quarta-feira, julho 22, 2026

“FUTURO FUTURO”

Fotos: Vulcana Cinema
“Futuro Futuro” é o quarto longa do diretor gaúcho Davi Pretto que, depois de “Castanha” (2014), “Rifle” (2016) e de “Continente” (2024), transformou sua cidade natal, Porto Alegre, em uma metrópole futurista.
O filme é uma ficção-científica de baixo orçamento que se passa em um futuro distópico e investiga o perigo, a estupidez e o absurdo da inteligência artificial em um futuro precarizado, assolado pela constante crise ambiental e o sofrimento coletivo.
“Futuro Futuro” teve inspiração na literatura ciberpunk de William Gibson e Philip K. Dick. A trama acompanha K (Zé Maria Pescador), um homem de 40 anos que perdeu a memória e é acolhido por Silvio (João Carlos Castanha), um clickworker solitário de 60 anos, na região mais empobrecida de uma cidade constantemente castigada pelas chuvas torrenciais. Ao experimentar um dispositivo de inteligência artificial altamente viciante durante um curso voltado a pessoas afetadas pela síndrome, K inicia uma jornada marcada pelo absurdo e pela tragédia em busca de compreender sua identidade e encontrar um lugar no mundo.
Para interpretar K, personagem protagonista, o diretor escalou o potiguar Zé Maria, ator conhecido por seus trabalhos em filmes como “O Clube dos Canibais” (2018) e “Paloma” (2022), além da série “Maria e o Cangaço” (2025).
Além de Zé Maria Pescador, o filme conta também com João Carlos Castanha (que batiza e protagoniza o primeiro filme do cineasta), Carlota Joaquina, Clara Choveaux, Higor Campagnaro, Olivia Torres e Gabriela Greco.
“Futuro Futuro” foi rodado em apenas 16 dias em Porto Alegre. A produção teve suas filmagens interrompidas por meses devido à maior enchente da história do estado, em maio de 2024. Ironicamente, um filme distópico que se deparou com uma distopia real inimaginável. Depois que a enchente inundou locações que ainda fariam parte das filmagens, e diante de recursos escassos para concluir as diárias, Davi decidiu incorporar radicalmente imagens de inteligência artificial, tanto como o elemento distópico previsto na história, quanto como uma solução para terminar o filme.
Para o cineasta, usar imagens IA para refletir sobre os riscos dessa tecnologia é um gesto necessário para investigar essa tecnologia. “Qualquer alternativa para conter os avanços da IA infelizmente não recai sobre decisões individuais em não usá-la. Estamos falando de uma tecnologia que atualmente 7 em 10 brasileiros afirmam usar diariamente. Há ainda um medo crescente de quem não usa acabar ficando para trás no mercado de trabalho, isso é sabido. Pensar que a responsabilidade está no indivíduo é uma distração similar ao conceito da pegada individual de carbono, criado como campanha de marketing de uma gigante empresa de petróleo para desviar o real debate do climático. Data centers de bilhões de reais para treinar IAs são criados anualmente no Brasil com incentivo e apoio dos governos locais e federal. Muitos desses data centers não divulgam para quais plataformas IA elas prestam serviço. Se há ainda alternativas, é através de grandes organizações coletivas", afirmou Pretto.
"Ao imaginar um futuro marcado pela inteligência artificial e pelos impactos da tecnologia, o filme Futuro Futuro convida o público a refletir sobre os rumos do desenvolvimento tecnológico e seus efeitos na vida cotidiana. Patrocinador do longa, o BNDES acredita na força do audiovisual brasileiro para estimular o diálogo e a reflexão crítica sobre temas relevantes para sociedade, sem abrir mão da emoção e do engajamento com o público", pontua Marina Moreira, superintendente da Área de Relacionamento, Marketing e Cultura do BNDES.
Duração: 1h24
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=W1dU0ahmzks

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