quinta-feira, dezembro 22, 2016

"Capitão Fantástico" (Captain Fantastic)



Escrito e dirigido por Matt Ross, "Capitão Fantástico" (Captain Fantastic) apresenta uma atuação de cair o queixo de Viggo Mortensen, que vive o riponga Ben. Ele e a esposa, que não aparece nunca, mas faz parte essencial da trama, decidiram criar os seis filhos, que tem idade entre os 16 e 5 anos, longe da sociedade, distante do consumismo e da tecnologia. Enfim, eles vivem no meio da mata.

Porém a vida de todos sofrerá grande mudança quando a esposa de Ben falece. Então ele tem de comparecer ao funeral dela, levando os filhos - e o choque é enorme, pois a garotada encontra um mundo da qual se sente completamente alijada. Além do que, os sogros de Ben não aceitam o modo de vida que ele leva e dá às crianças. Ben criou os filhos com extremo rigor e disciplina - leituras selecionadas, exercícios, alimentação. Tudo é controlado com extremo zelo.

O filme é praticamente um road-movie. A família viaja num ônibus velho, mas recheado de livros. E apresenta uma das mais belas cenas de 2016, quando Ben e os filhos interpretam o clássico Sweet Child o'Mine em uma roupagem acústica e emocionante.

Outro destaque são as atuações de Viggo Mortensen e Frank Langella, que faz o papel do sogro. Os dois mostram um duelo arrebatador e por vezes angustiante. O avô, afinal, não consegue aceitar o modo de vida que o genro dá aos seus netos. Um deles é Bo, o filho mais velho de Ben, e vivido com brilho por George Mackay, que interpreta Bo. O ator já havia se destacado na minissérie 11.22.63, baseada numa obra de Stephen King, e protagonizado por James Franco.

Duração: 1h58min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Sing: Quem Canta Seus Males Espanta" (Sing)



Animais que vivem como humanos, com seus problemas, deficiências, angústias, felicidade...enfim..."Sing: Quem Canta Seus Males Espanta" (Sing), dirigido por Garth Jennings, além disso busca suas forças em muitas músicas pop e todas em suas versões originais, e em alguns casos, nas vozes dos intérpretes originais. Apesar da animação ser dublada.

No centro da trama, temos o coala dono de um teatro caindo aos pedaços Buster Moon. Falido, ele acha encontrar a solução de seus problemas produzindo um musical, mas para tal necessita fazer uma espécie de concurso, aos moldes do The Voice. Motivados mais pela grana, que eles acham ser de 100 mil dólares, quando na realidade são apenas mil dólares, do que fama e reconhecimento, diversos animais tentam uma vaga na empreitada.

Os personagens vão de uma porca-espinho roqueira, um ratinho que vive de tocar em seu saxofone os clássicos do jazz, e a aliá, fêmea do elefante, de grande talento, mas com imenso medo do público. Tem ainda a porquinha dona de casa, que tem 25 filhos, e um marido completamente desligado, e o gorila adolescente que sonha em ser músico, apesar de seu pai desejar que ele siga seus passos, de ladrão.

Os clichês vão aparecendo aqui e ali, atrapalhando e muito o desenvolvimento da história. Que calcado em canções pop, tem algumas boas, de artistas como Aerosmith, Elton John, Frank Sinatra, mas com coisas abusrdamente chatas, como Katy Perry, Nick Minaj e outras xaropices atuais.

Duração: 1h48 min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Minha Mãe é uma Peça 2"



Minha nossa senhora, que coisa chata que é "Minha Mãe é Uma Peça 2", dirigido por César Rodrigues. Temos aqui a continuação da mãe superprotetora, que não leva desaforo pra casa e verborrágica Hermínia, vivida pelo ator Paulo Gustavo, dos seriados "220 Volts" e "Vai Que Cola".

