sexta-feira, janeiro 21, 2022

"EDUARDO E MÔNICA"

O filme "Eduardo e Mônica" é uma comédia romântica inspirada nos personagens populares criados por Renato Russo para a música homônima presente no segundo disco da banda Legião Urbana, "Dois", de 1986. A faixa permanece sendo um grande hit, mais de 35 anos depois de seu lançamento. O filme é dirigido por René Sampaio, que reedita a parceria com a produtora Bianca De Felippes - os dois são responsáveis também por “Faroeste Caboclo” (2013), longa que também se baseou em outro grande sucesso da banda brasiliense.
Nos papéis principais estão Gabriel Leone e Alice Braga, e foi gravado em Brasília, no Rio de Janeiro e na Chapada dos Veadeiros durante oito semanas em 2018. A trama é bem conhecida por todos. Quem não conhece deve ter morado em Marte nestas últimas três décadas. Fala da relação de um casal completamente diferente, com Mônica sendo uma garota mais velha, já quase se formando na faculdade, namorando um garoto de 16 anos, ainda no ensino médio. A leitura que se pode fazer é de que o amor supera tudo, inclusive diferenças extremas.
Renato Russo, que faleceu em 1996, vítima da AIDS, admitiu em entrevistas que o casal em que se baseia Eduardo e Mônica existiu, mas que não podia revelar quem eram, por um pedido próprio da dupla em que ele se baseou para fazer a letra. "O filme é uma delicada história de amor que fala, entre outras coisas, sobre como é possível amar e respeitar quem pensa muito diferente de você. Em alguma medida, todos já foram o Eduardo ou a Mônica em alguma relação", definiu o diretor René Sampaio. "Era muito importante para a gente ser fiel ao espírito do Renato. Das músicas compostas por ele, esta é a mais solar. Então, a ideia era manter essa energia", acrescentou Bianca De Felippes.
Além de Gabriel Leone e Alice Braga, também estão no elenco Otávio Augusto (como Bira, avô de Eduardo), Juliana Carneiro da Cunha (Lara, mãe de Mônica), Victor Lamoglia (Inácio, amigo de Eduardo), Bruna Spínola (Karina, irmã da Mônica) e Fabrício Boliveira (que foi o João de Santo Cristo de Faroeste Cabloco) em participação especial.
"Eduardo e Mônica" é um filme que emociona, ainda mais para quem cresceu escutando a música no rádio ou em seu toca-discos. E ainda por cima tem momentos tristes, pois pega pesado em questões como solidão e luto. "Quem um dia irá dizer que não existe razão, nas coisas feitas pelo coração...E quem me irá dizer que não existe razão...".
Cotação: ótimo
Duração: 1h54min
Chico Izidro

quarta-feira, janeiro 05, 2022

"O FESTIVAL DO AMOR" (Rifkin's Festival)

