quinta-feira, outubro 25, 2018
“Halloween – A Noite do Terror” (Halloween)
Confesso que dei uns bons pulos na poltrona durante “Halloween – A Noite do Terror” (Halloween), direção de David Gordon Green (O Que te Faz Mais Forte), traz após 40 anos o assassino serial Michael Myers perseguindo sua vítima preferida, Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), que ainda sofre das consequências do longa de 1978.
Foi naquele agora distante ano que o cineasta John Carpenter, ao lançar “Halloween – A Noite do Terror” (1978), estabeleceu o slasher como um subgênero do horror através da icônica figura de Michael Myers e sua máscara, cometendo crimes na noite das Bruxas - o dia 31 de outubro. Desde então, surgiram os mais vários assassinos – mascarados ou não –, como Jason Vorhees, Freddie Kruger, entre outros (alguém vai aí lembrar do Leatherface, de "The Texas Chain Saw Massacre", de 1974. Mas foi mesmo com Myers que a moda pegou.
Bem, voltemos ao presente. Passadas quatro décadas dos incidentes do primeiro filme, agora Myers vive internado numa instituição mental para criminosos, enquanto que Laurie vive reclusa, afastada dos familiares, que a consideram uma maluca e sempre esperando por um retorno do assassino mascarado. E claro que ele vai conseguir escapar, quando estava sendo transferido, e sai tocando o terror, atrás de Laurie e de seus familiares.
E o filme é assustador, mesmo que com alguns furos no roteiro. Mas todas as regras do gênero estão presentes, e parece que os atores estão vivendo realmente aqueles momentos de terror, com um cara com uma máscara branca atrás deles com uma faca. “Halloween – A Noite do Terror” (Halloween), enfim, apresenta um resultado satisfatório, mas será que teremos uma continuação daqui a alguns anos?
Duração: 1h49
Cotação: ótimo
Chico Izidro
"Fúria em Alto Mar" (Hunter Killer)
Dirigido por Donovan Marsh, Fúria em Alto Mar é baseado no livro "Firing Point", de Don Keith e George Wallace, e intitulado Hunter Killer em inglês, no Brasil ganhou o nome genérico de "Fúria em Alto Mar", muito parecido com "Mar em Fúria", filme protagonizado por George Clooney em 2000.
Em "Fúria em Alto Mar" (Hunter Killer), temos um misto de thriller de guerra fria, com ação e política. O herói é o capitão de submarino Joe Glass, vivido por Gerard Butler. Novato no comando de marinheiros, ele tem a missão de resgatar o presidente russo que foi sequestrado por militares insubordinados e impedir um conflito mundial.
A trama tem dois núcleos muito fortes. Um passado dentro do submarino com Joe Glass e um capitão russo, Andropov, interpretado por Michael Nyqvist, que passa dicas de como combater os seus compatriotas, e o outro em terras russas, onde um comando liderado pelo militar Bill Beaman (Toby Stephens) se infiltra para tentar salvar o presidente.
"Fúria em Alto Mar", apesar de não conseguir fugir dos clichês dos filmes de ação, é um bom filme, com suspense razoável e trazendo tensão em muitos momentos. Gerard Butler, que no papel principal, não sai por aí atirando a esmo e fazendo cenas irreais, está bem, contido. Do outro lado, Gary Oldman tem um papel ruim (será a síndrome pós-Oscar? Ele ganhou este ano pelo papel em Churchill, e agora faz um general norte-americano mais caricato impossível). E o final do longa é de uma pieguice impressionante, enfraquecendo um pouco o espetáculo.
Duração: 2h03
Cotação: bom
Chico Izidro
"Meu Anjo" (Gueule D'ange)
Dirigido por Vanessa Filho, o drama francês "Meu Anjo" (Gueule D'ange), não é um filme fácil de se assistir. Angustiante, pesado, mas traz duas grandes atuações, da excepcional Marion Cotillard, oscarizada em 2008 por sua atuação em "Piaf - Um Hino ao Amor" e a estreante Ayline Aksoy-Etaix. A obra lembra e muito outro ótimo filme recente, "Projeto Florida", de Sean Baker, e que concorreu ao Oscar de melhor ator coadjuvante com Willem Dafoe neste ano.
