quarta-feira, novembro 25, 2015
"Misstres America"
A amizade entre duas garotas é mostrada em "Mistress America", direção de Noah Baumbach. Tracy (Lola Kirke, excelente) tem 18 anos e está no primeiro semestre da faculdade em Nova Iorque, mas é solitária e tem como objetivo tornar-se escritora. Sua mãe vai se casar novamente e insiste que ela ligue para a filha do noivo, Brooke (Greta Gerwig), para tentar se adaptar a nova cidade e já ir se ambientando com a futura irmã.
Logo as duas estão juntas, andando pela noite nova-iorquina. Tracy fica encantada pela energia e alto astral de Brooke, que está tentando abrir um restaurante e procura investidores. Tracy sonha ainda em entrar em um exclusivo clube de escritores da faculdade e vê na figura da irmã postiça ótimo assunto para seu conto. O problema é que a jovem enxerga em Brooke alguém que chegou aos 30 anos e ainda não encontrou seu caminho, mostrando-se perdida, apesar de toda a vivacidade que aparenta ter.
O conto, claro, vai fazer rachaduras na recente amizade entre elas. "Misstres America" tem diálogos bons e inteligentes, coadjuvantes que mostram-se importantes para a trama - não são apenas figuras decorativas, mas têm algo a dizer, como por exemplo Matthew Shearm, que vive Tony, o interesse romântico de Tracy, e Heather Lind, no papel de Mamie-Claire, uma dondoca mimada e interesseira, que se põe contra Brooke. O filme também traz uma trilha sonora interessante, remetendo aos anos 1980, como Toto, OMD e Hot Chocolate.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Zv6T8e7sWDk
Duração: 1h26m
Cotação: bom
Chico Izidro
quarta-feira, novembro 18, 2015
"Malala" (He Named Me Malala)
A paquistanesa Malala foi batizada pelo pai em homenagem a uma heroína do tradicionalismo afegão. Pois em 2012, a garota criada numa família de pensamento liberal em uma sociedade presa aos rígidos costumes muçulmanos, foi vítima de uma tentativa de assassinato pelos talibãs. Eles não aceitavam, em suas mentalidades pequenas, que mulheres pudessem ou queressem estudar. Malala sobreviveu aos tiros, que acertaram seu rosto. E foi viver em Birmigham, na Inglaterra.
Sua trajetória é contada no documentário "Malala" (He Named Me Malala), dirigido por Davis Guggenheim. O diretor inglês acompanhou o dia a dia da menina, que devido ao atentado, ficou surdo do lado esquerdo, que também permanece paralisado. Malala é uma adolescente comum, tímida, e apesar de seus quase 18 anos, nunca namorou, e enrubece quando perguntada sobre isso. Seu pai, Ziauddin Yousafzai, criou a garota com liberdade, coisa incomum no rígido Vale do Swat, no Paquistão, onde os talibãs chegaram em 2008, no princípio deixando todos à vontade, mas aos poucos foram impondo a sua equivocada leitura do Alcorão.
O documentário, que utiliza ainda animação, não é muito inovador, é mesmo burocrático. Mas como fazer diferente? Malala é uma jovem famosa, que viaja o mundo para ajudar outras pessoas e mostrar sua experiência de vida, ao mesmo tempo que sendo uma Nobel - ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2014 -, tem de se preocupar com as provas na escola. E ela sabe seu papel na sociedade e de como escapou do destino de muitas de suas conterrâneas. Tanto que ao ser questionada de como seria sua vida seria caso seus pais fossem de acordo com a cultura muçulmana, ela responde que já estaria casada e com dois filhos. E analfabeta. Uma grande lição de vida.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=WsF1SeO-pN0
Duração: 1h27min
Cotação: bom
Chico Izidro
"Cativas - Presas pelo Coração"
No livro "Loucas de Amor - Mulheres que amam serial killers e criminosos sexuais", de Gilmar Rodrigues e Fido Nesti, publicado em 2012, era mostrado como o amor pode aparecer nos lugares mais improváveis. Ou seja, mulheres que foram conquistadas por presidiários que cometeram crimes horrendos, e o que fizeram para ficar ao lado deles. Agora o documentário "Cativas - Presas pelo Coração", direção de Joana Nin, revela a loucura por trás de sete mulheres, que decidiram lutar contra tudo e todos para namorarem e até casarem com presidiários.
