quinta-feira, janeiro 19, 2017

"Manchester à Beira-Mar" (Manchester by the Sea)



Um filme que carrega uma carga emotiva muito grande, "Manchester à Beira-Mar" (Manchester by the Sea), com direção de Kenneth Lonergan, mostra que por mais que tentemos deixar o passado para trás, ele quase sempre estará presente, trazendo fantasmas que queremos enterrar.

O zelador faz-tudo Lee Chandler (Casey Affleck), na história, mostrada com muitos flash-backs, onde vamos entendendo o que aconteceu com ele e seus familiares, tem de deixar o trabalho em Boston por alguns dias e retornar à cidade natal, a litorânea Manchester. Seu irmão mais velho, vivido por Kyle Chandler, tinha uma doença congênita, morreu e Lee fica sabendo que terá de ser o responsável pelo sobrinho adolescente Patrick (Lucas Hedges), já que a mãe do garoto o abandonou há alguns anos. Então é quando começam a surgir os problemas da guarda.

Lee teria de voltar a fixar residência na cidadezinha, mas nada é tão fácil assim - como será explicado ao longo do filme e que não cabe contar aqui. Em determinado momento, o protagonista olha para o sobrinho e desabafa: "O passado não quer me abandonar".

Casey Affleck apresenta um personagem perturbado, mas que ao mesmo tempo traz empatia. Sofrido, calado - ele tem dificuldades de relacionamento e de se expressar por causa do trauma que carrega. Patrick é o seu oposto, um garoto cheio de vida, que coleciona namoradas e a simpatia de todos em Manchester.

"Manchester à Beira-Mar" é um filme, que com crueza, mas realista, mostra o peso que se enfrenta ao lidar com traumas. E ainda conta com atuações incríveis.

Duração: 2h18min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Os Penetras 2: Quem Dá Mais?"



O ano mal começou e já temos um dos candidatos a pior filme do ano: "Os Penetras 2: Quem Dá Mais?", direção de Andrucha Waddington. A história mostra o carente Beto (Eduardo Sterblitch), que acabou de sair do hospício e vai ao velório do amigo Marco (Marcelo Adnet) – que havia lhe aplicado um golpe no primeiro filme. Após o velório, Beto é atropelado pelo milionário Santiago (Danton Mello), que o ajuda levando-o até sua casa. Beto então passa a ver o espírito de Marco ao seu redor, que começa agora a tentar guiar Beto e Nelson (Stepan Nercessian) a aplicarem um golpe em Santiago.

Logo entram na história a trambiqueira Laura, interpretada por Mariana Ximenes e também um milionário russo, Oleg (Mikhail Bronnikov). Todos querendo enganar a todos, tentando aplicar um golpe milionário. E situações completamente inverossímeis, num verdadeiro samba do crioulo doido. Nada funciona, roteiro, nada, resta apenas o constrangimento alheio. As atuações são dolorosas, com o ex-pânico Eduardo Sterblitch se mostrando um careteiro de marca maior, tentando talvez bater o histrionismo do ex-gordinho Leandro Hassum. Tentando dar sequência a uma franquia, Andrucha acaba errando muito.

Duração: 1h27min

Cotação: péssimo
Chico Izidro

quinta-feira, janeiro 12, 2017

"A Criada" (The Handmaiden)



Chan-wook Park é um dos grandes nomes do cinema sul-coreano, e a sua obra mais conhecida no Brasil talvez seja "Old Boy", de 2003. "A Criada" (The Handmaiden), baseado no romance Fingersmith, de Sarah Waters, faz uma dramatização excelente do período em que o Japão dominava a Ásia no começo dos anos 1930. Neste caso a Coreia, com a história contada em três partes.

Na primeira parte vemos o Conde Fujiwara (Ha Jung-woo), que envolve a jovem Sook-hee (Kim Tae-ri) num golpe. Ele pretende casar com a rica japonesa Lady Hideko (Kim Min-hee), e para tanto, coloca Sook-hee na mansão da garota milionária, para saber seus passos, e para que a criada induza a patroa a se apaixonar por ele.

Mas na segunda parte, vemos uma reviravolta, com Lady Hideko se apaixonando por Sook-hee. E na terceira parte, na conclusão, a tentativa de fuga das duas jovens apaixonadas. Afinal, estamos na década de 1930, época nada agradável para um relacionamento gay.

Mas não é uma história apenas de lesbianismo. Envolve intriga, conspirações, entregas. Tudo mostrado com muita intensidade, numa narrativa envolvente. E com figurinos exuberantes, belas atrizes, reconstituição de época rigorosa.

Duração: 2h31min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Assassin's Creed"



Acho que já escrevi antes, mas não custa repetir. Nunca joguei videogame na vida, não tenho a mínima ideia e a mínima vontade de jogar. Então um filme como "Assassin's Creed", dirigido por Justin Kurzel, não me emociona, e pior, até me tira a paciência. Sendo que filmes baseados em videogames costumam, em sua grande maioria, serem ruins. E este não não fica atrás. Apesar de ter em seu elenco grandes atores, como Michael Fassbender, Jeremy Irons e Marion Cotillard.

A história mostra duas sociedades secretas: os assassinos, que lutam pelo livre arbítrio da humanidade, e os Templários, que estão querendo criar uma nova ordem mundial, acabando com a violência e controlando as pessoas.

