quinta-feira, setembro 08, 2016
“Cães de Guerra” (War Dogs)
Ao sair da sessão de “Cães de Guerra (War Dogs), direção de Todd Philips, diretor da trilogia “Se Beber, Não Case!”, tive a nítida impressão de já ter visto este filme antes. E sim, apesar da história diferente, a montagem, a trilha sonora, os personagens, tudo remetia ao seminal “Os Bons Companheiros”, de 1990, de Martin Scorsese.
Todd Philipps deixa clara a influência de Martin Scorsese em todo o filme, que na abertura afirma ser a história baseada em fatos reais, e ocorrida em 2005. A história
começa com David Packouz (Milles Teler) sendo ameaçado de morte por uma gangue de albaneses. Logo ele começa a contar como foi parar naquela situação.
David era um massagista falido que prestes a ter seu primeiro filho decide trabalhar com seu melhor amigo Efraim Diveroli (Jonah Hill), que trambiqueiro, ganha a vida vendendo armas para o exército americano no Iraque. Os dois começam a ganhar fortunas e melhorar de vida. Mas claro que tudo que vem fácil, vai fácil mais rápido ainda.
“Cães de Guerra” tem um excelente timing cômico, auxiliado pela ótima dinâmica entre Miles Teller e o gordinho Jonah Hill, que vive quase um sociopata e com uma risadinha histérica sensacional. E apesar de copiar o estilo de Martin Scorsese, vale a visitação.
Duração: 1h55min
Cotação: bom
Chico Izidro
“ Nós duas descendo a Escada”
“ Nós duas descendo a Escada”, dirigido pelo cineasta Fabiano de Souza, é um filme de forte temática gay, mas levado de forma leve e sem muita pregação. A história de amor entre duas mulheres é de certa forma cativante, e já ouvi alguém falar que seria o “Azul é a Cor Mais Quente” brasileiro.
Na trama, Adri (Miriã Possani), é uma jovem recém formada na faculdade de artes que divide seu tempo entre o único amigo, o emprego numa pequena livraria e a terapia. Um dia, ela conhece a arquiteta mais velha Mona (Carina Dias), e as duas se apaixonam perdidamente. O romance das duas é contada de forma cronológica, com os meses sendo mostrados na tela, assim como manchetes de jornais que marcaram o período, que se passa entre os anos de 2012 e 2013.
Claro que nem tudo são flores, e no decorrer do relacionamento, surge a insegurança, possessão e ciúmes.
Ajuda na construção da trama as atuações seguras de Possani e Dias, em personagens que pedem muita entrega.
A trilha sonora é repleta de canções dos gaúchos Canções de Graforréia Xilarmônica, Nei Lisboa, Frank Jorge e Júpiter Maçã. Outros elementos muitos fortes são os cenários de Porto Alegre – quem mora ou conhece bem a cidade vai reconhecer vários pontos importantes ou representativos da capital dos gaúchos. Enfim, Fabiano de Souza mostra um trabalho intenso, divertido e emocionante.
Duração: 1h47min
Cotação: bom
Chico Izidro
"Aquarius"
“Aquarius” é um filmaço dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho, o mesmo de “O Som ao Redor”,e tem como protagonista Clara (Sonia Braga), uma jornalista e escritora aposentada que vive no velho Edifício Aquarius, de frente para a Praia de Boa Viagem, em Recife. Como a última moradora do lugar, ela recebe forte assédio de uma construtora, a Bonfim, para que venda seu apartamento. Mas o local é repleto de referências de sua vida, e ela só pretende sair dali morta.
O seu antagonista é o jovem arquiteto arrogante Diego (Humberto Carrão, excelente), que faz de tudo para que Clara desista de tudo e acabe vendendo o apartamento, para que ali seja construído um arranha-céus.
“Aquarius” vive muito ainda da excelente trilha sonora – aposentada, Clara passa os dias na praia e depois no apartamento lendo e ouvindo seus discos de vinil. E tem gosto para tudo, passando por Queen, Gilberto Gil, Mateus Alves, Maria Bethânia, Reginaldo Rossi, Roberto Carlos e Taigurara.
Sonia Braga tem uma interpretação de tirar o fôlego. A veterana atriz, ainda muito bonita, confere grande dignidade e veracidade à Clara.
Duração: 2h25min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
quinta-feira, setembro 01, 2016
"Star Trek - Sem Fronteiras" (Star Trek Beyond)
Eu era fã da série televisiva dos anos 1960, que assisti quando criança na década seguinte. Porém os filmes no cinema, começando em 1979 me passaram ao largo - só assisti ao primeiro, "Jornada nas Estrelas - O Filme", e há apenas um mês. Os outros estão guardados no computador, mas vou vê-los...
Bem, agora chega aos cinemas o terceiro filme da safra coordenada por J. J. Abrams, que agora ficou apenas na produção, passando a direção para o taiwanês Justin Lin. "Star Trek - Sem Fronteiras" (Star Trek Beyond) mostra o acerto na fórmula, renovando os atores, mas mantendo os mesmos personagens, e sem mudar suas características.
Neste longa, temos o capitão James T. Kirk (Chris Pine), o oficial vulcano Spock (Zachary Quinto), o médico Leonard "Magro" McCoy (Karl Urban), o engenheiro Montgomery Scott (Simon Pegg, que é um dos roteiristas do filme), o piloto Sulu (John Cho), a oficial de comunições Nyota Uhura (Zoë Saldaña) e o navegador Pavel Chekov (Anton Yelchin, que faleceu este ano atropelado por seu carro). Eles estão numa missão de cinco anos pelo espaço, quando recebem o pedido de ajuda de uma humanoide.
