quarta-feira, outubro 21, 2026

CURTA-METRAGEM “REVERSO”, FILMADO EM VIAMÃO, DISPUTARÁ PRÊMIO EM LOS ANGELES

Fotos: CF Arte Nativa
Curta “Reverso”, gravado em Viamão, é indicado em festival de cinema em Los Angeles. O filme foi produzido pela CF Arte Nativa e dirigido por Gabriela Ono, e terá estreia mundial em novembro de 2026, no Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF), concorrendo ao prêmio de Melhor Direção de Fotografia.
A produção, realizada com talentos locais e direção de uma cineasta brasileira radicada nos Estados Unidos, leva o nome da cidade para um dos principais palcos da cultura brasileira no exterior. O filme foi indicado na categoria Melhor Direção de Fotografia, trabalho assinado por Vagner Farias, produtor audiovisual e fundador da ComVê.
A cerimônia de premiação acontece em Los Angeles, no dia 5 de novembro. A história de “Reverso”, com roteiro de Helena Horta e Gabi Fly, acompanha uma jovem poetisa para quem poesia e rap nascem da mesma inspiração. Quando ela transforma seus versos em batalhas de rap, entra em conflito com a mãe, que se recusa a enxergar o rap como arte. Ao contar essa história, o filme também explora a presença das comunidades de rap da cidade de Viamão.
Produção local com olhar internacional, “Reverso” é uma realização da CF Arte Nativa, produtora cultural de Viamão, comandada por Fabiano Maciel Ferreira, que também atua como produtor do filme. Foi ele quem convidou a diretora Gabriela Ono para conduzir o projeto. Brasileira com carreira em Los Angeles, Gabriela Ono foi indicada ao Emmy em 2022. A parceria uniu a experiência da indústria audiovisual norte-americana à produção cultural do Rio Grande do Sul, resultando em um filme gravado em Viamão. Para Fabiano, a indicação tem um significado especial. “Ter o nosso primeiro trabalho no audiovisual ser reconhecido em Los Angeles é um marco incrível para a Arte Nativa”, afirma.
A indicação de Vagner Farias destaca o trabalho de direção de fotografia desenvolvido no filme. Com atuação no mercado audiovisual por meio da ComVê, o profissional reforça o nível técnico da produção regional. “Ser indicado ao prêmio neste importante festival de cinema brasileiro nos EUA foi uma alegria muito grande. É o reconhecimento do trabalho de uma vida inteira. E estar concorrendo ao lado de tantos filmes incríveis me deixa emocionado. Agradeço a toda a equipe do Reverso pela confiança e parceria”, disse Vagner.
A CF Arte Nativa é uma produtora cultural sediada em Viamão, comandada por Fabiano Maciel Ferreira. Ele tem trajetória dedicada à formação cultural e ao fortalecimento da cadeia produtiva da cultura. Entre seus projetos estão “Carnaval, da Imaginação para a Avenida”; “Brilhantina no Cabelo”, um musical “Very Bagual”; “Batida Ancestral”; o Intercâmbio Cultural Arte Nativa; o Festival 3Fs; o Seminário Cultural Viamonense; o Fest Folk Canoas; e o Fest Arts Viamão. “Reverso” é o primeiro trabalho da produtora no audiovisual.
Serviço
Filme: Reverso (curta-metragem)
Estreia mundial: Los Angeles Brazilian Film Festival, novembro de 2026
Premiação: 5 de novembro de 2026, em Los Angeles (EUA)
Indicação: Melhor Direção de Fotografia (Vagner Farias)
Direção: Gabriela Ono
Produção: CF Arte Nativa (Fabiano Maciel Ferreira)
Direção de fotografia: Vagner Farias (ComVê)
Locação: Viamão (RS)

“CARA-DE-BARRO” (Clayface)

