quinta-feira, março 15, 2007

Notas sobre um escândalo





Baseado em romance homônimo da jornalista inglesa Zöe Heller, Notas sobre um Escândalo (de Richard Eyre) trata de repressão sexual, amor platônico e vá lá, pedofilia. A excelente Judi Dench é Barbara, uma professora de história de uma escola pública londrina. Sua vidinha besta e medíocre é relatada em um diário, aonde ela aproveita para realizar comentários ácidos sobre os colegas. Até que a sua vida muda com o aparecimento de uma nova colega, a professora de artes Sheba (Cate Blantchett, de Babel). Barbara é homossexual não-assumida e nutre uma paixão por Sheba, que por sua vez, apesar de casada e com dois filhos, um com síndrome de Down, se envolve com um aluno de 15 anos, Steven Connolly (Andrew Simpson). Quando Barbara descobre, joga tudo no ventilador, destruindo a sua vida, a de Sheba e da familia dela. Uma história atual e instigante e que deixa uma dúvida: é pedofília uma mulher de 30 e poucos anos se relacionar com um adolescente, quando claramente ele é que seduz o adulto e não o contrário???

A RAINHA









Uma das semanas mais conturbadas na vida da Rainha Elizabeth II, da Inglaterra. Este é o "gancho" da A Rainha, do veterano Stephen Frears e com a oscarizada Hellen Mirren no papel-título. Quando da morte da princesa Diana em 1997, a Rainha Elizabeth II até ficou aliviada, pois não gostava mesmo da professorinha plebéia que casara com seu filho Charles num suntuoso matrimônio em 1981. A família real se preocupou mais em ir caçar do que aparecer para o público britânico, apaixonado por sua princesa - a esta altura já separada de Charles e namorando com o muçulmano (heresia) Dodi Al-Fayed, também morto no acidente automobilístico em Paris.
O filme mostra o trabalho do então recém empossado primeiro-ministro Tony Blair (note uma cena em que ele aparece com a camisa de um dos times mais populares do país, o Newcastle United, do nordeste) e sua equipe de fazer com que a rainha repensasse sua posição e sua antipatia por Diana, sob a pena de ver a monarquia ser posta em dúvida. Hellen Mirren nos passa a impressão de estarmos realmente vendo a rainha inglesa em carne e osso, inclusive com sua indefectível bolsinha tiracolo - por que raios a rainha não larga aquele acessório??
Frears (Os Imorais e Minha Adorável Lavanderia) ainda consegue a proeza de "embelezar" alguns personagens, que na vida real são muitos feios.

Letra & Música





Hugh Grant é pop...Drew Barrymore é pop. Afinal, participaram de filmes que marcaram a vida de muita gente e juntos, mostraram ter um grande carisma, levando uma comédia romântica bobinha às alturas. Grant é protagonista do ótimo 4 Casamentos e Um Funeral e sempre está na mídia, seja envolvido com a deusa Elizabeth Hurley, seja com a prostituta Divine Brown. E Drew Barrymore esteve em ET. Quer mais? Bem, ela também participou de outro filme que lembrava os anos 1980: The Wedding Singer ou Afinado no Amor.
Em Letra & Música, Drew é Sophie Fischer, uma garota com pendores literários, mas bloqueada amorosamente e que anda sobrevivendo ajudando na loja de maquiagens da irmã (Kristen Johnston, um dos ets da finada série Third rock from the sun). Ela vai ajudar o ex-astro da fictícia band new wave Pop, Alex Fletcher (Grant) a ressurgir das cinzas. Sophie se mostra excelente letrista e se encanta com o ex-rock star, que no entanto, está mais em busca da fama perdida do que se envolver romanticamente. Trilha sonora ok, que faz os trintões e quarentões sair do cinema e buscar aqueles disquinhos empoeirados que embalaram suas adolescências.

Manhatan




O ano é 1979 e Woody Allen é Isaac Davis, 42 anos, namorado de Tracy (Mariel Hemingway), garota de apenas 17 anos. O mundo era mesmo outro naquele penúltimo ano da década de 1970. Hoje, Allen seria acusado de pedofilia, aliás, como a vida kimita a arte...em 1992, ele protagonizou escândalo ao assumir um romance com sua enteada, a asiática Soon-yi, de...16 anos.
Em Manhatan, Allen mostra a beleza da ilha nova-iorquina, em preto e branco, e ainda sem as chatas de Sex and the City. Escritor frustrado, roteirista de tevê chateado, Isaac procura o amor de sua vida, sofre por sua mulher Jill (Meryl Streep, belíssima) tê-lo trocado por outra mulher e ainda a vê escrever um livro sobre o casamento frustrado dos dois.
Namora por um período Mary Wilke (Diane Keaton, então esposa de Woody Allen), amante de seu melhor amigo. E solta uma frase inesquecível: "estou saindo com uma garota que ainda faz tema de casa". O melhor está, porém, no final, quando recebe uma lição de vida da adolescente Mariel Hemingway: "você precisa começar a acreditar nas pessoas". Então ele olha para a câmera, close e...fecham-se as cortinas. E temos vontade de ver o filme de novo.

