quarta-feira, outubro 28, 2015
“Straight Outta Compton - A História do N.W.A.” (Straight Outta Compton)
N.W.A. é a sigla em inglês para Niggaz With Attitude, ou negros com atitudes foi um grupo de rappers surgidos em meados dos anos 1980 na Califórnia, todos oriundos da cidade de Compton. Eles são os criadores do gangsta rap, que levou para a música a violência das ruas e do submundo para a cultura pop. O N.W.A. ganha uma cinebiografia em “Straight Outta Compton - A História do N.W.A.” (Straight Outta Compton), direção de F. Gary Gray. Todos os personagens sofreram com aqueles elementos conhecidos pela população pobre – desemprego, desagregação familiar, preconceito social e racial.
Uma das cenas é emblemática. Os músicos estavam gravando em um estúdio localizado em um bairro branco de Los Angeles e foram para a calçada fazer uma pausa. Segundos depois, aparecem vários carros da polícia e os músicos são jogados no chão e algemados. Não haviam feito nada de suspeito, mas só o fato de serem negros já causou comoção. O N.W.A. criaria um dos mais violentos raps contra a força policial, a música Fuck the Police, que foi censurada e onde era executada, causava transtornos a eles. Falava da violência dos homens da lei e evidentemente mandando as pessoas reagirem.
Saídos do gueto, todos eles, Dr. Dre, Ice Cube e Eazy-E, acabaram ficando milionários.
E claro, surgiram as desavenças e os desgastes naturais, além de problemas com empresários, principalmente com Jerry Heller (um estupendo Paul Giamatti), o primeiro a dar espaço para a trupe. Quem arrasa, no entanto, é Jason Mitchel no papel de Eazy-E, ex-traficante que usou a grana do tráfico para abrir uma gravadora (alguém aí lembrou da série Empire?) e que acabaria sucumbindo ao vírus da AIDS em 1995. Ao se descobrir doente, ele olha para o médico e solta aquela pérola da época tão difundida: “mas eu não sou viado”, como se somente os homossexuais estivessem no risco de contrair a doença. Já a semelhança entre O’Shea Jackson Jr. que vive o próprio pai, Ice Cube, é espantosa.
No final, o grupo acabaria retomando contato e revelando ao mundo dois rappers de importância fundamental ao movimento, Snoopy Dog Dog e Tupac Shakur. Este acabaria assassinado em Los Angeles quando começava a curtir o sucesso, mas seu envolvimento com as gangs lhe custou a vida.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=qNJoVvN6sbg
Duração: 2h27min
Cotação: bom
Chico Izidro
“Os 33” (The 33)
Em 2010, o desabamento de uma mina em Capiapó, no deserto chileno de Atacama, deixou soterrados 33 mineiros, que permaneceram vários dias sem comunicação com o mundo exterior. Eles não sabiam se estavam sendo procurados ou dado como mortos, assim como a direção da mina não sabia se eles haviam sobrevivido ao acidente. Após 17 dias, a notícia de que todos estavam bem, pois haviam se escondido no local conhecido como refúgio, que ficara separado do exterior por uma gigantesca rocha. Os mineiros, apesar das condições adversas, como poucos alimentos e pouca água, mantinham-se esperançosos.
Em “Os 33” (The 33), direção de Patricia Riggen, é mostrado o resgate daqueles homens, liderados desde o início por Mario Sepúlveda (atuação segura de Antonio Banderas). Não fosse ele, aqueles mineiros teriam se transformado em bichos a mais de 700 metros abaixo da terra. Mario organizou as refeições, as tarefas e não deixou que ninguém enlouquecesse. O outro personagem central da história foi o Ministro das Minas do Chile, Laurance Golborne, vivido por Rodrigo Santoro, que apesar do tempo, ainda se mostra engessado ao interpretar em inglês.
Sim, para atender o mercado norte-americano, “Os 33” é inexplicavelmente todo falado na língua do Tio Sam. E isso incomoda e muito. Afinal, se está no Chile, e em uma terra de gente humilde e trabalhadora. Fica algo muito irreal. É de doer.
O filme ainda não consegue transmitir a sensação de claustrofobia vivida por aqueles homens durante 69 dias. Apesar de conhecermos o destino deles, não existe tensão em nenhum momento. “Os 33” ainda tropeça no sentimentalismo barato, ajudado por uma lamuriosa Juliette Binoche, que vive a irmã de um dos mineiros. O término do filme ainda, desculpe o trocadilho, é um poço de apelação.
Veja o trailer: http://www.foxfilm.com.br/os-33
Duração: 2h05min
Cotação: ruim
Chico Izidro
“Grace de Mônaco” (Grace of Monaco)
Grace Kelly foi uma das atrizes mais lindas da história do cinema. Musa de Alfred Hitchcock, ao filmar “Ladrão de Casaca” no Principado de Mônaco, em 1955, conheceu o príncipe Rainier. Acabou casando com ele e largando a carreira cinematográfica e virando princesa, num casamento dos sonhos, em 1956. Pois no começo da década de 1960, ela foi procurada pelo diretor inglês, que a desejava como atriz principal em “Marnie – Confissões de Uma Ladra”, que como sabemos acabou com Tippi Hedren. Só que naquele momento, o mundo de Grace era outro, mas a vida real era vista como enfadonha por ela, que ficou balançada pelo convite de Hitchcock.
