quinta-feira, maio 23, 2019

"Inferninho"




"Inferninho", dirigido por Guto Parente e Pedro Diógenes, se refere a um bar em uma cidadezinha do interior do país. Tem cara de Nordeste, mas pode ser qualquer outro local. Toda a trama se passa lá dentro, entre suas paredes carcomidas e seus frequentadoresz bizarros, fantasiados de Wolverine, Homem Aranha e até o Coringa. O garçom (Rafael Martins) se veste de coelho e tem a língua presa.

O local pertence a uma mulher trans, Deusimar (Yuri Yakamoto), sonhadora e que tem planos de um dia sair daquele lugar, mas falta-lhe coragem. Um dia recebe no bar Jarbas (Demick Lopes), um marinheiro que ela acha parecido com Sean Penn. A empatia entre ambas é imediata e logo passam a viver um romance tórrido. Até que um dia um homem surge no Inferninho querendo comprá-lo, pois ele está em meio a um lugar onde haverá obras.

De repente, tudo se transforma. Pode ser fantasia, realidade. Tudo confuso nesta alegoria, que não consegue compactuar muito bem com o espectador. Cenários toscos, atuações primárias, quase teatrais. Perdido.

Duração: 1h22
Cotação: ruim

Chico Izidro

"Hellboy"



Saiu Ron Perlman e entrou David Harbour (Stranger Things) no papel de "Hellboy", direção de Neil Marshall, no terceiro filme da franquia. Os anteriores foram para a telona em 2004 e 2008, respectivamente, e mesmo dirigidos por Guillermo del Toro, mas afundaram. Agora, o personagem criado pelo quadrinista Mike Mignola ganha nova chance, mas o filme não funciona, de novo.

A trama é baseada em uma longa história dos quadrinhos, iniciada em Clamor das Trevas, passando por Caçada Selvagem e concluindo em Tormenta e Fúria, e mostra o retorno de Nimue (Milla Jovovich), conhecida como Rainha do Sangue, presa desde os tempos do Rei Arthur, e que liberta, pretende dominar o mundo - e como? Ora, destruindo tudo. Naquele sistema que tenho bronca e volto a perguntar: por que o vilão quer ser o dono do planeta, mas destruindo tudo. O que ele vai controlar?

Então Hellboy, agora vivido por um outro ator, é convocado pelo professor Trevor Bruttenholm (Ian David McShane) para auxiliar os agentes do BPDP na missão de impedir que a bruxa extermine a vida na Terra. E o herói acaba descobrindo que é Anung Un Rama, a besta que libertará o apocalipse sobre a Terra, e tem de lutar contra o seu destino.

A história, porém, não decola. Deve ser a idade, mas muito fantasiosa para o meu gosto, com monstrinhos e cenas excessivas de lutas. Nem as piadas agradam, neste desperdício de dinheiro e tempo.

Duração: 2h01
Cotação: ruim

Chico Izidro

"Mormaço"




"Mormaço", direção de Marina Meliande, foi filmado nos preparativos para as Olimpíadas do Rio 2016 bem próximo de uma comunidade da cidade, a Vila Autódromo, onde ocorreram algumas ações governamentais de desapropriação de casas. Então a trama real entra na ficção, acompanhando a protagonista Ana (Marina Provenzzano). Ela é uma assistente social que tenta auxiliar os moradores a escaparem dos estratagemas do governo, que pretende desalojá-los.

Ao mesmo tempo, Ana vive situação idêntica, pois o prédio onde mora está sendo esvaziado por uma construtora, que pretende construir residências mais modernas no local. Assim, todos os moradores estão recebendo indenizações para se mudarem. Mas ela, ao lado de outras pessoas, resiste a especulação. E diante de tanto estresse, Ana vai ficando doente, com manchas que aparecem em seu corpo. Os médicos não conseguem descobrir se é uma micose, uma infecção. O certo é que seu apetite sexual vao aflorando e ela começa a se transformar.

A trama, passa, então, de drama urbano para um drama de horror. O final fica em aberto, e claro, não posso dar spoiler aqui do que acontece com a protagonista. Mas "Mormaço" surpreende, pois prende o espectador, deixando-o curioso do que virá cena após cena.

Duração: 1h36
Cotação: bom

Chico Izidro

"John Wick 3: Parabellum"




O assassino profissional John Wick (Keanu Reeves) retorna para a sua terceira aventura. Em “John Wick 3: Parabellum” , direção de Chad Stahelski, nada é para ser levado a sério. O filme não chega a ser uma comédia, mas tem seus momentos engraçados, porém podem ser contabilizadas mais de uma centena de mortes. Só para lembrar, nos longas anteriores, o personagem título está aposentado, curtindo a vida ao lado da esposa Hellen e de seu cachorro de estimação, e seu carro. Pois mafiosos matam a sua mulher e roubam seu cachorro e o seu carro. Ele fica mais furioso por causa destes dois últimos detalhes e vai em busca de vingança.

Mas acaba quebrando o código dos assassinos, ao matar um inimigo no Hotel Continental, local de refúgio dos criminosos. Agora, sua morte passa a valer 14 milhões de dólares e vários assassinos partem em busca de sua cabeça. Wick foge por uma chuvosa Nova Iorque, e mesmo ferido, vai abatendo um a um aqueles que tentam eliminá-lo. A ação passa para o Marrocos, onde aparece uma assassina interpretada por Halle Berry, que parece nunca envelhecer. E dê-lhe mais mortes.

