a ideia de usar a música do Nirvana na primeira aparição do Barba Negra é primorosa. Porém depois de tanta correria, “Peter Pan” cansa e faz até dormir.
Cotação: regular
Chico Izidro

“O Clube” (El Club)




Um tema atual e uma mancha para a Igreja Católica, a pedofilia, é o assunto central de “O Clube” (El Club), dirigido por Pablo Larraín, dos excelentes “No” e “Tony Manero”. Numa pequena cidade do litoral chileno, em uma casa moram quatro homens e uma mulher. No começo vemos o cotidiano que parece ser normal no local, onde um deles cria um cão para corridas. Mas aos poucos vamos descobrindo porque eles estão ali: são padres afastados de seus deveres por terem cometido crimes quando do ofício de suas funções, principalmente a pedofilia. Não pagam por seus crimes, apenas ficam afastados, sob o tacão de Mónica (Antonia Zegers).

A calmaria da comunidade vai acabar quando um quinto padre chega a casa, mas ele nem tem tempo de conviver com seus iguais. Pois um homem aparece e começa a berrar em frente a casa, enumerando os abusos que sofreu quando era adolescente e praticados por este quinto padre. O evento acarreta numa tragédia, que fará com que outro padre logo apareça, o inquisidor García (Marcelo Alonso), que tem como missão tentar desvendar o que se passa na cabeça daqueles homens torturados pelo passado. Um deles alega nunca ter cometido nenhum crime, e diz que sua punição ocorre por ele se declarar homossexual, o que é inaceitável para a Igreja.

“O Clube” é chocante e reflexivo, pois mostra que a Igreja Católica é um tanto omissa com os crimes cometidos por seus padres – eles apenas são afastados e seus atos são abafados, não recebendo punição da Justiça. E a Igreja costuma fazer acordos financeiros com os abusados. Instigante.

Cotação: bom
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...