Nos últimos anos, todos os filmes de Woody Allen lançados no Brasil vinham com o título do original em inglês ou então traduzidos literalmente, vide "Match Point", "Cafe Society", "Rainy Days in New York", "Blue Jasmine", entre outros. Mas nos anos 1970, as distribuidoras realizavam um verdadeiro assassinato ao batizar os longas. O próprio diretor, hoje com 86 anos de idade, disse que por aqui os nomes de suas obras são "terríveis", "sem charme" e "sem imaginação", ao descobrir que filmes como Annie Hall, ganhou o nome de "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" no Brasil, sendo que no filme de 1977 não existe nem noivo nem noiva na história. Já para "Take The Money and Run" (1969) [Pegue o Dinheiro e Corra], em nosso país foi batizado de "Um Ladrão Muito Atrapalhado".
O diretor afirmou que "o título original é divertido na Inglaterra e nos EUA, mas Um Ladrão Muito Atrapalhado não mostra nenhuma imaginação, porque já diz o que o personagem é. É um título sem charme", criticou.Outro exemplo canhestro é "A Última Noite de Boris Grushenko", no original "Love and Death". O octagenário nova-iorquinho completa, lamentando não poder fazer nada em relação ao nome de suas obras. "Algumas distribuidoras mudam os títulos de forma sofisticada. Outras mudam para tentar chegar ao título mais comercial e lucrativo que podem, mas não posso fazer nada quanto a isso", analisou. "Geralmente, não gosto dos títulos que outros países dão aos meus filmes", finalizou.
Bem, depois de tudo isso, chegamos ao novo filme de Woody Allen, mantendo a média de um por ano desde os anos 1970. E mesmo que venha sofrendo boicote nos Estados Unidos, com diversos atores e atrizes se recusando a trabalhar com ele, ainda devido a polêmica da acusação feita por sua ex-mulher, Mia Farrow, de ter abusado da filha mais nova deles, Dylan, em 1992, e depois ter tido um caso e depois casado com a enteada, Sun-Yi. Detalhe: Farrow acusou o diretor de ter transado com uma menor de idade, mas quando rolou o romance, Sun-Yi já tinha 22 anos de idade.
Agora chega ao país, o 50º longa de sua carreira, "Rifkin's Festival", que pasmém, no Brasil recebeu o horrível título de "O Festival do Amor", todo ele gravado na Espanha, e onde Allen homenageia seus grandes inspiradores, como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Federico Fellini, Ingmar Bergman e Luis Buñuel, e fazendo citações de obras como "Jules e Jim" (1962), "Persona" (1966) "8 e ½" (1963), "Cidadão Kane" (1941), "Acossado" (1960) e "O Sétimo Selo" (1957).
Com seu humor afiado, e tendo como protagonista Wallace Shawn, presente em filmes de Woody Allen desde "Manhatan" (1979), no papel de Mort Rifkin, escritor frustrado e ex-professor de cinema especializado nos clássicos, mas também (assim como o próprio Allen) hipocondríaco, ranzinza e neurótico, e cheio de problemas existenciais. Ele viaja para o Festival de San Sebastián, no País Basco, para acompanhar a mulher, Sue (Gina Gershon), alguns anos mais nova e assessora de diretores de cinema. Na bela cidade, Mort começa a desconfiar de que a sua esposa está tendo um caso com Philippe (Louis Garrel), um atraente diretor francês. Sem conseguir deixar de lado sua paranoia, o protagonista acaba procurando ajuda médica e conhece a bela médica Jo Rojas (Elena Anaya), também infeliz no casamento, e fica encantado por ela - que de certa forma o faz rejuvenescer e voltar a acreditar no amor.
“Eu já estive no Festival de San Sebastián e me lembrei de como a cidade é linda, então decidi escrever uma história que se passasse lá”, lembrou Woody Allen a respeito da escolha da locação para o filme, que é mais uma ode maravilhosa do grande cineasta à sétima arte.
Cotação: ótimo
Duração: 1h32min
Chico Izidro

quinta-feira, dezembro 16, 2021

"AZOR"

“Azor”, filme de estreia do diretor suíço Andreas Fontana, é um forte drama político, que lembra e muito o clássico “Missing” (1982), de Costa-Gavras, em que um pai norte-americano investigava o sumiço de seu filho logo após o golpe de Pinochet no Chile, em setembro de 1973. Em “Azor”, a trama também transcorre na América Latina, mais especificamente na Argentina, no começo dos anos 1980.
À época, o país vizinho vivia sob forte ditadura militar, e onde desembarca o banqueiro suíço Yves (o excelente Fabrizio Rongione), ao lado da esposa Inés (Stéphanie Cléau). Os dois chegam a Buenos Aires, onde ele tem uma missão: reconquistar a clientela de seu banco depois do desaparecimento de seu sócio René, até então responsável pelas contas. A primeira cena é forte, mostrando dois jovens sendo interpelados por militares, enquanto que Yves e Inés observam tudo, de dentro do táxi, sem entender muito o que está acontecendo.
Outra cena marcante é quando o suíço é recebido em uma sala pelos poderosos, que vão se apresentando um por um, e colocando para fora os seus pensamentos conservadores e elitistas. Um soco no estômago. E aos poucos, Yves vai tomando conhecimento da situação crítica do país, e convivendo com os ricos e poderosos argentinos, vai mudando a sua percepção das coisas. A elite vive em uma bolha, e rale-se, para não escrever coisa mais forte, o resto da população. O jovem banqueiro vem de um país democrático, e se questiona muito do sumiço de René – afinal, o que houve com ele? E se sabia na Argentina que as pessoas desapareciam dia e noite, para nunca mais serem vistas.
“Azor” é um belo thriller político, que faz pensar e analisar período obscuro do continente. Cinema que pouco se faz hoje em dia.
Cotação: ótimo
Duração: 1h40min
Chico Izidro

segunda-feira, dezembro 13, 2021

“E AGORA? A MAMÃE SAIU DE FÉRIAS! 2” (10 Giorni com Bapo Natale)

