sexta-feira, julho 15, 2022

"ELVIS"

"Elvis", dirigido por Bazz Luhrmann, trata da vida do astro do Rock morto em 1977, aos 42 anos de idade, mas que ainda é um ser presente na vida de milhões de pessoas, tanto que existe uma famosa frase, talvez sentimento dos fãs: Elvis Não Morreu - muitas pessoas juram ter visto o cantor vivendo disfarçado em alguma parte do mundo. O longa metragem é contado sob a ótica do empresário do músico, Coronel Tom Parker (vivido por Tom Hanks), e que submeteu Elvis a uma relação empresarial abusiva descoberta somente na década de 1980.
O cineasta Baz Luhrmann (“O Grande Gatsby”, “Moulin Rouge!”) além de dirigir, também produziu o filme e assinou o roteiro em parceria com Sam Bromell, Craig Pearce e Jeremy Done. A obra mostra a vida do astro dos seis anos de idade até os 42, com fatos na maioria das vezes retratados com precisão.
Elvis nasceu em Tupelo, Mississippi, e depois foi morar em Memphis, ambas no sul dos Estados Unidos, região marcada pela segregação racial, porém apesar de branco se identifica mais com os negros – pela música e por ter crescido em áreas mais humildes. O astro, batizado de Rei do Rock, título que ele próprio rejeitava, preferindo atribuí-lo a Fats Domino, não criou o estilo musical, mas também não se apropriou do gênero, como muita gente espalha por aí - graças a ele o Rock'N'Roll foi conhecido pelos jovens brancos - Elvis foi o primeiro ícone do miscigenado estilo musical em larga escala.
Em "Elvis", também são mostrados o rebolado polêmico que o cantor praticava e que levava as mulheres à loucura - em uma época de repressão sexual, a dança praticada por ele as fazia ter orgasmos - e que acabou sendo alvo da censura pelos políticos conservadores. É notória a proibição de mostrar Elvis abaixo da cintura nas apresentações televisivas. A obra mostra, rapidamente, a tentativa de carreira em Hollywood que não deu certo. Os seus filmes passavam à exaustão na Sessão da Tarde da Rede Globo nos anos 1980, o retorno depois de um período de ostracismo com shows em Las Vegas. Aliás, a reprodução do momento em que ele interpreta "Suspicious Mind" feita pelo ator Austin Butler é perfeita.
O filme traz ainda o casamento com Priscilla. Os dois começaram a namora quando ela tinha 14 anos, mas só se casaram quando a garota completou 21 anos, porém isso não é destacado. Luhrmann ainda deixou fora o envolvimento político de Elvis, que visitou Richard Nixon, e virou espião, entregando vários colegas de profissão ao FBI, em sua busca frenética por "comunistas".
Elvis é vivido quase à perfeição pelo desconhecido ator californiano Austin Butler, que simplesmente está fantástico, mostrando o forte sotaque sulista, o timbre de voz, os trejeitos dentro e fora de palco. Ele ensaiou de seis a sete dias semanalmente com treinadores vocais para poder falar e cantar de maneira bem próxima ao ídolo. Hanks, por sua vez, está um pouco fora do tom, de certa forma caricato. Mas Helen Thomson como Gladys, mãe de Elvis se destaca. Kelvin Harrison Jr como B.B. King também impressiona, embora a história indique que o Rei do Blues e Elvis não eram tão próximos como exposto no filme. E Olivia DeJonge, como Priscilla, também brilha em seus momentos, como uma mulher no início adorada, mas que tem de conviver com o marido famoso e desejado pelas fãs. "Elvis" é um grande filme, e apesar de várias canções serem mostradas ao longo de suas quase 3 horas, não é um musical. Nota 10.
Cotação: excelente
Duração: 2h39min
Chico Izidro

domingo, junho 19, 2022

"LIGHTYEAR"

