quinta-feira, novembro 24, 2016

"Jack Reacher: Sem Retorno" (Jack Reacher: Never Go Back)



"Jack Reacher: Sem Retorno" (Jack Reacher: Never Go Back), direção de Edward Zwick, é mais do mesmo. Um amontoado de clichês inflando o ego do astro Tom Cruise, onde ele repete seus trejeitos várias vezes visto, principalmente em outra cinesérie da qual ele também é protagonista: Missão Impossível.

E a trama é aquela batida, do cavaleiro solitário que se vê envolto em uma trama onde é acusado de cometer um crime. Então tem que fugir, na qual leva de carona uma garota, no caso a tenente do exército Susan Turner Cobie Smulders (de How I Met Your Mother), que também é inocente, mas acusada de traição. E para apimentar mais um pouco a história, tem a adolescente
Samantha (Danika Yaroshi (de Heroes: Reborn), que pode ser a filha do mocinho que ele não reconheceu há 15 anos.

Os vilões são militares e mercenários de uma empresa que prestava serviço ao exército - todos caricatos, fazendo caras de mau. A gente até torce por Cruise e suas duas mulheres, mas não há nada de novo. E já sabemos que no final ele se safará, num filme que tão logo acabe não deixará nada em nossas lembranças.


Duração: 1h59min

Cotação: regular
Chico Izidro

quinta-feira, novembro 17, 2016

"Elle"



O início de "Elle", dirigido pelo holandês Paul Verhoeven, o mesmo de "Robocop”, “O Vingador do Futuro”, “Instinto Selvagem” e “Showgirls”, é de um estupro. A proprietária de uma empresa de confecção de vidseogames Michèle (Isabelle Huppert) é atacada por um homem mascarado dentro de sua casa. Ela, porém, tenta após a agressão, levar a vida normalmente, sem procurar a polícia. Só mudará a atitude quando passa a receber mensagens do criminoso, que promete voltar a atacá-la é que Michèle toma uma atitude: tentar localizar o estuprador, que ela suspeita ser um dos funcionários de sua empresa.

Ao mesmo tempo que Michèle sofre com as consequências do crime que sofreu, a personagem é mostrada em seu cotidiano, em jantares e festas com os amigos, como a sósia Anna (Anne Consigny), casada com Robert (Christian Berkel), amante da protagonista.

O círculo é formado ainda pelo filho Vincent (Jonas Bloquet), um rapaz inseguro e massacrado pela namorada Josie, que ficou grávida, mas o filho é negro, e Vincent insiste que o menino é seu...num dos momentos cômicos do filme, Michèle fala para o filho: "vai precisar fazer exame de DNA"...e ainda tem o ex-marido Richard (Charles Berling), um escritor fracassado. Além disso, sua septuagenária mãe pretende se casar com um gigolô e o seu pai foi um serial killer, que cumpre prisão perpétua.

Enfim, Huppert apresenta uma personagem forte e poderosa, sobretudo em relação aos homens que a cercam. E interessante e até mesmo chocante é ver como Michèle lida com a situação quando descobre a surpreendente identidade de seu estuprador, mantendo com ele uma relação de sadomasoquismo e de cumplicidade. Forte.

Duração: 2h04min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Menino 23 - Infâncias Perdidas no Brasil"




O documentário "Menino 23 - Infâncias Perdidas no Brasil", dirigido por Belisario Franca, surgiu através de uma descoberta do professor de história Sidney Aguilar. Durante uma aula sobre o nazismo, uma aluna afirmou já ter visto aquelas suásticas. E em tijolos numa fazenda no interior paulista. Logo Sidney estava tentando descobrir tudo sobre aquele fato, entrevistando moradores da cidade de Campina do Monte Alegre e da fazenda Cruzeiro do Sul.

A fazenda era propriedade da família carioca Rocha Miranda, que flertava com o nazismo - até o gado era marcado com a suástica. E em 1933, vários garotos entre 9 e 12 anos de idade, que haviam sido abandonados no orfanato católico Educandário Romão de Mattos Duarte, no Rio de Janeiro, foram entregues a Oswaldo Rocha Miranda. E eles receberam a promessa de que no interior paulista teriam uma vida melhor, com estudos e brincadeiras. Mas não foi o que ocorreu. Os meninos viraram escravos, recebendo castigos físicos e psicológicos.

