quinta-feira, janeiro 07, 2021

“Umbrella”

A partir desta quinta-feira, dia 7 de janeiro, fica disponível no Youtube “Umbrella”, com direção de Helena Hilario e Mario Pece. Ele é o primeiro curta nacional de animação a entrar na corrida pelo Oscar®. Criado pelo estúdio criativo independente Stratostorm, o filme traz em sua narrativa a mensagem de empatia com a história e memórias afetivas de Joseph, um menino que vive em um orfanato. A produção fica disponível na plataforma até dia 21 de janeiro, gratuitamente.
A trama é sensível e emocionante, e mostra o pequeno Joseph, que em um orfanato vê uma menina e sua mãe chegarem para entregar presentes às crianças órfãs. E elas têm um guarda-chuva amarelo, que lhe acende memórias de quando mais pequeno ao lado de seu pai, um imigrante, que desesperado, teve de deixá-lo na instituição. E a história segue até a velhice do garoto. Toda a trama ocorre sem diálogos.
“Criamos um curta metragem sem diálogos pois queríamos que a mensagem fosse universal, e que as emoções e reflexões ecoassem pela própria narrativa, pela animação e música”, lembra Helena. “Após a qualificação de Umbrella, optamos por divulgar o filme na plataforma livre do Youtube. Queremos que o público finalmente assista e compartilhe essa linda história para apoiar o cinema nacional independente”, complementa.
Inspirado em uma situação vivenciada pela irmã da diretora, o filme já tinha feito história no audiovisual do país ao ser selecionado em 19 festivais que qualificam para a disputa por um lugar na Academia, entre eles o Tribeca, Cinequest, Chicago International Film Festival, Calgary International Film Festival, Animayo, e outros. O projeto foi escrito em dezembro de 2011 e ganhou vida e carreira em 2019.
“Escrevemos um roteiro com um storytelling voltado para um curta-metragem. Nosso sonho e objetivo era fazer um curta de animação e representar um momento triste em forma de arte. Nos inspiramos em um evento real para criar uma história bonita e delicada. E assim entendemos que não podemos julgar as pessoas sem saber o que tem por trás daquela vivência. Todo mundo passa por situações que nem imaginamos, por isso devemos ser gentis uns com os outros”, comenta Helena. “Por isso pensamos em trazer a empatia e a esperança para essa narrativa. Algo que precisamos cada vez mais e mais”, completa.
O curta estará disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Bl1FOKpFY2Q
Cotação: ótimo
Duração: 7min
Chico Izidro

segunda-feira, janeiro 04, 2021

“Mulher-Maravilha 1984” (Wonder Woman 1984)

O segundo filme das aventuras da Princesa Amazona Diana chega aos cinemas em “Mulher-Maravilha 1984” (Wonder Woman 1984), direção de Patty Jenkin – o primeiro filme é de 2017. E agora a história é mais deliciosa de se curtir, para mim naquele clima bem oitentista que o título já entrega, com nada daquela coisa de vilões de outros planetas que deseja acabar com o mundo, mas dois atrapalhados humanos ambiciosos.
A trama tem como fundamental uma pedra ancestral misteriosa, que concede desejos para quem a tocar. Assim, Diana Prince (Gal Gadot), imortal e solitária, e trabalhando como arqueóloga no museu Smithsonian, em Washington, mas sonha em ter de volta seu grande amor, morto ainda nos anos 1940. E para seu espanto, Steve Trevor (Chris Pine) ressurge na pele de outra pessoa, mas ela só enxerga o amado, e começa a debelar sua solidão. Porém, a pedra também atende o pedido da desengonçada e rejeitada nerd Barbara Minerva (Kristen Wiig), que deseja ser como Diana, linda e sexy.
Porém junto vem os super-poderes da amazona. E claro, o falido e trambiqueiro empresário do ramo do petróleo Maxwell Lord (Pedro Pascal), que também toma conhecimento da pedra mágica e a quer para si. O problema é que ao atender um pedido, a pedra também quer algo valioso do pedinte em troca. Barbara e Max ficam poderosos, e Diana é obrigada a abrir mão de algumas coisas para poder combatê-los.
E as cenas de ação são muito bem-feitas, com excelentes efeitos especiais. No começo, os personagens de Wiig e Pascal parecem meio patéticos, mas depois os dois acertam a mão. E claro, Gal Gadot muito à vontade no papel da super-heroína. Ah, cena pós-crédito traz uma participação de Linda Carter, a musa que foi a primeira Mulher-Maravilha no seriado televisivo dos anos 1970. Eu me diverti.
Cotação: ótimo
Duração: 2h35min
Chico Izidro

