quinta-feira, setembro 03, 2009

A VIDA SECRETA DAS ABELHAS





Imagine a mistura de A Cor Púrpura com Tomates Verdes Fritos! Teremos A VIDA SECRETA DAS ABELHAS, de Gina Prince-Bythewood. Nos confins da racista Carolina do Sul em 1964, a adolescente Lily (Dakota Fanning, é, a garotinha de Guerra dos Mundos cresceu e até já dá beijo na boca), maltratada pelo pai T. Ray (a ex-promessa Paul Bettany, de Coração de Tinta) e querendo saber o que aconteceu com sua mãe, foge de casa ao lado da amiga, a jovem negra Rosaleen (Jennifer Hudson, vencedora do Oscar por Dreamgirls), que é perseguida por querer inscrever-se para votar, o que é um acinte para os racistas locais.
As duas acabam refugiando-se na casa mais do que brega, pois é toda pintada de rosa, das irmãs Boatwright, August (Queen Latifah), June (Alicia Keys) e da depressiva May (Sophie Okonedo), que tiram o sustento com a venda de mel. As três vivem em um mundo quase à parte, em que o sistema racista da Carolina do Sul parece não ter espaço. Até a chegada de Lily e Rosaleen...Numa das cenas mais chocantes do filme, um rapaz negro é espancado e sequestrado por apenas sentar ao lado de Lily no cinema.
A VIDA SECRETA DAS ABELHAS não tem vergonha em apelar para o sentimentalismo, mas conta com boas atuações da própria Dakota e de Queen Latifah. Em certos momentos, porém, o espectador é pego de surpresa e acaba caindo no choro fácil.
Cotação: bom
Chico Izidro

AMANTES




Joaquim Phoenix afirmou ser este o seu último filme, pois agora vai se dedicar ao rap - e ele até arrisca um numa cena. O que convenhamos é uma pena, pois Phoenix (irmão mais novo do falecido River) é um belo ator. Em AMANTES (Two Lovers, de James Gray, ele deixa isso bem claro no papel de um jovem depressivo, Leonard, que retorna à casa dos pais (a mãe é interpretada pela outrora belíssima Isabela Rosellini), e vê-se envolvido com duas belas mulheres: a cândida Sandra (Vinessa Shaw), de tradicional família judaica e que faz tudo por ele, e a doida Michelle (Gwyneth Paltrow), destrutiva e destruidora e que mantém um romance mal-sucedido com um homem mais velho e casado (Elias Koteas, de Além da Linha Vermelha). Claro que Leonard vai percorrer o caminho mais pedregoso. Mas quem poderia resistir a beleza radiante de Paltrow? Um belo filme intimista, que só tropeça em seu final, ao escolher um caminho mais tradicional para o desfecho.
Cotação: bom
Chico Izidro

A GAROTA DE MÔNACO





Um famoso advogado, Bertrand Beauvois (Fabrice Luchini, de Paris) parte para o Principado de Mônaco com a missão de defender uma milionária acusada de ter assassinado o amante. Na rica cidade, ele tem a vigilância mais do que sufocante do segurança Abadi Christophe (Roschdy Zem, de Dias de Glória), mas acaba se apaixonando pela bela Edith (Stéphane Audran), que trabalha numa emissora de tevê como a garota do tempo. A GAROTA DO TEMPO, de Anne Fontaine, enfim é uma história batida, que trata da paixão de um homem cinquentão por uma garota na casa dos vinte e poucos anos. Nada mais Woody Allen.
Edith, completamente perua, acaba virando a cabeça de Bertrand, que quase perde o foco no julgamento, apesar de avisado por seu segurança, que manteve um romance com a garota. Ela, aliás, é um verdadeiro arroz de festa, que já transou com meio Mônaco, o que deixa o advogado mais enciumado ainda.
A GAROTA DE MÔNACO tem momentos divertidos, porém mostra-se irregular e o seu final é marcado por um tremendo erro de roteiro, que não passa despercebido a olhos e mentes mais atentos. Mas vale ver a pena a beleza natural do Principado. Um porém: a cópia exibida tem um grave problema - a legendagem branca acaba sumindo quando a cena é por excessivamente clara, deixando quem não é fluente no idioma de Victor Hugo e Napoleão completamente perdido.
Cotação: regular
Chico Izidro

quinta-feira, agosto 27, 2009

OS NORMAIS 2







Se a comédia Se eu fosse você 2 era medíocre tanto quanto a sua primeira parte, OS NORMAIS 2 - A NOITE MAIS MALUCA DE TODAS, de José Alvarenga Júnior, consegue superar o primeiro filme e é tão divertido quanto os episódios da série televisiva - que foram ao ar na Rede Globo na primeira metade desta década.
Em Os Normais 1, Rui (Luis Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres), é mostrado quando a hilária dupla acaba conhecendo-se, quando estavam para se casar com outras pessoas. Agora, em OS NORMAIS 2, o casal, já com 13 anos de noivado, vive a crise de quem está muito tempo junto. Não há mais novidade no relacionamento e está tudo mais do que morno. A palavra certa seria frio, mesmo. Então Rui e Vani decidem fazer um menage a trois, ou seja, sexo a três. E ai que a coisa fica divertida. Eles vão em busca de quem tope participar da festinha. E é a hora de os coadjuvantes entrarem em ação, como Drica Moraes, Danielle Winits, Claudia Raia, Daniele Suzuki, Alinne Moraes e Daniel Dantas.
O "timing" das piadas é excelente, por vezes mal emendando uma na outra, mal dando tempo para que o espectador termine de rir da primeira. E claro, Luis Fernando Guimarães e Fernanda Torres estão ótimos, mostrando que tem uma perfeita sintonia e deixando aquele gostinho de "quero mais" para o espectador. Como disse Fernandinha num programa de televisão: "a gente teve o senso de terminar a série no auge". Isso mantém Os Normais no coração de seus fãs.
Cotação: ótimo
Chico Izidro

