domingo, abril 05, 2026

“O Drama” (The Drama)

Foto: Diamond Filmes
“O Drama” (The Drama), direção e roteiro de Kristoffer Borgli, tem gerado muita polêmica nos Estados Unidos, por tocar em um assunto muito dolorido para os americanos: o tiroteio em escolas. E uma pergunta: vale a pena contar seus segredos mais íntimos para as pessoas que você ama?
A trama mostra o casal apaixonado formado por Emma Harwood (Zendaya) e Charlie Thompson (Pattinson), que está nos preparativos finais para se casarem. No entanto, na semana anterior ao grande dia de suas vidas, durante um jantar, uma simples brincadeira entre amigos coloca em xeque o relacionamento de Emma com seu noivo e com os padrinhos: cada um tinha de confessar as piores coisas que já fizeram na vida. Zendaya e Robert Pattinson mostram excelente química em tela.
E Emma solta um segredo terrível, deixando Charlie e todos em choque. A noiva revela ter planejado, quando adolescente, um tiroteio na sua escola. Mas mais do que apenas pensar no ato terrorista, ela chegou a treinar tiro e levar o rifle do pai para a aula, desistindo do crime na última hora.
A revelação coloca em risco toda a confiança e o amor entre os noivos, e traz à tona o ódio da madrinha, Rachel (Alana Haim), cuja irmã ficou paraplégica após levar um tiro durante um atentado.
Assim, “O Drama”, que tem uma montagem onde a história é contada com idas e vindas no tempo, passa a refletir o quanto uma pessoa pode permanecer ou não ao lado de alguém que parecia tão normal, mas esconde algo sinistro em seu ser.
E o filme ainda relembra incidentes trágicos em escolas, sendo o mais lembrado o massacre de Columbine, no Colorado, em 1999. Na ocasião, dois estudantes, Eric Harris e Dylan Klebold, de 18 e 17 anos respectivamente, mataram 12 alunos e um professor, e feriram mais de 20 em uma escola, antes de se matarem.
Então, você perdoaria seu par se ele confessasse algo tão cruel?
Cotação: excelente
Duração: 1h46min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Hn8YHkQXiS0

“RUAS DA GLÓRIA”

Foto: Syndrome Filmes
“Ruas da Glória”, com direção e roteiro de Felipe Sholl, é um filme gay, ambientado no bairro da Glória e no Centro do Rio de Janeiro, e segue o jovem professor de literatura Gabriel (Caio Macedo), que recém chegou à cidade. Ele conversa mentalmente com a sua avó, sua grande parceira e que faleceu, enquanto recebe mensagens do pai, que vive ordenando sua volta para a terra natal e “abandone” o pecado de sua vida.
Tentando se ambientar no Rio de Janeiro, frequenta boates gays, e em uma delas, de propriedade de Mônica (Diva Menner, que fez história como a primeira mulher transgênero a participar do reality The Voice Brasil), ele conhece Adriano (Alejandro Claveaux), um garoto de programa uruguaio, por quem se apaixona perdidamente. Os dois acabam tendo um relacionamento intenso, mas ao mesmo tempo fugaz. Adriano, porém, é uma alma livre, e certo dia desaparece, para desespero de Gabriel, que se afunda em desespero.
Então, o professor passa a circular pelas noites cariocas tentando encontrar o motivo de sua paixão, enquanto busca apoio na boate gay de Mônica, onde é acolhido pelos frequentadores da casa.
Felipe Sholl, que também assina o roteiro, constrói uma narrativa intensa com olhar atento às margens sociais. “Ruas da Glória é um filme muito pessoal pra mim e espero que as pessoas se identifiquem também. É um filme cheio de amor, que fala sobre emoções intensas, luto, e busca de conexão”, afirma o diretor. “Ruas da Glória” revela uma jornada imersiva de pertencimento e busca por amor e conexão. Em meio a uma atmosfera mundana e sob a ótica de seu protagonista que, a fim de lidar com o luto, o atravessa de forma controversa ao vivenciar seus desejos.
Cotação: bom
Duração: 1h47m
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=9dBPSp4BNbQ

“CHEIRO DE DIESEL”

Foto: Amana Cine
“Cheiro de Diesel, é um documentário dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins, e se propõe a investigar os impactos das operações militares nas favelas do Rio de Janeiro, especialmente durante o período dos grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, quando diferentes territórios foram ocupados sob operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
A obra se constrói a partir de relatos de moradores de regiões como Maré, Penha e Morro do Salgueiro, que trazem em suas histórias as consequências diretas da presença militar no cotidiano dessas populações. A narrativa reúne denúncias de violações de direitos, incluindo invasões a casas, escolas e unidades de saúde, além de episódios de revistas constantes e assassinatos.
Esses relatos também revelam como os efeitos dessas operações permanecem no tempo. “Os traumas são permanentes. Todas as pessoas têm muito viva a memória do tanque na sua porta, do cheiro do diesel, da tortura e da falta de informação”, afirma Natasha Neri.
A diretora Gizele Martins, jornalista e comunicadora da Favela da Maré, premiada com o Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, aponta que a ocupação militar da Maré serviu como base para ações semelhantes em outras favelas do Rio. “Este é um filme que retrata a minha própria realidade”, afirma. “A democracia ainda é um sonho pra gente que vive nesses territórios”.
Ao lado dela, Natasha Neri contribui com sua experiência na direção de documentários e pesquisas sobre justiça criminal. Diretora de “Auto de Resistência”, premiado no festival É Tudo Verdade, Neri desenvolve “Cheiro de Diesel“ a partir do acompanhamento direto de casos de violência de Estado e da relação com familiares de vítimas ao longo dos últimos anos. “O filme nasce dessa luta para dar visibilidade às famílias, vítimas de violações praticadas pelas forças armadas”, explica.
A partir dessas histórias, o documentário também mostra quais são os obstáculos enfrentados na busca por justiça. Muitos dos casos retratados são conduzidos pela justiça militar, o que limita o acesso à informação e à responsabilização. “Nenhuma das famílias teve reparação. Nenhuma teve o mínimo de acesso à informação”, conta Neri.
A partir de tudo isso, “Cheiro de Diesel” se constrói como um filme de denúncia e memória. “A ideia é registrar esse período e convidar o espectador a refletir sobre essa cidade dividida”, disse Gizele e Natasha completa: “As forças armadas não são solução para a segurança pública”.
Cotação: bom
Duração: 1h22m
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=hHoJA8RqAPY

“O Drama” (The Drama)

Foto: Diamond Filmes “O Drama” (The Drama), direção e roteiro de Kristoffer Borgli, tem gerado muita polêmica nos Estados Unidos, por tocar...