Fotos: Warner Bros. Pictures
Com direção de James Watkins, “Cara de Barro” (Clyface) traz a origem de um dos maiores vilões do universo DC, inimigo mortal de Batman em Gothan City. E o filme é muito diferente das histórias em quadrinhos levadas às telas, pois é uma obra soturna, violenta e depressiva. O roteiro é assinado por Mike Flanagan e Hossein Amini, e funciona quase como uma história independente das HQs.
Na trama, Matt Hagen, vivido por Tom Rhys Harries (excelente), é um ator que vive o auge da fama e da fortuna, quando acaba se envolvendo com a namorada de um gângster, Markos Szabo (David Dencik) e acaba tendo o rosto desfigurado à navalhadas. A partir daí, a vida de Hagen entra em queda livre e o ator perde tudo, emprego, dinheiro, casa e ainda é acusado de ter assediado a mulher do vilão.
Eis que surge, então, uma cientista, Caitlyn Corr (Naomi Ackie), que está desenvolvendo um projeto de regeneração de pele e usa Matt como cobaia. Ela é noiva do policial John Borelli (Max Minghella, filho do ex-diretor Anthony Minghella), e parece ser o único detetive na cidade – uma das falhas do filme. Matt acaba tendo o rosto regenerado, e busca recomeçar a sua vida. No entanto, a fórmula apresenta efeitos colaterais, fazendo com que o rosto e também o restante do corpo do protagonista derreter.
E cada vez que o personagem recebe injeção da fórmula, seu corpo vai reagindo, até chegar ao poder de ele poder assumir o rosto de qualquer pessoa. Assim, fica fácil para Matt buscar vingança e se livrar daqueles que o prejudicaram.
Aí vai outro detalhe que a produção deixou passar. No início das mutações, ao poder adquirir as feições de qualquer pessoa, as suas roupas permanecem as mesmas. Mas quando a história fica mais violenta e sem tempo para detalhes, Matt assume a face e também as roupas daqueles que ele assume as formas.
A trama, também, lembra outras obras sensacionais do gênero – estão lá referências explícitas a “A Substância”, “A Mosca” e o que mais se assemelha, “Darkman – Vingança Sem Rosto”, clássico absoluto de 1990, dirigido por Sam Raimi e com Liam Neeson como protagonista. E sim, “Cara-de-Barro” não é apenas um filme de origem, mas sim uma obra de terror. E que terror.
Duração: 1h48min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=qBm3uYQEJXg

“MESTRE ZU”

Fotos: Mapa Filmes do Brasil
O documentário “Mestre Zu”, com direção de Zelito Viana e codireção de Luciana Savaget, revisita a trajetória do jornalista, escritor, professor e membro da Academia Brasileira de Letras, Zuenir Ventura (1931-2026).
Zuenir é considerado um dos pilares do moderno jornalismo brasileiro, e apelidado carinhosamente de Mestre Zu pela postura com que sempre tratou tanto os mais jovens quanto os companheiros de sua geração.
Com carisma e senso crítico afiado, Zuenir conduziu as mais importantes redações do país, como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, Jornal do Brasil e O Globo, além das revistas O Cruzeiro, Veja, Época e IstoÉ. Em mais de 60 anos de carreira, nunca perdeu o seu DNA de excelente repórter.
A produção recupera a vida de Zuenir, nascido em Além Paraíba (MG), mas passando a juventude humilde em Nova Friburgo (RJ), onde trabalhou como pintor de paredes, boy de banco e caixeiro de loja para custear os estudos. A narrativa ressalta o papel determinante de sua mãe, que lavava batinas para garantir a sua bolsa em um colégio salesiano.
Após mudar-se para o Rio de Janeiro para cursar Letras Neolatinas, ingressou no jornalismo e iniciou uma carreira marcada por coberturas decisivas. Entre elas, destacam-se a sua atuação como intérprete de João Goulart em Paris e a sua prisão durante a ditadura militar após o AI-5, quando dividiu cela com Hélio Pellegrino.
O filme reflete a sua capacidade de unir o rigor da apuração com a sensibilidade da literatura em grandes reportagens e livros fundamentais, como “1968 – O Ano Que Não Terminou”, “Chico Mendes”, “Cidade Partida” e “Inveja – Mal Secreto”.
O documentário é construído também por relatos de familiares, amigos e companheiros de redação, entre os quais Ancelmo Gois, Caca Diegues, Fernando Gabeira, Míriam Leitão, Nelson Motta, Paulinho da Viola, Regina Zappa e Silvana Gontijo. Zuenir Ventura faleceu aos 95 anos, em 22 de setembro de 2026.
Duração: 70 min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=tXUkpfc-JsM

