quinta-feira, agosto 24, 2017
"A Torre Negra" (The Dark Tower)
"A Torre Negra" (The Dark Tower), dirigido pelo cineasta dinamarquês Nikolaj Arcel, é uma adaptação de uma série de oito livros, que misturam fantasia e faroeste, escrito pelo mestre do terror Stephen King. E o resultado acaba sendo, mesmo, me desculpem o trocadilho, um terror, no mau sentido. A obra de King já rendeu filmes fantásticos no cinema, desde Carrie – A Estranha (1976), passando por Louca Obsessão (1990), Um Sonho de Liberdade (1994) e À Espera de um Milagre (1999), e O Nevoeiro (2007). Eu sinceramente não gosto de "O Iluminado", de Stanley Kubrick, que para mim ficou muito aquém do livro.
Mas vamos para "A Torre Negra" (The Dark Tower), que traz o adolescente Jake (Tom Taylor), que tem sonhos muito estranhos com um local dominado por um homem de preto, Walter, (Matthew McConaughey), uma figura demoníaca, que atormenta seu subconsciente. Este personagem planeja dominar o mundo e para isso pretende soltar forças das trevas no planeta. Jake começa a ser visto como maluco, pois faz desenhos sinistros sobre seus sonhos, e ninguém acredita nele. Quando está para ser internado, o garoto foge e acaba entrando na tal dimensão dominada por Walter. Para combater o vilão, ele ganhará a ajuda do Pistoleiro Roland (Idris Elba).
O problema é que o filme não funciona de jeito nenhum. Tudo é feito de forma truncada, sem criatividade - e nem mesmo os efeitos especiais salvam. Os atores parecem estar atuando no piloto automático, aparecendo ali apenas para pagar o aluguel no final do mês.
Duração: 1h35min
Cotação: ruim
Chico Izidro
quinta-feira, agosto 17, 2017
"Afterimage"
A história do artista plástico e professor polonês Wladyslaw Strzeminski me era desconhecida. E sua vida acabou sendo o testamento final do grande cineasta Andrzej Wajda, que nos deixou em 2016, após passar boa parte de sua carreira contando em espetaculares filmes a história da Polônia em seu século XX, marcado por invasões russas e alemãs, e os domínios nazistas e depois comunista em seu país.
Wladyslaw Strzeminski (em atuação espetacular de Boguslaw Linda), era um artista polonês que tinha deficiências físicas tremendas - havia perdido o braço esquerdo e a perna direita na I Guerra Mundial -, mas nunca se rendeu, sempre se superando. Após a II Guerra Mundial, ele ministrava aulas na Faculdade de Lodz, mas logo começou a ser perseguido pelas autoridades comunistas, que não aceitavam sua independência. Além do que, Strzeminski se negava a trabalhar apenas com a arte conceitual comunista.
Aos poucos, Strzeminski começou a ter dificuldades para dar suas aulas ou mesmo de trabalhar. As autoridades chegaram a impedir que ele até mesmo comprasse tintas e pincéis para fazer suas obras, visto que havia sido expulso do Sindicato dos Artistas Poloneses. Strzeminski se virava dando aulas particulares ou vivendo da ajuda de amigos e ex-alunos para poder até mesmo comer.
A visão que Wajda mostra da Polônia comunista não é nada dievrtida. Um país cinzento, atrasado, reacionário. Grande obra final do mestre do cinema polonês. Polanski está em segundo.
Duração: 1h38min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
"Annabelle 2 - A Criação do Mal" (Annabelle: Creation)
Depois de "Invocação do Mal" (2013), "Annabelle" (2014) e "Invocação do Mal 2" (2016), "Annabelle 2: A Criação do Mal" (Annabelle: Creation) é o novo filme da saga que tem como 'protagonista' a assustadora boneca, e é dirigido por David F. Sandberg. Neste novo longa, é contada a história da origem do brinquedo possuído por forças do mal.