domingo, dezembro 27, 2020

"Um Detetive em Chinatown" (Detective Chinatown 2)

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b>O começo de Um Detetive em Chinatown (Detective Chinatown 2), direção de Sicheng Chen, me lembrou o filme “Assassinato Por Morte”, de 1976, um de meus preferidos na infância, onde vários detetives são reunidos em uma mansão para desvendar um crime. Mas foi apenas uma impressão inicial. Pois nesta nova obra, detetives são reunidos no bairro chinês de Nova Iorque por um chefão local. Ele oferece uma recompensa de 5 milhões de dólares para quem descobrir o assassino do seu neto.
Então a dupla formada por Chin Fong, que chega em Nova Iorque vindo da China, a convite do seu primo Tang Ren, que já havia protagonizado um filme de 2015, parte para desvendar o crime e tentar a recompensa. Os dois são extremos. Fong é inteligente, esperto, enquanto que Ren é serelepe, mas meio burro, porém bom de briga. E claro que os dois acabam sendo acusados do crime e têm de fugir dos demais captores, em cenas de pura correria pelas ruas de Nova Iorque. E dê-lhe festival de piadas estilo “Zorra Total”, personagens caricatos, tudo sem a mínima graça nos dias de hoje – o estilo de humor utilizado serviria talvez lá nos anos 1960 e 1970. Hoje não faz o mínimo sentido.
E para piorar, nos créditos, os produtores decidiram imitar os filmes de Bollywood, com um número de dança e música com os atores do filme. Fuja. “Um Detetive em Chinatown” está disponível nas seguintes plataformas digitais NOW, Looke, Microsoft, Vivo Play, Google Play e Apple TV.
Cotação: ruim
Duração: 121min
Chico Izidro

quarta-feira, dezembro 16, 2020

“Freaky: No Corpo de Um Assassino”

Nas décadas passadas, foram lançados vários filmes onde ocorria a troca de corpos, entre eles “Vice & Versa”, com Fred Savage, de “Anos Incríveis”, “Sexta-Feira Muito Louca”, com Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan, até os nacionais, como “Se Eu Fosse Você”, com Tony Ramos e Glória Pires. Todos eles tinham algo em comum, que era serem comédias escrachadas. Agora o cinema de terror dá as caras com “Freaky: No Corpo de um Assassino” (Freaky), direção de Christopher Landon, misturando adolescentes em perigo, um serial killer, e uma leve pitada de humor. O resultado acaba sendo positivo, muito graças as interpretações de seus protagonistas.
A premissa é simples: uma jovem colegial tem seu corpo trocado por o do de um assassino serial através de uma adaga mágica, que o matador havia pegado em uma casa, após eliminar todos os moradores, entre eles um colecionador de antiguidades. E ao tentar matar a jovem Millie (Kathryn Newton), Blissfield Butcher (Vince Vaughn) usa a adaga, e apenas fere a jovem. E isso resulta na troca dos corpos dos dois.
Então Millie tem apenas 24 horas para encontrar o serial killer e feri-lo com a mesma arma. O problema é que agora ela está no corpo de um homem de quase 2 metros, procurado pela polícia, com o rosto estampado em cartazes espalhados pela cidade e na TV. E Blissfield Butcher está no corpo dela, tendo todo um colégio cheio de adolescentes prontinhos para serem mortos.
A graça está em ver as atuações de Kathryn Newton, novata que consegue passar toda a maldade e sadismo em seus olhares, soltando pura perversidade. E Vince Vaughn tendo de imitar os trejeitos de uma garota assustada é outro achado do filme. “Freaky” é um ótimo filme, que usa com muita criatividade os clichês e fazendo uma excepcional ponte entre os filmes de adolescentes com filmes de terror.
Cotação: ótimo
Duração: 1h43min
Chico Izidro

quinta-feira, dezembro 10, 2020

“Mank”

