quinta-feira, fevereiro 13, 2020

"O Grito" (The Grudge)



"O Grito" (The Grudge), direção de Nicolas Pesce, é um remake do filme japonês der 2002, dirigido por Takashi Shimizu. E vamos combinar, não precisava. Simplesmente esta versão norte-americana destruiu a obra original. E olha que o elenco é incrível bom, com Andrea Riseborough, Demián Bichir, William Sadler, John Cho, Jacki Weaver e Lin Shaye.

A trama é simples: mãe e filho assombram e matam qualquer pessoa que entre na residência onde um crime aconteceu. O diretor Nicolas Pesce, então, decidiu entrelaçar a trama principal com secundárias, em diferentes épocas, porém, ligadas pela maldição. E incrivelmente o veterano Sam Raimi está na produção!!!

Aqui, uma mãe volta do Japão para os Estados Unidos. E em Tóquio ela esteve na casa amaldiçoada, carregando os espíritos juntos para a América do Norte. Possuída, ela mata o marido e a filha pequena em sua própria casa e depois se suicida. Que afinal, passou a ser amaldiçoada. Dois detetives tentam então entender os motivos dos assassinatos. Até se darem conta que a casa é amaldiçoada e eles passam a ser perseguidos pelos fantasmas.

Porém são vários problemas no filme, com idas e vindas no tempo, com alguns personagens não tendo o mínimo sentido de estarem ali. Um grande desperdício. Já na lista de um dos piores do ano. E estamos apenas em fevereiro.

Cotação: ruim
Duração: 1h34
Chico Izidro

domingo, fevereiro 09, 2020

"Jojo Rabbit"


"Jojo Rabbit", filme do neozelandês Taika Waititi é baseado no romance Caging Skies (O céu Enjaulado, lançado recentemente no Brasil), de Christine Leunens, e traz uma história de humor negro excepcional, fazendo troça do II Reich.

Jojo Betzler (Roman Griffin Davis, excepcional) é um garoto de 11 anos que vive com a mãe Rosie (Scarlett Johansson) na Alemanha Nazista. Ele está na Juventude Hitlerista e acredita piamente nas baboseiras raciais criadas por Hitler. Porém, depois de fracassar na tentativa de matar um coelho durante um treinamento, ganha o apelido de Rabbit (coelho) e passa a sofrer bulying.

Solitário, tem como único amigo o gordinho Yorke (Archie Yates). E acaba criando um amigo imaginário, o próprio Adolf Hitler (Taika Waititi), que passa a dar conselhos ao menino.

Só que as crenças de Jojo acabam sendo abaladas quando ele acaba descobrindo que uma menina judia, Elsa (Thomasin Mckenzie), que está escondida dentro das paredes de sua casa. A jovem começa a mostrar uma nova realidade ao garoto nazista, que acreditava, por exemplo, que os judeus possuiam chifres.

Waititi faz uma obra forte, e critica fortemente o nazismo e seus horrores -muita gente compara o tipo de humor do filme com a bobagem "A Vida é Bela", que trazia uma trama fake, mas tão fake, que conseguia apagar a realidade cruel dos campos de concentração nazistas. "Jojo Rabbit" tem uma toada completamente distinta.

Cotação: ótimo
Duração: 1h44
Chico Izidro

"Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa" (Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn



As mulheres têm ganhado cada vez mais força no cinema. E "Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa" (Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn), da diretora Cathy Yan, é mais uma obra a trilhar este caminho feminista. E apesar de contar a formação de um grupo de vigilantes mulheres em Gotham, tem como foco principal a doidinha Arlequina (Margot Robbie).

A trama ocorre logo após o rompimento do namoro da ex-psiquiatra do Asilo Arkham com o Coringa. Arlequina, que tinha imunidade por causa de seu relacionamento com o vilão, passa a ser perseguida por policiais e todos os bandidos a quem ela sacaneou no passado.