Em “Grace de Mônaco” (Grace of Monaco), direção de Olivier Dahan, de “Piaf – Um Hino Ao Amor”, não temos aquelas tradicionais cinebiografias mostrando a vida de uma personalidade desde a sua infância até a morte. Aqui foi seguido aquilo que vem ocorrendo com frequência, ou seja, pega-se um determinado período na vida de alguém, que fosse relevante, e romantizar um pouco. E Grace viu aquela época ser perturbadora. Ela pensou seriamente em aceitar voltar a filmar, mas seu marido, o distante Rainier era contrário ao desejo dela. Afinal, ela tinha coisas mais importantes para cuidar, como os filhos e os bailes, que considerava tediosos. E não bastasse isso, o Principado sofria uma grande pressão do governo francês de Charles de Gaulle. O presidente gaulês estava descontente com Mônaco, que não pagava impostos e ainda aceitava empresas francesas em seu minúsculo território, que ficavam isentas de taxas. De Gaulle ameaçou: ou Mônaco parava com isso ou seria anexado à França.
E Grace não ajudava em nada, sendo ainda vista com reservas pelos monegascos. Afinal, ela era filha de um comerciante americano e não possuía sangue azul. A pergunta que se fazia era quanto tempo ela aguentaria a vida que levava.
O diretor faz um filme bonito visualmente, utilizando atores muito semelhantes aos personagens reais que interpretam. E o esmero plástico e muito cuidadoso. Nicole Kidman por vezes lembra realmente Grace Kelly. O príncipe Rainier é interpretado por Tim Roth. O problema é que em “Grace de Mônaco” existe uma grande dose de novela, partindo de sua trilha sonora melosa, closes diversos no rosto de Nicole, brigas do casal real e tramas palacianas maquiavélicas, tudo isso já visto dezenas de vezes em outras produções.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=klxza69ZqHg&spfreload=10
Duração: 1h43min
Cotação: regular
Chico Izidro
“O Último Caçador de Bruxas” (The Last Witch Hunter)
Vin Diesel é até carismático, só que é um péssimo ator. Seu estilo durão e tosco até funciona em “Velozes e Furiosos”, mas qualquer outra tentativa é frustrante. Ele passa a impressão de decorar e depois declamar seus textos, nunca mudando as feições do rosto. Então viver um personagem de mais de 800 anos torna-se um tormento para ele, numa história que pretende-se um pouco mais elaborada. É o que acontece em “O Último Caçador de Bruxas” (The Last Witch Hunter), direção de Breck Eisner.
A trama até começa promissora, no século XII, quando um grupo de caçadores invade o território da Bruxa Rainha, a fim de exterminá-la, pois ela é a causadora da praga que exterminou boa parte da população – esqueça a ciência neste caso, já que sabemos que a Peste Negra tinha outra causa e nada de sobrenatural. Um deles, Kaulder (Vin Diesel) consegue matar a vilã, não sem antes ser amaldiçoado com a imortalidade?! Cá pra nós, quem de nós não gostaria de viver para sempre? Bem que no caso do mocinho, ele teria de vagar pela eternidade longe de seus entes queridos.
Então o filme dá um salto no tempo e vai parar nos anos 2000, onde Kaulder vive em Nova Iorque, onde continua sua missão de matar as bruxas, ajudado por uma ordem de padres. Um deles, vivido por Michael Kane, que devia estar precisando de grana para pagar o aluguel, é morto, e Kaulder e outro padre, o novato Dolan (Elijah Wood), descobrem que a morte não foi natural e sim assassinato. Até que investigando, acabam sabendo que um bruxo pretende trazer a Bruxa Rainha de volta a vida. O jeito é aceitar a ajuda de uma bruxinha do bem, Chloe (Rose Leslie) para tentar evitar a volta do mal à terra.
As cenas de ação até são bem construídas, mas a trama se mostra um pouco sem pé nem cabeça, com reviravoltas sem sentido. E sem contar os furos de roteiro, que transformam “O Último Caçador de Bruxas” em péssima diversão.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=3w4s8HQrnsE
Duração: 1h47min
Cotação: ruim
Chico Izidro
quarta-feira, outubro 21, 2015
“Ponte dos Espiões” (Bridge of Spies)
A parceria entre Steven Spielberg e Tom Hanks, que já havia gerado o clássico moderno “O Resgate do Soldado Ryan”, agora ganha uma nova obra-prima, que é “Ponte dos Espiões” (Bridge of Spies), passado no período da Guerra Fria, mais exatamente tão logo surgiu o Muro de Berlim, no começo dos anos 1960. No início da trama é mostrada a paranoia da época, quando o filho do personagem principal se preocupa com um possível ataque por bomba atômica em terras americanas.
