sexta-feira, janeiro 11, 2019

"Culpa" (Den skyldige)




"Culpa", do diretor estreante dinamarquês Gustav Möller é um thriller policial explosivo, realizado em um único cenário e um único ator em cena durante quase toda a duração do longa. Poderia facilmente ser feito no teatro, mas na tela ele se faz mais tenso e angustiante.

Em um plantão na central de emergências de uma delegacia de Copenhague, capital da Dinamarca, o policial Asger Holm (Jakob Cedergren) atende ligações variadas, de pessoas pedindo auxílio para resolver problemas comuns. Ele está tenso, pois no dia seguinte irá a julgamento por um erro cometido em suas tarefas - este é o motivo de ser relegado a atender ligações em uma sala fechada.

De repente, Asger recebe a ligação de uma mulher, que liga fingindo estar falando com a filha, enquanto informa secretamente estar sendo raptada pelo ex-marido. O policial passa então a tentar ajudá-la, mas sem ter muitas informações, além de estar preso atrás de um telefone. Depois, Asger fala com a criança e aos poucos, vai desvendando o mistério, de um final surpreendente e chocante.

A atuação de Cedergren (visto anos atrás em Submarino, de Thomas Vintenberg) é completamente espetacular. Sempre sentado, com um fone nos ouvidos, ele passa angústia e desespero, apenas com o olhar e gestos. Sensacional.

Duração: 1h28
Cotação: ótimo

Chico Izidro


"A Pé Ele Não Vai Longe" (Don’t Worry, He Won’t Get Far On Foot)




"A Pé Ele Não Vai Longe, novo filme de Gus Van Sant e estrelado por Joaquin Phoenix e Jonah Hill, adapta a vida de John Callahan, renomado cartunista norte-americano que se destacou nos anos 1970 e 1980 por um um humor ácido, autocrítico e também por colocar no papel suas próprias experiências como quadriplégico, sempre sem perder o humor. Ele soube rir de si mesmo.

Na obra, o mutante Joaquin Phoenix está soberbo. Callahan ficou quadriplégico depois de uma noite de bebedeiras seguida de um acidente de carro. Mas ao invés de cair na depressão e ter desejos de morte, soube tirar proveito da tragédia, aumentada pelo alcoolismo. Ao desenhar, era autoreferente - em uma de suas charges mais famosas, aparece uma cadeira de rodas abandonada no deserto e dois homens conversando. E um diz para o outro: "A Pé Ele Não Vai Longe", que inteligentemente virou o nome da obra. Outra grande participação é de Jonah Hill como Donny, o padrinho de John nos Alcoólicos Anônimos.

O filme é extremamente bem-humorado, e pode-se dizer sem sombras de dúvida que está entre uma das cinebiografias mais espirituosas que o cinema fez nos últimos anos.

Duração: 1h53
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"O Manicômio" (Heilstätten)




O terror found-footage, popularizado em 1999 com "A Bruxa de Blair", inovou o cinema para o bem e para o mal. E este lado tem goleado em termos de números de filmes ruins. A pérola mais recente vem da Alemanha e atende pelo nome de "O Manicômio" (Heilstätten), dirigido por Michael David Pate. Terror rasteiro e atuações beirando o amador, e extremamente exageradas.

O longa conta a história de jovens vloggers que decidem visitar a antiga clínica de Heilstätten, nas cercanias de Berlim, onde os nazistas tratavam pessoas esquizofrênicas entre os anos 1930 e 1940, e que após décadas abandonada, é vista como mal-assombrada. Então Betty (Nilam Farooq), Vanessa (Farina Flebbe), Emma (Lisa-Marie Koroll), Charly (Emilio Sakraya), Theo (Tim Oliver Schultz) e Finn (Timmi Trinks) decidem participar de um desafio: passar 24 horas no local.

Entre eles, dois têm um canal de pegadinhas – chamado exatamente de Pegadinhas.TV - uma vlogueira de moda obcecada por sua própria imagem, uma vlogueira mediúnica que realiza vídeos sobre superar seus próprios medos. E o ex-namorado desta última.

Os personagens não são nada simpáticos, assim o público não consegue empatia com eles. Todos beiram o estúpido e o insuportável, e ao invés de ficarmos torcendo para que escapem da morte, queremos que os fantasmas do local os eliminem de uma vez. Os sustos são risíveis. Enfim, um filme que se pretende de terror, mas que não funciona.

Duração: 1h29
Cotação: ruim

Chico Izidro

"Emma e as Cores da Vida" (Il Colore Nascosto Delle Cose)




"Emma e as Cores da Vida" (Il Colore Nascosto Delle Cose), direção de Silvio Soldini, tem aquele clima de filmes românticos europeus ingênuos, que não surpreendem, mas que são agradáveis de se assistir. O longa mostra o namoro de de Emma e Teo, duas pessoas completamente diferentes. Vivido por uma excelente Valeria Golino, Emma perdeu a visão aos 16 anos e trabalha como osteopata. Já Teo é publicitário e mulherendo e tem como intérprete Adriano Giannini, filho de Giancarlo Giannini, que trabalhou em filmes como "Hannibal", "007 ‑ Quantum of Solace" e "Chamas da Vingança".

Os dois se cruzam numa experiência de bate-papo às escuras. E Teo acha a voz de Emma muito sexy. Dias depois, ele a reconhece ao ouvi-la numa loja, e começa o flerte. Mas Teo é um sujeito vivendo em meio a mentiras, tendo ainda uma namorada e uma amante. Mas quer Emma. E ela, que vivia solitária, se deixa levar pela aventura. O problema é que o rapaz não tome jeito. Esconde de todos sua vida íntima. A namorada quer que ele vá morar com ela. Seu padrasto faleceu e ele nem foi ver sua mãe, nem sequer telefonou. Teo não consegue cumprir as metas da agência em que trabalha.

