“Alemão”, dirigido por José Eduardo Belmonte, trata da tomada da favela do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, pelas Forças Armadas e policia. A produção, no entanto, deixa em segundo plano a atuação militar, e foca em cinco policiais infiltrados na favela. Eles passaram várias temporadas convivendo com os moradores e os traficantes do local, e preparando o plano para a invasão programada que ocorreria para a posterior instalação da UPPS na comunidade.
Só que eles acabam sendo identificados após documentos sobre suas atividades caírem nas mãos dos traficantes. Para não serem mortos, eles acabam se refugiando numa pizzaria, que é o ponto de encontro dos espiões. Lá, surge a desconfiança, pois todos desconfiam de todos, pois afinal quem seria o alcaguete? Se é que existe um.
“Alemão” é um bom thriller de suspense, com os policiais infiltrados escondendo-se na pizzaria, enquanto lá fora os traficantes os caçam furiosamente. O filme, porém, traz alguns gritantes erros de continuidade, e por vezes se mostra melodramático demais.
Cotação: bom
Chico Izidro
quarta-feira, março 12, 2014
quinta-feira, março 06, 2014
“Walt nos Bastidores de Mary Poppins”
“Walt nos Bastidores de Mary Poppins”, direção de John Lee Hancock, romantiza a visita que a escritora australiana P. L. Travers fez a Los Angeles no início dos anos 1960. Walt Disney, o criador da Disneylândia, pretendia filmar o livro clássico de Travers sobre a babá que revolucionava uma casa em Londres no início do século XX, e passou anos atrás da escritora, que se mantinha irredutível. Ela não queria a banalização de sua obra, nem musical, nem que houvesse animações na trama – todos itens essenciais nas obras de Disney para o cinema. Mas com dificuldades financeiras, Travers teve de repensar e viajou a Los Angeles para conversar com o empresário.
A trama ainda faz uma relação com o passado de Travers no interior da Austrália. Filha de um gerente de banco alcoolatra, a história vai e volta no tempo, mostrando a sua infância. E talvez esteja na relação com o pai seu presente, onde ela se apresenta uma mulher amargurada, mal-humorada e solitária. Nisso, o filme foi fiel.
Travers é interpretada com perfeição por Emma Thompson, que inferniza a vida dos roteiristas da obra que Disney pretende levar às telas. Tom Hanks vive Walt Disney, aqui nos últimos anos de sua vida. Após conseguir levar Mary Poppins para o cinema, ele viveria apenas mais dois anos, morrendo vítima de câncer no pulmão. E “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” se mostra fora da realidade. É um filme asséptico, onde Disney, que fumava três maços de cigarro por dia, não traga nenhum. O máximo que seu personagem faz é tossir, indicando a doença que se avizinhava. Mas tudo bem, cinema é diversão, e o filme faz uma ótima reconstituição de época, com atuações seguras, principalmente Collin Farrel como o pai alcoolatra de Travers.
Cotação: bom
Chico Izidro
A trama ainda faz uma relação com o passado de Travers no interior da Austrália. Filha de um gerente de banco alcoolatra, a história vai e volta no tempo, mostrando a sua infância. E talvez esteja na relação com o pai seu presente, onde ela se apresenta uma mulher amargurada, mal-humorada e solitária. Nisso, o filme foi fiel.
Travers é interpretada com perfeição por Emma Thompson, que inferniza a vida dos roteiristas da obra que Disney pretende levar às telas. Tom Hanks vive Walt Disney, aqui nos últimos anos de sua vida. Após conseguir levar Mary Poppins para o cinema, ele viveria apenas mais dois anos, morrendo vítima de câncer no pulmão. E “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” se mostra fora da realidade. É um filme asséptico, onde Disney, que fumava três maços de cigarro por dia, não traga nenhum. O máximo que seu personagem faz é tossir, indicando a doença que se avizinhava. Mas tudo bem, cinema é diversão, e o filme faz uma ótima reconstituição de época, com atuações seguras, principalmente Collin Farrel como o pai alcoolatra de Travers.
