quinta-feira, janeiro 28, 2016
"Trumbo - Lista Negra" (Trumbo)
Dalton Trumbo foi um escritor e roteirista norte-americano e comunista de carteirinha. O drama que ele viveu no final dos anos 1940 e na década seguinte é contada no belo drama "Trumbo - Lista Negra" (Trumbo), direção de Jay Roach.
Trumbo foi perseguido por suas ideias esquerdistas no começo da Guerra Fria. Perseguido pelo macarthismo, foi incluido na lista dos "Dez de Hollywood", roteiristas da meca do cinema que se negaram a colaborar com as investigações que perseguiam os considerados subversivos. Na época, ele era o melhor salário da indústria, mas acabou despedido e preso. Após sua libertação, acabou sobrevivendo escrevendo roteiros sob pseudônimos para estúdios menores.
Por ironia, ganhou por duas vezes o Oscar, por "A Princesa e o Plebeu" e "Arenas Sangrentas". Só saiu do ostracismo quando procurado por Kirk Douglas para roteirizar o clássico "Spartacus" e depois por Otto Preminger para escrever o épico "Exodus". Os dois, apesar da pressão dos anti-comunistas, colocaram o nome de Trumbo nos créditos das obras. Em 1971, ele mesmo dirigiria "Johnny Vai à Guerra", baseado em seu próprio livro, lançado em 1939.
O filme é uma verdadeira lição de história, mostrando um período odioso da América, com a Caça às Bruxas, onde muita gente perdeu emprego, casa, família e em certos casos, até a própria vida. Bryan Cranston, que viveu o professor Walter White, que vira traficante em Breaking Bad, é a maior qualidade do filme, com uma interpretação magistral de Trumbo, incorporando até mesmo seus tiques e manias. O personagem é humanizado, com suas contradições. Era um homem que pensava na humanidade, mas tiranizava sua própria família.
Os personagens coadjuvantes também estão muito bem, como por exemplo a colunista de fofocas e que perseguia os esquerdistas, usando até chantagem, Hedda Hopper, interpretada com perfeição por Hellen Mirren. Ou o John Wayne de David James Elliot, fascista até o último fio de cabelo.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=n0dZ_2ICpJE
Duração: 2h04min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
"Anomalisa" (Anomalisa)
Uma animação que é para poucos. "Anomalisa" (Anomalisa), direção de Charlie Kaufman e Duke Johnson, mostra a solidão e a desilução dos tempos atuais, interpretados por marionetes. E definitivamente não é para crianças. Uma tematica completamente adulta.
O escritor de auto-ajuda Michael Stone (voz de David Thewis) está em Connecticut, onde fará uma palestra para profissionais de atendimento ao consumidor. Longe da mulher e do filho, ele encontra-se em um hotel, enquanto espera a hora de dar sua palestra. De repente, decide procurar uma antiga namorada, que não vê há 10 anos. O encontro, porém, não sai como o esperado, e Michael volta para seu canto.
Mas acaba trombando com duas garotas que estão no hotel para assistí-lo. E ele se encanta com Lisa (voz de Jennifer Jason Leigh), que se sente feia, pois tem uma cicatriz no rosto. A empatia dos dois, no entanto, é instantânea, e Michael se apaixona por Lisa.
Os dois, então, iniciam uma relação onde a neurose e a angústia de ambos está muito presente. Quem espera uma animação com piadas e momentos divertidos irá se decepcionar. Pois aqui o que está presente é a reflexão sobre a vida e do que fazemos dela.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=2W8qk39Rmbk
Duração: 1h 30m
Cotação: ótimo
Chico Izidro
"Caçadores de Emoção - Além do Limite" (Point Break)
Tão logo acabou o filme, fui para casa para rever o original. E conclusão, o remake não dá nem para a saída. Falo de "Caçadores de Emoção - Além do Limite" (Point Break), direção de Ericson Core, refilmagem de "Caçadores de Emoção", dirigido por Kathryn Bigelow, que anos depois ganharia o Oscar por "Guerra ao Terror" e que tinha como protagonistas Patrick Swayze, Keanu Reeves e Gary Busey.