“AO SABOR DAS CINZAS”

Fotos: Autorias Filmes
“Ao Sabor das Cinzas” é dirigido por Taciano Valério, autor de “Pingo d’Água”, e com roteiro dele, ao lado de Vanderson Santos e Carla Francine.
A trama mostra duas irmãs que não se entendem, Bethânia (Verônica Cavalcanti) e Laura (Maria Lima), mas que precisam se unir após a morte do pai, Seu Lauro (Everaldo Pontes). O corpo dele simplesmente desapareceu do necrotério do hospital em que morreu. As duas descobrem que o corpo está sendo levado para uma cidade do agreste pernambucano, sendo que a ideia era enterrar o pai na cidade onde ele morava. As duas põem o pé na estrada.
Ao mesmo tempo, acompanhamos dois funcionários da funerária responsável pelo corpo de Seu Lauro, fazendo a viagem para entregá-lo na outra cidade. Ou seja, o filme vira uma espécie de road-movie.
Paralelamente, vemos a filha de Bethânia, Isadora (Isadora Gibson), produzindo vídeos sobre os segredos da própria família – mostrando os podres do avô e também do pai, que tinham uma empresa de exportação.
Além de road-movie, “Ao Sabor das Cinzas” também tem traços de suspense policial e realismo fantástico – Seu Lauro levanta do caixão, pede um cafezinho, fuma um cigarro e conversa com a funcionária da funerária.
“Ao Sabor das Cinzas” tem como diretor de fotografia, Breno César, e foi montado por João Maria, que assinou “O Som ao Redor”. O elenco reúne Everaldo Pontes, Verônica Cavalcanti, Maria Lima, Isadora Gibson, Bruno Goya, Geyson Luiz, Buda Lira, Rizonir Silva, Guilherme Milleron, Rita Assis, Rosberg Adonay, Clécio Vila Nova, Adélio Lima, Aretha Luna e Maria das Nuvens.
Duração: 1h24
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=4Ih3luOfvXw

quarta-feira, outubro 14, 2026

“DENTRO DA BALEIA” (Whalefall)

Fotos:20th Century Studios Brasil
“Dentro da Baleia” (Whalefall), direção de Brian Duffield, abusa da boa vontade do espectador. Tudo bem que cinema é uma arte que pode explorar qualquer situação imaginária – tanto que estão aí os filmes de monstros, alienígenas, religiosos, catástrofes.
E em “Dentro da Baleia”, temos como protagonista o traumatizado Jay Gardiner (Austin Abrams). O pai, Mitt (Josh Brolin), com uma doença incurável, se suicidou, jogando-se no mar, para se poupar de mais sofrimento. Um ano depois, o filho, em luto e após reencontrar a mãe e as irmãs, decide mergulhar para tentar encontrar os restos mortais de Mitt.
Jay entra nas águas de uma praia proibida para mergulho e extremamente vigiada, depois de diversas mortes no local. Ao mergulhar e ir cada vez mais fundo, o jovem acaba se deparando com uma baleia cachalote e o pior acontece, com ele sendo engolido pelo animal.
Depois de quase meia-hora mostrando a relação tumultuada de Jay com o pai, finalmente o filme engrena, com o garoto tentando sobreviver dentro do gigantesco animal, com flash-backs dele com Mitt. E “Dentro da Baleia” vai nesta toada quase sonolenta, com cenas totalmente inverossímeis. Sendo que Jay entrara no mar com um tanque de oxigênio feito para durar apenas uma hora...bem...vamos lá, é ficção. Mais daqui não posso passar, para não contar o final.
Porém, a premissa de “Dentro da Baleia” contraria todas as leis científicas. Até é possível um ser humano entrar na boca de uma baleia, mas é completamente impossível passar da garganta para o estômago, como mostra o filme.
Na prática, os raros registros reais de pessoas que foram engolidas por baleias mostram que o susto durou apenas alguns segundos, terminando com o animal cuspindo o humano de volta ao mar.
A garganta de uma baleia é pequena demais, e no caso da baleia cachalote que engole Jay, ela é o único animal com garganta larga o suficiente para engolir uma pessoa. Contudo, eles vivem em mar aberto e caçam lulas-gigantes a profundidades que passam de mil metros, tornando um encontro com humanos praticamente impossível. E se isso ocorresse,, o humano morreria rapidamente por asfixia e ação dos ácidos gástricos no estômago.
Dito tudo isso, “Dentro da Baleia” é cansativo, apresentando personagens com quem o espectador não consegue se conectar – o pai é abusivo e controlador e o filho, um rebelde sem causa.
E sim, a história bíblica de Jonas e sendo engolido por uma baleia e sobrevivendo dentro dela por três dias é pura invenção. Balela de um livro de ficção. Ainda acho mais divertida a aventura de Pinóquio e Gepeto tentando escapar de dentro de uma baleia, acendendo uma fogueira dentro do animal.
Duração: 1h46min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=fU-hZ3SKo8s