E ela acaba dando de cara com a pequena punguista assandra Cain (Ella Jay Basco), que roubou um diamante do vilão Máscara Negra (Ewan McGregor). Dividida, Arlequinha não sabe se entrega a garota ou a ajuda a escapar. E elas acabam recebendo a ajuda da Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), que tem habilidades de assassina e pretende vingar a morte dos pais, a policial Renee Montoya (Rosie Perez), que não é levada a sério pelos seus colegas homens, e Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell), com uma voz poderosa, capaz de destruir tudo a sua volta com o seu canto.

E elas entregam um filme muito bom, com ótimas cenas de luta, sem aquelas câmeras nervosas, que deixam o espectador sem saber o que ocorre na tela. Até mesmo as intervenções de Arlequina voltando no tempo e explicando as partes da trama são bem colocadas. E tem humor. Margot Robbie rouba o filme, e protagonizando duas cenas inesquecíveis. Numa, ela invade a delegacia, atirando nos policiais balas de glitter e noutra, ela acaba aspirando cocaína sem querer, ficando doidona e surrando um inimigo.

Cotação: ótimo
Duração: 1h49
Chico Izidro

"Judy - Muito Além do Arco-Íris" (Judy)


A atriz e musa Judy Garland tornou-se famosa ainda adolescente, quando estrelou o clássico "O Mágico de Oz" em 1939. Porém como costuma acontecer com estrelas-mirins, ao chegar à vida adulta, a fama cobrou-lhe um preço, e muito alto. É isto que foca o filme "Judy - Muito Além do Arco-Íris" (Judy), dirigido por Rupert Goold.

E a mãe de Liz Minelli e musa dos gays é interpretada com vigor por Renée Zellweger já na fase decadente e adulta. Depois de anos de abusos e explorações dos produtores de Hollywood, Judy encontrava-se sem uma casa para morar e vivendo de apresentações fugazes e ainda correndo o risco de perder a guarda de seus filhos mais novos.

E nesta maré de azar é que ela aceita viajar para a Inglaterra para fazer uma tour de espetáculos musicais no Swinging London e se apresentar no The Talk of the Town, em 1968. O filme mostra este período cruel da vida de Judy, mas também traz flash-backs apresentando uma ainda adolescente Judy começando na indústria do cinema, e tendo de seguir as orientações dos produtores.

Toda esta exploração acabou afetando profundamente a vida da atriz, que acabou morrendo jovem, apenas com 47 anos, em 1969. Renée Zellweger traz uma apresentação excepcional, transmitindo todo o cansaço, a solidão, a tristeza que Judy carregava em seu último ano de vida. Hollywood sempre foi uma vampira de seus atores.

Cotação: ótimo
Duração: 1h59
Chico Izidro

"Bad Boys Para Sempre" (Bad Boys For Life)


A franquia Bad Boys completa 25 anos em 2020 com o lançamento de "Bad Boys Para Sempre" (Bad Boys For Life), dirigido pela dupla Adil El Arbi e Bilall Fallah, mostra a dupla de policiais Marcus Burnett (Martin Lawrence) e Mike Lowrey (Will Smith) vivendo os problemas dos cinquentões, ou seja, viraram tiozões.

Na trama, Marcus Burnett vira avô e decide se aposentar, enquanto seu parceiro não gosta da ideia, mas mal sabendo que um fantasma do passado virá ao seu encalço. Há cerca de 25 anos, ele, com outros homens da lei, mandou um traficante mexicano para a cadeia.

Agora, a viúva do vilão, Isabel Aretas (Kate del Castillo), foge da prisão, e planeja o assassinato de todos aqueles que provocaram a prisão e depois consequente morte do marido. E o assassino é o filho dela, Armando (Jacob Scipio), que sai matando todo mundo, e em um atentado, deixa Lowrey à beira da morte.

Claro que Lowrey sobrevive e decide ir atrás de quem tentou matá-lo. Mas como já está defasado, ele recebe a ajuda de uma equipe de jovens policiais formada pela tenente Rita (Paola Núñez), a policial especialista em invasões Kelly (Vanessa Hudgens), o nerd musculoso Dorn (Alexander Ludwig) e o hacker/atirador de elite Rafe (Charles Melton). Ao mesmo tempo, Burnett está em casa, enlouquecendo a família e acaba sendo convencido a voltar à ativa.

