quinta-feira, setembro 28, 2017

“Kingsman: o Círculo Dourado” (Kingsman: The Golden Circle)



“Kingsman: o Círculo Dourado” (Kingsman: The Golden Circle), dirigido por Matthew Vaughn, infelizmente não tem o mesmo pique do divertido “Kingsman: Serviço Secreto”, lançado em 2015. Esta sequência até não é ruim, mas não consegue se aproximar do original. Apesar de trazer novamente boas cenas de ação, humor, mas desta vez as lutas soam um quanto tanto exageradas, com aquela câmera treme-treme, que tira a paciência de qualquer espectador.

Além do que a premissa é de uma bobagem monumental: os maconheiros do mundo são envenenados ao fumar seus baseados e morrerão se os Kingsman não conseguirem um antídoto, que está nas mãos da vila Poppy Adams, vivida com um certo exagero por Juliane Moore.

Mas a trama começa antes, quando os Kingsman sofrem um atentado e quase todos eles morrem, sobrando Eggsy (Taron Eggert) e Merlin (Mark Strong). Então eles têm de juntar forças ao Statesmen – sim, os norte-americanos e sua agência de espionagem equivalente à inglesa, para combater Poppy e seus asseclas.

As participações de Channing Tattum, Pedro Pascal, Halle Berry e inclusive Elton John são divertidas. Mas no entanto, tudo parece tão exagerado, que acaba enervando, ao invés de trazer um pouco de diversão.

Duração: 2h21min

Cotação: regular
Chico Izidro

“Pendular”



Dirigido por Júlia Murat e estrelado por Raquel Karro e Rodrigo Bolzan, “Pendular” é um filme complexo, que fala sobre a impossibilidade de comunicação entre uma dançarina e um escultor, que dividem um grande balcão, onde ela ensaia passos de dança e ele prepara um novo projeto.

A obra é baseada na performance Rest Energy, de Marina Abramović, artista da Sérvia, onde ela e Ulay, seu companheiro à época, se equilibravam enquanto ela segurava um arco e ele uma flecha que apontava para seu coração. “Pendular” aqui pega pesado numa relação entre um casal que tem projetos completamente opostos – e isso fica bem evidente em um momento onde após fazerem amor, ele diz que quer ter um filho com ela. A dançarina dá um pulo, horrorizada, e renega qualquer intenção de isso vir a acontecer.

Essas diferenças são mostradas com clareza desde os primeiros instantes, quando o casal aparece demarcando, com uma fita, os espaços que vão dividir no galpão. A relação, em nenhum momento, parece harmoniosa. Os conflitos estão sempre ali, mostrados em uma forma fria.


Duração: 1h45min

Cotação: regular
Chico Izidro


“Como Nossos Pais”



“Como Nossos Pais”, dirigido por Laís Bodanzky (de Bicho de Sete Cabeças e As Melhores Coisas do Mundo), acompanha a vida de Rosa (Maria Ribeiro, em atuação espetacular). Ela enfrenta problemas em seu casamento, e isto acaba interferindo em seu trabalho e para piorar, durante o almoço de final de semana da família, após uma discussão com sua mãe, interpretada por Clarisse Abujamra, Rosa fica sabendo que não é filha do homem que o criou. Ela é fruto de uma relação que sua mãe teve durante um congresso socialista em Cuba nos anos 1970.

O filme mostra o dia a dia de Rosa com as obrigações do casamento com Dado (Paulo Vilhena), um ambientalista que parece estar mais preocupado em salvar a amazônia do que seu patrimônio. Os dois têm discussões intensas e ela desconfia que o marido a traia com uma colega. Além disso, a filha maior, que está entrando na adolescência começa a mostrar as chatices da idade. E em meio a tudo isso, existe a questão mal resolvida com a mãe. Tudo isso para Rosa entrar numa de autoconhecimento – ao questionar a mãe o por que de ela ter pulado a cerca há 38 anos, escuta que todo mundo deveria fazer isso.

É quando surge Pedro (Felipe Rocha), o pai de um colega de sua filha, que mostra que sim, ela pode ter uma relação extraconjugal. E existe ainda a figura de Homero (Jorge Mautner), que é o homem que ela conhece a vida toda como pai. E ele é uma pessoa que vive em seu próprio mundo, distante da realidade. Enfim, Rosa quer ser diferente de seus pais, mas como diz a canção que dá nome ao filme, do compositor Belchior “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Rosa tentará ser diferente, mas conseguirá? Um excepcional retrato de nossos dias.