Em 1995, Andy ganhou um boneco do personagem do seu filme favorito. A nova animação da Pixar começa com essa frase. Sendo este filme nada menos que "Lightyear", dirigido por Angus MacLane, co-diretor de Procurando Dory e de curtas de Toy Story. Buzz Lightyear sempre foi um personagem de ficção dentro de uma ficção, então quase 30 anos após a estreia do primeiro "Toy Story", o estúdio resolveu explicar a origem do herói de plástico.
Em "Lightyear" vemos o patrulheiro espacial preso em um planeta a 4,2 milhões de anos-luz da Terra, ao lado de sua comandante e sua equipe, após sofrer um acidente. Todos tentam seguir as suas vidas, mas Buzz se sente o culpado pelo incidente e quer consertar o erro. Então, o patrulheiro começa a fazer uma série de testes de combustível para tentar tirar todo mundo do planeta. Porém, as tentativas vão dando errado e descobre que a cada novo teste, todos vão envelhendo, menos ele, devido a um lapso de tempo.
Esta premissa é excepcional, sendo uma baita história de ficção científica digna do seriado "Twilight Zone". Afinal, Buzz vê todo mundo envelhecendo e, consequentemente, morrendo, enquanto ele segue jovem e mais angustiado, tomando conhecimento de que ninguém vai restar ao seu lado quando ele voltar à Terra, caso consiga.
Os demais personagens também são bons, como a comandante Hawthorne, que é lésbica, sua neta. Mas nada melhor do que o gato-robô Sox, que por si só merecia um filme para chamar de seu. "Lightyear" é uma aventura de ficção científica, mas a partir de sua segunda metade, não traz nenhuma originalidade ou emoção, podendo ser considerado mediano. Outro problema é que no Brasil, Buzz Lightyear foi dublado por Marcos Mion, que tem uma voz um pouco irritante e que incomoda no começo - com o passar do tempo, a gente vai esquecendo um pouco, mas é muito difícil desvencilhar a identidade do ator com Buzz.
Cotação: regular
Duração: 1h45m
Chico Izidro

quinta-feira, junho 02, 2022

"JURASSIC WORLD: DOMÍNIO" (Jurassic World Dominion)

"Jurassic Park", clássico de Steven Spielberg estreou em 1993, trazendo ao mundo o fascínio pelos dinossauros. Pois 29 anos depois, estreia "Jurassic World: Domínio" (Jurassic World Dominion), direção de Colin Trevorrow, mostrando que o tempo foi cruel com a franquia, apesar de continuar a conquistar novos e apaixonados fãs. Este novo filme tem como atrativo apenas a nostalgia. São duas horas e meia de pura decepção.
Na trama, os dinossauros escaparam da ilha e passaram a dividir o espaço com os humanos. E que bela premissa para um filme de terror...mas como deve-se agradar todas as idades, esqueça-se isso e busque apenas uma marca da franquia: os sustos e os humanos fugindo dos animais pré-históricos, e nunca, nunca se vê uma gota de sangue, para não incomodar pessoas sensíveis.
Então o que resta é o casal Owen (Chris Pratt) e Claire (Bryce Dallas Howard), protagonistas dos dois filmes anteriores, "Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (2015)" e "Jurassic World: Reino Ameaçado (2018). Os dois estão tentando resgatar a filha Maisie (Isabella Sermon), uma clone criada em laboratório e sequestrada pelo vilão Lewis (interpretação pra lá de caricata de Campbell Scott). Ele é o dono da Biogenics, empresa que visa, diabolicamente, o poder mundial controlando e dominando a produção de alimentos. Nesse meio tempo, ressurge o paleontólogo Alan Grant (Sam Neill) e a pesquisadora Ellie Sattler (Laura Dern), que protagonizaram o longa de 1993, e agora voltam em papel de cientistas que investigam as atividades da empresa.
O roteiro tambpém abre espaço para a volta de Ian Malcolm (Jeff Goldblum). E nem mesmo o retorno destes personagens ícones ajudam, pois a história se resume a eles correndo, gritando e fugindo dos ataques dos dinos. Sem contar que alguns efeitos especiais deixem muito a desejar. Pena que a fórmula tenha se esgotado, com a sua estrutura tornando-se tão repetitiva e desgastada. Enfim, "Jurassic World: Domínio" pede aquilo que realmente aconteceu com os animais: que caia um meteoro e acabe com tudo.
Cotação: ruim
Duração: 2h27min
Chico Izidro

quinta-feira, maio 12, 2022

"O Homem do Norte" (The Northman)

