quinta-feira, novembro 09, 2017
“Um perfil para dois” (Un profil pour deux)
Nessa comédia romântica coproduzida por Áustria, França, Bélgica e Alemanha, dirigido e roteirizado por Stéphane Robelin (“E se Vivêssemos Todos Juntos?”), seguimos os passos de Pierre Stein (Pierre Richard, ator vencedor de um César honorário em 2006) , um senhor de 80 anos, que vive recluso em seu apartamento após ficar viúvo. Para motivá-lo, sua filha Sylvie (Stéphane Bissot) contrata Alex (Yaniss Lespert, conhecido na França pela série televisiva “Fais pas ci, fais pas ça”), para lhe dar aulas de informática. O problema é que o jovem é namorado de sua neta, Juliette (Stéphanie Crayencour, de “O Amor de Astrée e Céladon”), cujo ex-namorado se mudou para a China, mas ainda é o preferido de Pierre.
Ao entrar no mundo da informática, Pierre entra em um um site de relacionamentos, e usa a foto de Alex, para ir em seu lugar nos encontros. Em troca de dinheiro, o rapaz aceita, já que vive na pindaíba. Então, Pierre começa a se comunicar com a bela belga Flora (Fanny Valette), e decide marcar um encontro. Mas só há uma problema: a foto que usou no perfil é de Alex, e não dele.
As situações por que passam Pierre e Alex não são novidades no mundo das comédias românticas. É um jogo de erros e de enganações, com a dupla tendo de se esquivar das desconfianças de Sylvie e Juliette, e agradar a Flora. O filme até pega inspiração em "Cyrano de Bergerac", obra de Edmond Rostand. Afinal, Alex encarna os conhecimentos de Pierre, que o auxilia em seus encontros com a garota belga.
“Um perfil para dois” é um longa que não traz novidades, mas é apresentado de modo tão divertido, que acaba envolvendo - o diretor Stéphane Robelin acertou com boas piadas. E ainda ganha força pela atuação do veterano Pierre Richard. Além do que põe em cena a bela Fanny Valette (Vertigem, Little Jerusalem e Moliére).
Duração: 1h41min
Cotação: bom
Chico Izidro
"Invisível" (Invisible)
"Invisível" (Invisible), do diretor argentino Pablo Giorgelli, é uma obra crua, que apresenta uma realidade muito cruel. Somos apresentados a jovem Ely (Mora Arenillas), de 17 anos, que mora com a mãe depressiva. Além disso, ela está cursando o último ano do ensino médio e trabalha num petshop para completar a renda familiar. E tem um relacionamento carnal com um homem bem mais velho, que no caso vem a ser o seu chefe na pet shop, Raúl (Diego Cremonesi).
Sem muitas perspectivas, Ely acaba descobrindo estar grávida, vendo tudo ao seu redor começar a ruir. A jovem perde o interesse total pela escola e não sabe lidar com a gravidez indesejada. Ely passa a vagar por Buenos Aires tentando uma forma de fazer um aborto - Raúl não quer de jeito nenhum saber do bebê. Mas o problema passa a ser apenas da garota.
O título "Invisível" vem bem a calhar, pois trata do descaso da sociedade com jovens, que como no caso de Ely, se vem desamparadas, seja familiarmente, seja socialmente. O Estado se mostra ineficaz, não se comunica com a juventude, e os adultos, como Raúl, pouco se importam com o destino de garotas, que como Ely, de certa forma, são abusadas e largadas à própria sorte.
Duração: 1h30min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
quinta-feira, novembro 02, 2017
"Depois Daquela Montanha" (The Mountain Between Us)
"Depois Daquela Montanha" (The Mountain Between Us), direção do israelense Hany Abu-Assad (Paradise Now e Omar), é baseado em livro de Charles Martin, e lembra muito aquele filme "Vivos", onde um grupo de esportitas uruguaios sobreviveu a vários meses de intempéries nos Andes Chilenos, em queda de um avião em 1972. Aqui a trama foca em um médico neurologista, Ben Bass (Idris Elba) e a jornalista Alex Martin (Kate Winslet), que pretendem viajar , mas o voo deles é cancelado devido a previsão de uma forte nevasca.
Como seus compromissos são inadiáveis - ele vai atender um garoto doente e ela tem casamento marcado para o dia seguinte. O jeito que eles encontram de viajar é alugar um pequeno avião, pilotado pelo veterano Walter (Beau Bridges – irmão de Jeff Bridges), que aceita se arriscar e levá-los ao destino desejado. Só que no meio da viagem, Walter sofre um derrame, e a aeronave acaba caindo em meio a uma cordilheira no centro dos Estados Unidos.
