quinta-feira, fevereiro 09, 2017
"A Cidade Onde Envelheço"
"A Cidade Onde Envelheço", dirigido por Marília Rocha, é uma obra que se pretende poética, contemplativa, ao melhor estilo europeu. Mas na realidade é um filme cansativo, que não dizx a que veio, mostrando a rotina chata e entediante de duas portuguesas que moram em Belo Horizonte.
Teresa (Elizabete Francisca Santos) é uma garota, que decide deixar Portuagl para morar no Brasil, mais exatamente na mineira Belo Horizonte. Ela vai morar na casa de de Francisca (Francisca Manuel), outra portuguesa que mora no país há mais de um ano. E Francisca, apesar de hospedar Teresa, não curte muito a ideia, pois é uma pessoa que prefere a solidão e a independência. Aos poucos, porém, as duas vão se entendendo, por causa do temperamento alegre e expansivo de Teresa.
Só que isso é muito pouco para se construir uma história. As cenas se sucedem, sem muita imaginação, criativade. O tédio impera nas conversas - que aliás, sofrem com o sotaque muito carregado das duas atrizes, que ainda por cima falam de costas para a câmera. Fica quase inaudível - aqui se faria necessário o uso de legendas. Os demais personagens são ainda muito superficiais - eles aparecem e somem na mesma rapidez. Ao final, pensamos: por que perdemos tempo assistindo a este filme?
Duração: 1h39min
Cotação: ruim
Chico Izidro
quinta-feira, fevereiro 02, 2017
"Estrelas Além do Tempo" (Hidden Figures)
"Estrelas Além do Tempo" (Hidden Figures), direção de Theodore Melfi, é um filme forte, e mais um a tratar sobre o racismo nos Estados Unidos em meados do século passado. Baseado no livro Hidden Figures, de Margot Lee Shetterly, trata de uma história real, envolvendo não só racismo, mas também misoginia.
A trama mostra a batalha de três mulheres para serem reconhecidas na então segregacionista Nasa, no começo dos anos 1960. Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson, de O Estranho Caso de Benjamin Buton e do seriado Empire) é uma matemática brilhante, viúva e mãe de três filhas, a engenheira e dona de duas graduações na área das exatas Mary Jackson (a linda cantora Janelle Monáe) e a supervisora Dorothy Vaughan (Octavia Spencer). Elas são contratadas para ajudar no começo da corrida espacial - os americanos estavam atrás dos inimigos russos, que já haviam mandado Yuri Gagarin para o espaço.
Katherine é um verdadeiro computador humano em ao ser colocada no setor de cálculos liderado pelo engenheiro Al Harrison (Kevin Costner, em ótima atuação) sobre o diabo com o chefe direto Paul Stafford, vivido por Jim Parsons, o Sheldon de Big Bang Theory, que encarna muito bem um segregacionista, que não consegue aceitar a presença de uma negra no local. Já Mary Jackson sofria no trabalho e em casa, através de um marido que não aceitava a luta da mulher em ser engenheira, e Dorothy, que almejava chegar à supervisora chefe - mas imagine uma negra comandando um setor na Nasa?
As três protagonistas estão excelentes em seus papéis, em um filme que retrata muito bem uma época que não deve ser esquecida, mesmo que tenha sido cruel para as pessoas negras, que por mais competentes que fossem, não eram aceitas e sofriam com perseguição e desprezo, apenas por causa da cor de sua pele.
Duração: 2h07min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
"A Qualquer Custo" (Hell Or High Water)
Um faroeste moderno. É assim que pode ser visto "A Qualquer Custo" (Hell Or High Water), direção de David Mackenzie, com Chris Pine, Ben Foster e Jeff Bridges. A história é centrada em dois irmãos, Tanner (Ben Foster, de “Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos”) e Toby (Chris Pine, de “Star Trek: Sem Fronteiras”), que saem numa turnê de assaltos por bancos em diversas cidades do interior do Texas. Os dois têm dívidas tremendas e não conseguem encontrar solução para pagá-las de forma honesta. Por isso os assaltos.
Então a dupla começa a ser perseguida pelo delegado Marcus Hamilton (Jeff Bridges), que está à beira da aposentadoria, mas decide fazer e seu último trabalho a prisão dos irmãos. Ao seu lado o policial indígena Alberto (Gil Birmingham), sempre solicito com o chefe. Os dois vivem se bicando, ainda mais por causa das provocações racistas de Hamilton.
Os dois irmãos são unidos, mas antagônicos. Tanner é um homem decidido, mas violento e agressivo, enquando que Toby é mais pacífico, sempre preocupado com os filhos, que moram com a mãe. Ben Foster e Chris Pine encarnam bem os personagens tão distintos.
O diretor David Mackenzie (“Sentidos do Amor”) consegue criar um clima de bangue-bangue passado nos anos 2010, com muito realismo, ambientes desérticos e estéreis. E muita violência em seu climax, com um tiroteio que há muito não via. O embate final também é outro achado, com Hamilton dialogando com Toby, numa cena que se fosse um blockbuster, poderiamos esperar uma continuação. Filmaço.
Duração: 1h42min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
"Jackie"
Natalie Portman encarna magistralmente bem uma das mulheres-símbolo do Século XX, Jacqueline 'Onassis' Kennedy, em "Jackie", dirigido por Pablo Larraín. O longa retrata os dias seguintes ao assassinato de JF Kennedy, em novembro de 1963, em Dallas, quando ela ainda tentava entender o que havia acontecido.