quarta-feira, outubro 07, 2026

“DIGGER”

Fotos: Warner Bros.
“Digger”, direção do grande diretor mexicano Alejandro González Iñárritu (Babel, 21 Gramas e Amores Perros) é um filme farsa, ou seja, mostra uma coisa, mas na realidade é outra.
O protagonista da trama é o magnata do petróleo Digger Rockwell, interpretado por Tom Cruise, quase irreconhecível por trás de várias próteses, que o deixaram idoso e extremamente gordo (me lembrou o personagem vivido pelo ator no hilário “Trovão Tropical”). Digger vive em sua mansão, cercado de funcionários, que maltrata até além da conta, e extremamente carinhoso com uma gata que tem três décadas, e é praticamente moribunda.
Seu mundo começa a mudar quando uma operação de sua empresa no Ártico provoca uma rachadura gigantesca, após uma explosão de metano. Se formam então tremendos icebergs, e um parte descontrolado para o continente europeu. Uma reunião emergencial é convocada, com a participação de militares, cientistas e o presidente dos Estados Unidos, à beira da morte por conta de um câncer anal, vivido por um hilário John Goodman. Eles precisam achar uma solução para a crise ambiental, que poderá destruir toda a Europa.
Então, depois de várias tentativas de destruir o gigantesco iceberg, o filme toma uma virada completamente inesperada – e que não posso contar aqui para não dar um violento spoiler e estragar a surpresa.
“Digger” discute crise climática, influência dos Estados Unidos sobre o planeta e o poder dos grandes magnatas. A produção é grandiosa, bem dirigida, com uma excelente fotografia e Tom Cruise sem medo de interpretar um anti-herói. E além dele e John Goodman, tambpem se destacam Riz Ahmed, Sandra Hüller, Michael Stuhlbarg e Jesse Plemons.
Duração: 2h09
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=TWONhlEX_Nk

“A QUEDA 2 – NO LIMITE” ( Fall 2: Deadpoin)

Foto: Paris Filmes
“A Queda 2 – No Limite”, direção conjunta de Peter Spierig, Michael Spierig, é a continuação do ótimo e assustador “A Queda”, de 2022, que mostrava duas garotas presas no alto de uma torre, a 600 metros do solo. Eu, que tenho verdadeiro medo de altura, quase enfartei.
Agora, nesta sequência, inteligentemente a produção mudou o local de onde o pavor se instala. Nada de torres ou prédios altos. A trama, agora se passa em uma montanha, provocando muita tensão e pânico no espectador.
A história acompanha Jax (Harriet Slater), irmã mais velha de Shiloh (Virginia Gardner), que morreu no primeiro filme. Sofrendo com o luto, ela acaba aceitando, depois de muita insistência, o convite de Luce (Arsema Thomas), amiga de Shiloh, para homenageá-la subindo o Monte Kwan, na Tailândia.
Apesar da subida ser ilegal, pois considerada extremamente perigosa pelas autoridades, as duas conseguem a ajuda de Jon Platt (Tom Brittney), um guia norte-americano, exilado no país asiático. Evidente que as coisas irão dar errado, pois um terremoto provoca um deslizamento de terra e as duas presas ficam presas a mais de 900 metros de altura – o guia desaparece.
O terror se instala tanto na tela, quanto para os espectadores, vendo as personagens tentando escapar de uma queda terrível, sustentadas apenas por pequenas barras de ferro. E ainda com condições climáticas adversas para dar mais perigo para a trama, como fortes chuvas e ventos. Além do que, segredos começam a vir à tona durante os momentos de desespero das duas jovens, penduradas à centenas de metros em um paredão, onde qualquer deslize significa a morte.
“A Queda 2 – No Limite” acertou quando trocou o cenário da torre por uma montanha numa região paradisíaca na Ásia. E também a motivação das personagens. Porém, no final do filme, o roteiro conseguiu estragar uma boa história que estava sendo construída, fazendo os personagens tomando atitudes estúpidas e incoerentes.
Duração: 1h40m
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=VRUZXvWI7sA