Ou seja, Ben e Alex e mais um cachorro, que era de Walter, precisarão unir forças para sobreviver ao local inóspito, muita neve, frio, rios congelados, falta de comida e até mesmo animais selvagens. Um verdadeiro na natureza selvagem.]
O filme nos faz prender a respiração, pois apresenta um bom suspense, não exagera nas cenas de perigo - não tem cenas de ação como em filmes de aventura. Vemos apenas duas pessoas tentando sobreviver a riscos extremos e que aos poucos vão se envolvendo - mas isto é outra história, já na parte final, que vira um outro filme. E que vale a pena, ainda mais por vermos dois excepcionais atores em cena. Idris Elba e Kate Winslet dão dignidade a seus personagens, trazendo ainda diálogos interessantes.
Duração: 1h47min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
"El Amparo"
"El Amparo", dirigido pelo estreante diretor venezuelano Rober Calzadilla é uma obra baseada em caso verídico ocorrido em uma aldeia de pescadores em 1988, envolvendo civis e militares. É um filme impactante e mostra como os militares e governantes conseguem agir sem emoção e sem escrúpulos.
A história começa quando um grupo de 16 amigos se dirigem à localidade de La Colorada para uma pescaria em um final de semana. Só que ao chegar ao local, eles são atacados por um batalhão do exército e 14 deles são mortos.
Apenas dois sobrevivem, Pinilla (Vicente Quintero) e Chumba (Giovanni García). Eles se atiraram no rio para escapar ao ouvirem os primeiros tiros e quando voltam a sua cidadezinha, são presos. É que o exército alega serem eles, os mortos e os sobreviventes, guerrilheiros que pretendiam fazer um atentado terrorista.
Pinilla e Chumba sofrem todo o assédio físico e psiquico para assumirem serem guerrilheiros, mas são apenas homens simples, que viviam de bicos para sobreviver. E eles não aceitam a pressão dos milicos e de advogados para assinar uma confissão.
As cenas são cruéis, cruas. E evidente que não temos como não tomar partido a favor dos dois homens comuns, que tentam manter a dignidade e esclarecer a verdade, neste bom thriller político sul-americano. Passados quase 30 anos, a solução para o caso continua inconclusa, e talvez nunca venha a tona.
Duração: 1h39min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
"A Noiva" (Nevesta)
Este ano já havia nos "presenteado" com o terrível filme russo de super-heróis "Guardiões". Agora o cinema da Rússia vem com filme de terror. E novamente ocorre um tropeço. Falo de "A Noiva" (Nevesta), direção de Svyatoslav Podgayevskiy, e que fica mais próximo do risível do que do horror. E para piorar apesar de falado originalmente em russo, a distribuidora lança cópias dubladas em inglês - e aí duplicam os erros. As vozes aparecem sem sincronia...
A trama se inicia no século 19 e apresenta um costume daquela época, que é interessante - os olhos de uma pessoa morta eram pintados nas pálpebras e depois ela era fotografada. De acordo com a tradição, tal situação permitiria que a alma da pessoa ficasse a salvo no negativo, ou seja, seria uma forma de enganar a morte. Então o nobre fotógrafo Barin (Igor Khripunov) perde a noiva (Miroslava Karpovich), e então realiza o procedimento. Mas ele quer mais, quer trazer sua noiva de volta, e encontra a solução vida colocando a alma dela em outro corpo. Porém depois do ritual, Barin percebe que sua noiva não é mais a mesma e acaba sofrendo as consequências de sua atitude precipitada.
Então o filme dá um salto no tempo, vindo para os dias atuais, onde o jovem casal formado por Nastya (Victoria Agalakova) e Ivan (Vyacheslav Chepurchenko) decidem visitar os familiares dele, no interior da Rússia. A casa da família é afastada de tudo e controlada pela irmã de Ivan, Lisa (Aleksandra Rebenok), uma mulher amargurada que vive com os dois filhos, sendo também uma fervorosa seguidora das tradições de sua família. E desde os primeiros momentos, Lisa vai torturando psicologicamente Nastya, que aos poucos vai notando que algo de estranho toma conta do local, até descobrir o que pretendem fazer com ela.