Então o filme se torna aquele típico filme de policiais divergentes, que têm de se acostumar a trabalhar juntos. As cenas de ação são boas, e a química entre os protagonistas Smith e Lawrence permanece intacta, mesmo que agora o segundo vive quase um coadjuvante, dando mais espaço para o colega mais famoso.
Aliás, sem querer dar spoiler, em determinado momento a história fica muito semelhante ao penúltimo filme de Smith, "Projeto Gemini" - tal pai, tal filho...E o final deixa claro que a franquia seguirá. Inclusive o quarto filme já foi confirmado.

Cotação: bom
Duração: 2h04
Chico Izidro

quinta-feira, janeiro 23, 2020

"1917"



Para começar, vale destacar que "1917", dirigido por Sam Mendes, é uma obra que tem de ser vista obrigatoriamente no telão de um cinema. O filme é grandioso, com imagens magnifícas e com duas horas de duração, filmado em dois planos sequências, retratando a Primeira Guerra Mundial, que para as pessoas que viveram àquela época, "a Grande Guerra", pois nunca imaginariam que duas décadas depois, viria outra mais mortal e destruidora.

A história transcorre em pouco menos de 24 horas e é baseada em uma história contada a Mendes por seu avô paterno, Alfred Mendes, que combateu no conflito do começo do século passado. Nela, dois jovens soldados britânicos, Schofield (George MacKay) e Blake (Dean-Charles Chapman) são designados para atravessar o campo inimigo alemão nas trincheiras francesas. Eles devem transmitir uma mensagem a um comandante de divisão do outro lado das trincheiras, que está com suas tropas prontas para um ataque aos germânicos. Mas se o fizerem cairão em uma armadilha.

Assim, os dois soldados iniciam uma jornada pelos campos dizimados na França ocupada. Pelo caminho, muitas armadilhas, buracos, ratazanas, cadáveres insepultos. E em todo o tempo, a câmera segue os personagens, incessantemente, em um grande plano sequência, que também joga o espectador para dentro das trincheiras.

O segundo plano sequência é registrado no final do dia, jogando um dos personagens nas trevas de prédios abandonados e destruídos. A tensão é enorme, e os atores conseguem transmitir o pavor que é estar dentro de uma guerra, com seus olhares e gestos apavorados e nervosos. O filme do ano.

Cotação: excelente
Duração: 1h59
Chico Izidro

"Um Lindo Dia Na Vizinhança" (A Beautiful Day in the Neighborhood)



Fred Rogers (1928/2003), foi o apresentador e animador do programa televisivo Mister Rogers' Neighborhood, produzido de 1968 a 2001 nos Estados Unidos. Nele, eram abordados temas do cotidiano de forma lúdica, e que era acompanhado por pessoas de todas as idades. "Um Lindo Dia Na Vizinhança" (A Beautiful Day in the Neighborhood), dirigido por Marielle Heller, tem o programa como pano de fundo, mas para falar sobre outro personagem, o jornalista Lloyd Vogel (Matthew Rhys).

Lloyd é casado e tem um filho recém nascido e trabalha como jornalista investigativo na revista Esquire. E em 1998 ele recebeu a incumbência de fazer um perfil de Fred, algo totalmente fora de suas reportagens. Contrariado pelo trabalho a fazer, e com problemas na vida pessoal, ele parte para fazer seu trabalho. Ou seja, o filme é sobre Lloyd, que carrega ainda uma grande mágoa do pai, Jerry (Chris Cooper), que abandonou a ele, a irmã e a esposa doente décadas atrás e de repente retorna.

Então quando Lloyd começa a conviver com Fred, uma pessoa muito próxima de um santo, paciente, com conselhos e observações, seu comportamento vai se modificando, fazendo-o repensar toda sua vida.
Apesar de ser coadjuvante, Tom Hanks é o nome do filme, com uma atuação contida. Parece estar interpretando ele mesmo, figura simpática, empatica. Matthew Rhys, do seriado "The Americans", também está bem, com uma expressão onde demonstra toda a carga pesada carregada pelo seu personagem. Motivador.

Cotação: ótimo
Duração: 1h49
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...