Nesta sequência, a apresentadora deixou o apertado apartamento em Niterói, está cheia da grana e apresentadora de um programa de entrevistas na televisão. E seguindo com suas preocupações, a criação dos filhos Marcelina e Juliana, mesmo que eles já estejam adultos e tentando se afastar dos exageros de Hermínia. E logo ela vai entrar em estado de choque ao saber que Juliana resolvou virar atriz e vai se mudar para São Paulo, longe de suas asas protetoras e sufocantes.

Paulo Gustavo buscou inspiração em sua própria mãe para criar Hermínia. E vamos combinar, que coisa mais chata. A mulher, apesar de ser um personagem sincero, não tendo papas na língua e tratando todos com franqueza, desde o síndico, a amiga falsa encontrada na fila do supermercado, irrita. Fala demais, berra demais, tudo é muito exagerado. Além do mais o roteiro é fraco e deixa várias pontas soltas.

Duração: 1h36min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"Rogue One - Uma História Star Wars" (Star Wars - Rogue One)




Escrito por Chris Weitz e Tony Gilroy, "Rogue One - Uma História Star Wars" (Star Wars - Rogue One), é um episódio da saga que não faz parte da mitologia da cinessérie, mas apenas uma história ambientada no universo de Star Wars. E que tem seus eventos ocorrendo entre "A Vingança dos Sith" e "Uma Nova Esperança".

O filme é centrado na jovem Jyn Erso (Felicity Jones), cujo pai Galen (Mads Mikkelsen) é forçado pelo Império a ajudar na construção da Estrela da Morte. Ele é levado com ela ainda criança, sendo criada por Saw Gerrera (Forest Whitaker), líder mais radical dos rebeldes, e então a história dá um salto no tempo. Já adulta, Jyn entra em contato com a Aliança Rebelde, que necessita de sua ajuda para localizar Guerrera, que teria recebido uma mensagem secreta enviada por Galen através do piloto Bhodi Rook (Riz Ahmed).

A partir daí, Jyn ganha a companhia do rebelde Cassian Andor (Diego Luna), do monge-guerreiro cego Chirrut Îmwe (Donnie Yen) e seu companheiro Baze Malbus (Wen Jiang) e do droide K-2SO (lan Tudyk), que foi reprogramado para ajudar os rebeldes. Todos, aliás, personagens extremamente carismáticos.

Mais pesado que os filmes da mitologia Star Wars, tem humor na dose certa, muito mais violência. E aparições arrebatadoras do vilão Darth Vader, em toda a expressão do mal que ele personifica. "Rogue One - Uma História Star Wars" ainda traz um final apoteótico, e com um gancho excepcional, mostrando a Princesa Lea recebendo um segredo importante para a evolução da história.

Duração: 2h14min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Sangue do Meu Sangue" (Sangue del mio sangue)




"Sangue do Meu Sangue" (Sangue del mio sangue), do excelente diretor italiano Marco Bellocchio, é uma história passada em dois tempos. E acaba ficando irregular. São duas tramas, que ocorrem na cidade de Bobbio, onde nasceu Marco Bellocchio.

Na primeira parte, estamos em um convento no Século XVII, e uma freira, Benedetta (Lidiya Liberman), é acusada de seduzir um padre, que acaba se suicidando. O seu irmão, Federico, vivido por Piergiorgio Bellocchio (filho do diretor) chega à cidade para impedir que o irmão seja enterrado no cemitério dos animais, destino dado aos suicidas, por não ser terra consagrada. Mas para que isso não ocorra, Federico tem de convencer Benedetta a assumir a culpa, se assumindo como bruxa. Temos inclusive cenas de tortura, nem um pouco agradáveis. E a história é uma crítica de Bellocchio contra a Igreja Católica e a sociedade machista. Esta primeira e melhor parte, daria um excelente único filme. E ainda tem um ar gótico, permeado pela bela Nothing Else Matters, do Metallica

Na segunda parte, passada nos dias atuais e também localizada no mesmo convento, que está degradado. Seu dono é o Conde (Roberto Herlitzka), um homem misterioso, que só sai de casa à noite e que acredita ser um vampiro. Então um funcionário do governo, novamente Piergiorgio Bellocchio surge com um empresário russo, interpretado por Ivan Franek, que deseja comprar o local. Esta parte do filme não tem tanto impacto e, por vezes, se mostra modorrenta e confusa. Mas vale o final, que remete à primeira parte.

