quinta-feira, julho 10, 2008

Kung-Fu Panda



Os desenhos estão cada vez mais perfeitos. Bem, escrever isso é chover no molhado, pois não é nenhuma novidade. Em Kung-Fu Panda, de Mark Osborne, existe no entanto uma superação, quando os movimentos dos personagens chegam ao extremo. Quem ver vai associar imediatamente as suas referências, que são os filmes chineses de ação, principalmente os estrelados por Bruce Lee, mas também encontramos algo mais atual, como os balês de O Tigre e o Dragão.
O roteiro, por sua vez, não foge do convencional - sonho, desprezo e consagração, na figura do panda Po, que gordo e preguiçoso, parece ter o destino escrito...trabalhar no restaurante do pai, que é...uma garça. Só que ele sonha em ser um bravo lutador de kung fu, contra todas as probabilidades e inimizades iniciais dos cinco grandes. Até surgir a chance de mostrar seu valor contra o maudoso tigre Tai Lung, que está em busca do papiro sagrado. Mas isso não desvaloriza o filme, divertido e com boas piadas do começo ao final e feito para crianças e adultos.

WALL-E



Um desenho animado em que na sua primeira parte o silêncio impera, apenas com a trilha sonora a guiar os movimentos de um robô. Isso pode afastar seu público alvo, as crianças. Mas Wall-E, de Andrew Stanton consegue surpreender, na história do robozinho deixado só na terra e que após 700 anos segue na sua sina de limpar a sujeira dos seres humanos, que se mandaram para uma estação orbital.
A vida de Wall-E segue tediosa, ao lado de seu amigo de estimação, uma barata - e não é esse ser consegue sobreviver a todas as tragédias nucleares? -, até se apaixonar por outro robô, Eva, mandada à terra para verificar a situação do ambiente. Então entramos na segunda parte do filme, que perde um pouco de sua força, ainda mais com o aparecimento dos obesos seres humanos. Mas não perde a graça. E em Wall-E encontramos ecos de Eu Sou a Lenda, 2001, uma Odisséia no Espaço, Solaris, entre outras obras-primas da ficção científica. E o que mais dizer de um filme que cuja sessão a que entrei, a piazada se calou desde o seu início, observando atenta os movimentos do solitário robô? Imperdível.

Valsa para Bruno Stein



Baseado na novela do escritor gaúcho Charles Kiefer, Valsa para Bruno Stein, de Paulo Nascimento, peca pelo estilo excessivamente teatralesco de seus atores. Nada parece ser natural no longa-metragem situado no interior gaúcho. Bruno (um alquebrado Walmor Chagas) é um velho alemão dono de uma olaria, mal-humorado, que sente forte desejo pela nora Valéria (Ingra Liberato, a única boa atuação no filme). A vida deles e de todos na casa vai se alterar com a chegada de um trabalhador desconhecido, Gabriel, que como um anjo, mostra a Bruno que a vida ainda vale a pena ser vivida. Porém, por ser um filme localizado no interior gaúcho, falta o sotaque acentuado de seus personagens, que se comunicam como estivessem no tablado. E se observarmos bem, depois de seus quase 90 minutos, muita coisa fica inexplicada. Desperdício.

Chega de Saudade



Ao Assistir Chega de Saudade, poderá ser notada uma leve semelhança com O Baile, de Ettore Scola. Mas talvez não seja proposital. Aqui, em seu similar nacional, Lais Bodanszky não pretende contar a história do Brasil através das danças de salão, como a obra-prima italiana, que contou a trajetória da Itália. Porém, a diretora percorreu toda a história da música popular brasileira do século XX durante uma tarde e noite num clube paulistano. Podemos nos deliciar com as marchinhas carnavalescas, o rock de Rita Lee e Lulu Santos, ao brega de Odair José, enquanto que de pano de fundo vemos personagens sofrendo com a solidão, a velhice, a traição, o desejo. Uma bela surpresa.