O filme apresenta uma narrativa interessante, mostrando vários momentos da vida da primeira-dama americana, que influenciou toda uma geração, desde o pensamento, a atitude, chegando a moda. Jackie aparece dando uma entrevista dias após a morte do marido, as conversas com o padre e amigo Joseph Leonard (vivido pelo recém falecido John Hurt), a tour que ela fez na Casa Branca, após a reforma quando da mudança do casal para Washington - este momento passado em preto e branco, como se fosse da época, numa sacada sensacional.
A fotografia de "Jackie" é excelente, além do figurino e da maquiagem. Natalie Portman interpreta Jackie muito bem, mesmo que não tenha semelhanças físicas com a ex-primeira-dama, morta em 1994. Em vários closes, a atriz arrasa no tom de voz, no rosto perdido por causa da tragédia - detalhe foi o uso do vestido rosa, ensanguentado que Jackie usava nas horas logo após o assassinato do marido.
O longa, porém, deixa de fora as escapadas de JFK, que diz a lenda em Washington que ele tinha dificuldade de deixar a braguilha da calça fechada, tendo inclusive caso com Marilyn Monroe. Mas o filme é para centrar mais em Jackie e sua perda. Então está ok.
Duração: 1h40min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
"Armas na Mesa" (Miss Sloane)
"Armas na Mesa" (Miss Sloane) é um ótimo drama político, dirigido por John Madden. Nele, vemos a atuação da lobista Elizabeth Sloane (Jessica Chastain), que trabalha numa campanha pela liberação de armas nos Estados Unidos. Mas como sua meta é ganhar dinheiro e demonstrar poder, ela não pensa duas vezes quando é chamada por uma outra empresa para liderar uma campanha pelo controle de armamentos.
Sloane é conhecida por usar várias estratégias, muitas vezes desleais, para obter o que deseja. E ela é uma mulher dura, que não pensa duas vezes em usar os funcionários em seus esquemas. Aliás, o tema que o filme decidiu mostrar é um dos mais polêmicos da Terra do Tio Sam: o controle de armas. Após chacinas frequentes no país, muito se pensa em não deixar qualquer um ter uma arma. Mas a cultura norte-americana em relação ao uso de armamentos é forte e antigo.
Jessica Chastain é bonita, e acreditamos piamente em seu jeito frio e calculista. E ela está bem acompanhada, com outros ótimos atores em cena, como Mark Strong (O Jogo da Imitação), Michael Stuhlbarg (A Chegada), Alison Pill (Meia-Noite em Paris) e o veterano John Lithgow no papel do senador Ron Sperling, que decide levar Sloane ao banco dos réus, mas esconde ele mesmo um grande segredo.
"Armas na Mesa" é daquelas obras que não dá para tirar o olho da tela, sob pena de ficar boiando por causa de seu enredo bom, mas por vezes complicado.
Duração: 2h09min
Cotação: bom
Chico Izidro
"O Chamado 3" (Rings)
A pergunta que se faz é por que fazer este filme? Qual a necessidade? A resposta é nenhuma. Puro desperdício de tempo e dinheiro. "O Chamado 3" (The Ring 3), do diretor espanhol F. Javier Gutiérrez. O filme começa dentro de um avião, onde a sinistra Samara consegue atacar dois passageiros, que haviam assistido ao famoso vídeo sete dias antes.
Então um pulo de dois anos, e passamos a assistir a história de um insosso casal, formado por Julia (Matilda Lutz) e Holt (Alex Roe). O rapaz está indo para a faculdade, e após juras de amor e de não se separarem, ele some. E Julia vai atrás, para descobrir que o namorado está envolvido num grupo de estudantes que assistiu ao video de Samara e recebeu a tal ligação: "Sete dias".
A garota vai então tentar descobrir uma forma de Holt e depois ela mesma escapar da maldição de morrer por ter assistido a filmagem estranha e que, convenhamos, nem é tão perturbadora como os produtores da cinessérie tentam passar para os espectadores. "O Chamado 3" é tão sem inspiração, tão sem inventividade, que tudo se encerra dentro de uma casa, com um padre cego e meio psicopata, interpretado com muita má vontade por Vicente D'Onofrio (em sua milésima interpretação de vilão no cinema) tentando matar Julia.
Duração: 1h42min
Cotação: ruim
Chico Izidro
"Eu, Daniel Blake" (I, Daniel Blake)
O diretor octagenário e esquerdista Ken Loach mais uma vez não poupa críticas ao governo da Inglaterra. Desta vez, ele mostra a barbaridade ao sistema de saúde do país, que não perdoa os trabalhadores, obrigados a conviver com uma verdadeira armadilha em "Eu, Daniel Blake" (I, Daniel Blake).
O filme começa com apenas a tela preta e a voz do protagonista, interpretado por Dave Johns, conversando com a assistente do serviço social, que lhe nega o seguro. Daniel, de 59 anos, após passar anos cuidando da mulher que sofria de câncer e que acabou morrendo, sofreu um infarto. E a médica lhe impede de trabalhar, mas não consegue receber o seguro-desemprego por causa da extrema burocracia do governo.
Numa de suas idas ao departamento social, conhece Katie (Hayley Squires), uma mãe solteira de duas crianças, que por causa do desemprego e da falta de habitação em Londres, foi realocada em Newcastle. Os dois estão na mesma situação crítica e criam uma amizade improvável. Daniel se apega a ela e às crianças - numa cena incrivelmente forte, eles vão receber o bolsa-família, e Katie, que não come há vários dias, começa a devorar ali mesmo uma sopa de tomate no meio de uma crise de fome...chocante.
E o filme não se passa num país qualquer de Terceiro Mundo, mas na Inglaterra. Que não é poupada por Ken Loach e sua crítica violenta contra um sistema que não protege os pobres e necessitados. Filmaço.
Duração: 1h41min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
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