Mas na realidade, a tripulação da Enterprise cai numa armadilha do vilão Krall (Idris Elba), que planeja destruir o planeta em que está localizada a Federação Unida dos Planetas.
O longa é ótimo, graças ao carisma do elenco, sustentado por uma história envolvente. É um filme repleto de ação, com excelentes efeitos especiais, muito humor, suspense. E emociona ainda, quando já em seu final é feita uma homenagem ao elenco original da série sessentista. De chorar.
Duração: 2h02min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
"Um Namorado Para Minha Mulher"
"Um Namorado Para Minha Mulher", dirigido por Julia Rezende, é um remake do sucesso argentino "Un Novio Para Mi Mujer", dirigido por Juan Taratuto em 2009. E o filme não decepciona, apesar de ter em seu elenco a chata Ingrid Guimarães, rainha das bobas comédias globais que entopem nossos cinemas.
Na história, ela vive Nena, uma mulher chata e amarga, e casada com Chico (Caco Ciocler) há 15 anos. Este período deixou o marido cansado do relacionamento e ele está decidido a se separar, mas sem ter coragem decide contratar um amante para Nena, o estranho Corvo (Domingos Montagner), para que ela se apaixone e decida tomar a decisão de acabar com o casamento.
Lá pelo meio da trama, já dá para sacar o que vai acontecer. Mesmo assim, "Um Namorado Para Minha Mulher" consegue ser divertido. Pois abre mão dos recursos das insossas comédias brasileiras, que são atuações histéricas e corporais, piadas sexuais e as tortas na cara.
Ingrid Guimarães está divertida no papel de Nena, entregando um personagem que, por sua chatisse, acaba criando uma empatia estranha com a plateia. Caco Ciocler também está bem como o sofrido e medroso Chico. E Domingos Montagner como Corvo é um achado - tipinho quase bicheiro, se achando a última bolacha do pacote.
Duração: 1h40min
Cotação: bom
Chico Izidro
"O Sono da Morte" (Before I Wake)
O diretor Mike Flanagan se lançou com "O Espelho" (Oculus), em 2013. Neste ano ele já lançou o tenso "Hush: A Morte Ouve", que não saiu nos cinemas, e agora chega com "O Sono da Morte" (Before I Wake), um filme que promete muito, mas se perde na parte final.
A trama apresenta o casal Jessie (Kate Bosworth, de Superman: O Retorno) e e Mark Hobson (Thomas Jane, de O Nevoeiro), que perderam seu único filho num acidente doméstico. Tempos depois, eles decidem adotar um garoto, Cody, interpretado pela revelação do ano passado, Jacob Tremblay (O Quarto de Jack). O garoto é uma fofura, educado, tranquilo, amigável, logo caindo nas graças de Jessie e Mark.
Só que aos poucos as coisas vão ficando estranhas na casa, quando começam a aparecer durante a noite borboletas, vagalumes e outras visões, como por exemplo a imagem do filho morto deles. Jessie e Mark. Eles logo chegam a conclusão de que o garoto tem um dom ou uma maldição: toda vez que dorme, seus sonhos se transformam em realidade. E as coisas vão piorando, pois Cocy começa a ter pesadelos com uma criatura que leva pessoas para uma outra dimensão.
Pena que "O Sono da Morte" não consiga manter a pegada em sua parte final, se perdendo em uma sequência de cenas desconexas e incoerentes, e com vários furos no roteiro.
Duração: 1h37min
Cotação: regular
Chico Izidro
"Francofonia - Louvre Sob Ocupação" (Francofonia, le Louvre sous l’Occupation)
Assim como em Arca Russa (2002), Aleksandr Sokúrov realiza, "Francofonia - Louvre Sob Ocupação" (Francofonia, le Louvre sous l’Occupation), uma viagem pela história através da arte. O cineasta russo alia documentário, ficção, teatro, no espírito francês do “Liberdade, Igualmente, Fraternidade“. A trama se foca na ocupação nazista em Paris durante a Segunda Guerra Mundial, tendo como pano de fundo o Museu do Louvre.
Sokurov utiliza gravações de época, destacando imagens da capital francesa em 1940, quando da visita do ditador Adolf Hitler à cidade quando ela foi declarada cidade aberta, para não ser destruída por bombardeios. E vemos a dramatização envolvendo o diretor do Louvre, Jacques Jaujard, diretor do Louvre, e o Conde Wolff-Metternich, general nazista que deveria tomar posse dos milhares de tesouros presentes no museu e enviá-los para o Reich. Mas amante da arte, ele foi figura essencial para que as peças seguissem na França.
A câmera passeia contemplativa pelos corredores do Louvre, mostrando suas pinturas e esculturas. O Hermitage, em São Petesburgo, que havia servido de cenário para Arca Russa (2002), é também lembrando por Sokurov. Uma falha no filme, no entanto, é esquecer a perseguição aos judeus ocorrida em Paris naqueles anos de domínio nazista.
"Francofonia - Louvre Sob Ocupação" (Francofonia, le Louvre sous l’Occupation) não é um filme fácil de ser assistido. Tem um ritmo lento, excesso de narração, imagens congeladas tornam desafiante assistir a Francofonia sem sentir cansaço. Enfim, ele requer concentração, paciência e boa dose de entrega por parte do espectador. Ainda bem que não é uma obra de longa duração.
Duração: 1h24min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
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