Na trama, o novato investigador do FBI Johnny Utah (Reeves), que tem de se infiltrar numa gangue que pratica assaltos a bancos usando máscaras de ex-presidentes norte-americanos.
Na nova versão, Johnny Utah é um ex-praticante de esportes radicais interpretado por Luke Bracey. Também novato no FBI, sua missão é praticamente a mesma, mas se no primeiro filme a ação se restringia ao litoral californiano, agora os ladrões agem ao redor do mundo. E nunca ficam com o dinheiro, que como Robin Hood, distribuem aos pobres. A gangue é liderada por Bodhi (Édgar Ramírez), que aceita Utah tranquilamente em sua turma.
As paisagens são maravilhosas, de encher os olhos. O filme passeia pelo Taiti, que se passa pelo litoral francês, pelos Alpes Suíços, pela Venezuela. O problema é que falta carisma aos seus personagens. Bracey é muito fraco e parece atuar no automático. Perto dele, Reeves é genial. O vilão, que na versão original estava a cargo de Patrick Swaize, aqui é vivido por Ramírez, que é um bom ator, mas totalmente perdido.
O filme até provoca sono.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=trnui1qYAOo
Duração: 1h53min
Cotação: ruim
Chico Izidro
"Pai em Dose Dupla" (Daddy's Home)
O clichê do clichê nesta comédia horrorosa. "Pai em Dose Dupla", direção de Sean Anders, traz Will Ferrell e Mark Wahlberg duelando. Ferrell é Brad, um executivo de uma rádio, casado com Sara (Linda Cardelini) e padrasto de duas crianças. E elas não o tratam como pai, por mais que ele se esforce. O tratam com desprezo, para seu desespero.
E as coisas pioram quando o pai das crianças, Dusty (Wahlberg) reaparece, com seu jeito descolado. E passa a disputar, de forma desleal, o amor delas e também o de Sara, com Brad. Dusty e Brad são completamente opostos. Um se veste de terno e gravata e é todo certinho, fazendo trabalhos voluntários na escola e na comunidade, enquanto o outro é largadão, adepto de motociclismo e irresponsável.
Mas "Pai em Dose Dupla" é um filme previsível, com personagens estereotipados e cenas sem a mínima graça.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=cjqkqqO_WTI
Duração: 1h36min
Cotação: ruim
Chico Izidro
quinta-feira, janeiro 21, 2016
"Joy - O Nome do Sucesso" (Joy)
Depois dos bens sucedidos “O Lado Bom da Vida” e “Trapaça”, o diretor David O. Russel volta a a reunir seus atores preferidos Jennifer Lawrence, Bradley Cooper e Robert De Niro, em “Joy – O Nome do Sucesso” (Joy), baseado em uma história real, de uma mulher conhecida nos Estaod Unidos por suas invenções, que a tiraram da quase miséria para a fortuna.
Joy (Jennifer Lawrence) é uma mãe jovem que cria os dois filhos na mesma casa que divide com a mãe Terry, vivida por Virginia Madsen, a avó Mimi, interpretada por Diane Ladd, e o ex-marid Tony (Edgar Ramírez). Quando tem de abrigar na velha casa o pai, o namorador Rudy (De Niro), Joy acaba tendo uma visão durante um passeio de barco com a namorada dele, Trudy (Isabella Rosellini).
Ela acaba criando um esfregão que evita os cortes nas mãos das donas de casa. Após um começo vacilante, onde teve problemas de comercializá-lo, Joy começa a ter sucesso após convencer o executivo Neil (Cooper), que ela mesma deve aparecer na tevê para vender sua invenção.
Só que desta vez faltou algo para que o filme embalasse. Ele é repleto de personagens estereotipados, por mais que se baseie em fatos reais. A mãe de Joy é uma viciada em televisão, passando o dia deitada na cama assistindo uma soap-opera com ares mexicanos, o pai é um mulherengo incorrigível, e o ex-marido é um cantor frustrado que mora no porão da casa da família, mesmo após a separação.