"O Homem do Norte" (The Northman) é um drama épico dirigido por Robert Eggers (“A Bruxa”, “O Farol”), que conta a história de Amleth – uma das inspirações de Shakespeare para escrever Hamlet –, falando sobre vingança, lendas nórdicas, confronto com o cristianismo, violência e brutalidade.
Na trama transcorrida no Século X, o herdeiro de um trono viking, Amleth (Alexander Skarsgård), vê o pai, o Rei Aurvandil (Ethan Hawke) ser assassinado pelo tio Fjölnir (Claes Bang), e a mãe, a Rainha Gudrún (Nicole Kidman) ser sequestrada. Ele consegue fugir, e jura vingança. Alguns anos depois, Amleth retorna, decidido a cumprir o seu plano. Para tanto, consegue a ajuda de uma escrava eslava, Olga (Anya Taylor-Joy), que se torna também a sua amante.
"O Homem do Norte" é bastante fiel ao período, onde a vida não valia muita coisa, e os guerreiros invasores erasm implacáveis, exterminando aldeias inteiras - os sobreviventes eram transformados em escravos. Numa cena crua, um vilarejo é atacado, e velhos, crianças, mulheres são assassinados das formas mais crueis, como por exemplo decapitados ou sendo queimados vivos dentro de uma choupana.
As cenas, aliás, são espetaculares - o filme foi gravado na Islândia e na Irlanda. Em todo o tempo, o céu é cinza, o sol nunca aparece e a neve cai implacável, transformando o solo em pura lama. E as lutas são bem coreografadas, sangrentas. Afinal, a brutalidade lembra muito o seriado "Vikings. E o elenco está todo bem, com carisma, com todos tendo seu momento para brilhar, desde Alexander Skarsgård, Ethan Hawke, o dinamarquês Claes Bang, que se destacou na série The Affair e talvez tenha a melhor atuação do filme, Nicole Kidman, Willem Dafoe e até a sumida cantora e atriz Björk.
''O Homem do Norte" é um thriller que explora o quão longe uma pessoa pode ir para buscar vingança, deixando qualquer rastro de racionalidade pelo caminho. Excelente.
Cotação: ótimo
Duração: 2h17min
Chico Izidro

segunda-feira, maio 02, 2022

"Downton Abbey II: Uma Nova Era" (Downton Abbey: A New Era)

A família de aristocratas Crawley está de volta em "Downton Abbey II: Uma Nova Era" (Downton Abbey: A New Era), o segundo filme - o primeiro foi lançado em 2019 - gerado pela série de sucesso que durou seis temporadas entre 2010 e 2015. O longa é dirigido por Simon Curtis, com roteiro e produção de Julian Fellowes, e tem duas linhas narrativas, mas focando nas mudanças que a sociedade começava a passar. A trama se passa nos anos 1920.
Em uma das histórias, o conde Grantham (Hugh Bonneville), a condessa Grantham (Elizabeth McGovern) e outros agregados da família se dirigem até o sul da França, na charmosa villa na Riviera Francesa recém-herdada pela matriarca, Lady Violet (Maggie Smith), que esconde um segredo do seu passado, e por causa da idade avançada, não pode mais viajar.
No outro foco, Downton vira locação de um filme, pois a propriedade precisa do dinheiro da produção para providenciar reparos importantes - o sótão está cheio de buracos, fazendo com que a água da chuva entra fortemente. Lady Mary (Michelle Dockery) consegue convencer conde Grantham a ceder a mansão para o filme, dirigido pelo cineasta Jack Barber (Hugh Dancy). E aí talvez ocorra a coisa mais deliciosa de "Downton Abbey II: Uma Nova Era", um filme dentro de um filme, e homenageando o clássico "Cantando na Chuva", pois a produção em Downton é um um filme mudo, mas sofrendo as consequências da chegada dos filmes falados, e como isso prejudica e muito com a estrela Myrna Dalgleish (Laura Haddock) que não consegue dublar suas cenas.
Além disso, “Downton Abbey II: Uma Nova Era” apresenta, ainda, diversas mudanças marcadas por despedidas de personagens importantes - um deles o mordomo gay (Robert James-Collier), que finalmente encontra quem o compreenda e possa acabar com a sua solidão, o outro de Lady Violet, talvez o personagem mais icônico da série. O longa mantém a tradição da série, com bom humor e retrato importante de uma época.
Cotação: ótimo
Duração: 2h06min
Chico Izidro

quinta-feira, março 10, 2022

"ME TIRA DA MIRA"