Na história, Marlene (Marion Cotillard) tem uma filha de quase dez anos, Elli (Ayline Aksoy-Etaix), e a trata de modo ambíguo. Por mais que ame a menina, seu alcoolismo a deixa desleixada. Logo no começo nos é mostrado o casamento de Marlene e durante a festa, ela já trai o marido, transando com outro homem na cozinha do hotel onde está sendo realizada a cerimônia. Nos momentos seguintes, vemos as duas mulheres dentro de um apartamento - Marlene entregue à bebida e a garotinha isolada, sem mesmo indo ao colégio. Para em seguida ser abandonada pela mãe e adotada por um ex-mergulhador Julio (Alban Lenoir), que passa a ocupar o papel de pai, que sempre esteve ausente na vida dela.
As atuações de Marion Cotillard, Ayline Aksoy-Etaix e Alban Lenoir tem ótimos momentos, assim como a direção de Vanessa Filho, que acerta muito mostrando o drama sob a ótica da pequena protagonista. Porém, "Meu Anjo" é uma experiência extremamente cruel de ser vivenciada de qualquer um dos lados da tela. É ótimo, mas dá dor de cabeça.
Duração: 1h49
Cotação: ótimo
Chico Izidro
"Podres de Ricos" (Crazy Rich Asians)
Adaptação cinematográfica do livro "Asiáticos Podres de Ricos", de Kevin Kwan, "Podres de Ricos" (Crazy Rich Asians), direção de Jon M. Chu (“Truque de Mestre: O 2º Ato”), é o exemplo de como perpetuar preconceitos e estereótipos e de fazer cinema ruim. Pior que deve agradar aquelas pessoas que não querem pensar e buscam apenas diversão fácil e rápida. Sem contar que a trama é para lá de batida, com a história do casal que sofre para ficar junto por causa da família tradicional de um deles.
Aqui no caso quem sofre é a professora de economia e sino-americana Rachel Chu (Constance Wu), que é convidada por seu namorado Nick Young (Henry Golding) para acompanha-lo até Singapura para o casamento do melhor amigo dele. Só que ela não sabe o que lhe espera - a moça acredita que o namorado é um simples executivo, quando na realidade ele é o herdeiro de uma das famílias mais ricas, como também um dos solteirões mais cobiçados do país oriental. Pior ainda quando ela dá de cara com a futura sogra, Eleanor (Michelle Yeoh), que desaprova o namoro, por achar que a moça não tem berço. Ou seja, é pobre e filha de mãe solteira. Rachel vai sofrer com o desprezo de Eleanor.
O filme, no entanto, chama a atenção por mostrar a ostentação e o glamour brega dos milionários de Singapura. E também mostra um pouco da cultura asiática, presa ao passado com seus preconceitos e tradições ultrapassadas - logo no começo a família de Nick é barrada em um hotel londrino por ser asiática. Mesmo assim, não aprendeu nada com esta tal de superioridade racial...
E sem contar os personagens periféricos - o gordinho tímido e virgem, o primo gay descolado, a amiga feia, mas esperta, a vovó com mente mais aberta. Depois de quase duas horas, a gente quase implora para que tal bomba acabe.
Duração: 2h01
Cotação: péssimo
Chico Izidro
"Salto no Vazio"
Ao terminar de ver este filme fico me perguntando como os seus diretores levantaram verba para realizá-lo? Simplesmente é algo inexplicável que alguém filme algo deste tipo e o chame de trabalho cinematográfico. Baixando um pouco o nível, perguntaria o que os cineastas fumaram ou cheiraram para gravar tal história, que não é uma história?
"Salto no Vazio" se classifica como um longa de ficção de Cavi Borges e Patricia Niedermeier. Primeira direção da dupla, foi filmado em seis cidades: Rio de Janeiro, Nova Iorque, Alepo, na Síria,, Berlim, Cannes e Praga, e levou cinco anos para ficar pronto. Mistura elementos de ficção com com dança, artes plásticas, performance e cinema (???).
Os diretores falam em off sobre observações do mundo, enquanto que Patricia Niedermeier ensaia passos de dança em cenários como o Muro de Berlim e ruas da capital da República Tcheca. Nada faz sentido neste recorte de imagens, que funde mapas, fotos e vídeos numa épica de andanças pelo mundo.