"Annabelle 2 - A Criação do Mal" tem como núcleo central uma freira e um grupo de meninas órfãs, que vão morar na casa de Samuel Mullins (Anthony LaPaglia, da finada série Without a Trace). Aliás, ele é o artesão que criou a boneca, e agora vive isolado ao lado da mulher, Esther (Miranda Otto), numa propriedade no meio do nada em um lugarejo no interior dos Estados Unidos. O começo do filme mostra a construção da boneca e a vida que Samuel e Esther viviam ao lado da filha pequena, que acaba morrendo em um trágico acidente.
No decorrer do filme será explicado o motivo de a boneca se transformar em obra do mal - enlutados, Samuel e Esther meio que invocaram o espírito da filha, que retornou, mas possuído pelo demônio, que acabou se transferindo para Annabelle. E claro que a boneca vai atormentar as órfãs, principalmente Janice (Talitha Bateman), que sofre de poliomelite e tem dificuldades para andar, e a esperta Linda (Lulu Wilson).
Tudo começa a dar errado quando Janice não respeitas as regras impostas por Samuel - "nunca entre naquele quarto". Claro que a garotinha vai entrar...e abrir a porta do inferno!!!
O filme dá bons sustos, deixa todo mundo tenso, e também introduz novo personagem aterrorizante, um espantalho. Às vezes acaba lembrando dois assustadores filmes de terror, "Chucky - O Brinquedo Assassino" e "Olhos Famintos". "Annabelle 2 - A Criação do Mal" não é ruim, mas está longe de seus antecessores.
Duração: 1h50min
Cotação: bom
Chico Izidro
"Eva Não Dorme" (Eva no duerme)
Que filme interessante é "Eva Não Dorme" (Eva no duerme), dirigido por Pablo Aguero, conta a disputa pelo corpo de Evita Perón. A primeira dama argentina, casada com Juan Domingo Perón, morreu jovem, aos 33 anos, em 1952, vítima de câncere no útero. Ela era amada pelos argentinos por sua luta pela melhoria de vida da população. Também foi atriz e era uma figura extremamente carismática.
Ao morrer, o seu marido decide embalsamar o corpo de Evita, e expô-lo a visitação pública. Porém, três anos após sua morte, os militares dão um golpe de estado e depõem. Para apagar seu governo e principalmente a influência de Evita, os novos governantes do país decidem sumir com seu corpo, enviando-o para a Europa. Aguero, de forma ficcional, conta como foram os trâmites para o sumiço do corpo embalsamado dela. Durante 25 anos, os argentinos se debateram para saber o que havia acontecido com ele.
O filme une ficção com algumas cenas reais e impressionantes, para ilustrar o período da morte de Evita, mas o que vemos não é um documentário ou uma cinebiografia. A premissa do filme, são os eventos que sucedem a morte da Primeira Dama e a disputa pelo corpo embalsamado dela. Alguns momentos são deslumbrantes, como uma entre um general e um motorista, que discutem e chegam as vias de fato para saber o que fazer com o corpo da ex-primeira dama.
Em “Eva Precisa Dormir” todos que surgem em cena estão excelentes, entregues em seus papéis. A narração é feita por Gael Garcia Bernal, que faz o papel de um militar envolvido no sequestro do corpo. Além disso, o diretor não se propõe a endeusar Evita, mas retrata uma época difícil no país vizinho, das tantas por que eles passaram.
Duração: 1h27min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
"Corpo Elétrico"
"Corpo Elétrico", dirigido por Marcelo Caetano, é um filme com forte temática gay, centrada no jovem paraibano Elias (Kelner Macêdo), que trabalha numa confecção de roupas no centro de São Paulo. Afastado dos seus familiares, sua vida se resume ao trabalho e a encontros com outros homens em motéis na capital paulista.
As cenas de intimidade homossexuais são fortes, mas passando longe da pornografia barata. No entanto, não são para qualquer espectador. E em cada momento dos relacionamentos esparsos de Elias, ele escuta as histórias de vida de seus companheiros. Aos poucos, o rapaz vai fazendo amizades na fábrica onde trabalha - boa parte da segunda parte do filme se centra em festas e encontros dos colegas em várias partes da cidade.
"Corpo Elétrico", no entanto, apesar de exaltar a homossexualidade de seus personagens, derrapa ao não mostrar conflitos. Afinal, todo mundo aceita de boa seus colegas gays, que não sofrem perseguições e nem bullying. Enfim, falta conflito, o que sabemos é totalmente fora da realidade.
