quinta-feira, novembro 12, 2009

JOGOS MORTAIS 6




O serial killer Jigsaw (Tobin Bell) já passou desta para melhor. Mas o seu legado continua em JOGOS MORTAIS VI, de Kevin Greutert. A história aqui não difere muito das outras, ou seja, pessoas com pecados em suas vidas continuam sendo alvo da fúria assassina de Jigsaw. Como ele está morto, deixou orientações aos seus seguidores, entre eles o detetive Hoffman (o careteiro Costa Mandylor).
Cada vítima de Saw é submetida a uma tortura específica. E aqui vale um parênteses: o cara ou o grupo que cria as máquinas de torturas deveria ir a um psiquiatra, pois tem sérios problemas mentais...
Corpos são mutilados, explodidos, numa orgia de sangue para quem tem estômago forte. Enfim, tudo mais do mesmo em JOGOS MORTAIS VI.

Cotação: regular
Chico Izidro

MATADORES DE VAMPIRAS LÉSBICAS



Um filme com esse "singelo" nome, MATADORES DE VAMPIRAS LÉSBICAS, não é mesmo para ser levado a sério. Com direção de Phil Claydon, é propositalmente ruim. Ele até tem boas sacadas, como a abertura, lembrando aqueles velhos filmes trash dos anos 1960. E os atores, nota-se, estão se divertindo com o besteirol.
Uma aldeia nos confins da Inglaterra sofre com uma maldição: todas as mulheres, ao completarem 18 anos se tornam vampiras lésbicas. E elas pretendem trazer à vida sua líder, morta por um guerreiro há mais de 500 anos. Para tanto, necessitam do sangue de uma virgem e de um herdeiro do guerreiro. E ele calha de ser o estúpido Flecht (James Corden, com um topete patético), que está na região de férias ao lado do tão mais idiota amigo, o gordinho Jimmy (Mathew Horne).
O filme segue a linha terrir (terror com horror). Porém não consegue fazer nem um nem outro. Ficam aquelas risadas constrangidas na sala de cinema e o olhar no relógio, torcendo para que acabe logo tal tortura.

Cotação: ruim
Chico Izidro

ALÔ, ALÔ, TEREZINHA



ALÔ, ALÔ, TEREZINHA, de Nélson Hoineff, pretendia contar a importância do comunicador Abelardo Barbosa, o Chacrinha, para a televisão brasileira. No entanto, o projeto ficou pelo devendo um pouco. Hoineff foca pouco no Velho Guerreiro, dando mais destaque as chacretes (Rita Cadillac, Índia Potira, entre outras). Seriam estas garotas de programa ou não? Também foram buscados ex-calouros, aqueles que eram humilhados por Chacrinha para deleite da plateia e também de todo o Brasil, numa era pré-tevê a cabo. Alguns não se dignaram e quase 20 anos depois voltaram a fazer ridículo em frente às câmeras. Um deles claramente sofre de distúrbios mentais, jurando ser melhor cantor do que Roberto Carlos e disparando uma música cuja letra é incompreensível. Outros dois são gagos.
Mais o show de horror não para por aí. Algumas ex-chacretes não se importam em mostrar os corpos, que outrora foram o desejo de muitos homens. São cenas constrangedoras. Índia Potira, por exemplo, fica nua num chafariz. Rita Cadillac deixa um fã beijar suas nádegas. Sobra espaço até para os eleitos de Chacrinha, como Ney Matogrosso, Fábio Júnior, Roberto Carlos e Aguinaldo Rayol contarem como eram ajudados pelo "palhaço".
Porém, ALÔ, ALÔ, TEREZINHA tem seus méritos, ao recuperar imagens históricas da tevê nos anos 1970 e 80 (Chacrinha morreu em 1988 e até hoje muita gente acha que não há um substituto à altura. Os detratores de Faustão que o digam). O Velho Guerreiro também incentivou o surgimento de vários grupos de rock, como Titãs, Barão Vermelho, Irã, Kid Abelha e por aí vai.
Cotação: bom
Chico Izidro

BESOURO




BESOURO, de João Daniel Tikhomiroff, retrata a vida do maior capoeirista da história do Brasil. E se passa no Recôncavo Baiano, em 1924, onde os negros ainda são tratados como escravos, apesar de a Abolição ter ocorrido mais de trinta anos antes. A capoeira é proibida pelas autoridades. E como o proibido é mais empolgante...

Besouro é interpretado por Ailto Carmo, capoeirista profissional. E era isso. O rapaz não tem a mínima condição de atuar. Mas ele não está sozinho no filme. Sua amiga Dinorá (Jéssica Barbosa) e o melhor amigo, Quero-Quero (Anderson Santos de Jesus) também deixam a desejar. As cenas são por demais teatrais, os vilões caricaturais. O que se salva? A reconstituição de época, a fotografia, as cenas de luta, coreografadas pelo chinês Huan-Chiu Ku, de O Tigre e o Dragão.

