quinta-feira, agosto 27, 2009

SE BEBER, NÃO CASE





Há muito não e via uma comédia tão escrachada e que foge ao estereótipo jovens querendo perder a virgindade ou paródias de filmes de sucesso de Hollywood, SE BEBER, NÃO CASE (The Hangover, de Todd Phillips), quatro amigos partem para Las Vegas para comemorar a despedida de solteiro de um deles, Doug (Justin Bartha, de A Lenda do Tesouro Perdido). Tudo parece correr bem, mas no início da noite, após brindarem, eles apagam e acordam pela manhã num apartamento completamente destruído, com um tigre no banheiro e uma galinha correndo pelos cômodos. E Doug? Ele simplesmente desapareceu.
A partir daí, os três remanescentes: Phil (Bradley Cooper, de Ele não está tão afim de você), Ed Helms (The Office, versão americana) e o paspalhão Alan (Zach Galiafinakis, de Jogo de Amor em Las Vegas) tentam remontar o que aconteceu na noite passada, porém não recordam de nada, simplesmente nada. E tão perdidos quanto eles fica o espectador, que entra na brincadeira. Uma hora eles são perseguidos por uma gangue de chineses, sem entender o porque, noutra encaram o ex-pugilista Mike Tyson e um deles até descobre que na bebedeira perdeu um dente e acabou casando com uma prostituta, a bela Jade (Heather Graham, de Austin Powers). As piadas se sucedem como uma avalanche, mas o melhor está no final, quando o da explicação do que houve na noite da bebedeira. Então, um aviso: não abandone o cinema quando começarem os créditos.
Cotação: ótimo
Chico Izidro

JCVD





Nada melhor do que um astro de Hollywood saber tirar sarro de sua própria decadência. Neste caso, falo de Jean-Claude Van Damme, que estrela o quase depressivo JCVD, de Mabrouk El Mechri. Note que o título do filme remete as iniciais do ator, que teve seu auge entre o final da década de 1980 e a primeira metade dos anos 1990, depois entrando em franca decadência, chegando ao cúmulo de participar de um programa de Gugu no SBT, onde teve uma ereção ao ver uma dança sensual de Gretchen.
Em JCVD, ele interpreta a si mesmo. Sem emprego e quase sem dinheiro, ainda enfrenta um processo de divórcio e briga pela guarda da filha, Jean-Claude Van Damme decide retornar à sua terra natal, Bruxelas. Lá vai a uma agência de correios buscar uma encomenda, mas como tudo na sua vida está dando errado, acaba chegando na hora de um assalto. É feito refém, mas para as autoridades, é visto como o líder do crime. JCVD remonta a Um dia de Cão, com Al Pacino, principalmente na figura de um dos criminosos, que usa o cabelo exatamente como o personagem de John Cazale no clássico policial de 1975. Numa parte emblemática de JCVD, Van Damme fala diretamente para a câmera, desabafando sobre o que deu de errado em sua carreira.
Cotação: bom
Chico Izidro

ARRASTE-ME PARA O INFERNO





Sam Raimi, de Homem-Aranha, decidiu voltar aos anos 1980, quando estreou no cinema com o terrir Uma Noite Alucinante. Desta vez, depois do sucesso do aracnídeo, ele decidiu brindar os seus fãs com um revival, no divertido ARRASTE-ME PARA O INFERNO (Drag me to Hell). A história é atolada de clichês, mas não deixa de pregar os seus sustos e também o de fazer o espectador se mijar de rir na poltrona.
A bonitinha Christine (Alison Lohman, de Os Vigaristas, onde fez parceria com Nicolas Cage) trabalha num banco e sonha em ser auxiliar de gerência. Para tanto, tem de deixar de ser boazinha e negar a extensão de uma hipoteca para uma velhinha cigana, que por vingança, roga-lhe uma praga. Christine tem então, três dias para se livrar do mal. E daí em diante é uma sucessão de objetos voando em direção à heroína, que também é jogada sobre os móveis, é arrastada pela casa por um ser invisível, no melhor estilo Uma Noite Alucinante, além de vômitos, vermes rastejantes. O seu namorado, Clay (Justin Long, de Duro de Matar 4), evidente, acha que a moça está tendo alucinações. No meio de tanta nojeira, quem estiver atento, pode se tocar da pegadinha que dará conclusão ao filme, no melhor estilo M. Night Shyamalan, mas com mais estilo.
Cotação: bom
Chico Izidro

A CULPA É DO FIDEL






Uma garotinha tem a vida mudada na Paris do começo dos anos 1970 depois que os pais decidem largar a vida burguesa e se engajar na luta contra a ditadura de Augusto Pinochet no Chile. Este é o mote de A CULPA É DO FIDEL (La Faulte à Fidel, de Julie Gravas). Para Anna (Nina Kervel-Dey), o comunismo é o culpado de todos os males e sua vida não sofreria as modificações que vem aparecendo. Ela sofre ainda a influência de um empregada, que fugiu de Cuba e vive reclamando de Fidel Castro e sua "ditadura".
Apesar de o filme ser francês e lidar com um tema que agrada aos intelectuais, deixa muito a desejar. A protagonista, a pequena Nina Kervel-Dey não tem empatia e para quem não está familiarizado com o tema pode se achar perdido ou melhor, sente-se perdido. Sim, eu acho que A CULPA É DO FIDEL deveria ser mais didático. Apresenta muitas cenas soltas, sem explicações. Pensando por outra ótica, até podemos nos colocar no papel de Anna - ela, assim como o espectador, está perdido com os acontecimentos.
Cotação: regular
Chico Izidro

