quinta-feira, fevereiro 13, 2020
"Sonic - O Filme" (Sonic)
Já escrevi outras vezes não ter a mínima familiaridade com vídeo-games, nunca joguei e sou completamente neófito em relação aos personagens. Assim, lá me fui para assistir "Sonic - O Filme" (Sonic), direção de Jeff Fowler, e que tem como protagonista um ouriço azul com supervelocidade. O filme mistura animação com atores reais, e me surpreendeu positivamente.
Na trama, o ouriço Sonic tem de deixar o seu mundo para fugir de uma ameaça, e vai parar na pequena cidade americana de Green Hill, em Montana. Lá, permanece incógnito, vivendo em uma caverna e acompanhando a vida de seus moradores, enquanto lida com a solidão.
Ele observa principalmente o policial Tom Wachowski (James Marsden), que apelida de Lord Donut. Apenas um velhinho fazendeiro já o viu e o apelidou de Demônio Azul, mas vira motivo de chacota dos demais moradores.
O anonimato de Sonic termina quando ele utiliza seus poderes de forma equivocada e provoca um blecaute, chamando a atenção do governo dos Estados Unidos. Que chamam o Dr. Ivo Robotnik (Jim Carrey) para tentar capturar a estranha criatura para dissecá-la. O jeito é Sonic se revelar e pedir a ajuda de Tom. Assim, os dois saem de Green Hill numa road trip para tentar chegar a São Francisco.
O longa se transforma numa caçada, com direito a briga em um bar de motoqueiros, até mesmo menção a terrorismo interno. Tudo recheado de muitas piadas e a verborragia de Sonic, que não para de falar e de se mexer um minuto sequer.
E Jim Carrey parece ter ficado totalmente liberado para atuar. Cheio de trejeitos, seu visual remete diretamente ao Dick Vigarista, da Corrida Maluca. "Sonic - O Filme" é uma obra inspirada, divertida, que vai agradar as pessoas de todas as idades, mesmo aqueles que nem sabe o que é um video-game, como eu.
Cotação: ótimo
Duração: 1h40
Chico Izidro
"Dark Waters – O Preço da Verdade" (Dark Waters)
"Dark Waters – Verdade Envenenada" (Dark Waters), direção de Todd Haynes, é baseado num artigo de Nathaniel Rich publicado em 2016 no The New York Times Magazine intitulado “The Lawyer Who Became DuPont’s Worst Nightmare”. Ele trata uma longa batalha do advogado Robert Bilott, vivido no filme por Mark Ruffalo, para expor os crimes ambientais de uma das maiores empresas químicas do mundo, a DuPont. O longa transcorre por quase 40 anos da vida americana.
O advogado Robert Bilott recebe das mãos de um fazendeiro, Wilbur Tennant (Bill Camp) provas de ligações entre as mortes de vários animais nas redondezas de sua fazenda e da fábrica de uma das gigantes químicas mundiais, a DuPont, na sua terra natal, em Parkersburg, na Virgínia Ocidental. O problema é que ele é um profissional que tem como trabalho defender grandes empresas do setor químico.
Mas aos poucos, ele vai estudando o caso e encontrando evidências que a empresa tem poluído as águas locais - causando a morte de animais, câncer nos moradores e em outros casos, má formação em bebês - uma das crianças reais até participa, já adulta, de uma cena em um posto de gasolina.
Billot começa então a rever seus conceitos, até ganhando o apoio do dono de sua empresa advocatícia, Tom Terp (Tim Robbins), que no início se mostrava cauteloso, com medo de perder a milionária clientela.
A trama percorre, então, 15 anos da vida do advogado, que vê o seu casamento com Sarah (Anne Hathaway) sofrer um forte abalo, devido a sua fixação em tentar resolver o caso. E até mesmo a sua saúde é afetada.
Mark Ruffalo está magnífico e assume as rédeas deste filme realista, minucioso - que apesar de ser uma obra do meio jurídico, não tem nada de lentidão. Pesado e tenso, com grandes atuações, expões os crimes de uma das maiores empresas químicas do mundo para o resto do mundo. Chocante.
Cotação: ótimo
Duração: 2h07
Chico Izidro
"O Grito" (The Grudge)
"O Grito" (The Grudge), direção de Nicolas Pesce, é um remake do filme japonês der 2002, dirigido por Takashi Shimizu. E vamos combinar, não precisava. Simplesmente esta versão norte-americana destruiu a obra original. E olha que o elenco é incrível bom, com Andrea Riseborough, Demián Bichir, William Sadler, John Cho, Jacki Weaver e Lin Shaye.