Duração: 1h42min


Cotação: ótimo
Chico Izidro

quinta-feira, setembro 21, 2017

"O Assassino: O Primeiro Alvo" (American Assassin)



"O Assassino – O Primeiro Alvo" (American Assassin), com direção de Michael Cuesta, é a adaptação da série de livros "Mitch Rapp" do autor Vince Flynn e tem como protagonista um agrente secreto nos moldes de Jack Reacher, John Wick e Jason Bourne.

No filme, Mitch Rapp (Dylan O’Brien) é um universitário que está passando férias em Ibiza, na Espanha, ao lado da noiva. E ocorre um ataque terrorista liderado por Adnan Al-Mansur (Shahid Ahmed). Centenas de turistas foram mortos, incluindo a noiva de Mitch, Katrina (Charlotte Veja). Rapp decide então se vingar do terrorista. E o longa dá um salto de 18 meses, e neste período o jovem arquitetou um plano para se infiltrar na célula terrorista de Al-Mansur.

Então Rapp reaparece com uma série de habilidades que chamam a atenção da CIA, onde a diretora Irene Kennedy (Sanaa Lathan) encontra uma oportunidade de usá-lo como agente para o serviço de inteligência. Pra treiná-lo, ela convoca o veterano Stan Hurley (Michael Keaton). O objetivo é transformar Rapp num agente com capacidade para caçar potenciais inimigos dos Estados Unidos.

Claro que a relação entre Rapp e Hurley não será das mais fáceis, pois o jovem não obedece a ordens e é temperamental. Mesmo assim eles são obrigados a trabalhar juntos para investigar uma onda de ataques terroristas em território europeu. E descobrem que um ex-agente da CIA e antigo prodígio treinado por Hurley (interpretado por Taylor Kitsch), é Ghost, que pretende fazer um grande atentado na Europa.

Mas muita coisa parece forçada demais em "O Assassino – O Primeiro Alvo". Afinal, o protagonista apresenta uma série de habilidades inimagináveis para alguém que treinou por um período tão curto e está em sua primeira missão. E tem Michael Keaton careteiro como a muito não se via, com diálogos quase risíveis entre seu personagem e Ghost. O filme até apresenta coreografias bem ensaiadas, efeitos especiais muito bons - a cena em que uma bomba atômica explode é simplesmente sensacional. Porém tudo já foi visto em outras obras do gênero. Mas pode ser um bom entretenimento por quase duas horas.

Duração: 1h51min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Divórcio"



"Divórcio", dirigido por Pedro Amorim e escrito por Paulo Cursino (De Pernas Pro Ar e Até Que A Sorte Nos Separe), o filme, passado em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, conta a história de Noeli (Camila Morgado), que é roubada do altar por Júlio (Murilo Benício), quando iria se casar com um homem de que não gostava, em casamento arranjado por seu pai. Nos anos seguintes, o casal leva uma vida humilde, mas ao produzirem um molho de tomate batizado de Juno, as iniciais de seus nomes, com um segredo especial, acaba enriquecendo.

Mas com o passar do tempo, e com duas filhas, a fortuna e a rotina acaba deixando o casal distante. E após uma festa em que eles se perdem numa estrada, surge a gota d'água para provocar a separação. E para brigar pelo patrimônio, cada um contrata o melhor advogado para si, o que acaba gerando um processo de divórcio repleto de problemas. E para quem não se lembra, os diversos atritos que tem entre eles lembra muito "A Guerra dos Roses", filme dirigido por Danny DeVito e protagonizado por Michael Douglas e Kathleen Turner em 1989. Ou seja, mais chupação, tá bom, reciclagem do foi feito bem lá atrás, e piorado.

As atuações de Benício e Morgado são prejudicadas pelo estereótipo caipira dos personagens, afinal estamos no interior paulista. Nada é é engraçado. Pelo contrário, tudo é tão irritante, como por exemplo as risadas desengonçadas dos protagonistas. E tudo piora ainda com a trilha sonora, repleta de música sertaneja - para quem gosta, e dê-lhe mau gosto, é uma alegria. E no final, "Divórcio" se perde totalmente, sendo previsível ao extremo.

Duração: 1h50min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"Mãe!" (Mother!)




