quarta-feira, novembro 11, 2015
"45 Anos" (45 Years)
Kate Mercer (Charlotte Rampling) está preparando a festa de comemoração dos 45 anos de seu casamento com Geoff (Tom Courteney). É quando ele recebe uma carta do governo suíço avisando que foi encontrado o corpo da primeira namorada dele, que morrera no começo da década de 1960 ao cair num buraco em uma geleira durante trilha feita nos Alpes. Então o passado ameaça destruir o presente e o futuro em "45 Anos" (45 Years), direção de Andrew Haigh.
Apesar das quatro décadas e meia de relacionamento, as horas e dias seguintes mostram que este período não foi o suficiente para Geoff ter esquecido o primeiro amor. Durante uma conversa, ele confessa que se sua primeira namorada não tivesse morrido, seria com ela que teria casado. Para decepção de Kate, que passa a ter momentos de insegurança.
Charlotte Rampling está excepcional, mostrando olhares de decepção e desespero. Será que todo este tempo ao lado de Geoff foi em vão, e que ela foi uma opção devido às circunstâncias trágicas na vida dele? Que Geoff nunca a amou. Tom Courteney interpreta um homem cujo o tempo não foi amigo, adoentado e com manias típicas de um setentão.
"45 Anos" tenta mostrar que o tempo não cura as feridas, apesar de muito se dizer ao contrário. Elas permanecem abertas...
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=qXAnjA9tAnQ
Duração: 1h35min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
quinta-feira, novembro 05, 2015
"007 Contra Spectre" (Spectre)
Daniel Craig já avisou que este é o seu último filme como 007. E "007 Contra Spectre" (Spectre), o vigésimo-quarto da cinesérie, dirigido por Sam Mendes, é um bom adeus, trazendo o sedutor espião inglês, com licença para matar, quebrando as regras mais uma vez. Desta vez, a aventura começa na Cidade do México, no Dia dos Mortos, em uma abertura espetacular, onde 007 elimina numa sequência de tirar fôlego o integrante de uma organização secreta, Marco Sciarra.
Só que ele faz sem o consentimento de seu chefe, M (Ralph Fiennes), substituto de Judi Dench, morta no episódio anterior, "Operação Skyfall". Contrariado pela insubordinação do espião, M manda implantar um dispositivo no sangue de 007, tipo um GPS, para saber sempre onde ele anda. Claro que 007 não vai respeitar as normas, e em momento delicado para sua agência, que vista como obsoleta, está sendo desativada.
Mas 007 permanece em sua investigação, burlando tudo e a todos, tomando conhecimento de que a organização a que pertencia Sciorra, e comandada pelo misterioso Franz Oberhauser (Christoph Waltz), vai se reunir em Roma. O espião segue para lá, e depois vai para a Áustria, sempre envolvendo-se com belas mulheres. As bond-girls da vez são Monica Belucci e Léa Seydoux. Christoph Waltz, infelizmente, parece destinado a viver sempre o mesmo tipo de papel: o vilão caricato, com frases de efeito e engraçadinhas, e gestos exagerados. Mas se seu vilão é fraco, é compensando pelo violento assassino interpretado por Dave Bautista, que lembra muito Richard Kiel, o Jaws, devido a sua força sobre-humana, poucas palavras e muita agressividade. O grande destaque o filme continua sendo Daniel Craig, com sua cara de pedra e de poucos sorrisos. Ele passa mesmo a impressão de que 007 pode fazer o que quiser, quando quiser.
A destacar também a música-tema da vez, interpretada por Sam Smith, "Writting´s On The Wall", que prejudica as clássicas aberturas dos filmes. Música fraca e sem o vigor de uma "For You Eyes Only", "Goldfinger" ou "Live and Let Die". "Writting´s On The Wall" até faz a chata "Skyfall", com Adele, ser agradável.
Duração: 2h30min
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=a7TBd8YPqLo
Cotação: bom
Chico Izidro
"Olmo e a Gaivota" (Olmo and The Seagull)
Misto de ficção e documentário, "Olmo e a Gaivota" (Olmo and The Seagull), mostra o drama vivido pela atriz Olivia (Olivia Corsini), que ensaia a peça "A Gaivota", de Anton Tchecov. O grupo teatral dela recebe uma proposta para se apresentar numa turnê por Nova Iorque e Montreal. E é quando ela descobre estar grávida do companheiro e colega Serge (Serge Nicolaï).