A ERA DO GELO 3




Em A ERA DO GELO 3 (Ice Age 3: Dawn the Dinossaurs, do brasileiro Carlos Saldanha), a turma liderada pelo mamute Manny, que prepara-se para ser pai, sai para salvar o desastrado bicho-preguiça Sid, que foi parar num mundo dominado pelos dinossauros. A alusão é clara ao clássico Viagem ao Centro da Terra, de Julio Verne. Mas aqui o filme também trata de amizade, de responsabilidade. Isso para o público infantil e adolescente. E o público adulto também não foi esquecido, com algumas piadas sacanas, uma inclusive aludindo ao suposto homossexualismo de um dos personagens (a criançada passou batida nesta). E não dá para esquecer da eterna briga do esquilo Scrat em tentar capturar aquela noz fujona. E desta vez ele tem a concorrência de uma esquilinha, que aproveita a paixão de Scrat por ela,para fazer gato e sapato do bichinho trapalhão. Já os desenhos estão mais perfeitos, mostrando todo o esmero com que a equipe de Carlos Saldanha trabalhou nesta quase obra-prima da animação.
Cotação: regular
Chico Izidro

quinta-feira, agosto 13, 2009

BRÜNO






O comediante inglês Sacha Bahen Cohen já havia subvertido a comédia com o debochado Borat, onde ele interpretava um repórter do Cazaquistão que mostrava o pior dos Estados Unidos. Agora, em BRÜNO, direção de Dan Mazer, Sacha Bahen-Cohen é o repórter gay austríaco de mesmo nome, que circula pelo mundo fashion europeu, até ser demitido. Então ele parte para Los Angeles, com o objetivo de fazer sucesso no meio das celebridades do cinema hollywoodiano. Com falsos alegados 19 anos, fã de Hitler (Bahen-Cohen, detalhe, é judeu) e extremamente afetado, Brüno choca ao fazer um piloto de um programa onde mostra explicitamente suas partes pudendas. As cenas são de corar os mais pudicos e muita gente, com certeza, vai abandonar a sala de cinema nos seus primeiros 15, 20 minutos.
Numa delas, ele transa de todas as formas com seu namorado, usando os equipamentos mais insólitos. Em outra, Brüno entrevista Paula Abdul usando trabalhadores ilegais mexicanos como cadeiras. E a coisa não para por aí. Como em Borat, Brüno faz entrevistas com desavisados, que não sabem da existência do humorista, como um pastor que garante poder curar homossexuais, o líder de um grupo extremista palestino, participa de um swing, onde tenta cantar um dos participantes e numa caçada irrita tanto um dos caçadores, que este quebra a câmera. Mas o melhor está reservado para a parte final, onde Brüno se engalfinha com o amante num ringue de vale-tudo em Arkansas, um dos estados mais preconceituosos dos Estados Unidos. Os dois quase são linchados pela multidão enfurecida. Brüno, enfim, supera as expectativas, é hilário ao extremo, fazendo com quem o assista de mente aberta quase chore de tanto rir.
Chico Izidro

TEMPOS DE PAZ






Com o final da II Guerra Mundial, o planeta passou a ser uma grande alfândega, onde pessoas se deslocavam para todos os lados em busca de um novo lar ou fugindo por causa de crimes cometidos. É neste clima que chega ao Brasil o polonês Clausewitz (Dan Stulbach) no drama TEMPOS DE PAZ, de Daniel Filho. Ele desembarca no Rio de Janeiro, ainda capital do país e respirando os estertores da ditadura de Getúlio Vargas. Sua atitude por deveras alegre, sua facilidade em falar o português levam a polícia da imigração a desconfiar que ali não está um simples agricultor, como ele alega ser, e sim um possível criminoso de guerra. Clausewitz cai, então, nas garras do ex-torturador Segismundo (Tony Ramos), que durante longas horas tentará descobrir quem realmente é o polonês. Stulbach, que é ironicamente chamado de "o Tom Hanks brasileiro", demonstra mais uma vez ser um excelente ator, enquanto que Tony Ramos, com todo o respeito a sua longa biografia na tevê, não convence em nenhum momento, assim como já fora lamentável nos esquecíveis Se Eu Fosse Você I e II. E a história de Daniel Filho pretende ser uma homenagem aqueles que vieram para o Brasil após a guerra, porém se mostra fraca, com vários ganchos mal-resolvidos, como por exemplo o próprio personagem interpretado por Daniel Filho, o doutor Penna. Recém liberto da prisão, ele circula pelo Rio de Janeiro em busca de seu ex-torturador, não se sabe se em busca de vingança, ou se busca olhar nos olhos do policial e perguntar o por quê. E para por aí. Perde-se uma ótima oportunidade para contar com clareza como o Brasil, que no começo da guerra recusou milhares de refugiados e no final, abriu suas portas aos sobreviventes da maior tragédia do século passado.
Chico Izidro

CURTA-METRAGEM “REVERSO”, FILMADO EM VIAMÃO, DISPUTARÁ PRÊMIO EM LOS ANGELES

Fotos: CF Arte Nativa Curta “Reverso”, gravado em Viamão, é indicado em festival de cinema em Los Angeles. O filme foi produzido pela CF Ar...