Só que nada funciona neste filme. As atuações são amadoras, pioradas pela dublagem tosca. E as cenas de tensão? Clichês e mais clichês, como de um vulto passar rapidamente pelo corredor, atrás de um dos personagens. Ou criancinhas correndo e sumindo pelas escadarias de um casarão. E por aí vai. O filme tinha apenas meia-hora e eu só pensava quanto tempo mais de tortura teria pela frente..."A Noiva" é só decepção.
Duração: 1h33min
Cotação: ruim
Chico Izidro
quinta-feira, outubro 26, 2017
"Thor: Ragnarok"
Se em "Thor" (2011) e "Thor: O Mundo Sombrio" (2013), a trama era meio sinistra, com mão pesada, o terceiro filme do herói de Asgard, “Thor: Ragnarok” virou uma comédia, que vai agradar mais ainda aos fãs dos quadrinhos e filmes da Marvel. A direção é Taika Waititi, e o longa se aproxima muito de "Os Guardiões da Galáxia", além de ser uma mini-aventura dos Vingadores.
Na trama, Thor (Chris Hemsworth) tem de se unir ao seu irmão, o traiçoeiro Loki (Tom Hiddleston) para combater a irmã deles, Hela (Cate Blanchet), após a morte de Odin (Anthony Hopkins). A vilã da vez pretende se adonar de Asgard - além do que Thor ainda tem de tentar impedir impedir Ragnarok – a destruição do seu mundo e o fim da civilização Asgardiana.
O herói tem, então, além de se aliar ao irmão, montar uma equipe formada por Hulk (Mark Ruffalo) e Valquíria (Tessa Thompsom), para combater Hela. Mas no filme, nada é levado muito a sério. Mesmo nos momentos mais nervosos, é aberto um espaço para a tiração de sarro. "Thor Ragnarok" tem, também, um punhado de coadjuvantes como Idris Elba vivendo Heimdall, o Guardião de Asgard, o divertido homem de pedra Korg (o próprio Taika Waititi), Jeff Goldblum como o Grão-Mestre e Benedict Cumberbatch como Dr. Estranho. Ah, tem ainda a participação tradicional de Stan Lee, como um barbeiro alienígena.
A interação entre Thor e Hulk é gigantesca - Thor se acha o gostosão do pedaço, enquanto que Mark Ruffalo não como o monstro-verde, mas na pele do Dr. Bruce Banner parece mais perdido do que cego em tiroteio, em participação hilária. Já as cenas de batalha, embaladas pela música Immigrant Song, do Led Zeppelin, são grandiosas. O único problema talvez esteja com a vilã protagonizada por Cate Blanchett - ela está careteira, e pensando que está desfilando em uma passarela.
Duração: 2h11min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
O Formidável (Le redoutable)
O diretor Michel Hazanavicius, que já havia homenageado o cinema coim o oscarizado "O Artista", volta mais uma vez seu olhar para a sétima arte, no caso falando sobre um de seus maiores cineastas, o conterrâneo francês Jean-Luc Godard, um dos ícones da Nouvelle Vague, ao lado de François Truffaut, em "O Formidável (Le redoutable). O longa fala de um período específico do diretor de "Acossado", "O Desprezo" e "Je Vous Salue Marie". No caso o ano de 1967, quando ele lançava "A Chinesa".
Godard, aqui é visto como uma pessoa egocêntrica, fria e arrogante, mas ao mesmo tempo apaixonado pela atriz principal de "A Chinesa", que viria a ser a sua esposa, Anne Wiazemsky (Stacy Martin). Hazanavicius mostra uma Paris conturbada, se aquecendo para os protestos de 1968. Godard, interpretado por Louis Garrel, fisicamente muito semelhante ao diretor, e que tem de encarar situações por vezes estranhas e controversas. Muitos personagens surgem em cena, ora xingando seu filme, ora o elogiando. Hazanavicius filma com propriedade as manifestações de rua na capital francesa e as reuniões nas faculdades.
Godard não é um sujeito de fácil convivência - pelo menos é o que é mostrado em "O Formidável". Aos poucos ele vai matando o relacionamento com sua esposa, se mostrando distante, arrogante, o dono da verdade. O filme tem momentos sérios, mas também abre espaço para a comédia, principalmente nas sequências em que Godard vê seus óculos serem quebrados, seja por tombos, pisões.
"O Formidável" é um longa divertido e que faz rir através de situações inusitadas. E o que colabora ainda são as atuações excepcionais de Louis Garrel, que evoca o ser azedo, irônico e cheio de desprezo que era Godard, e Stacy Martin, com um jeitinho doce e dellicado, e que também se assemelha em muito a atriz de "A Chinesa", Anne Wiazemsky.
Duração: 1h42min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
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