E o filme já começa com fôlego, com a espetacular prisão do espião soviético Rudolf Abel (primorosa atuação de Mark Rylance) pelo serviço secreto americano. Logo o advogado especializado em seguros James Donovan (Tom Hanks) é chamado para defender o sujeito, que pode ser condenado à morte. Visto com desprezo por outros americanos por tentar salvar Abel da cadeira elétrica, logo o advogado se verá envolvido em uma empolgante trama internacional. Pois no mesmo período, os soviéticos haviam feito prisioneiro um piloto americano, Francis Gary Powell (Austin Stowell), que sobrevoava território russo em um avião espião, até ser derrubado e condenado à cadeia em terras comunistas.
Donovan, por seu estilo conciliador e calmo, é convocado pelo governo americano. Sua missão: ir até Berlim e tentar fazer a troca dos dois presos. Mas no meio do caminho surge outro problema, pois um estudante americano acaba preso em Berlim Oriental, acusado de espionagem. Então o advogado quer uma troca 2 por 1.
Spielberg dirige com firmeza a história, fazendo uma reconstituição de época perfeita. Claro que seu estilo não deixa de lado alguns momentos familiares piegas, mas isso é o de menos. Os personagens são bens construídos, principalmente o espião Rudolf Abel, misterioso até o último fio de cabelo. E Tom Hanks conduz com perfeição seu James Donovan, que não pretende se envolver com problemas políticos, mas se vê envolto numa intrincada trama, não desistindo dela, mesmo depois de ter sido escorraçado pelos seus conterrâneos por ousar defender um comunista.
Duração: 2h12min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
“Sicario: Terra de Ninguém” (Sicario)
O cartel do narcotráfico mexicano é deveras violento. E é ele que a CIA vai combater em “Sicario: Terra de Ninguém” (Sicario), direção de Denis Villeneuve. Filme tenso, com uma trilha sonora poderosa, a cargo do compositor Jóhann Jóhannsson, que coloca mais força dramática a cada nota, principalmente em uma cena dentro de um túnel entre os Estados Unidos e o México. As atuações de Emily Blunt, Josh Brolin e Benicio Del Toro também são fortes.
Emily Blunt é Kate Macy, uma agente da CIA destacada para acompanhar missão da agência norte-americana que pretende capturar um poderoso senhor das drogas mexicano. Mas ela é colocada no meio do tiroteio às cegas, pois quase nada lhe é explicado. Os outros agentes são homens brutalizados e cínicos, que não costumam falar muito, daquele tipo atiram primeiro e depois perguntam. O mais misterioso é Alejandro (Del Toro), que terá uma das cenas mais chocantes do filme, quando se depara com o chefe do tráfico e sua família.
Aliás, “Sicario: Terra de Ninguém” (Sicario) já começa dizendo ao que veio, mostrando a invasão de uma casa em Phoenix, onde são encontrados dezenas de corpos enterrados dentro das paredes do local. Outro grande momento é quando os agentes da CIA atravessam a fronteira entre EUA e México e entram na violenta Ciudad Juárez, onde vão buscar um traficante. No percurso são mostrados corpos decapitados e pendurados em pontes – tal qual é registrado no noticiário real. A câmera acompanha a viagem dos carros pelas ruas da cidade mexicana, e também na volta, numa aérea espetacular, mostrando um forte engarrafamento. Realista e cru, mesmo que às vezes acabe por estereotipar os bandidos mexicanos.
Duração: 2h02min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
“Goosebumps: Monstros e Arrepios” (Goosebumps)
Em muito tempo, finalmente Jack Black não interpreta o irritante Jack Black. Em “Goosebumps: Monstros e Arrepios”, direção de Rob Letterman, ele vive o escritor R. L. Stine, que vive com a filha numa cidadezinha do meio-oeste americano. Autor de vários livros de terror, evita ao máximo o convívio de outros seres humanos. Até que surge na vizinhança um garoto vindo de Nova Iorque, Zach (Dylan Minette), que Stine faz questão de manter longe de sua casa e de sua filha adolescente Hannah (Odeya Rush).
Porém Zach acha que Hannah sofre violência doméstica e passa a cuidar os passos dos vizinhos, até que acaba sem querer descobrindo os livros de Stine, que são chaveados, pois escondem um segredo. Os vários monstros que Stine criou durante a vida estão presos neles, mas se abertos, criam vida. E é o que acaba acontecendo. E os seres não são nada carinhosos. Pelo contrário. Liderados por um marionete psicopata, os monstros vão apavorar a cidade e tentar eliminar Stine, Zach, Hannah e quem mais cruzar pelo caminho deles.
Mas apesar de trazer monstros como o lobisomem, zumbis, pé grande, dezenas de gnomos assassinos, insetos gigantes, o filme não mete medo. As cenas são divertidas, quase hilárias, principalmente quando aparece o coadjuvante Champ (Ryan Lee), que arrasa a cada cena que aparece, por suas trapalhadas ou tiradas espirituosas. Numa delas, o personagem de Jackk Black fica preso num portão e diz para todos fugirem, que ele se sacrificará pelo grupo, esperando receber em troca ajuda. Champ olha para ele, e diz: “Tá bom, sorte aí”, enquanto some em desabalada carreira.
Duração: 1h43min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
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