quarta-feira, dezembro 09, 2015

"Dois Amigos" (Les Deux Amis)



"Dois Amigos" (Les Deux Amis), direção de Louis Garrel, mostra o que uma mulher pode fazer com uma amizade. Ainda mais quando um deles é o depressivo Clément (Vincent Macaigne), que é perdidamente apaixonado por Mona (Golshifteh Farahani). Só que ela guarda um segredo e não quer mais vê-lo. Clément entra em desespero e pede a ajuda do melhor amigo, o conquistador Abel (Louis Garrel).

Abel procura Mona e pede que ela volta com Clément. Só que a garota se recusa. Ela não quer dizer, mas é uma presidiária, que está cumprindo os últimos dias de sua pena e pode trabalhar durante o dia, tendo de voltar para a prisão após o trabalho. Abel e Clément, sem saber, impedem que Mona entre no trem que a levará para o presídio. Ela entra em pânico, mas acaba saindo com os dois por Paris. Abel trabalha como frentista, mas sonha em ser escritor. E Clément é um ator, que consegue apenas bicos de coadjuvantes em filmes.

Aos poucos, Abel vai conhecendo mais Mona, acabando por cair de amores por ela. E isso pode interferir na amizade com o ator. O trio central de "Dois Amigos" é intenso. A iraniana Golshifteh Farahani, banida em seu país depois de divulgadas as cenas de nudez que faz no filme, tem uma beleza forte e apresenta certa fragilidade no olhar. Sua cena em que dança num café é poderosa. Vincent Macaigne apresenta um personagem que beira o patético e Garrel, visto em "Saint Laurent", vive com perfeição uma pessoa cínica, interesseira e egoista. Como pano de fundo uma Paris bela, silenciosa e aberta a todos.

Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=A3SpKIWkKTg

Duração: 1h42min

Cotação: bom
Chico Izidro

quinta-feira, dezembro 03, 2015

"No Coração do Mar" (In The Heart of The Sea)



O livro, lançado em 2000 pelo historiador Nathaniel Philbrick, é excelente. O filme quase. "No Coração do Mar" (In The Heart of The Sea), dirigido por Ron Howard, relata os acontecimentos que inspiraram Herman Melville a escrever Moby Dick, que teve seu filme em 1956, dirigido por John Huston e Gregory Peck como protagonista.

Pois no No Coração do Mar" (In The Heart of The Sea) começa com Melville (Ben Whishaw) entrevistando um dos marinheiros sobreviventes do incidente Thomas Nickerson (Brendan Gleeson), que tinha apenas 14 anos quando ocorreu a tragédia, e que por anos tentou apagar da memória os fatos. Mas ele acaba cedendo e relata o que ocorreu com o baleeiro Essex em 1820. A embarcação, comandada pelo capitão George Pollard (Benjamin Walker) e com Owen Chase (Chris Hemsworth) como primeiro-imediato saiu de Nantucket, em Massachussets, com uma missão de dois anos: obter óleo de baleia, o principal combustível da época.

Quando adentrou o Oceano Pacífico, meses depois, é que ocorreu o incidente, quando o Essex foi atacado por um cachalote, acabando por afundar. Os marinheiros sobreviventes tiveram de se amontoar em três botes, com pouca água e comida. Seriam três meses de extrema provação, por causa da inanição, desidratação, dos delírios, culminando com à prática do canibalismo, para não morrerem de fome.

"No Coração do Mar" (In The Heart of The Sea) é fiel ao livro e tem atuações seguras e convincentes de Benjamin Walker, que vive um personagem inexperiente, mas não menos arrogante, por causa de sua condição social, e Chris Hemsworth, marinheiro intrépido. O filme tem cenas muito bem construídas em alto mar, e reconstituição perfeita das embarcações da época. Falha ocorre devido ao mau uso dos efeitos especiais quando tentam mostrar como era o vilarejo de Nantucket. Parece aquelas cenas de filmes antigos, quando a paisagem era pintada no fundo do estúdio. Falha imperdoável.

Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=v8AvVy2aL5M

Duração: 2h02min

Cotação: bom
Chico Izidro

"À Beira-Mar" (By The Sea)



Não foi desta vez que Angelina Jolie Pitt acertou na direção. Depois dos fracios "Na Terra do Amor e Ódio" e "Invencível", a americana lança "À Beira-Mar" (By The Sea), e erra na mão, ainda mais que vive a protagonista, em atuação beirando o sofrível.

Ao contrário de suas outras obras anteriores, que tinham a guerra como pano de fundo, agora a diretora se inspirou nos filmes europeus dos anos 1950 e 1960, com bastante intimismo. "À Beira-Mar" (By The Sea) até tem um belo cenário, na costa francesa, com a história transcorrendo nos anos 1960. Angelina vive Vanessa, uma mulher deprimida, que passa as férias no local com o marido Roland (Brad Pitt), escritor com bloqueio. Eles estão em crise após 14 anos de matrimônio, e Vanessa não consegue se abrir com o marido - e o motivo do problema só será revelado quase no final.

Roland passa os dias num bar do vilarejo, conversando com o dono e bebendo muito, enquanto tenta escrever seu livro. E ela passa os dias atirada na cama, sem ânimo para nada. Até que o quarto ao lado é ocupado por um jovem casal, Lea (Mélanie Laurent, de Bastardos Inglórios) e François (Melvil Poupaud). Os dois estão no frescor do romance e transam sem parar. E Vanessa acaba se tornando uma voyeur, ao descobrir um buraco na parede, onde passa a espiar os vizinhos.

A trama vai se arrastando, com Angelina Jolie Pitt fazendo cara de tédio e mostrando seu corpo esquelético quase sem pudor. Ela poderia ter uma boa história nas mãos, mas não consegue desenvolver o filme, proporcionando um final fraco e óbvio.

Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=glDl_DJE7Oc

Duração: 2h12min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"O Presente" (The Gift)



"O Presente" (The Gift), direção de Joel Edgerton, parece ser um daqueles filmes em que não damos nada. Mas que aos poucos vai se tornando envolvente e angustiante. Tem um quê de "Atração Fatal" na história do casal Simon (Jason Bateman) e Robyn (Rebecca Hall), que se mudam de Chicago para Los Angeles, já que ele recebeu uma bela proposta de emprego. Logo na chegada, enquanto compravam alguns móveis para a casa, Simon reencontra um ex-colega de escola, Gordo (Joel Edgerton), que de início se mostra solícito.

Mas ele não parece ter noção de espaço, aparecendo nas horas mais impróprias, provocando mal-estar, principalmente em Simon, que revela à esposa que Gordo nunca foi próximo no colégio e que era considerado um weirdo ou esquisitão. Já Robyn simpatiza com o rapaz. Mesmo assim, Simon pede que Gordo se afaste. E isso acaba provocando problemas, pois Gordo sente-se rejeitado e resolve incomodar o casal, mas nunca buscando a violência e sim fazendo terror psicológico.

Aos poucos, coisas do passado vão vindo à tona, mostrando que Simon, o cara mais popular na escola, praticava bullying em Gordo. "O Presente" (The Gift) explora algo muito frequente no cinema: a presença de um terceiro, provocando problemas para o casal, que passa a ter atritos e desconfiar um do outro. E quase não existe violência física. É tudo psicológico, agindo na mente dos personagens.

Os presentes que Gordo dá ao casal parecem ser inofensivos, mas são intrusivos. O único erro no filme é Simon ser um especialista em segurança, e não conseguir fazer de sua casa uma fortaleza - sempre à mercê das investidas do lunático Gordo.

Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=TqI8lpdK4Cw

Duração: 1h48min

Cotação: bom
Chico Izidro

"O Natal dos Coopers" (Love The Coopers)



Ah, Natal. Época feliz para reunir a família. Mas claro que esta não é uma família comum. Em "O Natal dos Coopers" (Love The Coopers), direção de Jessie Nelson, encontramos uma totalmente disfuncional, com problemas dos mais variados. Os Coopers se preparam para a ceia de Natal, e a véspera é contada através de seis histórias paralelas, mostrando os integrantes da família com seus problemas como separação, novo amor, mudanças de cidade, narradas pelo cachorro deles, e que tem a voz de Steve Martin.

"O Natal dos Coopers" (Love The Coopers) pretendia-se uma comédia, mas suas piadas são tão ruins, tão comuns, que não fazem rir em nenhum momento. Mesmo que estejam presentes humoristas como John Goodman e Ed Helms, do finado seriado "The Office" e da cinessérie "Se Beber, Não Case".

A única coisa boa do filme é o rosto lindo de Olivia Wilde, que faz uma looser - e isso só ocorre mesmo na ficção. Ela não dá certo no amor, e pede para um militar que conhece no aeroporto paar bancar seu namorado na janta dos Coopers, que consegue ser um dos filmes mais tediosos dos últimos tempos.

Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Uznfmc-S1fk

Duração: 1h47min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"Tudo Que Aprendemos Juntos"



Lázaro Ramos salva este filme do naufrágio graças a sua atuação segura. "Tudo Que Aprendemos Juntos", direção de Sérgio Machado, é uma mistura de "Ao Mestre Com Carinho" e "Mr. Holland: Adorável Professor", e é baseada na história real da formação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis, em São Paulo.

Lázaro Ramos, bastante introspectivo, vive Laerte, um músico baiano, expert em violino, que tem um branco durante teste para ingressar na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), sendo reprovado. Com sérios problemas financeiros, aceita a oferta de uma ONG para trabalhar como professor de música numa escola na favela de Heliópolis. Então Laerte terá de lidar com alunos pobres, desinteressados, envolvidos com tráfico, adolescentes grávidas, muitos abandonados pelos pais.

Já vimos centenas de vezes as mesmas cenas: o professor pede a atenção dos alunos e como resposta, a zombaria da garotada, que responde com palavrões e ameaças. Mas claro que com muita persistência e paciência, Laerte vai conseguir transformar a vida de alguns desses jovens, principalmente a descoberta de um deles, verdadeiro virtuose com o violino e que apresenta sérios problemas de comportamento, só acalmando-se com a música. E claro, sentindo-se traído quando Laerte decide abandonar a garotada por receber proposta de emprego melhor.

Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=wXvwrBI-fE4

Duração: 1h40min

Cotação: regular

Chico Izidro

quarta-feira, novembro 25, 2015

"A Visita" (The Visit)




M. Night Shyamalan surgiu como um fenômeno no começo dos anos 2000 com o sensacional "Sexto Sentido". Mas no decorrer da carreira, o diretor americano de origem indiana foi tropeçando, tropeçando, até chegar agora ao fundo do poço com "A Visita" (The Visit).

A trama se utiliza da câmera subjetiva, ou seja, aquela que um personagem fica carregando durante todo o tempo, mostrando o que acontece ao seu redor. No caso, aqui ela fica nas mãos dos irmãos os Tyler (Ed Oxenbould) e sua irmã Becca (Olivia DeJonge), que sonha em se tornar documentarista. Por isso, os dois decidem registrar a visita que fazem aos avós, que eles não conhecem porque romperam com sua mãe antes de nascerem.

Os avós são vividos por Deanna Dunagan e Peter McRobbie. E desde a chegada dos irmãos na fazenda do casal, este age de forma estranha. A avó se arrasta pela casa durante a noite, bate a cabeça na parede, vomita nas escadas, enquanto o avô usa fraldas pois costuma defecar nas calças. Aos poucos, os irmãos começam a notar que algo de estranho acontece naquela casa. E claro que tem a pegadinha do diretor. Mas nada mais sustenta esta história fraca, que era para ser de terror, mas não mete medo em ninguém e muito menos dá sustos. E um final forçado.

Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=N152Ki1fzYM

Duração: 1h 34m

Cotação: ruim

Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...