Jennifer Lawrence, porém, consegue convencer, mesmo com seus 25 anos, no papel de uma mulher que cria dois filhos, e sustenta a família. Mas nem ela consegue salvar o filme, que é fraco, convencional, e contando uma biografia, não consegue inovar em nada. Faltou algo...
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=jbiMQqKGTxY
Duração: 2h04min
Cotação: ruim
Chico Izidro
"Irmãs" (Sisters)
As comediantes provenientes do Saturday Night Live Tina Fey e Amy Poehler protagonizam a comédia de altos e baixos “Irmãs” (Sisters), direção de Jason Moore. O filme mostra o relacionamento de Kate e Maura, que chegam aos 30 e poucos anos frustradas. A primeira, vivida por Fey, mal consegue sobreviver como manicure e cuidar da filha adolescente, enquanto que Maura, interpretada por Poehler, sempre deu azar no amor e está saindo de um divórcio difícil.
As duas sempre foram muito diferentes. Mas resolvem se unir quando descobrem que a casa onde passaram a infância e a adolescência em Orlando, na Flórida, foi colocada a venda pelos pais delas. Para se despedir do lugar, elas decidem promover uma festa e chamar aquelas pessoas que cresceram com elas. Agora todos passados dos 30 anos, entediados e com filhos.,
A festa, aliás, é a melhor coisa do filme. Depois de um começo meio xoxo, onde ninguém sabe o que fazer, a turma acaba caindo na bebedeira e nas drogas, quase destruindo a casa. O humor funciona a contento aqui, ainda mais com a presença engraçada do gordinho Alex (Bobby Moynihan), também egresso do SNL. Sob efeitos de álcool e drogas, ele fica completamente insano. Além do que Tina Fey e Amy Poehler tem um tremendo “time” nos diálogos, repletos de trocadilhos e tiradas inteligentes.
Mas pena que no final, o diretor Jason Moore, perca a mão, transformando uma comédia arrasa-quarteirão num dramalhão convencional, apelando para o sentimentalismo barato e totalmente fora de propósito. Deixou de ser divertido para ser piegas.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=NYASryd1xNw
Duração: 1h57min
Cotação: regular
Chico Izidro
"A 5ª Onda" (The 5th Wave)
A Terra mais uma vez está sendo invadida por extraterrestres. Em "A 5ª Onda" (The 5th Wave), direção de J. Blakeson, o ataque vem em cinco fases, com o objetivo de exterminar os humanos. Na primeira onda, a eletricidade é desligada e nada mais funciona. Na segunda onda, 40% da população morre após um tsunami. A terceira onda chega através de um vírus transmitido pelas aves, que matam mais humanos. Na quarta onda, os extraterrestres descem à Terra e se infiltram na população restante.
O que seria a quinta onda? O extermínio total da raça humana. A adolescente Cassie (Chloe Grace Moretz), que perdeu os pais, tem de resgatar o irmão mais novo, que está com o exército, que está formando um grupo de crianças para tentar salvar a Terra. O problema é que os militares não são tão inocentes como se imagina.
O filme até começa bem, com o suspense permeando cada passo dos alienígenas e da jovem Cassie, que é obrigada a cair na clandestinidade para sobreviver. Detalhe é que não se sabe mais quem é humano ou ET, pois esses assumem a forma de seus subjugados. A trama, de repente, passa a se resumir a um romance mau-resolvido entre a garota e um jovem que a salvou da morte. E nada é convincente. A facilidade com que Cassie carrega uma metralhadora, apesar do corpo mirrado é absurda. Ou de como os humanos resistentes conseguem entrar no esconderijo alienígena de forma tão fácil. E vão se encontrando pelos corredores na maior tranquilidade. Será que conseguirão acertar nas próximas duas partes?
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=DxCntPIs38U
Duração: 1h57min
Cotação: regular
Chico Izidro
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