SE BEBER, NÃO CASE





Há muito não e via uma comédia tão escrachada e que foge ao estereótipo jovens querendo perder a virgindade ou paródias de filmes de sucesso de Hollywood, SE BEBER, NÃO CASE (The Hangover, de Todd Phillips), quatro amigos partem para Las Vegas para comemorar a despedida de solteiro de um deles, Doug (Justin Bartha, de A Lenda do Tesouro Perdido). Tudo parece correr bem, mas no início da noite, após brindarem, eles apagam e acordam pela manhã num apartamento completamente destruído, com um tigre no banheiro e uma galinha correndo pelos cômodos. E Doug? Ele simplesmente desapareceu.
A partir daí, os três remanescentes: Phil (Bradley Cooper, de Ele não está tão afim de você), Ed Helms (The Office, versão americana) e o paspalhão Alan (Zach Galiafinakis, de Jogo de Amor em Las Vegas) tentam remontar o que aconteceu na noite passada, porém não recordam de nada, simplesmente nada. E tão perdidos quanto eles fica o espectador, que entra na brincadeira. Uma hora eles são perseguidos por uma gangue de chineses, sem entender o porque, noutra encaram o ex-pugilista Mike Tyson e um deles até descobre que na bebedeira perdeu um dente e acabou casando com uma prostituta, a bela Jade (Heather Graham, de Austin Powers). As piadas se sucedem como uma avalanche, mas o melhor está no final, quando o da explicação do que houve na noite da bebedeira. Então, um aviso: não abandone o cinema quando começarem os créditos.
Cotação: ótimo
Chico Izidro

JCVD





Nada melhor do que um astro de Hollywood saber tirar sarro de sua própria decadência. Neste caso, falo de Jean-Claude Van Damme, que estrela o quase depressivo JCVD, de Mabrouk El Mechri. Note que o título do filme remete as iniciais do ator, que teve seu auge entre o final da década de 1980 e a primeira metade dos anos 1990, depois entrando em franca decadência, chegando ao cúmulo de participar de um programa de Gugu no SBT, onde teve uma ereção ao ver uma dança sensual de Gretchen.
Em JCVD, ele interpreta a si mesmo. Sem emprego e quase sem dinheiro, ainda enfrenta um processo de divórcio e briga pela guarda da filha, Jean-Claude Van Damme decide retornar à sua terra natal, Bruxelas. Lá vai a uma agência de correios buscar uma encomenda, mas como tudo na sua vida está dando errado, acaba chegando na hora de um assalto. É feito refém, mas para as autoridades, é visto como o líder do crime. JCVD remonta a Um dia de Cão, com Al Pacino, principalmente na figura de um dos criminosos, que usa o cabelo exatamente como o personagem de John Cazale no clássico policial de 1975. Numa parte emblemática de JCVD, Van Damme fala diretamente para a câmera, desabafando sobre o que deu de errado em sua carreira.
Cotação: bom
Chico Izidro

ARRASTE-ME PARA O INFERNO





Sam Raimi, de Homem-Aranha, decidiu voltar aos anos 1980, quando estreou no cinema com o terrir Uma Noite Alucinante. Desta vez, depois do sucesso do aracnídeo, ele decidiu brindar os seus fãs com um revival, no divertido ARRASTE-ME PARA O INFERNO (Drag me to Hell). A história é atolada de clichês, mas não deixa de pregar os seus sustos e também o de fazer o espectador se mijar de rir na poltrona.
A bonitinha Christine (Alison Lohman, de Os Vigaristas, onde fez parceria com Nicolas Cage) trabalha num banco e sonha em ser auxiliar de gerência. Para tanto, tem de deixar de ser boazinha e negar a extensão de uma hipoteca para uma velhinha cigana, que por vingança, roga-lhe uma praga. Christine tem então, três dias para se livrar do mal. E daí em diante é uma sucessão de objetos voando em direção à heroína, que também é jogada sobre os móveis, é arrastada pela casa por um ser invisível, no melhor estilo Uma Noite Alucinante, além de vômitos, vermes rastejantes. O seu namorado, Clay (Justin Long, de Duro de Matar 4), evidente, acha que a moça está tendo alucinações. No meio de tanta nojeira, quem estiver atento, pode se tocar da pegadinha que dará conclusão ao filme, no melhor estilo M. Night Shyamalan, mas com mais estilo.
Cotação: bom
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...