Cotação: bom
Chico Izidro
“300 – A Ascenção do Império”
“300 – A Ascenção do Império”, dirigido por Noam Murro, é de um impacto visual deslumbrante. E muito sangue e membros decepados rolam pela tela em suas quase duas horas de batalhas e mais batalhas. E por isso mesmo é uma ótima diversão. A história transcorre paralela aos eventos do primeiro filme, onde Leonidas e seus espartanos lutavam contra as forças persas de Xerxes. Mas aqui é mostrado o surgimento do enorme ser, de quase 3 metros, vivido por Rodrigo Santoro, que tem sede de vingança pela morte de seu pai, o Rei Dario.
Mas a trama fica mais centrada na grega Artemisia (Eva Green, excelente como uma das vilãs mais cruéis dos últimos tempos) em seu combate com o ateniense Themistocles (Sullivan Stapleton). Ela nutre ódio mortal por sua pátria, pois quando criança, seus pais foram mortos por gregos e ela passou anos num navio e depois foi jogada para morrer nas ruas, até ser adotada por Dario. Então seu objetivo é acabar com a Grécia e todos os seus habitantes. E Artemisia entra num embate, até mesmo sexual, com o guerreiro Themistocles, que causou a morte de Dario, ao acertar-lhe uma flecha no coração.
As batalhas são muito bem filmadas. São cenas de lutas no mar, com seus navios gigantescos, e homens perdendo a vida, com membros decepados ou perfurados por espadas. O 3D ajuda ainda mais nesta imersão visual, num filme de época que há muito não gostava tanto.
Cotação: bom
Chico Izidro
Mas a trama fica mais centrada na grega Artemisia (Eva Green, excelente como uma das vilãs mais cruéis dos últimos tempos) em seu combate com o ateniense Themistocles (Sullivan Stapleton). Ela nutre ódio mortal por sua pátria, pois quando criança, seus pais foram mortos por gregos e ela passou anos num navio e depois foi jogada para morrer nas ruas, até ser adotada por Dario. Então seu objetivo é acabar com a Grécia e todos os seus habitantes. E Artemisia entra num embate, até mesmo sexual, com o guerreiro Themistocles, que causou a morte de Dario, ao acertar-lhe uma flecha no coração.
As batalhas são muito bem filmadas. São cenas de lutas no mar, com seus navios gigantescos, e homens perdendo a vida, com membros decepados ou perfurados por espadas. O 3D ajuda ainda mais nesta imersão visual, num filme de época que há muito não gostava tanto.
Cotação: bom
Chico Izidro
"As Aventuras de Peabody e Sherman"
A animação "As Aventuras de Peabody e Sherman", direção de Rob Minkoff, é
divertida e muito bem bolada. Peabody é um cachorro tão inteligente, que
vive como um ser humano, tendo inclusive ganhado um Prêmio Nobel. Educado,
polido, ganha o direito de criar um humano. E ele adota o menino Sherman,
tímido e vítima de bullying na escola - por exatamente ser criado por um
cão.
Um dos passatempos preferidos dos dois é viajar na máquina do tempo
inventada por Peabody. Assim Sherman conhece tudo de história, por
conviver com as mais notórias figuras históricas, como por exemplo George
Washington. Assim, se destaca na escola, para raiva da pequena Penny. Um
dia, irritado com as provocações da menina, Sherman acaba mordendo Penny,
e corre o risco de ser tirado de Peabody. O cachorro acha uma solução para
selar a paz entre os dois: reunir as duas famílias numa janta. Só que a
garota acaba descobrindo a máquina do tempo e desaparece nela. O jeito é
Peabody e Sherman irem atrás de Penny, se metendo em várias confusões,
desde o Egito antigo, passando até pela Revolução Francesa ou encontrando
Leonardo da Vinci.
A diversão é garantida, tanto quanto para os pequenos, quanto para os
adultos, com personagens simpáticos e envolventes. E numa animação muito
bem feita e criativa.
Cotação: ótimo
Chico Izidro
divertida e muito bem bolada. Peabody é um cachorro tão inteligente, que
vive como um ser humano, tendo inclusive ganhado um Prêmio Nobel. Educado,
polido, ganha o direito de criar um humano. E ele adota o menino Sherman,
tímido e vítima de bullying na escola - por exatamente ser criado por um
cão.