quarta-feira, setembro 09, 2026

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures
“Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Sedução", onde Sandra Bullock e Nicole Kidman, que seguem tão lindas quase três décadas depois, interpretam as irmãs feiticeiras Sally e Gillian Owens, respectivamente, com direção de Susanne Bier. A história é baseada no romance “O Livro de Magia”, de Alice Hoffman.
A trama foca em uma maldição que acompanha as mulheres Owen desde os tempos dos puritanos, impedindo que elas possam ter relacionamentos – quando uma passa a amar o companheiro, ele acaba morrendo.
Agora, nesta sequência, a maldição afeta uma das filhas de Gillian, Kylie, vivida por Joey King, que se apaixona pelo jovem Gideon (Xolo Maridueña). A jovem desconhece o mal que afeta a família, pois ela e a irmã Antonia (Maisie Williams), tiveram as memórias apagadas devido aos incidentes ocorridos no primeiro filme. Mas ao ser afetada, quando o namorado sofre um grave acidente, ela decide partir para a Inglaterra, terra ancestral dos seus antepassados, em busca da solução para acabar com a maldição.
Ao saberem da viagem de Kylie, Sally e Gillian, também atravessam o oceano, para tentar salvar a garota, que não sabe os riscos que corre, ao se envolver com bruxos malignos.
“Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” tem mais erros do que acertos. Faz uma boa ponte com a primeira parte, de 1998. Porém não explica bem a passagem de tempo – afinal, quanto tempo se passou entre as sequências, pois Kylie e Antonia parecem ter pouco mais de 20 anos, quando se fossemos somar a diferença de anos entre um filme ou outro, as personagens deveriam ter quase 40 anos. E as cenas de batalhas entre feiticeiros são completamente ridículas. Tem quem goste. E alguns diálogos são, por demais, forçados. Além do que, o filme poderia ter, tranquilamente, meia-hora a menos.
Por outro lado, a trama se mantém fiel à primeira parte, não mudando o jeito de ser das protagonistas. E traz de volta as veteranas Stockard Channing e Dianne Wiest como as adoráveis tias feiticeiras Franny e Jetty, que proporcionam os momentos mais tristes desta sequência.
Duração: 2h10
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=qCQWKOHtQ4Y

quarta-feira, setembro 02, 2026

“NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS”