A diretora filmou a obra no Paraná, acompanhando o dia a dia de sete mulheres, muitas delas acreditando que seus parceiros são inocentes. "Ele me garante que é inocente, e eu acredito nele", diz uma delas. São depoimentos marcantes e chocantes. Outra, já com seus quase 30 anos, apaixonou-se por um rapazinho de 14 anos, que anos depois seria preso por tráfico. E ela permanece ao seu lado quase 20 anos depois, tendo deixado marido e filhos para trás quando se encantou. Já outra das mulheres, de 21 anos, caiu de amores por um preso do dobro de sua idade e com 17 anos de pena para cumprir.
Todas elas se submetem a constrangimentos em suas visitas aos seus parceiros. E a diretora não poupa cenas de revista íntima, das visitas conjugais. Uma delas fala em certo momento: "Tenho certeza de que se eu estivesse presa, ele não me visitaria. Pode olhar na prisão feminina, quantos parceiros visitam suas mulheres?".
E "Cativas - Presas pelo Coração" mostra, ainda, como o amor pode deixar as pessoas infantilizadas. Mesmo presos mais perigosos escrevem as mais românticas cartas, cheias de coraçõezinhos e flores, para suas mulheres. Que contam as horas para poderem compartilhar alguns minutos ao lado deles. Um triste retrato da condição humana.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=dsdUUYOEJas
Duração: 1h17min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
quarta-feira, novembro 11, 2015
"Como Sobreviver a um Ataque Zumbi" (Scout's Guide To The Zombie Apocalypse)
Os amigos Ben (Tye Sheridan), Carter (Logan Miller) e Augie (Joey Morgan) são o motivo de chacota na escola, afinal são os únicos escoteiros do lugar, vistos como seres alienígenas, pessoas ultrapassadas. Só que de repente estoura uma invasão zumbi, e Ben e Carter, que pretendiam abandonar o escotismo, por não aguentarem mais as chacotas, ao contrário de Augie, que é um entusiasta, vão acabar tendo de usar os ensimentos aprendidos para tentar escapar em "Como Sobreviver a um Ataque Zumbi" (Scout's Guide To The Zombie Apocalypse), direção de Christopher Landon.
O filme aqui, segue a linha terrir, a exemplo do hoje já clássico "A Volta dos Mortos Vivos" (The Return Of The Living Dead), de 1985, dirigido por Dan O'Bannon. Os zumbis são rápidos, hilários - tem até uma velhinha em um carrinho elétrico e outro que dança ao som de Britney Spears. Outro, o Sr. Rogers (David Koechner) e líder dos escoteiros, que é mordido quase no começo do filme, se mostra quase indestrutível. Ele se arrasta pela cidade, todo queimado, perna quebrada e com uma peruca que insiste em cair de sua cabeça.
Em momento muito engraçado, Ben tenta escapar de uma horda de zumbis por uma janela, e acaba se pendurando no pênis de um deles, que vai esticando, esticando. É um filme para não se ter medo, mas sim para dar muita risada. Dos mais divertidos dos últimos tempos e com direito a participação da veterana Cloris Leachman, de 89 anos, como uma vizinha rabugenta.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=3RoypK4cKCE
Duração: 1h33min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
"Aliança do Crime" (Black Mass)
Johnny Depp é Whitey Bulger, um criminoso que na década de 1970, é procurado por um ex-amigo de infância e agora agente do FBI, John Connelly (Joel Edgerton, de Êxodo - Deuses e Reis). Ele quer que Bulger trabalhe como informante, em troca de imunidade para seus atos criminososo, ou seja, delação premiada, para que sejam presos os integrantes de uma família de mafiosos. Bulger também é irmão do senador Bill Bulger (Benedict Cumberbatch), que de certa forma encobria os crimes do parente.