Duração: 1h47min

Cotação: bom
Chico Izidro

quinta-feira, dezembro 15, 2016

"Sully" (Sully - O Herói do Rio Hudson)



O octagenário Clint Eastwood segue ativo e biografando grandes figuras da humanidade - ele já passou por Nelson Mandela, o general japonês Kuribayashi, J. Edgar Hoover, o soldado norte-americano Chris Kyle, entre outros. Agora é a vez do piloto Chesley Sullenberger em "Sully" (Sully - O Herói do Rio Hudson). Temos aqui a história real do voo US Airways 1549, pilotado por Chesley Sullenberger, ou Sully, que em 15 de janeiro de 2009 saiu de Nova Iorque com destino a Charlotte, na Carolina do Norte. Mas intantes após a decolagem, o avião se chocou com pássaros, perdendo as duas turbinas.

Sully avisou a torre de controle, que o orientou a voltar ao aeroporto, mas ele constatou não ter autonomia suficiente para fazer isso. A solução encontrada foi fazer um pouso forçado no rio Hudson - o avião corria o risco de se chocar em algum prédio, o que seria terrível, ainda mais para uma cidade que ainda vive assombrada pelo pavor do 11 de setembro de 2001. Com a manobra, Sully conseguiu salvar a vida de todos os 15 passageiros a bordo. Cena muito bem recriada por Clint Eastwood.

O piloto passa a ser visto como herói, com o filme mostrando as conseqüências do acidente. As pessoas param Sully nas ruas, nos bares, nos corredores de hotéis, para elogiá-lo. Mas o que temos aqui é o julgamento a que ele foi submetido pelo órgão regulador da aviação norte-americana, que questiona se a decisão tomada foi realmente a melhor em termos de segurança dos passageiros.

Tom Hanks faz mais uma vez um trabalho excepcional como o personagem principal. Ele transmite serenidade, calma, mas ao mesmo tempo certo desespero, pois após mais de 40 anos servindo como piloto, pode perder tudo se considerado inconsequente. Clint Eastwood, por sua vez, reconstitui de maneira completamente realista a quase tragédia, sem ser melodramático. O filme é encerrado com imagens reais de Sully e os passageiros.

Duração: 1h36min

Cotação: bom
Chico Izidro

"O Mestre e o Divino"



No documentário de Tiago Campos, "O Mestre e o Divino", testemunhamos uma disputa entre um alemão que adotou o Brasil ainda nos anos 1950 e um índio xavante, que acabou tornando-se um documentarista de sua tribo. Os personagens reais são o missionário alemão Adalbert Heide e o índigena Divino Tserewahú, que conviveu com o alemão desde criança e começou a realizar seus filmes nas oficinas do projeto Vídeo nas Aldeias. O palco é a aldeia de Sangradouro, em Mato Grosso.

Os dois têm uma relação por vezes calma e por vezes tumultuada, e como o próprio Divino revela a certa parte, Adalbert não aceitou de bom grado o seu pupilo criar asas e voar. E é notório que o velho sente ciúmes.

No filme, vemos o trabalho de Adalbert, que veio para o Brasil em 1957 após ler reportagem num jornal alemão sobre o país e seus índios - e ele mesmo quis se tornar um. Já Divino Tserewahú produz filmes para a televisão e festivais de cinema desde meados dos anos 1990. Entre eles vemos cumplicidade, competição, ironia e emoção, mostrando ainda bastidores da catequização indígena, forçada, no Brasil.

Duração: 1h25min

Cotação: bom
Chico Izidro

CURTA-METRAGEM “REVERSO”, FILMADO EM VIAMÃO, DISPUTARÁ PRÊMIO EM LOS ANGELES

Fotos: CF Arte Nativa Curta “Reverso”, gravado em Viamão, é indicado em festival de cinema em Los Angeles. O filme foi produzido pela CF Ar...