É difícil falar sobre “Mãe!”, a nova obra de Darren Aronofsky (diretor de Cisne Negro e O Vencedor), onde muita coisa não faz nenhum sentido na tela, e ficamos pensando o que o cineasta fumou ou cheirou para filmar aquilo que vemos e ouvimos. A trama tem como protagonista uma jovem mulher, interpretado por Jenniferr Lawrence, que mora em uma casa isolada ao lado do marido, um poeta que vive crise criativa, vivido por Javier Bardem. Nenhum dos personagens em cena têm nome.

A casa onde moram foi destruída, e a mulher reconstrói a habitação aos poucos. E o casal tem a rotina interrompida quando aparece um médico (Ed Harris) no local. Sua presença causa desconforto na garota. E as coisas vão piorar quando chegar a mulher do médico (Michelle Pfeiffer). E para trazer mais caos, aparecem os dois filhos desta dupla mais velha. Um crime é cometido. E o terror parece finalmente estar presente...mas é mais um terror psicológico. A partir deste momento, a velha casa transforma-se em um cenário para toda uma série de acontecimentos, com várias pessoas entrando e saindo da casa, deixando a garota cada vez mais desnorteada, enquanto que seu marido parece indiferente a tudo.
Temos até ares de "O Bebê de Rosemary", quando a garota surge grávida, e as pessoas continuam invadindo sua casa, seu espaço. E ela pedindo e não sendo ouvida, para que saiam e o marido continua lá, impassível.
As imagens que vemos na tela parecem não fazer sentido nenhum. Mas parabéns para Jennifer Lawrence, que está presente em praticamente todas as cenas do filme, mostrando todo o desespero, insegurança e fragilidade em suas feições e gestos. Já Javier Bardem passa boa parte do filme relegado ao papel de marido alienado e distante. Uma obra difícil. Para poucos. E que acompanhamos atentos, para saber onde tudo vai parar.

Duração: 2h02min
Cotação: regular
Chico Izidro

quinta-feira, setembro 14, 2017

"Feito na América" (American Made)



"Feito na América" (American Made), dirigido por Doug Liman, é o mais novo filme estrelado por Tom Cruise, que aqui vive a história baseada em fatos reais, e muita coisa parece inventada, de tão absurda, do piloto Barry Seal, que no final dos anos 1970 até meados dos anos 1980, trabalhou para a CIA, DEA, ao mesmo tempo que traficava drogas e armas para o Cartel de Meddelín. A obra acerta na reconstituição de época, tem uma trilha sonora forte, daquele período, e imagens reais de eventos ocorridos à época, mostrando figuras como o ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, sua mulher Nancy, que dirigiu campanha contra as drogas e o assessor militar Oliver North, autor do famigerado plano Irã-Contras.

A trama lembra um pouco o filme "Profissão de Risco", dirigido por Jonathan Demme e protagonizado por Johnny Depp e lançado em 2001. Nele, acompanhamos a trajetória real de George Jung (Depp), que nos anos 1970, se torna o principal importador de cocaína do Cartel de Medellín para os Estados Unidos. Durante duas décadas, Jung foi um dos principais alvos do combate às drogas do governo americano e era quem fazia a conexão entre os EUA e a Colômbia.

E não é difícil imaginar que George Jung, que ficou preso por 20 anos, sendo libertado em 2014, e hoje está com 75 anos, não tenha cruzado com Barry Seal. Este trabalhava como piloto comercial, até ser cooptado pela CIA para fazer espionagem aérea na América Central - tirar fotos de atividades comunistas na Nicarágua e El Salvador. E logo fica conhecido na região e não demora para que receba uma proposta do Cartel de Medelin, composto por figuras como Pablo Escobar, Jorge Luis e Juan Davi, para traficar drogas da América do Sul para os EUA. A partir deste momento, Seal se torna uma espécie de "agente duplo" e depois triplo, pois acaba caindo nas mãos do DEA - o departamento antidrogas americano. E tudo isso fingindo para a mulher e os filhos que ele continua trabalhando como piloto comercial.

"Feito na América" é mais um exemplo daqueles filmes de ascenção e queda. Chega um momento em que Seal ganha tanto dinheiro que não consegue mais achar lugar para guardar a fortuna. E tem em seu encalço governo americano, traficantes...
O longa apresenta uma narrativa frenética, trazendo Tom Cruise numa pegada mais cômica. Enfim, é um filme que entretém, mesmo que em determinado momento caia no mais do mesmo, quando introduz a figura do cunhado porra-louca de Seal, interpretado por Caleb Landry Jones (de Corra!) e que será o começo da queda do piloto. Mas nada que atrapalhe a boa diversão.

Duração: 1h55min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...