Um dos passatempos preferidos dos dois é viajar na máquina do tempo
inventada por Peabody. Assim Sherman conhece tudo de história, por
conviver com as mais notórias figuras históricas, como por exemplo George
Washington. Assim, se destaca na escola, para raiva da pequena Penny. Um
dia, irritado com as provocações da menina, Sherman acaba mordendo Penny,
e corre o risco de ser tirado de Peabody. O cachorro acha uma solução para
selar a paz entre os dois: reunir as duas famílias numa janta. Só que a
garota acaba descobrindo a máquina do tempo e desaparece nela. O jeito é
Peabody e Sherman irem atrás de Penny, se metendo em várias confusões,
desde o Egito antigo, passando até pela Revolução Francesa ou encontrando
Leonardo da Vinci.
A diversão é garantida, tanto quanto para os pequenos, quanto para os
adultos, com personagens simpáticos e envolventes. E numa animação muito
bem feita e criativa.
Cotação: ótimo
Chico Izidro
“Tudo Por Um Furo”
Ron Burgundy é misógino, racista e totalmente sem noção. Também é o âncora – apresentador – que tenta recomeçar a carreira após perder o emprego em San Diego. Então aceita a vaga de um programa na madrugada na novíssima GNN, emissora 24 horas de jornalismo – paródia evidente com a CNN – surgida em 1980, ano em que transcorre “Tudo Por Um Furo”, direção de Adam McKay.
A comédia mostra os bastidores do telejornalismo de forma escrachada. Ron Burgundy (Will Ferrell) tem a companhia de outros três colegas beirando o retardadismo: o homem do tempo Brick (Steve Carrell) o repórter investigativo Brian (Paul Rudd) e o cara dos esportes, Champ (David Koechner). E não bastasse o racismo e a misoginia de Ron, que se separou ao não aceitar que a mulher Veronica (Christina Applegate) permanecer no emprego, e como apresentadora, ainda se envolve romanticamente com a diretora da GNN, a negra Linda (Meagan Good), que não entende como pode se envolver com aquele homem rude, sem papas na língua para seus pensamentos retrógrados. O filme até tem seus momentos engraçados, principalmente quando esquece o politicamente correto, e deixa Ron atacar com as piadas racistas e sexistas. Numa delas, Ron não consegue parar de repetir “ela é negra”, “ela é negra”, ao descobrir a raça de sua nova chefe. Só que no final “Tudo Por Um Furo” escorrega, numa cena constrangedora, que conta com participação equivocada de Will Smith, Liam Neeson, Tina Fey, Sacha Baron Cohen e Vince Vaugh.
Como fator positivo, o registro preciso de reconstituição de época. A história se passa em 1980, e a caracterização dos personagens é precisa.
Cotação: regular
Chico Izidro
A comédia mostra os bastidores do telejornalismo de forma escrachada. Ron Burgundy (Will Ferrell) tem a companhia de outros três colegas beirando o retardadismo: o homem do tempo Brick (Steve Carrell) o repórter investigativo Brian (Paul Rudd) e o cara dos esportes, Champ (David Koechner). E não bastasse o racismo e a misoginia de Ron, que se separou ao não aceitar que a mulher Veronica (Christina Applegate) permanecer no emprego, e como apresentadora, ainda se envolve romanticamente com a diretora da GNN, a negra Linda (Meagan Good), que não entende como pode se envolver com aquele homem rude, sem papas na língua para seus pensamentos retrógrados. O filme até tem seus momentos engraçados, principalmente quando esquece o politicamente correto, e deixa Ron atacar com as piadas racistas e sexistas. Numa delas, Ron não consegue parar de repetir “ela é negra”, “ela é negra”, ao descobrir a raça de sua nova chefe. Só que no final “Tudo Por Um Furo” escorrega, numa cena constrangedora, que conta com participação equivocada de Will Smith, Liam Neeson, Tina Fey, Sacha Baron Cohen e Vince Vaugh.
Como fator positivo, o registro preciso de reconstituição de época. A história se passa em 1980, e a caracterização dos personagens é precisa.
Cotação: regular
Chico Izidro
"Um Conto do Destino"
O roteirista e agora diretor Akiva Goldsman tentou trazer ao seu filme "Um
Conto do Destino" o realismo fantástico, gênero tão comum na literatura
sul-americana, principalmente nas obra de Gabriel Garcia Marquez, Julio
Cortázar e Jorge Luis Borges. Porém sua tentativa derrapa fragorosamente.