Turistas








Assistir Turistas (Turistas, de John Stockwell) é já entrar no cinema com um pé atrás, depois de tanta propaganda negativa. Afinal, esculacha até não poder mais o Brasil, seu povo hospitaleiro, amante de festas, mulheres bonitas e bebidas. Só que ao mesmo tempo traiçoeiro para os estrangeiros. Então nada mais justo de que um médico batizado pelo hispânico nome de Zamora (o ator global Miguel Lunardi) seqüestre jovens americanos e europeus, roube seus órgãos e os doe para hospitais públicos do Rio de Janeiro. Absurdo? Sim e não.
Bem, não existe por aí contrabando de órgãos humanos??? O filme é trash até a medula, com gente correndo pela floresta tropical...no litoral carioca, fugindo de um índio armado até os dentes! E tudo movido a muita música de Marcelo D-2.
É tanto clichê, que de tão ruim fica bom e dá para se segurar na poltrona em algumas cenas de perseguição. O espectacdor fica naquela: quem vai sobreviver, quem vai morrer? Suspense já visto em Sexta-Feira 13, A hora do Pesadelo, Halloween e saindo dos States, O Albergue, aonde turistas americanos são executados à sangue-frio na Eslováquia. Só muda o local. Mas o mundo não é mesmo perigoso?

1972




Bela reconstituição de época em 1972 (de José Emílio Rondeau ). O filme trata sobre aquele ano na vida de dois jovens cariocas, um o suburbano Snoopy (Rafael Rocha), que sonha em ser um astro da música internacional com sua banda, a Vide Bula. E com a bela Júlia (Dandara Guerra), querendo ser jornalista musical, num país que aos poucos ia se abrindo para o rock'n'roll, mas via este estilo musical como subversivo e feito por jovens alienados e maconheiros. Um risco para a conservadora sociedade brasileira daqueles dias.
O roteiro tem a mão da jornalista Ana Maria Bahiana, que viu nascer a revista Rolling Stone (hoje em nova versão nas bancas brazucas) e que lançou no an o passado o Almanaque Anos 1970. O filme é belo, melancólico, mas não triste, porém sofre um pouco com a atuação quase teatral de seus atores principais. Eles passam a impressão de ter feito uma decoreba e recitar para os espectadores frases e palavras do período, sem muita emoção. Mesmo assim, vale a pena curtir 1972, que tem uma boa trilha sonora. E destaque para o veterano Tony Tornado, um dos símbolos culturais da década e que este ano completará 77 anos!

quinta-feira, março 01, 2007

Motoqueiro Fantasma





Filmes baseados em histórias em quadrinhos costumam, geralmente, só agradar ou desagradar fãs do gênero. Quem não gosta de HQ torce os lábios e dificilmente põe os pés no cinema. Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider, de Mark Steven Johnson) não foge à regra e ainda tem mais mais um fator desfavorável: o personagem não é tão conhecido do público brasileiro. O jeito é fazer como Nicolas Cage (Adaptação e Código de Guerra): entrar no clima e levar na boa, sem maiores espectativas.
Um motoqueiro de circo, Johnny Blaze (Cage) vende a alma para o diabo (Peter Fonda) para salvar a vida do pai. Anos depois, o diabo volta para cobrar a dívida, envolvendo Blaze com quatro outros demônios, que buscam dominar o mundo das trevas! História simples, efeitos especiais ótimos e Eva Mendes (de Por Um Triz) deslumbrante. Já as legendas deixam muito a desejar - numa das cenas, o Motoqueiro grita ihaaaaaaaaaaa e nas letrinhas sai "segura peão"...de doer! Como sessão da tarde, com pipoca e Coca-Cola vai legal.

CURTA-METRAGEM “REVERSO”, FILMADO EM VIAMÃO, DISPUTARÁ PRÊMIO EM LOS ANGELES

Fotos: CF Arte Nativa Curta “Reverso”, gravado em Viamão, é indicado em festival de cinema em Los Angeles. O filme foi produzido pela CF Ar...