“Cheiro de Diesel, é um documentário dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins, e se propõe a investigar os impactos das operações militares nas favelas do Rio de Janeiro, especialmente durante o período dos grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, quando diferentes territórios foram ocupados sob operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
A obra se constrói a partir de relatos de moradores de regiões como Maré, Penha e Morro do Salgueiro, que trazem em suas histórias as consequências diretas da presença militar no cotidiano dessas populações. A narrativa reúne denúncias de violações de direitos, incluindo invasões a casas, escolas e unidades de saúde, além de episódios de revistas constantes e assassinatos.
Esses relatos também revelam como os efeitos dessas operações permanecem no tempo. “Os traumas são permanentes. Todas as pessoas têm muito viva a memória do tanque na sua porta, do cheiro do diesel, da tortura e da falta de informação”, afirma Natasha Neri.
A diretora Gizele Martins, jornalista e comunicadora da Favela da Maré, premiada com o Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, aponta que a ocupação militar da Maré serviu como base para ações semelhantes em outras favelas do Rio. “Este é um filme que retrata a minha própria realidade”, afirma. “A democracia ainda é um sonho pra gente que vive nesses territórios”.
Ao lado dela, Natasha Neri contribui com sua experiência na direção de documentários e pesquisas sobre justiça criminal. Diretora de “Auto de Resistência”, premiado no festival É Tudo Verdade, Neri desenvolve “Cheiro de Diesel“ a partir do acompanhamento direto de casos de violência de Estado e da relação com familiares de vítimas ao longo dos últimos anos. “O filme nasce dessa luta para dar visibilidade às famílias, vítimas de violações praticadas pelas forças armadas”, explica.
A partir dessas histórias, o documentário também mostra quais são os obstáculos enfrentados na busca por justiça. Muitos dos casos retratados são conduzidos pela justiça militar, o que limita o acesso à informação e à responsabilização. “Nenhuma das famílias teve reparação. Nenhuma teve o mínimo de acesso à informação”, conta Neri.
A partir de tudo isso, “Cheiro de Diesel” se constrói como um filme de denúncia e memória. “A ideia é registrar esse período e convidar o espectador a refletir sobre essa cidade dividida”, disse Gizele e Natasha completa: “As forças armadas não são solução para a segurança pública”.
Cotação: bom
Duração: 1h22m
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=hHoJA8RqAPY


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