A trama é simples: mãe e filho assombram e matam qualquer pessoa que entre na residência onde um crime aconteceu. O diretor Nicolas Pesce, então, decidiu entrelaçar a trama principal com secundárias, em diferentes épocas, porém, ligadas pela maldição. E incrivelmente o veterano Sam Raimi está na produção!!!
Aqui, uma mãe volta do Japão para os Estados Unidos. E em Tóquio ela esteve na casa amaldiçoada, carregando os espíritos juntos para a América do Norte. Possuída, ela mata o marido e a filha pequena em sua própria casa e depois se suicida. Que afinal, passou a ser amaldiçoada. Dois detetives tentam então entender os motivos dos assassinatos. Até se darem conta que a casa é amaldiçoada e eles passam a ser perseguidos pelos fantasmas.
Porém são vários problemas no filme, com idas e vindas no tempo, com alguns personagens não tendo o mínimo sentido de estarem ali. Um grande desperdício. Já na lista de um dos piores do ano. E estamos apenas em fevereiro.
Cotação: ruim
Duração: 1h34
Chico Izidro
domingo, fevereiro 09, 2020
"Jojo Rabbit"
"Jojo Rabbit", filme do neozelandês Taika Waititi é baseado no romance Caging Skies (O céu Enjaulado, lançado recentemente no Brasil), de Christine Leunens, e traz uma história de humor negro excepcional, fazendo troça do II Reich.
Jojo Betzler (Roman Griffin Davis, excepcional) é um garoto de 11 anos que vive com a mãe Rosie (Scarlett Johansson) na Alemanha Nazista. Ele está na Juventude Hitlerista e acredita piamente nas baboseiras raciais criadas por Hitler. Porém, depois de fracassar na tentativa de matar um coelho durante um treinamento, ganha o apelido de Rabbit (coelho) e passa a sofrer bulying.
Solitário, tem como único amigo o gordinho Yorke (Archie Yates). E acaba criando um amigo imaginário, o próprio Adolf Hitler (Taika Waititi), que passa a dar conselhos ao menino.
Só que as crenças de Jojo acabam sendo abaladas quando ele acaba descobrindo que uma menina judia, Elsa (Thomasin Mckenzie), que está escondida dentro das paredes de sua casa. A jovem começa a mostrar uma nova realidade ao garoto nazista, que acreditava, por exemplo, que os judeus possuiam chifres.
Waititi faz uma obra forte, e critica fortemente o nazismo e seus horrores -muita gente compara o tipo de humor do filme com a bobagem "A Vida é Bela", que trazia uma trama fake, mas tão fake, que conseguia apagar a realidade cruel dos campos de concentração nazistas. "Jojo Rabbit" tem uma toada completamente distinta.
Cotação: ótimo
Duração: 1h44
Chico Izidro
"Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa" (Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn
As mulheres têm ganhado cada vez mais força no cinema. E "Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa" (Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn), da diretora Cathy Yan, é mais uma obra a trilhar este caminho feminista. E apesar de contar a formação de um grupo de vigilantes mulheres em Gotham, tem como foco principal a doidinha Arlequina (Margot Robbie).
A trama ocorre logo após o rompimento do namoro da ex-psiquiatra do Asilo Arkham com o Coringa. Arlequina, que tinha imunidade por causa de seu relacionamento com o vilão, passa a ser perseguida por policiais e todos os bandidos a quem ela sacaneou no passado.
E ela acaba dando de cara com a pequena punguista assandra Cain (Ella Jay Basco), que roubou um diamante do vilão Máscara Negra (Ewan McGregor). Dividida, Arlequinha não sabe se entrega a garota ou a ajuda a escapar. E elas acabam recebendo a ajuda da Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), que tem habilidades de assassina e pretende vingar a morte dos pais, a policial Renee Montoya (Rosie Perez), que não é levada a sério pelos seus colegas homens, e Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell), com uma voz poderosa, capaz de destruir tudo a sua volta com o seu canto.
E elas entregam um filme muito bom, com ótimas cenas de luta, sem aquelas câmeras nervosas, que deixam o espectador sem saber o que ocorre na tela. Até mesmo as intervenções de Arlequina voltando no tempo e explicando as partes da trama são bem colocadas. E tem humor. Margot Robbie rouba o filme, e protagonizando duas cenas inesquecíveis. Numa, ela invade a delegacia, atirando nos policiais balas de glitter e noutra, ela acaba aspirando cocaína sem querer, ficando doidona e surrando um inimigo.