Com direção compartilhada pela brasileira Petra Costa, do documentário "Helena" e a dinamarquesa Lea Glob, "Olmo e a Gaivota" vai apresentar o dia a dia de Olivia sob o risco de perder o bebê devido a um problema no útero. Ela é obrigada, então, a permanecer ociosa em seu apartamento. Qualquer movimento mais brusco pode fazê-la abortar.
Surgem problemas, pois a atriz passa os dias sozinha, sentindo-se menosprezada pelo companheiro, que apesar do pedido dela, não pode parar de trabalhar. Afinal, os dois dependem do salário dele, de 1.800 euros mensais, sendo que eles pagam de aluguel 1.450. Olivia recebe uma ajuda do governo de 30 euros por dia até o final da gravidez. Muito pouco.
Por vezes, existe a intervenção da diretoria, que conversa com os atores, como se fosse uma terapeuta ou uma psicóloga. "Olmo e a Gaivota" revela que a vida de ator não é fácil, ainda mais com uma gravidez, que traz problemas financeiros e insegurança.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=h_S1J5K8meA
Duração: 1h 27min
Cotação: bom
Chico Izidro
“Beira-Mar”
A homossexualidade já mostra um forte indício no começo do brasileiro “Beira-Mar”, dirigido conjuntamente por Filipe Matzembacher e Marcio Reolon. O filme pode ser colocado na mesma linha de um outro que fala sobre a descoberta da sexualidade por adolescentes, “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, mas sem a mesma delicadeza. Introspectivo, com closes nos protagonistas, longos momentos de silêncio, mostra o final de semana de dois amigos, os jovens Martín (Mateus Almada) e Tomaz (Maurício José Barcellos), que vão a Capão da Canoa. É inverno e Martín tem de resolver um problema com parentes de seu pai.
Sozinhos numa enorme casa classe média da família de Martín, eles gastam as horas ociosas jogando vídeo-game – em cena que se refere a masturbação -, bebem, fumam sem parar e recebem amigos para uma festinha regada a cerveja. E quem sabe pegar as gurias presentes. Tomaz, porém, desde o início mostra fortes traços andróginos. Seria ele homossexual? As atitudes do garoto deixam dúvidas até os momentos finais.
Os dois protagonistas mostram um pouco de inexperiência em cena, talvez por serem atores novatos. Mas ambos conferem credibilidade nos momentos mais quentes protagonizados no final de “Beira-Mar”. Que pode incomodar alguns, por trazer à tona o mundo LGBT.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=5beTtIUHolU
Duração: 1h23min
Cotação: regular
Chico Izidro
"Sem Filhos" (Sin Hijos)
Por que as comédias brasileiras não se espelham nas dos nossos vizinhos argentinos? "Sem Filhos" (No Hijos), dirigido por Ariel Winogrod, traz um roteiro engraçado e inteligente, e boas atuações.
Na trama, o dono de uma loja de instrumentos musicais em Buenos Aires, Gabriel (Diego Peretti), que está separado de sua mulher há alguns anos, dedica seu tempo a filha que teve com ela, a pequena Sofia (Guadalupe Manent), de nove anos. E a garota é o centro de sua atenção, ou seja, zero relacionamentos na vida de Gabriel - num encontro armado por amigos, ele passa a falar sem parar de Sofia, assustando a pretendente.
Até que um dia ele reencontra uma paixão de sua juventude, Vicky (Maribel Verdú). Os dois iniciam um namoro, que sofre um abalo quando ela revela não gostar nenhum pouco de crianças. Para desespero de Gabriel. Apaixonado como há muito não se via, ele decide tomar uma medida radical - esconder a existência de Sofia.
Toda a vez que Vicky vai no apartamento dele, os pertencer da menina são escondidas - Sofia também não sabe da existência de Vicky, mas começa a desconfiar das atitudes do pai. E quando ela descobre, surge a graça do filme. A garota se encontra com Vicky e para não estragar o namoro, afirma ser a irmã mais nova de Gabriel. E os dois têm de sustentar a mentira.
Diego Peretti tem um jeitão esquisito, dono de um imenso nariz e pernas arqueadas, faz um ótimo personagem, meio bobão. Mas o show mesmo é dado pela pequena Guadalupe Manent, intérprete de Sofia, garantindo os melhores momentos do filme, esperta, cheia de vivacidade e diálogos afinados. Ela rouba a cena de Perreti e Verdú.
