quarta-feira, agosto 12, 2026

“HONESTINO”

Fotos: Pandora Filmes
Conheço diversas histórias de guerrilheiros que lutaram contra a Ditadura Militar (e escrever isso me lembra a vez em que escrevi uma reportagem no jornal em que trabalhei 30 anos, sobre os Anos de Chumbo. E o diretor do veículo me chamou e disse que não houve ditadura militar – o puxa-saco queria agradar os bispos que comandam o jornal...depois de uma discussão, eu pedi que se ele fosse suprimir isso, que meu nome não saísse na matéria. No final, saiu governo militar...). Bem, tudo isso só para contar que o estudante personagem deste documentário me era desconhecido.
“Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles, e com roteiro de Aurélio Michiles e André Finotti e produção de Nilson Rodrigues, conta a história do jovem Honestino Guimarães, líder estudantil, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e um dos mais importantes desaparecidos políticos da Ditadura Militar.
O longa-metragem é uma fusão entre documentário e ficção, e reconstitui a trajetória do líder estudantil da geração de 1968, presidente da UNE e aluno da Universidade de Brasília (UnB). Preso cinco vezes por sua militância política, Honestino foi sequestrado pela Ditadura Militar em 1973, aos 26 anos, e nunca mais foi visto. Seu desaparecimento tornou-se um dos casos mais emblemáticos da violência de Estado durante o regime militar brasileiro.
A narrativa é construída a partir de cartas, poemas, imagens de arquivo e depoimentos de familiares, amigos e companheiros de militância, recuperando não apenas a trajetória política de Honestino, mas também a dimensão humana de um jovem que se tornou símbolo da resistência e cuja história continua inspirando novas gerações. Entre os depoentes estão nomes como Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e Betty Almeida, biógrafa do líder estudantil.
As cenas ficcionais são interpretadas por Bruno Gagliasso, que dá vida a Honestino em momentos reconstruídos a partir dos registros e relatos reunidos pelo filme. A combinação entre documentos históricos, testemunhos e dramatização busca aproximar o público da trajetória de um personagem cuja história foi interrompida pela repressão e cujo paradeiro permanece desconhecido.
Ao recuperar a história de Honestino, o longa também lança um olhar sobre os mecanismos de apagamento utilizados pela Ditadura Militar para silenciar opositores e interferir na memória pública. Sua trajetória é colocada em diálogo com a de outras vítimas da violência de Estado, como Rubens Paiva, Vladimir Herzog e José Carlos da Mata Machado, reforçando a importância da memória como ferramenta de enfrentamento ao esquecimento.
Duração: 1h25min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Zpex0lMmUW8

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