Cotação: ótimo
Duração: 1h49
Chico Izidro
"Judy - Muito Além do Arco-Íris" (Judy)
A atriz e musa Judy Garland tornou-se famosa ainda adolescente, quando estrelou o clássico "O Mágico de Oz" em 1939. Porém como costuma acontecer com estrelas-mirins, ao chegar à vida adulta, a fama cobrou-lhe um preço, e muito alto. É isto que foca o filme "Judy - Muito Além do Arco-Íris" (Judy), dirigido por Rupert Goold.
E a mãe de Liz Minelli e musa dos gays é interpretada com vigor por Renée Zellweger já na fase decadente e adulta. Depois de anos de abusos e explorações dos produtores de Hollywood, Judy encontrava-se sem uma casa para morar e vivendo de apresentações fugazes e ainda correndo o risco de perder a guarda de seus filhos mais novos.
E nesta maré de azar é que ela aceita viajar para a Inglaterra para fazer uma tour de espetáculos musicais no Swinging London e se apresentar no The Talk of the Town, em 1968. O filme mostra este período cruel da vida de Judy, mas também traz flash-backs apresentando uma ainda adolescente Judy começando na indústria do cinema, e tendo de seguir as orientações dos produtores.
Toda esta exploração acabou afetando profundamente a vida da atriz, que acabou morrendo jovem, apenas com 47 anos, em 1969. Renée Zellweger traz uma apresentação excepcional, transmitindo todo o cansaço, a solidão, a tristeza que Judy carregava em seu último ano de vida. Hollywood sempre foi uma vampira de seus atores.
Cotação: ótimo
Duração: 1h59
Chico Izidro
"Bad Boys Para Sempre" (Bad Boys For Life)
A franquia Bad Boys completa 25 anos em 2020 com o lançamento de "Bad Boys Para Sempre" (Bad Boys For Life), dirigido pela dupla Adil El Arbi e Bilall Fallah, mostra a dupla de policiais Marcus Burnett (Martin Lawrence) e Mike Lowrey (Will Smith) vivendo os problemas dos cinquentões, ou seja, viraram tiozões.
Na trama, Marcus Burnett vira avô e decide se aposentar, enquanto seu parceiro não gosta da ideia, mas mal sabendo que um fantasma do passado virá ao seu encalço. Há cerca de 25 anos, ele, com outros homens da lei, mandou um traficante mexicano para a cadeia.
Agora, a viúva do vilão, Isabel Aretas (Kate del Castillo), foge da prisão, e planeja o assassinato de todos aqueles que provocaram a prisão e depois consequente morte do marido. E o assassino é o filho dela, Armando (Jacob Scipio), que sai matando todo mundo, e em um atentado, deixa Lowrey à beira da morte.
Claro que Lowrey sobrevive e decide ir atrás de quem tentou matá-lo. Mas como já está defasado, ele recebe a ajuda de uma equipe de jovens policiais formada pela tenente Rita (Paola Núñez), a policial especialista em invasões Kelly (Vanessa Hudgens), o nerd musculoso Dorn (Alexander Ludwig) e o hacker/atirador de elite Rafe (Charles Melton). Ao mesmo tempo, Burnett está em casa, enlouquecendo a família e acaba sendo convencido a voltar à ativa.
Então o filme se torna aquele típico filme de policiais divergentes, que têm de se acostumar a trabalhar juntos. As cenas de ação são boas, e a química entre os protagonistas Smith e Lawrence permanece intacta, mesmo que agora o segundo vive quase um coadjuvante, dando mais espaço para o colega mais famoso.
Aliás, sem querer dar spoiler, em determinado momento a história fica muito semelhante ao penúltimo filme de Smith, "Projeto Gemini" - tal pai, tal filho...E o final deixa claro que a franquia seguirá. Inclusive o quarto filme já foi confirmado.
Cotação: bom
Duração: 2h04
Chico Izidro
Assinar:
Postagens (Atom)
“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)
Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...
-
Foto: Diamond Films Dirigido por Josh Safdie, “Marty Supreme” é protagonizado por Timothée Chalamet, que vive Marty, um jovem judeu na Nova...
-
Foto: California Filmes “OH CANADÁ”, DIRIGIDO PELO VETERANO Paul Schrader, é baseado no livro Foregone, do norte-americano Russell Banks, a...
-
Foto: Warner Bros Com direção de Maggie Gyllenhaal, “A NOIVA” (The Bride) faz uma releitura feminista da história do monstro criado por Vic...