Assisti “Cidadão Kane” (1941) em VHS lá em meados dos anos 1980 e fiquei maravilhado com a obra de Orson Welles. Vi e revi inúmeras vezes. Sim, talvez seja o melhor filme de todos os tempos. Pois agora David Fincher, mestre do cinema, diretor de clássicos como “Seven”, “Clube da Luta”, “Zodiaco”, “O Curioso Caso de Benjamin Button” decidiu contar a tumultuosa história do roteirista Herman J. Mankiewicz da obra-prima icônica de Orson Welles, em “Mank”, que traz a Hollywood em seus tempos gloriosos, entre os anos 1920 e 1950, apresentando ainda o cenário político-social daquela época, sofrendo os efeitos da Grande Depressão.
“Cidadão Kane” é uma das obras mais celebradas do cinema, mas sempre foi cercada de polêmicas e dificuldades para ser feito. Ele retrata a vida do magnata da mídia sensacionalista William Randolph Hearst, que decidiu boicotar o longa. E “Mank” mostra a briga do roteirista sua luta com o autor Orson Welles pelo crédito do script da obra (os dois acabaram ganhando o Oscar pelo trabalho).
Welles era o queridinho da mídia, com apenas 24 anos, sendo era o garoto-prodígio do rádio e do teatro que havia ficado famoso ao assustar os Estados Unidos com a sua apresentação de “Guerra dos Mundos”, de H.G. Wells em 1938. Mas o filme também retrata a vida tumultuosa de Mankiewicz, vivido esplendorosamente por Gary Oldman, e que na visão de Fincher é o verdadeiro pai da matéria.
Porém o protagonista é mostrado de forma dura, quase cruel. Seu talento é reconhecido, participando da Era de Ouro de Hollywood entre 1926 e 1952, e entre outras obras, não foi creditado em outro clássico, “O Mágico de Oz”. Mank era um homem genial, mas também inconsequente, adúltero e alcóolatra – ele morreu cedo, com apenas 55 anos, vitimado pelo vício. A sua fonte para escrever o roteiro de “Cidadão Kane” era a amiga, a atriz Marion Davies, interpretada por Amanda Seyfried, amante por trinta anos de William Randolph Hearst. O encontro da atriz com Mankiewicz foi fundamental para ele escrever o roteiro.
“Mank” foi todo ele filmado em câmeras digitais e as cenas foram tratadas para parecerem película envelhecida. O som foi gravado em apenas um único canal, sim, o velho sistema mono, o mesmo foi feito para a trilha sonora. E o que pode incomodar as gerações mais novas é que o longa de Fincher é todo em preto e branco, assim como “Cidadão Kane” (a galera tem preguiça de ver filmes que não sejam coloridos e pior, que não sejam dublados). “Mank” é tecnicamente brilhante e uma ode à indústria do cinema que é Hollywood.
O filme está disponível na plataforma Netflix.
Cotação: excelente
Duração: 2h11min
Chico Izidro

domingo, novembro 29, 2020

“Trolls 2 – World Tour”