O documentário foca na figura de Aloísio Nunes, o tal menino 23 - eles não eram chamados por nome e sim por número, como se fossem gado. “Era uma vida diferente da prometida. Era castigo por tudo, trabalhava muito, até de fazer a mão sangrar”, conta Aloysio, o número 23. No começo, ele se nega a falar sobre o passado doloroso, mas aos poucos vai se abrindo. O filme também mostra dois outros garotos, um que escapou aos 15 anos, virou menino de rua em São Paulo e depois entrou na Marinha à época da II Guerra Mundial, e o outro, que se sentia quase da família Rocha Miranda, por receber tratamento diferenciado.

"Menino 23 - Infâncias Perdidas no Brasil" faz um paralelo com o nazismo, e na época a sociedade era adepta de teorias esdrúxulas, como a eugenia e a supremacia branca. Mas o documentário acaba tropeçando ao não explicar o porquê de os jovens terem sido levados para a fazenda. Sim, escravos, mas sofreram experiências genéticas?

Duração: 1h20min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Um Estado de Liberdade" (Free State of Jones)



Neste filme anti-racista, "Um Estado de Liberdade" (Free State of Jones), dirigido por Gary Ross, Matthew McConaughey interpreta um personagem verídico, Newton Knight. A trama se passa durante e alguns anos depois da Guerra Civil Americana, quando Knight instalou uma comunidade igualitária no condado de Jones, no Mississipi, um dos estados mais racistas da América do Norte.

Knight estava servindo o exército confederado, quando acabou desertando por causa de algumas medidas que ele achou injustas. Teve de abandonar a mulher, Serena, vivida por Keri Russel, a eterna Felicity e do seriado The Americans, e o filho, se escondendo num pântano, onde passou a conviver com escravos fugidos e outros libertos. Logo o local passou a receber homens brancos, que também fugiam da guerra. Foi formada então uma milícia, que combatia os confederados.

Passada a guerra, Knight passou a apoiar os negros libertos em causas, por exemplo, ao direito ao voto e também em lutas contra a famigerada Ku Klux Klan, surgida dois anos após o término do conflito.

O personagem principal ainda teve o acinte de se casar com uma ex-escrava, Rachel (Gugu Mbatha-Raw), com quem teve vários filhos mestiços. Aliás, o filme se passa em dois tempos. O outro período visto é nos anos 1950, quando um descendente de Knight estava sendo julgado por ter casado com uma mulher branca - de acordo com as leis raciais do Mississipi, ele tinha uma porcentagem de sangue negro, então era considerado negro, apesar da pele branca, e nunca poderia ter contraído matrimônio.

Matthew McConaughey parece ter nascido para interpretar personagens meio caipiras e libertários. O filme é forte, com ótimas cenas de batalhas e também incomoda por mostrar momentos de extremo racismo.

Duração: 2h19min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Animais Fantásticos e Onde Habitam" (Fantastic Beasts and Where to Find Them)



"Animais Fantásticos e Onde Habitam" (Fantastic Beasts and Where to Find Them foi escrito pela autora de Harry Potter, J. K. Rowling, sob o pseudônimo de Newt Scamander. E é este o personagem principal do filme homônimo dirigido por David Yates.

A história é ambientada em 1926, ou seja, 70 anos antes dos eventos relacionados ao mundo de Hary Potter e seus amigos. Tudo começa quando o mágico Newt Scamander (Eddie Redmayne) chega em Nova York portando uma maleta cheia de monstros e criaturas mágicas. E claro que os bichinhos irão escapar, trazendo um pouco de caos à Big Apple, muito bem reconstituída para o período em que se pass a trama.

Scamander acaba recebendo a ajuda da detetive dos mágicos Porpentina Goldstein (Katherine Waterston) e do trouxa (termo utilizado por Rowling para os simples mortais), Jacob Kowalski (Dan Fogler), para tentar encontrar as criaturas, antes que elas exponham o mundo dos mágicos para os mortais.

O ótimo ator Eddie Redmayne, vencedor do Oscar por "A Teoria de Tudo", expressa uma timidez adorável, utilizando um fio de voz. Mas quem rouba a cena é Dan Fogler na pele de Jacob, a parte cômica.