Duração: 1h34min
Cotação: regular
Chico Izidro
quinta-feira, agosto 10, 2017
"O Estranho Que Nós Amamos" (The Beguiled)
Quando li que a cineasta Sofia Coppola iria fazer uma nova versão de "O Estranho Que Nós Amamos" (The Beguiled) com uma visão totalmente mostrada no clássico de 1971 dirigido por Don Siegel e estrelado por Clint Eastwood, vibrei. Que legal. Como seria esta visão?
Pois bem, a diretora, filha do diretor Francis Ford Coppola simplesmente protagonizou um assassinato cinematográfico. Sofia simplesmente e preguiçosamente refilmou a trama quase quadro a quadro, mas suprimindo cenas e fatos importantes da história.
Nela, passada durante a Guerra da Sucessão dos Estados Unidos, o soldado federado John McBurney (Colin Farrell, revivendo o papel de Clint Eastwood), ferido, se perde de sua tropa e é encontrado na floresta por uma garotinha, estudante de uma escola feminina das proximidades, administrada por Martha Farnsworth (Nicole Kidman, no papel que originalmente foi de Geraldine Page). Ao invés de entregar o soldado para os militares sulistas, as mulheres da instituição, entre elas Edwina (Kirsten Dunst) e Alicia (Elle Fanning) decidem mantê-lo na escola, e aos poucos vão caindo nos encantos dele. Que não é flor que se cheire e vai seduzindo uma a uma, pensando apenas em salvar a sua pele, pois o objetivo de algumas delas é entregá-los as tropas sulistas.
Mas Sofia Coppola não deveria mexer em vespeiros. Por medo do politicamente correto, ela tira a cena em que McBurney beija na boca uma garotinha de 13 anos. E simplesmente esquece a subtrama do irmão de Martha Farnsworth, pois os dois mantinham um relacionamento incestuoso. E pior é limar completamente a escrava Hallie, que era quem realmente cuidava de McBurney e protagonizava com ele uma discussão sobre escravidão e racismo. E Sofia Coppola deixa de lado. Além do que, as atuações de Colin Farrel e Nicole Kidman são quase burocráticas, distante anos-luz das interpretações viscerais de Eastwood e Geraldine Page. Definitivamente o cinema não aprende.
Duração: 1h33min
Cotação: ruim
Chico Izidro
"Valerian e a Cidade de Mil Planetas" (Valerian and the City of a Thousand Planets)
Ficção científica dirigida por Luc Besson e baseada nas histórias em quadrinhos francesas “Valerian et Laureline” é um espetáculo visual extasiante, mas ao mesmo tempo a trama se mostra arrastada e cansativa ao longo de suas mais de duas horas.
Na história, passada no Século XXVII, o agente espacial Valérian (Dane DeHaan) viaja pelas galáxias ao lado da colega por quem é apaixonado, Laureline (Cara Delevingne). Os dois têm a missão de combater bandidos intergaláticos, até que acabam descubrindo uma operação que pretende dizimar a tal cidade do título, que abriga milhões de habitantes vindos de todas as partes do universo. E a dupla também terá de ajudar uma civilização que teve seu planeta dizimado por um militar ganancioso e conservador.
"Valerian e a Cidade dos Mil Planetas" vale pelas suas grandiosas cenas, com efeitos visuais espetaculares. As criaturas digitais que aparecem na obra são outro ponto a favor. Mas o grande destaque é simplesmente a cantora Rihana, que em pouco mais de 10 minutos em cena, tem uma participação acima do esperado, vivendo a alienígena Bubble e fazendo uma cena de dança, desculpem o trocadilho, de outro mundo.
Mas se Rihana está espetacular, o mesmo não se pode dizer do casal Dane DeHaan e Cara Delevingne. Eles possuem química zero, e não convencem nunca como dupla romântica. A atriz e modelo também é fraquinha, não conseguindo variar suas expressões. DeHaan até tenta, mas é pedir demais. O que vale é mesmo o visual. Só que é muito pouco.
Duração: 2h18min
Cotação: regular
Chico Izidro
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