Para começar, o título nacional é de umn equívoco imenso, apesar de remeter ao primeiro filme: “E Agora, a Mamãe Saiu de Férias 2” (10 Giorni com Bapo Natale), dirigido por Alessandro Genovesi, é uma continuação de longa de 2019, quando sim, a personagem principal saia de férias. Mas agora não. Não tem mamãe de férias, e sim viajando por um emprego, e no meio aparece um Papai Noel. A obra é um roadie movie, nada original.
A trama foca no casal Carlo (Fabio De Luigi) e Giulia (Valentina Lodovini). No primeiro filme, ela havia abandonado a carreira para se dedicar aos seus três filhos, enquanto que ele não tinha tempo para a família e passava mais tempo no trabalho do que em casa. Então, Giulia decide decide sair de férias por dez dias, deixando Carlo sozinho com as crianças. Agora, Carlo é quem está em casa, cuidando da piazada, mas querendo voltar ao mercado de trabalho. É quando ela revela ser candidata a uma promoção que pode a levar a se mudar para a Suécia. Como se não bastasse, ela terá que fazer a entrevista no dia 24 de dezembro em Estocolmo.
Carlo decide então acompanhar a mulher e os três filhos na viagem, alugando um trailer. E no caminho, na fronteira da Itália com a Áustria, eles atropelam um homem vestido de Papai Noel, e que acredita ser o próprio. O casal decide levar o maluco para a Lapônia, visto que há tempo hábil antes da entrevista de Giulia.
“E Agora, a Mamãe Saiu de Férias 2” era para ser uma comédia de estrada. Porém, o humor apresentado é rasteiro, sem imaginação. E os personagens são completos clichês - os filhos do casal, um é um garotinho com pensamentos facistas, a maior é aquela adolescente emburrada, e a mais nova é um pequeno gênio. Fabio De Luigi e Valentina Lodovini são bons atores, mas são desperdiçados nesta trama farsesca de Papai Noel....
Cotação: ruim
Duração: 1h34min
Chico Izidro

quinta-feira, dezembro 02, 2021

"KING RICHARD - CRIANDO CAMPEÃS" (King Richard)

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King Richard – Criando Campeãs” (King Richard), direção de Reinaldo Marcus Green, é um filme que fala de superação e de determinação. A trama enfoca o objetivo da vida de Richard Williams, o pai das tenistas Venus e Serena, as maiores jogadoras da história, e de como ele forjou a carreira das garotas, desde o berço até elas alcançarem o sucesso profissional.
Richard é interpretado magistralmente por Will Smith, que já havia feito outro filme com temática semelhante e também biográfico, “À Procura da Felicidade” (The Pursuit of Happyness) (2006). Em “King Richard – Criando Campeãs” o racismo e as diferenças sociais estão presentes, mas surgem como pano de fundo para a história.
Vivendo no bairro negro de Compton, em Los Angeles, a família Williams sabe que tem potencial para a riqueza e o estrelato, e Richard procura incentivar as filhas, mesmo que às vezes de forma ditatorial, afinal o esporte escolhido, o tênis, é elitista e competitivo ao extremo. Smith tem ao seu lado as carismáticas atrizes Saniyya Sidney como Venus e Demi Singleton vivendo Serena. E o ator, com este filme, ficou muito perto de ser um dos favoritos de levar um Oscar de atuação para casa.
Cotação: ótimo
Duração: 2h24min
Chico Izidro

quarta-feira, novembro 24, 2021

"CASA GUCCI" (House of Gucci)