Pelo menos o sofrimento não dura muito. O filme tem pouco mais de 60 minutos, e quando termina é um alívio para os espectadores. Alguns dirão que é obra de arte. Eu diria que é desperdício de tempo e dinheiro.
Duração: 1h04
Cotação: péssimo
Chico Izidro
"A Justiceira" (Peppermint)
Você já viu o filme "O Justiceiro" (Punisher) ou a série homônima da Netflix, ou a cineséria "Desejo de Matar"? Pois bem, agora tem a versão feminina, "A Justiceira" (Peppermint), direção de Pierre Morel, e com Jennifer Garner como a protagonista. A premissa de ambas as histórias é a mesma: uma pessoa perde a sua família assassinada, vai para a ilegalidade e começa a caçar os assassinos.
A trama é absurda. O marido de Riley (Jennifer Garner) é convidado a participar de um roubo a um traficante mexicano. Mas desiste, porém mesmo assim o traficante ordena a execução. E no dia do aniversário da filha pequena deles, marido e a filha são mortos a tiros em um parque de diversões. Ela é baleada e entre em coma. E quando acorda, identifica os matadores e depois no tribunal, testemunha. Mas mesmo assim eles são inocentados, para a sua revolta.
O que faz Riley? Após perder tudo, a viúva entra na clandestinidade, e passa a circular pelo mundo, onde aprende a se tornar uma máquina de matar letal. Então no quinto aniversário da morte de sua família, ela volta com um objetivo: matar a gangue que cometeu o crime, os advogados que os libertaram e os policiais que nada fizeram sobre o caso.
Ufa...tudo é exagerado, mas se leva muito a sério. E com momentos implausíveis. Num deles, com apenas seus cerca de 50 quilos, Ripley amarra três criminosos mortos de ponta cabeça numa roda gigante. Noutro escapa de um prédio que explode, sai no meio da rua e começa a perseguir o carros dos vilões - mas como ela viu que no carro que passou estavam eles? Risível...Sem contar que o filme é um pastiche de tudo o que já foi feito, e com resultados muito mais superiores a esta bomba.
Duração: 1h42
Cotação: ruim
Chico Izidro
quinta-feira, outubro 18, 2018
"O Primeiro Homem" (First Man)
O enredo de "O Primeiro Homem" (First Man), direção de Damien Chazelle, é baseado no livro homônimo de James R. Hansen, que relata os eventos pessoais e profissionais que culminaram na ida de Neil Armstrong, com a Apollo 11, à Lua, em 1969. A trama busca desmitificar o homem, um verdadeiro herói americano, que tinha problemas pessoais como qualquer ser humano, e sofria com a morte prematura da filha pequena, vítima de câncer, no começo dos anos 1960.
O filme mostra os passos de Armstrong (vivido por Ryam Gosling, que já havia trabalhado com o diretor em La La Land), desde sua carreira de piloto de testes até a entrada na Nasa em 1961 até 1969, quando ele colocou os pés na Lua. Retrata também seus dramas familiares e o apoio de sua mulher, Janet Armstrong, interpretada por Claire Foy (a Rainha Elizabeth, do seriado The Crown). É mostrado ainda os erros e acertos da Nasa, que com seu projeto Apollo tentava vencer a batalha espacial travada contra os russos, que já haviam mandado um homem para o espaço, Yuri Gagarin.
O diretor não vacila ainda em mostrar os desastres que ocorreram durante os anos anteriores à chegada de Armstrong à Lua, como por exemplo o fatídico acidente da nave Apollo 1, que explodiu matando todos os astronaustas que estavam lá dentro. E o pouco de Armstrong em seu destino é o climax, de um peso emocional excepcional - muitas pessoas com mais de 50 anos irão evidente se emocionar e lembrar aonde estavam quando ele colocou os pés no satélite da Terra, em 20 de julho de 1969.
"O Primeiro Homem" é uma obra de muita qualidade técnica, com momentos sombrios e outros espetaculares. E é também um filme dramático, onde retrata a coragem de um homem de arriscar a vida para entrar na história.
Duração: 2h21
Cotação: ótimo
Chico Izidro
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