quinta-feira, setembro 14, 2017

"Feito na América" (American Made)



"Feito na América" (American Made), dirigido por Doug Liman, é o mais novo filme estrelado por Tom Cruise, que aqui vive a história baseada em fatos reais, e muita coisa parece inventada, de tão absurda, do piloto Barry Seal, que no final dos anos 1970 até meados dos anos 1980, trabalhou para a CIA, DEA, ao mesmo tempo que traficava drogas e armas para o Cartel de Meddelín. A obra acerta na reconstituição de época, tem uma trilha sonora forte, daquele período, e imagens reais de eventos ocorridos à época, mostrando figuras como o ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, sua mulher Nancy, que dirigiu campanha contra as drogas e o assessor militar Oliver North, autor do famigerado plano Irã-Contras.

A trama lembra um pouco o filme "Profissão de Risco", dirigido por Jonathan Demme e protagonizado por Johnny Depp e lançado em 2001. Nele, acompanhamos a trajetória real de George Jung (Depp), que nos anos 1970, se torna o principal importador de cocaína do Cartel de Medellín para os Estados Unidos. Durante duas décadas, Jung foi um dos principais alvos do combate às drogas do governo americano e era quem fazia a conexão entre os EUA e a Colômbia.

E não é difícil imaginar que George Jung, que ficou preso por 20 anos, sendo libertado em 2014, e hoje está com 75 anos, não tenha cruzado com Barry Seal. Este trabalhava como piloto comercial, até ser cooptado pela CIA para fazer espionagem aérea na América Central - tirar fotos de atividades comunistas na Nicarágua e El Salvador. E logo fica conhecido na região e não demora para que receba uma proposta do Cartel de Medelin, composto por figuras como Pablo Escobar, Jorge Luis e Juan Davi, para traficar drogas da América do Sul para os EUA. A partir deste momento, Seal se torna uma espécie de "agente duplo" e depois triplo, pois acaba caindo nas mãos do DEA - o departamento antidrogas americano. E tudo isso fingindo para a mulher e os filhos que ele continua trabalhando como piloto comercial.

"Feito na América" é mais um exemplo daqueles filmes de ascenção e queda. Chega um momento em que Seal ganha tanto dinheiro que não consegue mais achar lugar para guardar a fortuna. E tem em seu encalço governo americano, traficantes...
O longa apresenta uma narrativa frenética, trazendo Tom Cruise numa pegada mais cômica. Enfim, é um filme que entretém, mesmo que em determinado momento caia no mais do mesmo, quando introduz a figura do cunhado porra-louca de Seal, interpretado por Caleb Landry Jones (de Corra!) e que será o começo da queda do piloto. Mas nada que atrapalhe a boa diversão.

Duração: 1h55min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"As Duas Irenes"



Com roteiro e direção de Fabio Meira, "As Duas Irenes" é um excelente filme nacional, falando sobre adolescência, amadurescimento, descobertas. A trama gira em torno de uma garota de 13 anos chamada Irene (Priscila Bittencourt) que, descobre possuir uma meia-irmã, fruto do relacionamento de seu pai , interpretado por Marco Ricca, com outra mulher, de mesma idade e com o mesmo nome, Irene (Isabela Torres).

Irene fica muito curiosa, e resolve se aproximar da meia-irmã, mas nunca revelando sua verdadeira identidade. Ela se apresenta como Madalena, e aos poucos as duas garotas vão ficando muito próximas e amigas. Irene frequenta a casa da outra Irene, mas o oposto nunca acontece. Além do mais, a primeira é mais tímida, e sofre um pouco com o descaso da mãe, que se preocupa mais com a filha mais velha e com a caçula. O mesmo não acontece na casa da meia-irmã, onde a mãe é mais presente, mais carinhosa, e não impondo muitas restrições a segunda Irene.

O filme se passa numa pequena cidade do interior, apresenta um ritmo lento, bem estudado. As cenas são longas e por vezes contemplativas. E às vezes lembra aqueles momentos dos anos 70, com o cinema pequeno, onde os adolescentes iam para namorar, longe dos olhos dos pais. "As Duas Irenes" é uma obra de grande qualidade, e tem um desfecho sensacional - lá pela metade ficamos pensando como será o confronto das meninas com o pai. Então a solução é um achado...