Cotação: ruim
Chico Izidro

SUBSTITUTOS



Bruce Willis mais uma vez confirma ser um grande ator para os filmes de ação. Em SUBSTITUTOS (Surrogates, de Jonathan Mostow), a humanidade vive trancada em seus apartamentos, usando robôs para fazerem suas atividades diárias, como ir trabalhar, jogar, pescar. Os robôs são cópias perfeitas de seus donos.
Bruce Willis e Radha Mitchell (de Melinda, Melinda) são dois agentes do FBI que começam a investigar uma série de crimes em que os robôs são exterminados e junto com eles seus operadores, os seus donos. Os suspeitos são um grupo de humanos que se negou a embarcar na onda de ter substitutos ou sem condições de possuí-los. Além das boas atuações de Willis e de Mitchell, as presenças de James Cromwell e Ving Rhames também são marcantes.
O filme é inteligente, analisando até uma das doenças modernas, a Síndrome do Pânico. E claro, como nada se cria, tudo se copia, SUBSTITUTOS bebe na fonte de outros dois grandes filmes, Eu, Robô, com Will Smith, e o imbatível Blade Runner, clássico oitentista de Ridley Scott e com Harrison Ford.

Cotação: bom
Chico Izidro

quinta-feira, outubro 15, 2009

DISTRITO 9






O apartheid foi uma mancha na África do Sul que ainda hoje, passados mais de uma década e meia de seu término, ainda incomoda os habitantes do país da Copa do Mundo de 2010. O sistema segregacionista ganha uma visão diferente, mas não totalmente reflexiva em DISTRITO 9, do sul-africano Neill Blomkamp. Aqui quem vive o preconceito são alienígenas, que devido a uma pane em sua nave, acabam retidos na Terra.
Só que ao invés de ets violentos e assassinos ou o outro extremo, cordiais, estes são passivos, mas não bonzinhos. Vivem na tal favela batizada de Distrito 9, situada nos arredores de Johannesburgo, como cidadãos de segunda ou última classe. O ambiente é sujo, podre e eles o dividem com imigrantes de outras nações africanas, principalmente uma gangue de nigerianos. E estes gostam de comer partes dos extra-terrestres, pois acreditam que assim ficarão tão fortes e inteligentes quanto eles, chamados de camarões por seus algozes, devido ao formato de seus corpos. A favela fica tão superpovoada (mais de 1,5 milhão de Ets), que uma agência governamental, a MNU, decide alocá-los em outro local.
Nisso, surge a figura do funcionário Wikus wan der Merve (Sharlto Copley), que tem a missão de removê-los da favela. Porém ao sofrer um acidente, ele vai passar a sentir na pele o preconceito que seus iguais infligem aos camarões. Enfim, uma parábola do que acontecia com um branco ao ajudar o homem negro na luta contra o racismo - e neste ponto seria ótimo assistir Um Grito de Liberdade, com Kevin Kline e Denzel Washington, de 1987. Voltando a DISTRITO 9, o filme segue uma linha documental, com uma câmera seguindo os funcionários da MNU em sua incursão pela favela e depoimentos reais de sul-africanos sobre a presença de estrangeiros no país - mesmo negros não conseguem aceitar a presença de outros africanos na África do Sul e exigem sua expulsão.
Cotação: ótimo
Chico Izidro

BASTARDOS INGLÓRIOS




Levei mais de uma semana para "deglutir" BASTARDOS INGLÓRIOS, a nova obra de Quentin Tarantino. Pensei, ouvi comentários aqui, ali, acolá. Uma coisa era certa ao sair da sessão de pré-estreia para a imprensa: o cineasta havia subvertido a história, sem nenhum sentimento de culpa, não deixando pedra sobre pedra neste filme sobre a Segunda Guerra Mundial, ou uma outra Segunda Guerra Mundial.
Para mim, este tema é tão pesaroso, que não poderia sofrer interferência humorísticas - vide que rejeito plenamente o idiota A Vida é Bela, do mais idiota ainda italiano Roberto Begnini. Mas ali ele criava um campo de concentração que passava muito longe dos horrores dos verdadeiros lagers nazistas, como Auschwitz, Treblinka, Sobibor, Dachau, só para citar alguns.
BASTARDOS INGLÓRIOS, no entanto, vem na melhor tradição de um Fuga no Inferno, com Steve McQueen, o seriado Sombra e Água Fresca (Hogan's Heroes) e Colditz. Aqui, um grupo de soldados judeus norte-americanos liderado pelo tenente Aldo "Apache" Raine (Brad Pitt, impagável) entra na França ocupada e tem a missão de matar o máximo possível de nazistas. E de preferência, trazendo o escalpo dos assassinados para o seu líder.
Ao mesmo tempo que acompanhamos estes soldados, vemos também a garota judia Shosanna (a atriz francesa Mélanie Laurent), que escapou de um massacre, tentando vingar sua família. Temos também um Hitler histérico (Martin Wuttke) e um oficial alemão, Hans Landa (o austríaco Christoph Waltz), caçador de judeus e poliglota. Waltz literalmente rouba o filme. Suas aparições são "apetitosas" e hilárias, mesmo nos momentos em que está prestes a cometer mais uma de suas barbaridades. Como diziam os nazistas depois da guerra: "Apenas seguíamos ordens".
Tarantino, além de tirar muito de seus atores, usa e abusa de uma trilha sonora que vai desde Ennio Morricone, dando a BASTARDOS INGLÓRIOS um ar de faroeste, a David Bowie. Sim, Bowie. Enfim, é um filme para ser visto e revisto.
Cotação: ótimo.
Chico Izidro

CURTA-METRAGEM “REVERSO”, FILMADO EM VIAMÃO, DISPUTARÁ PRÊMIO EM LOS ANGELES

Fotos: CF Arte Nativa Curta “Reverso”, gravado em Viamão, é indicado em festival de cinema em Los Angeles. O filme foi produzido pela CF Ar...