Mais uma produção brasileira com atores globais, "Me Tira da Mira", direção de Hsu Chien, traz como destaque Cleo (ex-Cleo Pires), seu pai Fábio Jr. e o irmão Fiuk. O longa é uma mistura de comédia com ação, mas não sabe que caminho seguir, e segue Roberta (Cleo), que aliás, volta a interpretar uma policial, como havia feito em "Operações Especiais" (2015). Aqui ela tenta desvendar a misteriosa morte de uma atriz, Antuérpia Fox (Vera Fischer), que tudo indica ter sido suicídio, mas a policial acredita ter sido assassinato.
Para isso, Roberta se infiltra em uma clínica de realinhamento energético, recebendo a ajuda de sua terapeuta, a desmiolada Isabela (Bruna Ciocca). Ela ainda tem de lidar com o ex-namorado Rodrigo (Sérgio Guizé), cujo relacionamento segue mal-resolvido, sendo que ele ainda está em uma investigação de tráfico internacional envolvendo a mesma clínica.
"Me Tira da Mira" tropeça ao não se definir em qual segmento se insere. E é cheio de piadinhas em relação a participação de Fiuk no BBB, e citações nos diálogos de músicas de Fábio Jr - o primeiro interpreta um policial colega de Roberta, enquanto que o segundo vive o pai da policial e chefe de uma divisão da Polícia Federal.
No mais, o filme é recheado daqueles personagens estéreotipados que pululam no cinema nacional. Talvez a única graça esteja em Júlia Rabello, ex-Porta dos Fundos, que interpreta a atriz sem noção Natasha Ferrero, que está enfrentando um "cancelamento" na Internet, mas se acha a melhor de sua profissão. E por que Cleo resolveu fazer intervenções cirúrgicas, entupindo o rosto de botox? Coisas inexplicáveis. Decepcionante.
Cotação: ruim
Duração: 1h30min
Chico Izidro

quinta-feira, março 03, 2022

"THE BATMAN"

Dirigido por Matt Reeves (“Planeta dos Macacos: A Guerra” e “Cloverfield – Monstro”), “The Batman” é a quarta versão cinematográfica da saga do herói mascarado que combate o crime na cidade de Gotham - antes houve comandos de Tim Burton, Joel Schumacher e Christopher Nolan.
E afirmo que este é o melhor filme sobre um de meus super-heróis preferidos, ao lado do Homem-Aranha. E depois de anos assistindo a longas repetitivos de super-heróis, eu já estava de saco cheio e sem paciência, mas esta obra dá um novo gás.
A história e o enredo do filme são muito bons, trazendo uma série de assassinatos cometidas por um vilão que anda pelas sombras, e que se auto-intitula Charada (Paul Dano, como sempre magnífico), um maluco vingativo. Então Batman, ainda em seu segundo ano de atuação pelas ruas de Gotham e visto como um vigilante doido, ainda sem o respeito das autoridades e marginais, surge para tentar solucionar o caso, e mostrando um de seus grandes aspectos, que é de ser um dos maiores detetives do mundo.
Quem dá vida ao Batman é o ator Robert Pattinson, que fez muita gente torcer o bico, pois mesmo depois de quase 15 anos ainda está presente o vampiro depressivo e enfadonho da saga "Crepúsculo".
Mas ele cresceu muito na carreira, tem feito excelentes filmes, com ótimas atuações e entrega um herói misterioso, vigoroso e triste, assim como o personagem original dos quadrinhos - esqueçam o Batman fanfarrão e espalhafatoso da série televisiva dos anos 1960.
Seu par romântico é vivido pela linda Zoë Kravitz, interpretando Selina Kyle, a Mulher-Gato. Ela consegue fazer com que o herói demonstre algum sentimento amoroso. A química dos dois é forte, e ela bate de frente com a Mulher-Gato da Michelle Pfeiffer, de "Batman: O Retorno" (1992).
Um dos outros vilões do longa é o Pinguim, encarnado por Colin Farrell irreconhecível sob quilos de uma forte maquiagem, mas mostrando no olhar todo o perigo que o personagem pode propiciar, roubando todas as suas cenas em que aparece.
Jeffrey Wright ("007 - Sem Tempo Para Morrer"), por sua vez, mostra sua competência rotineira e certeira no papel do Comissário Gordon, saindo-se melhor do que seu antecessor, Gary Oldman no papel. Além deles, participações fantásticas como as de Peter Sarsgaard e John Turturro.
"The Batman" é uma das melhores adaptações da estética e da linguagem das revistas em quadrinhos e graphic novels como eu conheci. O único porém é que as seus 2h55min poderiam ser encurtados sem prejuízo. Mas os filmes de super-heróis ainda têm salvação.
Cotação: excelente
Duração: 2h55min
Cbico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...