Foto: Descoloniza Filmes
O documentário "Não Existe Almoço Grátis", dirigido por Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, acompanha a vida de três mulheres negras, Bizza, Jurailde e Socorro, que lideram uma Cozinha Solidária na maior favela do país, Sol Nascente, a apenas 30 km do centro de Brasília.
Todo o processo começou por causa dos danos causados pela pandemia da Covid-19, que além do mortal vírus, também trouxe outro fantasma para as populações carentes: a fome. A falta de políticas públicas para enfrentar a grave situação levou o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) a organizar dezenas de Cozinhas Solidárias, distribuindo almoços grátis por todo o país.
Assim, quando a terrível época do governo Bolsonaro estava terminando, e às vésperas da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bizza, Jurailde e Socorro, ficaram encarregadas de cozinhar para as centenas de militantes do movimento que chegariam em Brasília para assistir à cerimônia no dia 1º de janeiro de 2023.
As três protagonistas possuem arcos narrativos singulares, apresentados de modo não linear ao longo do filme. Bizza sonha em construir sua casa e abrir seu próprio negócio no lote que conquistou através da luta no MTST. Jurailde, evangélica, vincula sua conexão com a terra à sua ancestralidade indígena e seu passado de trabalho infantil. Socorro, por sua vez, descobre o orgulho de si ao formar sua própria família depois de ter sido abandonada pelo pai na infância.
"Costurando relatos íntimos ao registro vivo e em movimento da força da organização coletiva, o filme é um manifesto contra as máximas neoliberais da meritocracia, do individualismo e do lucro. Sua linguagem visual e sonora marca o contraste da desigualdade social no Distrito Federal, fazendo de Brasília uma personagem símbolo de injustiças a serem superadas. É nesta cidade partida que Socorro, Jurailde e Bizza se conhecem e se tornam coordenadoras de uma das Cozinhas Solidárias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, distribuindo almoços grátis diariamente", refletem os diretores Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel.
Em meio a ameaças de golpe e crescente violência política, "Não Existe Almoço Grátis" acompanha esta saga de preparação logística e culinária massiva no contexto da posse presidencial mais paradigmática desde a redemocratização. Ao mesmo tempo, o filme traz entrevistas profundas com Bizza, Jurailde e Socorro, cujas vidas têm sido cheias de dificuldades, mas de muita resistência.
O filme traz, ainda, reflexões sobre a importância da organização coletiva e como laços de afeto e comunidade são essenciais para combater estruturas injustas e desafiar máximas de mérito e lucro individual. Na luta diária por moradia e contra a fome, Bizza, Jurailde e Socorro já antecipam muito do que sonham e provam que o futuro se cozinha hoje e a muitas mãos.
Duração: 1h14min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=VyizSpDFB1Q

quarta-feira, agosto 26, 2026

“PONTO SEM RETORNO” (Point of No Return)

Fotos: 20th Century
“Ponto Sem Retorno”, dirigido pelo veterano Ridley Scott, é baseado no livro “The Dog Stars”, escrito por Peter Heller, e transcorre num futuro pós-apocaliptico, onde a maioria da população mundial acabou morrendo por causa de um violento vírus – e aí vem uma crítica subliminar aos antivacinas, que não aprendem o quanto elas se fazem necessárias para a história da humanidade.
O filme tem como protagonista um mecânico, Hig (Jacob Elordi), que vive isolado num hangar abandonado no Colorado, ao lado de um ex-fuzileiro naval, Bangley (Josh Brolin). Mas com seu cão, passa os dias percorrendo a região em seu pequeno avião, em busca de suprimentos, inclusive ajudando uma comunidade religiosa nas montanhas.
Inquieto e vivendo o luto pela perda de sua mulher e de sua filha pequena, o seu objetivo é sair dali, após escutar uma transmissão de rádio, acreditando que exista um local onde a humanidade possa viver tranquilamente. Por isso, um dia parte, indo parar em uma fazenda também isolada, habitada pela jovem viúva Cima (Margareth Qualey, de A Substância) e seu pai, Pops, um quase irreconhecível Guy Pearce.
Após ser quase expulso do lugar, Hig começa a ganhar a simpatia da dupla. Porém, a calmaria desaba quando são atacados por uma tribo de selvagens, tendo de partir às pressas da fazenda, para mais à frente, encarar outros perigos.
“Ponto Sem Retorno” é um filme com muita ação, suspense, boas cenas de batalhas. E apesar disso, é um requentado de muita coisa que já se viu em filmes pós-apocalípticos. A primeira parte é quase uma cópia de “Eu Sou A Lenda”, com o herói e seu cão vasculhando um lugar abandonado. E depois, surgem as tribos violentas e até canibais pelo caminho. Não tira a força do longa-metragem, mas não traz nada de novo.
Duração: 1h58
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=EpDrdWcksg4

“NOSSO SEGREDO”

Foto: Entre Filmes
A trama foca em uma família preta, que tenta retomar o seu cotidiano ao mesmo tempo em que lida com o luto pela perda do pai. Cada uma das pessoas da casa tem o seu jeito de enfrentar a dor e o silêncio, mas é Tutu, o filho caçula, quem guarda um segredo que pode ajudá-los a confrontar os sentimentos e encontrar um novo caminho.
Duração: 103min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=p_E7fhQ5EoI

“MUITO PRAZER”