"Aliança do Crime" (Black Mass), direção de Scott Cooper, relata fatos reais ocorridos em meados dos anos 1970 e 80 em Boston, e baseado no livro homônimo escrito por Dick Lehr e Gerard O'Neill. A reconstituição de época é primorosa, e com boas atuações, principalmente de Depp, que se despe de qualquer vaidade, e aparece careca, pele acinzentada e dentes escurecidos, tal qual o verdadeiro Bulger, atualmente cumprindo pena de prisão perpétua e que chamava a atenção por sua feiúra. E ainda um assassino frio e impiedoso.
A trama, por vezes, se mostra um pouco confusa, por trazer um extenso número de reviravoltas e muitos personagens, que aparecem e desaparecem do nada. "Aliança do Crime" é daqueles filmes que não dá para tirar os olhos da tela, sob pena de se perder o fio da meada.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=9E2wRy48i0g
Duração: 2h03min
Cotação: bom
Chico Izidro
"Amizade Desfeita" (Unfriended)
Depois da câmera subjetiva, aquela onde os personagens mostram o que acontece ao seu redor enquanto segura, o equipamento, como em "Atividade Paranormal" e "A Bruxa de Blair", agora chega a vez da tela do computador tomar conta das cenas em "Amizade Desfeita" (Unfriended), direção de Levan Gabriadze. Ele criou uma narrativa onde os personagens conversam através do computador durante todo o tempo de duração do filme. Gabriadze inseriu vários sites e programas usados por internautas, como o Spotify, Facebook, Skype e iTunes. Isso é até interessante, mas de certa forma cansa os olhos.
O filme começa com o suicídio de uma estudante, Laura Barns (Heather Sossaman), por causa de um vídeo que lhe trouxe problemas ao cair na internet. Tempos depois, seis amigos, vividos por Courtney Halverson, Shelley Hennig, Renee Olstead, William Peltz, Moses Jacob Storm e Jacob Wysocki, estão conversando através de seus computadores pessoais, quando uma sétima pessoa, que não se identifica, entra no bate-papo. E ela quer saber quem postou o vídeo que causou a morte de Laura.
Então começa a chantagear os jovens, e até ameaçá-los de morte caso não revelam o autor da estripulia. No começo, o filme até anda, mas de repente começam a aparecer erros absurdos, como por exemplo, quando um dos jovens é morto, os outros simplesmente permanecem conversando, não se preocupando em sair da rede ou menos em chamar a polícia. E até isso é usado, quando acontece outra morte, e um dos personagens, ao invés de ligar para os policiais, tenta achar ajuda através de outras pessoas que possam estar conectadas...
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Ry9LgMZQVqA
Duração: 1h23min
Cotação: ruim
"Mamma Roma"
Uma Roma ainda pobre, sofrendo os efeitos devastadores da II Guerra Mundial uma década e meia após o seu final. A prostituta vivida por Anna Magnani decide largar a profissão e se mudar com o filho adolescente para a Cidade Eterna e dar a ele uma vida melhor. Em "Mamma Roma", direção de Pier Paolo Pasolini, cuja morte está completando 40 anos, é puro neo-realismo. O filme está sendo relançado nos cinemas em cópia restaurada.
Na periferia romana, com seus prédios populares e imensos terrenos baldios, é mostrada uma juventude que se sentia perdida e sem futuro. E este é o caso de Ettore (Ettore Garofalo), filho de Mamma. O garoto se recusa a trabalhar, passando os dias vagabundeando ao lado de outros rapazes do lugar. A grana que ele possui sai do suado trabalho de sua mãe, transformada em feirante. Mas o passado não pretende deixar Mamma em paz, quando o seu antigo cafetão reaparece, exigindo que ela volte as ruas para se prostituir. Caso contrário, Ettore saberá quem realmente ela é.
Anna Magnani está magistral no papel da típica mama italiana, apaixonada por seu filhote, que não deveria merecer todo o esforço praticado por ela. As outras atuações são naturais, nada forçadas. Ettore era um garçom num dos restaurantes que Pasolini frequentava em Roma. A fotografia em preto e branca é outro fator que engrandece esta obra-prima do cinema.
Veja o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=HayNFGlebZo
Duração: 1h56min
Cotação: excelente
Chico Izidro
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