quinta-feira, junho 26, 2008

O BANHEIRO DO PAPA



O Banheiro do Papa (El Baño del Papa), do uruguaio Cesar Charlone (fotógrafo de Cidade de Deus) fala de esperança e desesperança. Um muambeiro, Beto (Cesar Trancoso), que passa os dias traficando mantimentos entre Aceguá, na fronteira gaúcha, com Melo, no Uruguai, vê a chance de tirar o pé da lama com a visita do Papa João Paulo II em 1988. Ele decide construir no quintal de sua casa, numa favela na pequena cidade uruguaia, um banheiro para alugar aos romeiros, e levantar uns trocados para ajudar no sustento da família.
E é dessa esperança que o Banheiro do Papa acaba tocando - como tentar sair da miséria ou pelo menos sobreviver a ela. Para Beto (excepcional atuação de Trancoso, sósia do cantor Belchior), ter uma moto é o maior dos sonhos e assim melhorar as suas entregas. Sua esposa, Carmen (Virginia Mendez, que traduz bem em seu rosto o sofrimento de uma mulher trabalhadora e convivendo com um marido por vezes brutal) quer ter dinheiro para pagar as contas no final do mês, nem que seja a da luz. E para a filha Silvia (a bela surpresa Virginia Ruiz), o maior dos desejos é deixar aquele mundo injusto e partir para Montevidéu para estudar radialismo e fugir do destino de costureira que lhe planejam.
A desesperança está no abandono de quem vive na periferia dessas pequenas cidades, convivendo com o desemprego e tendo de usar de subterfúgios para colocar um pouco de comida na mesa.
Os sonhos, enfim, não se sustentam. Nem mesmo com a chegada de um Papa a lugar tão inóspito.

JOGO DE AMOR EM LAS VEGAS



Alguém disse que Cameron Diaz funciona melhor em comédias do que em dramas. E eu sou obrigado a concordar, depois de ver Jogo de Amor em Las Vegas, de Tom Vaughan, filme em que não dava um centavo furado. E não é que a comédia da ex-modelo e atriz de O Maskara, O Amor Não Tira Férias e As Panteras funciona. Ainda mais tendo ao seu lado o bobalhão Ashton Kuchter, marido de Demi Moore e astro do extinto seriado That's 70'show.
A história é simples, mas rende boas piadas. Após uma bebedeira, os dois acabam se casando em Las Vegas. No dia seguinte, Jack ganha 3 milhões de dólares na roleta. O problema é que a moeda pertencia a Joy. E segundos antes, os dois haviam decidido anular o casamento.
Pois bem um juiz decide que eles terão de conviver juntos, por no mínimo, seis meses, se quiserem ver a cor do dinheiro. Então parece que Jogo de Amor em Las Vegas vai cair no lugar comum, ao citar as diferenças entre homens e mulheres obrigados a coabitar o mesmo ambiente. Ele, um verdadeiro porcalhão e solteiro convicto e a garota, uma arrumadinha. Mas engano. Aí está a graça devido ao timing da dupla e dos coadjuvantes. O final fica meio meloso, mas nem tudo pode ser perfeito.

FIM DOS TEMPOS



Depois de surpreender o mundo com o excelente Sexto Sentido e até brincar de herói com Corpo Fechado, M. Night Shyamalan perdeu o rumo e não fez mais nada que prestasse. E aí cito o estimado Sinais. Agora, ao ver o trailer de Fim dos Tempos (The Happening), pensei, bom, ele se corrigiu. E a primeira meia-hora do suspense promete, quando pessoas começam a se suicidar sem causa aparente no leste dos Estados Unidos. O jeito, pensa o professor de matemática Elliot (Mark Wahlberg, em atuação bisonha) é fugir da cidade grande para o campo com a namorada Alma (Zooey Deschanel, lembrando e muito a sumida Debra Winger) que esconde um segredo conjugal. Mas lá na área rural também ninguém está seguro.
Por momentos, evocamos Alfred Hitchcock e o suspense Os Pássaros - afinal, não há causa aparente para os eventos que estão ocorrendo.
Então Shyamalan surpreende, para o pior. A natureza está aborrecida com os seres humanos e decide se vingar. E fica nisso. "Eu não tenho mais nada para contar", deve ter pensado o diretor, roteirista e produtor. E o filme acaba, deixando todos na sala de cinema se olhando boquiabertos: "Eu paguei por isso?".

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...