Duração: 1h29min
Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Amityville: O Despertar" (Amityville: The Awakening)



"Amityville: O Despertar" (Amityville: The Awakening), direção de Franck Khalfoun, é mais um longa retratando a famosa casa onde ocorreu um brutal assassinato de uma família relatado no livro "Terror em Amitivylle", escrito por Jay Anson e lançado em 1977. E este quinto filme da franquia mais uma vez não faz jus à obra literária, realmente assustadora. Este longa provoca, no máximo, bocejos.

A história gira em torno de uma família que se muda para a cidade de Amityville, e vai morar na casa onde 40 anos antes um jovem matou toda a sua família a tiros, alegando ter ouvido vozes que o fizeram cometer os crimes. A família é formada por uma mãe, vivida por uma irreconhecível Jennifer Jason-Leigh, duas filhas, uma adolescente e a outra pequena, e um filho que está em coma. Mas a mãe não avisou os filhos da maldição que ali está presente. A filha mais velha só vai se dar conta do que aconteceu quando os novos colegas do colégio começaram a praticar bullying com ela, e um dos jovens avisá-la do que ocorreu em seu lar.

A partir daí a adolescente passa a ver fantasmas pela casa, ouvir rangidos e ter pesadelos. O clichê tomando conta da história. Aliás, a atriz que interpretou a garota Belle (Bella Thorne) mostra o tempo todo uma incrível cara de tédio, não conseguindo criar um ambiente verdadeiramente tenso para o terror que se propõe o filme.
"Amityville: O Despertar" acaba se mostrando uma obra bastante fraca, não conseguindo criar nenhuma situação para assustar os espectadores - e você vai ver um filme de terror para levar susto, ou não? Ainda bem que é bem curtinho.

Duração: 1h25min

Cotação: ruim
Chico Izidro

"A Gente"



Com larga experiência em serviços penitenciários, pois trabalhou por sete anos na Casa de Custódia de São José dos Pinhais, vizinha a Curitiba, o diretor Aly Muritiba apresenta o bom documentário "A Gente". Na obra, ele , volta ao seu antigo trabalho, onde reencontra seus colegas, para acompanhar o cotidiano deles, que não é nada fácil.

Os agentes formam a Equipe Alfa, que tem 28 pessoas, de origens e formações diferentes, e que possuem a difícil missão de cuidar de mais de mil presos. O documentário foca, principalmente no agente Jefferson Walkiu, inspetor-chefe da instituição, que se divide entre o trabalho na prisão e como pastor em uma igreja batista. Podemos acompanhar o dia a dia destes profissionais, com todas as dificuldades e obstáculos - convenhamos, não é fácil lidar com presos perigosos e hostis.

E além disso, surgem os problemas, como falta de chaves para as algemas, ou apenas uma enfermeira para atender mil presidiários. Vemos as reuniões dos agentes, que ainda tem de driblar a burocracia e tentar evitar que os presos entrem em conflito. Uma realidade cruel.

Duração: 1h29min
Cotação: bom
Chico Izidro

quinta-feira, setembro 07, 2017

"It - A Coisa" (It)



Esta versão do clássico da literatura de Stephen King, lançado em 1986, é mais violento e assustador do que a versão feita para a TV em 1990 (assisti em uma fita VHS dupla), e que tinha Tim Curry (The Rocky Horror Picture Show) no papel do palhaço assassino Pennywise. Falo de "It - A Coisa" (It), dirigido por Andrés Muschietti. A trama fala sobre a entidade maligna que devora as crianças a cada 27 anos na fictícia cidade de Derry, no estado do Maine, na fronteira com o Canadá. Mas na realidade é uma metáfora para o sofrimento e o medo por que passam adolescentes nesta fase da vida.

Nesta nova versão nada dos personagens já adultos retornando à cidade para combater o palhaço. A história se passa em 1988 e foca em um grupo de jovens apelidados no colégio de "os perdedores" - seis meninos e uma menina que sofrem com o bullying dos colegas e também com a maldade dos adultos. O filme já começa violento, quando um garotinho brinca com seu barquinho de papel e é literalmente devorado por Pennywise (agora vivido por Bill Skarsgard, excelente), que se esconde em um bueiro.