O veterano diretor Ridley Scott está prolífico em 2021. Menos de um mês depois de lançar o épico "O Último Duelo", ele volta a cargo com o biográfico "Casa Gucci" (House of Gucci), roteiro escrito pela dupla Becky Johnston e Roberto Bentivegna, e baseado no livro "Casa Gucci: Uma história de glamour, ganância, loucura e morte", de Sara Gay Forden, sobre a família italiana que construiu um império da moda e artigos de luxo.
A trama foca na personagem de Patrizia Reggiani (Lady Gaga), a humilde mas ambiciosa filha do dono de uma empresa de caminhões em Milão que trabalha na contabilidade do negócio de sua família. Em uma festa ela conhece o tímido mas rico Maurizio (Adam Driver, que já está presente em O Último Duelo) e rapidamente iniciam um relacionamento, mesmo contra a vontade do pai dele, Rodolfo Gucci (Jeremy Irons), que acha a garota apenas uma interesseira.
A história percorre quase 30 anos da vida deles, com Patrizia entrando no rico clã, que tem ainda o bilionário Aldo (Al Pacino), que fica encantado por ela, e despreza o filho Paolo (um irreconhecível Jared Leto), que sonha em ser estilista, mas falta-lhe talento e carisma. A história vai culminar no assassinato de Mauricio, em 1995, mesmo ano em que outro ícone da moda, Gianne Versace também foi morto - este pelo Serial Killer Andrew Cunanan (esta história está registrada no seriado American Crime Story, temporada 2).
"Casa Gucci" é uma biografia convencional, e ainda bem que foi feito desta forma, contando os fatos de forma cronológica, sem invencionices. O que pode incomodar um pouco é o filme falado em inglês, mas com os atores usando um sotaque italiano, por vezes de forma exagerada.
Mas Lady Gaga se destaca, assim como já o havia feito em "Nasce Uma Estrela", e sua química com Adrian Driver funciona, mesmo que por vezes ele pareça deslocado em cena. E nos últimos tempos, o ator já teve como parceiras em cena as belas Scarlett Johansson e Marion Cottilard. Al Pacino, por sua vez, parece se divertir em cada aparição, enquanto que Já Jared Leto apresenta um alívio cômico com seu personagem extremamente caricato. E não dá para esquecer de citar a ótima trilha sonora, trazendo clássicos dos anos 1970 e 1980, com Blondie, Eurythimics, David Bowie e Donna Summers, entre outros.
Cotação: ótimo
Duração: 2h38min
Chico Izidro

domingo, novembro 21, 2021

"NOITE PASSADA EM SOHO" (Last Night in Soho)

A jovem Eloise (Thomasin McKenzie, de ‘Jojo Rabbit’) sonha em ser design de moda, mas não se encaixa no mundo dos dias atuais, pois sua cabeça está toda voltada para os anos 1960, no drama psicológico "Noite Passada em Soho" (Last Night in Soho), direção de Edgar Wright. E ela se muda para Londres, onde entra para a faculdade de moda e vai morar em uma república, porém não consegue se adaptar à convivência com a cínica colega de quarto Jocasta (Synnove Karlsen). Então decide alugar um quartinho no bairro Soho, conhecido por sua agitação noturna e cultural.
Mas todas as noites ao ir dormir, ela é transportada para os anos 1960, na pele de Sandie (Anya Taylor-Joy, de O Gambito da Rainha), que sonha em ser cantora, mas vive explorada por Jack (Matt Smith, de The Crown). E aos poucos, a garota não sabe mais o que é realidade ou o que é fantasia em sua mente. E o filme, que começa parecendo um musical, vai se transformando em um thriller envolvendo até assassinatos em série. O diretor consegue fazer uma obra fantástica, onde recria perfeitamente a Swinging London em cenário e no vestuário, calcada ainda em uma trilha sonora puramente sessentista, como por exemplo "A World Without Love", do duo britânico Peter and Gordon, lançada em 1964.
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Mas os anos 1960 trazem ainda vários atores que marcaram aquele período, como Diana Rigg (a Bond Girl Condessa Teresa di Vicenzo de ‘007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade’), que faz a senhorinha que aluga o quarto para Eloise, em seu último papel no cinema - ela morreu em setembro de 2020, aos 81 anos; Rita Tushingham (Doutor Jivago) faz a avó da garota, Margaret Nolan (a também Bond Girl, Dink de ‘007 Contra Goldfinger’, e que também faleceu em outubro do ano passado, aos 76 anos) é a gerente do bar onde Eloise vai trabalhar como bartender, e Terence Stamp (o General Zod de ‘Superman: O Filme’) é um homem que vive no bar, e tem uma forte ligação com Sadie.
"Noite Passada em Soho" é nostálgico, misterioso, e no fundo é uma história de terror. Com direito a ótima reconstituição de época, bela trilha sonora e homenagem a atores que marcaram o cinema naqueles anos de transformação. Tem lá seus errinhos, mas são aceitáveis….
Cotação: ótimo
Duração: 1h56min
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...