A trama, aos poucos, vai se transformando naquelas comédias de erro, onde o personagem principal se enreda cada vez mais em suas mentiras, e vai perdendo tudo ao seu redor. E isso fará com que repense seus atos, e faça uma mea culpa. É convencional, mas engraçadinho.

Duração: 1h57
Cotação: bom

Chico Izidro

“O Confeiteiro” (The Cakemaker)




“O Confeiteiro” (The Cakemaker), direção de Ofir Raul Graizer, tem um título que recorre a uma comédia. Mas pelo contrário, este é um drama forte e reflexivo, quase intimista. E foca na figura do jovem Thomas (Tim Kalkhof), um gay alemão que trabalha em uma confeitaria em Berlim, onde conhece o israelense Oren (Roy Miller). Este tem esposa e filho em Jerusalém, mas de tempos em tempos viaja à capital alemã a negócios e aproveitando para se encontrar com o amante. Oren, aliás, planeja largar a família para viver com Thomas.

Até que um dia simplesmente desaparece, sem deixar vestígios. Thomas passa a ligar para ele, mas nunca recebe respostas. Assim decide viajar para Jerusalém, e quando tem uma desagradável surpresa. O namorado morreu em um acidente de carro. Sem revelar sua real identidade, Thomas passa a trabalhar na cafeteria de Anat (Sarah Adler, “Foxtrot”). Ele é um hábil confeteiro e logo o estabelecimento começa a prosperar.

Porém Thomas sofre com o preconceito religioso, pois o irmão de Anat não aceita que um goy faça alimentos considerados não kosher. A cafeteria sofre a ameaça de fechamento, enquanto que a viúva Anat e Thomas ficam cada vez mais íntimos. “O Confeiteiro” é um filme audacioso, feito mais de gestos do que palavras. Silêncios, olhares, dúvidas, tudo apresentado de uma forma honesta e que mexe com os sentidos do público.

Duração: 1h49
Cotação: ótimo

Chico Izidro

"Conquistar, Amar e Viver Intensamente" (Plaire, Aimer et Curir Vite)




Passado quase no mesmo período de outro filme francês abordando a Aids, "120 Batimentos por Minuto", o início dos polêmicos e perigosos anos 1990, "Conquistar, Amar e Viver Intensamente" (Plaire, Aimer et Curir Vite), direção de Christophe Honoré, é outro romance gay, realista, mas apresentado de forma pesada, tornando-se cansativo.

A trama mostra o amor entre o Arthur (Vincent Lacoste) e Jacques (Pierre Deladonchamps). Os dois vivem em mundos diferentes, e distantes. O primeiro é um jovem da cidade de Rennes, acostumado a ter vários parceiros, enquanto que o outro é um homem mais velho, experiente dramaturgo de Paris, pai de Loulou (Tristan Farge), que teve com uma amiga, e portador do vírus HIV.

Os dois, no entanto, não sofrem com a homossexualidade. A sociedade parece aceitar os dois tranquilamente, e aí mesmo que a história se passe na civilizada França, mostra algo incomum e raro. Além disso, Arthur tem uma grande amiga, Nadine (Adèle Wismes), apaixonada por ele. Já o melhor amigo de Jacques é o jornalista gay, quase sessentão Mathieu (Denis Podalydès), vizinho de Jacques, e que trabalha como jornalista.

"Conquistar, Amar e Viver Intensamente" (Plaire, Aimer et Curir Vite) poderia ser melhor, caso fosse mais curto e menos amigável. Soa quase como irreal. Afinal, vamos combinar, naquela época e ainda sem muito conhecimento da doença, as pessoas portadoras do vírus HIV não eram aceitas com normalidade.

Duração: 2h12
Cotação: regular

Chico Izidro

"O Retorno de Mary Poppins" (Mary Poppins Returns)




Há exatos 54 anos chegava às telas "Mary Poppins", adaptação da obra de por P.L. Travers e protagonizaa por Julie Andrews, que um ano depois deixaria o mundo boquiaberto com sua atuação em "A Noviça Rebelde". A obra, da Disney, não agradou a escritora e a história da discórdia foi encenada no filme "Walt nos Bastidores de Mary Poppins", de 2013.

Pois agora chega aos cinemas a continuação do longa de 1964, "O Retorno de Mary Poppins" (Mary Poppins Returns), direção de Rob Marshall e com Emily Blunt no papel da babá com poderes mágicos - Julie Andrews recusou-se a fazer uma ponta para deixar o brilho todo com a atriz de "Um Lugar Silencioso".

"O Retorno de Mary Poppins" tem como cenário o período da Grande Depressão, no começo dos anos 1930, em Londres. E foca nos irmãos Banks, Michael (Ben Whishaw) e Jane (Emily Mortimer), agora adultos, e os filhos dele, John (Nathanael Saleh), Anabel (Pixie Davies) e Georgie (Joel Dawson). A família vive em dificuldades e corre o risco de perder a casa da família. Sem tempo para os filhos, Michael acaba recebendo de volta a babá com poderes mágicos e divertida. O vilão da vez é o banqueiro William Weatherall Wilkins (Colin Firth), que pretende se apropriar da casa dos Banks, de forma um tanto não lícita.

O filme recupera aquele clima dos anos 1960, seja no visual e até no estilo de música apresentado. Estão lá também as animações, facilitando muito para que os espectadores mais velhos recordem de seus tempos de infância, quando tudo parecia mais inocente e bonito. O pessoal de seus 50, 60 anos vai se identificar muito, e certamente, como foi o meu caso, de chegar em casa, e rever prontamente o primeiro longa.

Duração: 2h10
Cotação: ótimo

Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...