Fotos: Globo Filmes
“Muito Prazer”, de Jorge Furtado, é uma comédia que tem a mesma pegada de filmes impagáveis do diretor, como “Saneamento Básico”, por exemplo. A trama se passa em Porto Alegre, que porém não é identificada, mas em suas cenas iniciais, aparecem imagens das pontes próximas ao Guaíba.
A história fica em Rubem, vivido por Daniel Oliveira, que trabalha como motorista de aplicativo, e totalmente falido. E ele recebe de herança de um tio o decadente Motel Pérola, que está abandonado. A herança, na realidade, para Rubem, significa também ter de resolver as inúmeras dívidas do tio.
Ao chegar no motel, o herdeiro acaba deparando com uma antiga funcionária do lugar, que mora ali por não ter para onde ir, Grace, interpretada por Luisa Arraes.
Depois de um começo de estranhamento entre os dois, chegam num acordo para tirar o motel do buraco. Após alguns tropeços, eles conhecem a técnica em TI Nalva (Samantha Jones, simplesmente sensacional), e criam um plano, onde gravam, com câmeras escondidas nos quartos, os fregueses transando e postando as imagens em sites eróticos. É quando começam a resolver os problemas, mas também a encontrar percalços da era digital.
No entanto, ao serem descobertos, eles terão que provar que os vídeos são falsos, iniciando assim novas filmagens inesperadas para fugirem da cadeia.
A pegada do filme é de muitas tiradas engraçadas, e apesar de “Muito Prazer” falar de sexo, as imagens das pessoas transando são leves, nada de apelativo. E muito, muito divertido. E o trio centra, Daniel de Oliveira, Luísa Arraes e Samantha Jones exibem uma química incrível, passando a impressão de estarem se divertindo muito em cena.
Duração: 1h38min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=4y7i1Uai9IA

“DAMA”, CURTA-METRAGEM MUSICAL COM A CANTORA DAYA MORAES, ESTREIA NESTA SEXTA-FEIRA, DIA 28

Foto: Divulgação
Nesta sexta-feira, dia 28 de agosto, estreia “Dama”, curta-metragem musical de ficção protagonizado pela cantora, compositora e apresentadora gaúcha Daya Moraes.
A produção audiovisual estabelece um diálogo direto com o universo de seu novo álbum autoral, “Dama do Jogo”, e marca uma nova etapa na trajetória da artista ao conectar música e cinema em um mesmo projeto.
“Dama” não é uma cinebiografia e não retrata a vida de Daya Moraes. O filme apresenta uma história original protagonizada por Luana, personagem que conduz o público por uma jornada marcada por escolhas, expectativas, amadurecimento e pela necessidade de assumir o controle da própria trajetória.
Luana vive cercada por padrões, expectativas e decisões que parecem sempre ser tomadas por outras pessoas. Ao longo de sua jornada, ela se vê diante da necessidade de rever escolhas, enfrentar medos e romper ciclos para compreender que assumir o próprio caminho também significa lidar com as consequências das próprias decisões.
A narrativa aborda temas como identidade, autonomia, autoestima, liberdade, sonhos interrompidos e recomeços, colocando em perspectiva os desafios enfrentados por mulheres diante das expectativas sociais e das escolhas que atravessam a vida adulta.
“Dama fala sobre aquele momento em que a gente percebe que não pode continuar vivendo a história que outras pessoas escolheram para nós. A Luana é uma personagem, não sou eu, mas existem questões nela que reconheço em muitas mulheres. É sobre ter coragem para olhar para a própria vida, fazer escolhas e entender que sempre existe a possibilidade de recomeçar”, disse Daya Moraes.
Um filme que dialoga com o álbum
Embora possam ser apreciados separadamente, “Dama” e “Dama do Jogo” foram concebidos para dialogar. O curta não é um videoclipe, nem uma adaptação literal das músicas. Trata-se de uma obra de ficção que expande, por meio do audiovisual, questões presentes no universo do álbum.
Enquanto as canções percorrem diferentes momentos da experiência feminina, como autoestima, autonomia, afetos, sensualidade, ambição, desafios financeiros, renúncias e coragem, o filme apresenta esses questionamentos por meio de personagens e situações ficcionais.
São, portanto, duas narrativas complementares construídas em linguagens diferentes. O álbum utiliza a música para explorar emoções, conflitos e estados de espírito; o curta utiliza personagens e imagens para ampliar essas discussões. A proposta integra a pesquisa de Daya Moraes sobre as possibilidades de diálogo entre música e audiovisual e representa uma expansão do formato tradicional de lançamento de um trabalho musical.
Com “Dama”, Daya amplia as possibilidades de seu trabalho autoral e propõe uma relação entre música e cinema na qual cada linguagem preserva sua autonomia, mas contribui para a construção de um universo artístico comum.
SERVIÇO
“Dama” – curta-metragem musical de ficção
Estreia: 28 de agosto de 2026
Onde assistir: www.youtube.com/dayamoraes
Duração: 16 minutos e 22 segundos