O filme é baseado em livro homônimo lançado em 1983 pelo escritor e
jornalista Mark Helprin. E se mostra uma xaropada impar na história do
ladrão filho de imigrantes irlandeses, Peter Lake (Colin Farrell), que
certa noite invernal invade uma mansão em Nova Iorque, e conhece e se
apaixona pela filha do dono da casa, Beverly Penn (Jessica Brown Findlay).
Apesar das diferenças sociais da época - o romance se passa nos anos 10 do
século XX, eles engatam um relacionamento, mesmo a garota tendo os dias
contados por ter tuberculose - à época doença praticamente incurável. Bem,
antecipo que o romance não prospera e Peter passa os 100 anos seguintes
vagando sem memória por Nova Iorque, sempre fugindo de um demônio vivido
por Russell Crowe. E Peter não envelhece nunca, e ainda tem a ajuda de um
cavalo alado.
"Um Conto do Destino" se mostra chato ao longo de suas mais de duas horas,
e apesar de apelar para o realismo fantástico, principalmente nas figuras
do cavalo alado e dos demônios - Crowe é um demônio seguindo as ordes de
Lucifer, nada mais, nada menos do que Will Smith, é de uma incoerência
gritante. As atuações, ainda por cima, são fracas, principalmente da
chatinha e insossa Jessica Brown Findlay, e também Jennifer Connely, que
passa o tempo todo fazendo cara de espanto.
Cotação: ruim
Chico Izidro
Conto do Destino" o realismo fantástico, gênero tão comum na literatura
sul-americana, principalmente nas obra de Gabriel Garcia Marquez, Julio
Cortázar e Jorge Luis Borges. Porém sua tentativa derrapa fragorosamente.
O filme é baseado em livro homônimo lançado em 1983 pelo escritor e
jornalista Mark Helprin. E se mostra uma xaropada impar na história do
ladrão filho de imigrantes irlandeses, Peter Lake (Colin Farrell), que
certa noite invernal invade uma mansão em Nova Iorque, e conhece e se
apaixona pela filha do dono da casa, Beverly Penn (Jessica Brown Findlay).
Apesar das diferenças sociais da época - o romance se passa nos anos 10 do
século XX, eles engatam um relacionamento, mesmo a garota tendo os dias
contados por ter tuberculose - à época doença praticamente incurável. Bem,
antecipo que o romance não prospera e Peter passa os 100 anos seguintes
vagando sem memória por Nova Iorque, sempre fugindo de um demônio vivido
por Russell Crowe. E Peter não envelhece nunca, e ainda tem a ajuda de um
cavalo alado.
"Um Conto do Destino" se mostra chato ao longo de suas mais de duas horas,
e apesar de apelar para o realismo fantástico, principalmente nas figuras
do cavalo alado e dos demônios - Crowe é um demônio seguindo as ordes de
Lucifer, nada mais, nada menos do que Will Smith, é de uma incoerência
gritante. As atuações, ainda por cima, são fracas, principalmente da
chatinha e insossa Jessica Brown Findlay, e também Jennifer Connely, que
passa o tempo todo fazendo cara de espanto.
Cotação: ruim
Chico Izidro
“A Grande Beleza”
O personagem Jap Gambardella (Toni Servillo) revive de certa forma o jornalista Marcello Rubini (Marcelo Mastroiani), de “A Doce Vida”, clássico de Fellini de 1960. Aqui, em “A Grande Beleza”, de Paolo Sorrentino, o escritor e jornalista Gambardella passa o tempo em festas e desperdiçando o tempo. Volta e meia ele é questionado por não ter repetido o sucesso de seu primeiro livro, “O Aparelho Humano” lançado há décadas, e que agora lhe propicia andar nas altas rodas de Roma, mesmo sem conseguir mais repetir o sucesso de sua obra. Aos 65 anos, Gambardella percorre a Cidade Eterna em suas festas movidas a música bate-estaca. O diretor mostra a cidade com um olhar moderno, mas sem esquecer a tradição do passado, com suas ruas estreitas, arquitetura milenar. Os personagens, a maioria na meia-idade, se perdem em festas infinitas, movidas a música eletrônica. Gambardella está lá no meio, perdido em suas divagações, observando os estranhos seres que o rodeiam, num emaranhado de imagens belas e cores berrantes.
Cotação: bom
Chico Izidro
Cotação: bom
Chico Izidro
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