Apesar disso, o filme é chato, cansativo, apesar dos bons efeitos especiais. Não traz nada de novo. Ah, monstros destruindo Nova Iorque, pessoas tendo mentes apagadas. Correrias...lá pelo meio do filme eu perguntava quando tempo mais duraria a tortura.

Duração: 2h13min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"Doutor Estranho" (Doctor Strange)



"Doutor Estranho" (Doctor Strange), dirigido por Scott Derrickson, é um filme de origem, mostrando mais um personagem do universo Marvel, criado em 1963, mas só agora na telona. O herói é interpretado com convicção por Benedict Cumberbatch.

Em sua vida antes de herói, Doctor Strange é um neurocirurgião esnobe e arrogante, que despreza seus iguais. Até que vai cair na real ao sofrer um acidente que afetará seu principal instrumento, as suas mãos. Após esgotar todas as perspectivas na medicina tradicional, através de cirurgias, ele acaba sabendo de um homem que recuperou os movimentos do corpo numa terapia no Nepal. E é para lá que Doctor Strange vai, encontrando uma espécie de seita liderado pela Anciã (Tilda Swinton).

Ele é, então, apresentado para outras dimensões e alterações de regras, que ele, como um ateu, tinha como certas: gravidade, impenetrabilidade, lógica, medicina. O universo de Doctor Strange acaba se expandindo e logo ele descobre que pode até alterar o tempo e o espaço através do poder da mente.

Mas claro que nem tudo são flores, e a comunidade liderado pela Anciã sofre com a presença de um antigo integrante, Kaecilius (Mads Mikkelsen), um ex-aluno do Templo, que tem o objetivo de ajudar o um vilão maior, Dormammu, para destruir o universo.

"Doutor Estranho" (Doctor Strange) é um bom filme de ação, com ótimos efeitos especiais e muito humor. Certas passagens remetem direto ao hoje já clássico filme de Christopher Nolan, "A Origem".

Duração: 1h55min

Cotação: bom
Chico Izidro

quinta-feira, novembro 10, 2016

"O Pequeno Segredo"



"Pequeno Segredo", o filme brasileiro indicado ao Oscar, é dirigido por David Schurmann, um dos filhos da família catarinense conhecida por velejar pelo mundo. A história se baseia no livro “Pequeno segredo – A lição de vida de Kat para a família Schürmann”, lançado em 2012 por Heloisa Schürmann, onde conta sobre a adoção da pequena Kat, filha de um casal formado pelo neozelandês Robert e da amazonense Jeanne.

Os Schürmann já com cinquenta e poucos anos, aceitaram adotar Kat, uma garota que nasceu com o vírus do HIV, já que sua mãe Jeanne contraiu a doença quando recebeu sangue contaminado após sofrer um acidente. Na trama, é mostrada a história dos Schürmann e dos pais de Kat de forma intercalada. Heloisa Schurmann é vivida por Julia Lemmertz e Vilfredo tem como intérprete Marcelo Antony, enquanto que Erroll Shand é o neozelandês Robert e Maria Flora é Jeanne.

O filme mostra todo o processo de conhecimento e de namoro de Robert e Jeanne, que sofre com o racismo da sogra, e também a convivência de Kat com seus pais adotivos. Além do que a menina seguia uma dieta de vitaminas, que ela não sabia serem remédios para controlar a aids. A história se passa nos anos 1990, onde ainda havia muio preconceito contra os portadores do vírus HIV. Mas a menina, quando descobre seu destino, decide que aos 14 anos contará para o mundo seu "pequeno segredo". Que para mim é um título equivocado, afinal, de pequeno não tinha nada. Era um grande segredo.

A história é muito mais entre mãe e filha, com boa atuação de Julia Lemmertz. O personagem de Marcelo Antony é quase figurativo. Já a novata Mariana Goulart beira o constrangimento, com momentos quase teatrais e sem espontaneidade. E no filme até é reforçado o lado bom-moço de Robert, que teria ficado sempre ao lado da cabocla Jeanne, quando na realidade ele chegou a abandonar a mulher por três anos após o atropelamento que ela sofreu.

A história é triste, e às vezes apela para o sentimentalismo barato, tentando provocar o choro do espectador. Para o Oscar, é uma escolha muito exagerada. Mas o filme não é de todo o ruim.

Duração: 1h48min

Cotação: regular
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...