Duração: 1h30min
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=8gjNwY32vFU
Cotação: bom
Chico Izidro
quarta-feira, outubro 28, 2015
“Straight Outta Compton - A História do N.W.A.” (Straight Outta Compton)
N.W.A. é a sigla em inglês para Niggaz With Attitude, ou negros com atitudes foi um grupo de rappers surgidos em meados dos anos 1980 na Califórnia, todos oriundos da cidade de Compton. Eles são os criadores do gangsta rap, que levou para a música a violência das ruas e do submundo para a cultura pop. O N.W.A. ganha uma cinebiografia em “Straight Outta Compton - A História do N.W.A.” (Straight Outta Compton), direção de F. Gary Gray. Todos os personagens sofreram com aqueles elementos conhecidos pela população pobre – desemprego, desagregação familiar, preconceito social e racial.
Uma das cenas é emblemática. Os músicos estavam gravando em um estúdio localizado em um bairro branco de Los Angeles e foram para a calçada fazer uma pausa. Segundos depois, aparecem vários carros da polícia e os músicos são jogados no chão e algemados. Não haviam feito nada de suspeito, mas só o fato de serem negros já causou comoção. O N.W.A. criaria um dos mais violentos raps contra a força policial, a música Fuck the Police, que foi censurada e onde era executada, causava transtornos a eles. Falava da violência dos homens da lei e evidentemente mandando as pessoas reagirem.
Saídos do gueto, todos eles, Dr. Dre, Ice Cube e Eazy-E, acabaram ficando milionários.
E claro, surgiram as desavenças e os desgastes naturais, além de problemas com empresários, principalmente com Jerry Heller (um estupendo Paul Giamatti), o primeiro a dar espaço para a trupe. Quem arrasa, no entanto, é Jason Mitchel no papel de Eazy-E, ex-traficante que usou a grana do tráfico para abrir uma gravadora (alguém aí lembrou da série Empire?) e que acabaria sucumbindo ao vírus da AIDS em 1995. Ao se descobrir doente, ele olha para o médico e solta aquela pérola da época tão difundida: “mas eu não sou viado”, como se somente os homossexuais estivessem no risco de contrair a doença. Já a semelhança entre O’Shea Jackson Jr. que vive o próprio pai, Ice Cube, é espantosa.
No final, o grupo acabaria retomando contato e revelando ao mundo dois rappers de importância fundamental ao movimento, Snoopy Dog Dog e Tupac Shakur. Este acabaria assassinado em Los Angeles quando começava a curtir o sucesso, mas seu envolvimento com as gangs lhe custou a vida.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=qNJoVvN6sbg
Duração: 2h27min
Cotação: bom
Chico Izidro
“Os 33” (The 33)
Em 2010, o desabamento de uma mina em Capiapó, no deserto chileno de Atacama, deixou soterrados 33 mineiros, que permaneceram vários dias sem comunicação com o mundo exterior. Eles não sabiam se estavam sendo procurados ou dado como mortos, assim como a direção da mina não sabia se eles haviam sobrevivido ao acidente. Após 17 dias, a notícia de que todos estavam bem, pois haviam se escondido no local conhecido como refúgio, que ficara separado do exterior por uma gigantesca rocha. Os mineiros, apesar das condições adversas, como poucos alimentos e pouca água, mantinham-se esperançosos.
Em “Os 33” (The 33), direção de Patricia Riggen, é mostrado o resgate daqueles homens, liderados desde o início por Mario Sepúlveda (atuação segura de Antonio Banderas). Não fosse ele, aqueles mineiros teriam se transformado em bichos a mais de 700 metros abaixo da terra. Mario organizou as refeições, as tarefas e não deixou que ninguém enlouquecesse. O outro personagem central da história foi o Ministro das Minas do Chile, Laurance Golborne, vivido por Rodrigo Santoro, que apesar do tempo, ainda se mostra engessado ao interpretar em inglês.
Sim, para atender o mercado norte-americano, “Os 33” é inexplicavelmente todo falado na língua do Tio Sam. E isso incomoda e muito. Afinal, se está no Chile, e em uma terra de gente humilde e trabalhadora. Fica algo muito irreal. É de doer.
O filme ainda não consegue transmitir a sensação de claustrofobia vivida por aqueles homens durante 69 dias. Apesar de conhecermos o destino deles, não existe tensão em nenhum momento. “Os 33” ainda tropeça no sentimentalismo barato, ajudado por uma lamuriosa Juliette Binoche, que vive a irmã de um dos mineiros. O término do filme ainda, desculpe o trocadilho, é um poço de apelação.
Veja o trailer: http://www.foxfilm.com.br/os-33
Duração: 2h05min
Cotação: ruim
Chico Izidro
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