Depois, os movimentos retornam para Nova Iorque. E o engraçado da coisa é que Wick parece indestrutível. É esfaqueado, baleado, socado. Mas permanece de pé. E as mortes de seus caçadores são as mais impressionantes possíveis. Mas lembrem-se, é um filme de ficção que não se pretende sério, e uma franquia que parece que continuará...a cena final deixa em aberto uma possível quarta parte. Ah, note um dos caçadores de Wick, Zero (o ator Mark Dacascos, que fez muito sucesso nos filmes de ação dos anos 1990 e depois sumiu do mapa). Seu vilão é muito engraçado e daqueles personagens que se negam a morrer, infernizando até não poder mais o herói.


Duração: 2h11
Cotação: ótimo

Chico Izidro

quinta-feira, maio 02, 2019

"A Sombra do Pai"



"A Sombra do Pai", escrito e dirigido por Gabriela Amaral Almeida (O Animal Cordial), é um filme de narração realista, mas com toques de horror e fantasia, marcas registradas da diretora brasileira. A trama lembra, ainda, de certa forma o clássico oitentista "Cemitério Maldito" - aliás, um dos personagens do longa é visto em determinado momento assistindo na tv a obra baseada em livro de Stephen King, que na próxima semana retorna repaginado aos cinemas, numa nova versão.

A história foca na pequena Dalva (Nina Medeiros), uma menina de nove anos, introspectiva, que vive com o pai Jorge (Julio Machado) e a irmã Cristina (Luciana Paes). A mãe morreu e a garotinha, sem entender muito como funciona a morte, sonha com o retorno dela. Jorge ficou um homem retraído e sua situação piora quando perde o melhor amigo em um acidente. Ainda por cima, Cristina, que cuidava de pai e filha, se casa e se muda. Assim, Jorge e Dalva precisam enfrentar as perdas em suas vidas, mas sem saber muito como fazer.

Dalva é fã de filmes de terror e passa a acreditar ter poderes sobrenaturais e ser capaz de trazer a mãe de volta à vida. Deste ponto o filme passa da naturalidade para a fantasia e um certo terror, mas nunca de forma assustadora. É um trama eficiente, que prega o espectador na poltrona, curioso para saber onde tudo vai parar.

Duração: 1h32
Cotação: bom

Chico Izidro

"Tudo o que Tivemos" (What They Had)




"Tudo o que Tivemos" (What They Had), escrito e dirigido por Elizabeth Chomko, não traz nenhuma novidade. É aquele filme doença-família-crise. A história foca em Bridget (Hilary Swank), que precisa retornar para a casa dos pais, depois que sua mãe, Ruth (Blythe Danner), acordar de madrugada e sair caminhando durante uma tempestade de neve devido ao Alzheimer, deixando todos preocupados.

Na volta ao lar, ao lado da filha adolescente Emma (Taissa Farmiga), Bridge precisa lidar com o teimoso pai Burt (Robert Forster) e o irmão Nicky (Michael Shannon). Os dois irmãos acreditam que o melhor para Ruth é uma internação numa clínica. E durante as longas conversas, começam a surgir velhas rusgas. E até mesmo a vida pessoal de Bridge entra em pauta, sendo que seu casamento está em crise.

Ou seja, nada de novo. Muito blá, blá, blá, arrastado. Apesar de Hillary Swank e Michael Shannon confirmarem o quanto são ótimos atores, o clima depressivo e opressivo do filme o torna cansativo e ficamos torcendo para que termine logo.

Duração: 1h41
Cotação: regular

Chico Izidro

"Sobibor"



"Sobibor", dirigido pelo ator e cineasta estreante Konstantin Khabenskiy, é uma produção russa que lembra os 75 anos da rebelião no campo de extermínio nazista do sudeste da Polônia durante a II Guerra Mundial. Já houve outro filme sobre o mesmo campo em 1987, "Fuga de Sobibor", dirigido por Jack Gold e protagonizado por Alan Arkin e Rutger Hauer.

A obra russa se propõe a reproduzir o terrível período dos campos de concentração nazistas, onde milhares de judeus foram covardemente torturados e massacrados. Neste filme não são poupadas cenas fortes, como por exemplo o gaseamento de dezenas de mulheres - lembrem-se que em "A Lista de Schindler" houve cena semelhante, mas lá não saiu gás dos chuveiros e sim água.

Sobibor mostra desde a chegada dos judeus ao campo, onde eram enganados, achando que estavam chegando a uma área onde iriam trabalhar. E os protagonistas são mostrados pouco a pouco. Uns irão sobreviver e outros perecerão.

A obra, em determinado ponto, começa a focar nos planos de fuga, quando os cativos se dão conta que não podem mais agir como carneiros, aceitando pacificamente a morte, ou barganhando para prolongar em mais alguns dias ou meses as suas vidas. "Sobibor" é mais um drama do que um filme de ação. A primeira hora de filme é um pouco cansativa, mas depois engrena.

Bem, como é um filme histórico, no final mais de 450 judeus conseguiram escapar, após massacrarem seus algozes. Porém, cerca de 150 foram recapturados após serem denunciados pelos camponeses locais - note-se que o antisemitismo sempre foi muito forte na católica Polônia. O campo, por causa da fuga, acabou sendo destruído pelas autoridades alemãs. Enfim, um documento histórico em forma de ficção.

Duração: 1h52
Cotação: bom


Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...