Então surge o personagem Callum Lynch (Michael Fassbender), um homem condenado à morte que é levado para a Fundação Abstergo em Madri, na Espanha, para ser submetido a uma experiência genética conduzida pela cientista Sofia Rikkin (Marion Cotillard). Ela é filha do diretor da empresa, Alan Rikkin (Jeremy Irons). E a fundação é uma fachada para que os Templários possam atuar nos dias de hoje.

Durante as experiências, Callum descobre ser descendente direto de Aguilar de Nerha, um assassino espanhol do século XV. E durante a ação, ele tem de evitar que um artefato antigo caia nas mãos dos Templários.

A trama se passa em dois tempos, presente e passado. E ai acaba o charme do filme, que passa a ser um amontoado de cenas de ação, com lutas, correrias, personagens subindo e correndo por construções antigas. Na décima vez, o espectador já está com a paciência esgotada. Não serve nem para sessão pipoca. Mas talvez agrade aos fãs dos jogos eletrônicos.

Duração: 1h56min

Cotação: ruim
Chico Izidro

quinta-feira, janeiro 05, 2017

"Passageiros" (Passengers)



Uma ficção científica que até começa bem, mas aos poucos vai perdendo força e caindo na armadilha dos romances hollywoodianos. É assim "Passageiros" (Passengers), dirigido por Morten Tyldum, com dois protagonistas carismáticos, Chris Pratt e Jennifer Lawrence.

Em uma viagem de 120 anos até um planeta distante, com as mesmas características da Terra, viajam em estado de sono criogênico 5 mil pessoas e mais alguns tripulantes. Porém a nave se choca com uma chuva de asteróides, acordando o mecânico Jim (Pratt). O problema é que ele só ficou adormecido por apenas 30 anos. Ou seja, tem mais 90 anos de viagem. Jim se vê então numa cilada, pois está destinado a morrer solitário, senão enlouquecido. Sua única companhia é o robô garçom Arthur (interpretado pelo sempre excelente Michael Sheen).

Jim passa os dias tentando quebrar o tédio. Joga basquete, dança, escolhe a melhor suíte da nave para dormir. Mas não se barbeia mais, não se lava. Passa-se um ano e alguns meses. Até o dia em que se depara com uma das adormecida passageira, a escritora Aurora Lane (Jennifer Lawrence). Ele começa a investigar sobre ela, e acaba se apaixonando. Então começa a pensar: e se ele a acordasse para que ela lhe fizesse companhia?

Chegamos a uma espécie de Bela Adormecida, Robinson Crusoé, passando para Adão e Eva. Mas se Jim acordar Aurora, também estará condenando a garota a morrer sem chegar ao destino. Até então o filme estava reflexivo, falando sobre ética, egoísmo. E acaba caindo na vala comum dos romancezinhos baratos, com Jim escondendo um segredo poderoso, que a qualquer hora pode ser desmascarado por Aurora. E tudo vai perdendo a graça. Até ela inexplicavelmente se apaixonar pelo mecânico. Pena.

Duração: 1h57min

Cotação: regular
Chico Izidro

"Moana: Um Mar de Aventuras" (Moana)



A Disney não tem apenas heroínas loirinhas e lindas. Também tem espaço para outras etnias, como a chinesa Mulan, a negra Tiana e a indígena Pocahontas. Agora chega a vez da polinésia Moana, em "Moana: Um Mar de Aventuras" (Moana), animação dirigida por John Musker e Ron Clements. Ela não é uma princesa, mas é a filha do chefe de uma tribo. Corajosa, inteligente, desbravadora, quer conhecer o mar, viajar pela Oceania. Mas seu pai não deixa ela fazer o que quer, pois teme o que pode estar além dos recifes.

Então a aldeia começa a passar por dificuldades, e Moana descobre que tem de devolver uma pedra - o coração da deusa Te Fiti - em seu lugar. Para tanto, desobedece o pai e parte para o alto-mar, quando encontra o semi deus Maui, que ganhou um anzol mágico dos deuses e assim tem o poder de se transformar em qualquer animal. Além do que foi Maui quem roubou o coração de Te Fiti. Os dois se unem para completar a missão. Bem que Maui é meio mimado, medroso e a toda hora muda de ideia.

Ah, o filme está repleto de canções - é quase um musical. Sendo que a animação é excelente, a narrativa ágil, deixando "Moana: Um Mar de Aventuras" muito divertido, repleto de personagens interessantes, bem construídos e com profundidade.

Duração: 1h47min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Dominação" (Incarnate)



"Dominação" (Incarnate), dirigido por Brad Peyton, é um filme de terror ruim, com atuações precárias e momentos de puro constrangimento. A trama segue as ações do exorcista Seth Ember (Aaron Eckhart), que perdeu a família e ficou paraplégico em um acidente provocado por um demônio, que ele persegue incessantemente. Seth criou uma maneira de expulsar os demônios dos possuídos - ele entra no subconsciente da vítima e a convence de que ela está em uma espécie de transe, tendo sua realidade controlada pela entidade maligna.

O filme trata então da posse do demônio do corpo de um garoto de 11 anos, que Seth deve ajudar. E aí a chupação de outra obra de terror, "Sobrenatural". E o longa vai se arrastando, não proporcionando nenhum susto, com diálogos horríveis, efeitos especiais beirando o tosco. E a gente fica ali torcendo para que o final chegue logo.

Aaron Eckhart é um bom ator, mas talvez tenha entrado nesta para pagar o aluguel ou a pensão dos filhos. Ele não convence em nenhum momento, ainda mais mal dirigido por Brad Peyton.

Duração: 1h31min

Cotação: ruim
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...