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A sequência de “Trolls” (2016) chega aos cinema em “Trolls 2 – World Tour”, direção de Walt Dohrn, é uma verdadeira viagem musical. A animação apresenta os pequenos seres, que vivem felizes, cantando em seu mundo mágico. A protagonista é a Rainha Poppi, com seu fiel escudeiro Tronco, apaixonado por ela, mas incapaz de abrir o coração para a amada. Um dia uma ameaça paira nas diversas nações dos trolls – eles são divididos em reinos conforme seu estilo musical, o pop, o funk, aqui no caso o americano e não esta porcaria que se faz no Brasil, cujos líderes são a Rainha Essence e o Rei Quincy (homenagem ao maestro Quincy Jones), o reino country, que na versão nacional virou sertanejo e o reino da música clássica.
Poppi mantém uma inocência incomum, e acredita que possa unir os vários reinos musicais. Porém, ela não sabe das intenções da Rainha Barb, que quer acabar com todos os ritmos musicais e fazer com que todos os reinos só escutem Rock pesado. Claro que para um roqueiro isso pode soar ofensivo, afinal nós que sofremos com a falta de espaço na mídia, e considerados loucos por gostarmos de um som fora do convencional. Poppi sai ao lado de Tronco para tentar evitar o fim das outras músicas.
A ideia do filme é de, no entanto, passar uma mensagem sobre diversidade e saber reconhecer as diferenças e ser mais democrático. Então “Trolls 2 – World Tour” acaba agradando tanto os pequenos, com seus bichinhos fofinhos e alegres, quanto os adultos, pois é repleto de piadas e referências musicais. A trilha sonora é um achado, e vai de “One More Time", do Daft Punk, “Rock You Like a Hurricane", do Scorpions, “Trolls Just Want to Have Fun", parodiando Cindy Lauper, “Crazy Train”, de Ozzy Osborne, o medley com “Wannabe”, das Spice Girls/“Who Let The Dogs Out”, Baha Men/Good Vibrations”, Marky Mark and the Funky Bunch /"Gangham Style", de Psy /"Party Rock Anthem" – LMFAO, e “Barracuda”, do Heart, entre outras.
Cotação: ótimo
Duração: 1h30min
Chico Izidro

segunda-feira, novembro 23, 2020

“O Caso Collini” (The Collini Case)

Baseado no romance homônimo de 2011 de Ferdinand von Schirach, “O Caso Collini” (The Collini Case), mostra como o nazismo ainda é um pesadelo para a sociedade alemã, além de criticar a velha história que os criminosos usavam como desculpa para tentar não serem responsabilizados por seus crimes: “ah, eu apenas seguia ordens”. Balela.
Com direção de Marco Kreuzpaintner, é um filme de tribunal, mostrando o jovem advogado de descendência turca Caspar Leinen (Elyas M'Barek), que recebe a incumbência de tentar defender o italiano Fabrizio Collini (Franco Nero), que vivia na Alemanha há 30 anos, e num dia matou o respeitado industrial Hans Meyer (Manfred Zapatka) em Berlim. O homem se mantém em silêncio e dificulta sua defesa, não explicando o por que de ter cometido o assassinato.
Caspar, então decide investigar o crime e o passado de vítima e réu, deparando com eventos ocorridos na II Guerra Mundial numa Itália ocupada pelas forças de Hitler. Mas ao tentar trazer isso para o julgamento, vai verificando como o regime ditatorial que vigorou na Alemanha entre 1933 e 1945 ainda assombrava – o filme se passa entre 2001 e 2002, quando as pessoas que nasceram nos anos 1930 se encontravam com cerca de sessenta anos.
E não bastasse isso, Caspar, filho de imigrantes pobres turcos, pode estudar e se formar pois foi praticamente adotado pelo industrial assassinado, a quem agora ele tem de defender o criminoso. E isso pesa e muito. A sua ex-namorada, neta de Hans Meyer, chega a jogar na sua cara, de forma racista, quando ele faz conexão entre os nazistas e o padrinho: “não fosse por ele você estaria hoje vendendo kebab no meio da rua”...
É um filme forte, pesado, e que deixa bem claro como aquele regime vil marcou e marca diversas gerações de uma sociedade que quase sempre primou pela cultura e sabedoria, mas que viveu 12 anos nas sombras.
Cotação: ótimo
Duração: 123 min
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...