quarta-feira, agosto 19, 2026

“SÓ POR UMA NOITE” (One Night Only)

Fotos: Universal Pictures
“Só Por Uma Noite” (One Night Only), é dirigido por Will Gluck – conhecido por filmes como "A Mentira" (2010), "Amizade Colorida" (2011) e "Todos Menos Você" (2023), e tem roteiro assinado pelo cineasta em parceria com Travis Braun. A trama, uma história de amor, é ambientada em um universo distópico onde ter relações sexuais antes do casamento é proibido – e as pessoas tem apenas uma noite por ano para transarem, caso sejam solteiras, em uma janela de 12 horas aberta pelo governo – sim, a história remete diretamente para a cinessérie “Uma Noite de Crime”, mas aqui, ao invés de as pessoas cometerem assassinatos, podem legalmente fazer sexo. E não deixa de ser uma crítica a crescente onda conservadora cristã que cresce nos Estados Unidos.
Então “Só Por Uma Noite” coloca o pizzaiolo Owen (Callum Turner) no caminho da cantora de jingles Allie (Monica Barbaro). Ele tem uma namorada, Malika, que horas antes de ser aberta a janela para os casais irem para a cama, diz que usará a noite para transar com um vizinho. Já Allie é uma solteira que quer deixar a solidão para trás.
E durante horas daquela noite única do ano, Owen e Allie se cruzam pelas ruas de Nova Iorque, enquanto tentam achar alguém para transar. E quando encontram, alguma coisa acontece para evitar que o momento se concretize. O filme tem ótimas piadas e o casal protagonista mostra uma química incrível. “Só Por Uma Noite” é daqueles filmes para quem ainda acredita ser possível achar um amor só para chamar de seu.
A ex-musa adolescente Molly Ringwald, quase irreconhecível, interpreta a mãe de Owen e que namora o personagem de LeVar Burton, ator negro da fantástica série ‘Raízes” (1977) e do seriado “Jornada nas Estrelas: Generations”.
Duração: 1h42 min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=5QtZALyr3kw

“CORAÇÃO PARTIDO” (Your Heart Will Be Broken/Tvoyo serdtse budet razbito)

Fotos: Paris Filmes
“Coração Partido”, dirigido por Michael Vaynberg, é um filme romântico russo, baseado no livro best-seller homônimo de Anna Jane. A trama acompanha a adolescente Polina (Veronika Zhuravleva), que vai morar com a mãe e o padrasto em uma nova cidade, que nunca é citada no filme.
Na escola, a garota vira alvo de bullying das meninas más (atrizes adultas fazendo papel de garotinhas), mas acaba caindo nas graças do bad boy Bars (Daniel Vegas), que gosta de disputar pegas de moto, é filho de um gângster e temido pelos demais alunos.
O jovem promete proteção para Polina, desde que ela finja ser sua namorada, e siga regras impostas por ele. Evidente que o casal de pombinhos vai acabar se apaixonando, e tendo de conviver com diversos empecilhos para curtir a paixão em paz.
O filme é um apanhado de clichês, o romance entre Bars e Polina não convence. E as histórias paralelas também são desconexas. E a história se arrasta por torturantes duas horas, com atuações que beiram o amadorismo.
Duração: 2h14
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=xgBur5qZoAU

CURTA-METRAGEM “REVERSO”, FILMADO EM VIAMÃO, DISPUTARÁ PRÊMIO EM LOS ANGELES

Fotos: CF Arte Nativa Curta “Reverso”, gravado em Viamão, é indicado em festival de cinema em Los Angeles. O filme foi produzido pela CF Ar...