Daí em diante outras crianças vão sumindo e os loosers começam a investigar e logo dão de cara com o sinistro palhaço. Mas fica claro que esta presença está apenas na mente deles. A verdade é que todos eles possuem traumas, como a menina que é abusada pelo pai, o rapaz negro que sofre com o racismo, o gordinho que tem vergonha de seu corpo, o garoto judeu que tem regras religiosas impostas em sua vida, ou o menino que sofre com a timidez por causa da gagueira e ainda o colega que tem uma mãe controladora e dominadora. Ou seja, combater Pennywise é confrontar os seus medos.

As referências aos anos 1980 estão todas lá, desde a trilha sonora, as roupas, muita lembrança de outro clássico escrito por Stephen King e que virou filmaço, "Conta Comigo" (Stand by Me). Até mesmo a série atual Strangers Things", que se passa naquela década recebe citações, inclusive com um de seus atores fazendo parte de "It", Finn Wolfhard. Ao seu lado os outros jovens atores: Jaeden Lieberher, Sophia Lillis, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Jeremy Ray Taylor e Chosen Jacobs, todos com uma química espantosa, fazendo deste longa um filmaço.

Ah, os personagens já adultos devem aparecer na segunda parte, e que vai se passar em 2016....

Duração: 2h15min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Uma Mulher Fantástica" (Una Mujer Fantástica)



Dirigido pelo chileno Sebastián Lelio, "Uma Mulher Fantástica" (Una Mujer Fantástica), é protagonizado pela atriz transgênero Daniela Vega, que dá um show de interpretação na pele de Marina Vidal, garçonete e aspirante a cantora, que sofre um baque em sua vida, e começa a verificar que sua condição sexual não é aceita tão facilmente na sociedade.

Marina tem um relacionamento estável há mais de um ano com um empresário de meia idade Orlando (Francisco Reyes). Só que ele sofre um ataque cardíaco e acaba morrendo. Daí em diante, ela que vivia de certa forma protegida pelo namorado, começa a ver as pessoas reagindo com desprezo e até mesmo violência em relação a ela. Aos poucos, Marina vai se deparando com atitudes que mostram de que a sociedade ainda não está preparada para entender a sua condição.

A todo momento, ouve xingamentos, sofre um sequestro e é agredida por tentar comparecer ao velório de Orlando. A família dele, que era distante, vai aparecendo, primeiro querendo o carro de volta, depois o apartamento que ela dividia com o namorado. A tudo, Marina tenta se manter digna, mas sofre por dentro.

O filme de Sebastián Lelio é instigante, denso, ressalta a intolerância de pessoas que não conseguem aceitar o diferente. A atuação de Daniela Vega é intensa, e ela está praticamente em todas as cenas. Absoluta.

Duração: 1h34min

Cotação: ótimo
Chico Izidro

"Polícia Federal - A Lei é Para Todos"



"Polícia Federal A Lei é Para Todos", dirigido por Marcelo Antunez, é uma adaptação de um livro escrito por Carlos Graieb e Ana Maria Santos, e retrata um dos momentos mais críticos da política brasileira atual, a Operação Lava-Jato, que vem colocando muito político e empresário atrás das grades. A obra glorifica, sim, os policiais, transformados quase em super-heróis, dignos e incorruptíveis. O filme é de difícil análise, diria espinhosa, pois todos temos uma opinião, um lado.

O longa foca no trabalho de policiais e procuradores da Polícia Federal, começando com a prisão do doleiro Alberto Yussef (Roberto Birindelli), mas de forma totalmente cinematográfica, com perseguições, fugas por escadarias. Passa também por outra prisão, do diretor da Petrobras
Paulo Roberto Costa (Roney Facchini), em outra romantização, com os policiais descobrindo contas secretas na Suíça em pedaços de papéis queimados em uma churrasqueira!!!! A trama mostra ainda quando a PF chega a residência do ex-presidente Lula, interpretado preguiçosamente e muito caricato por Ary Fontoura, que nem se deu ao trabalho de tentar reproduzir o sotaque do dirigente.

Os policiais mostrados no filme é uma mescla de vários profissionais que trabalharam nas investigações, mas há espaço para os personagens reais, que dão credibilidade ao filme, como o juiz Sérgio Moro (um dos ícones da lava-jato interpretado por Marcelo Serrado). A trama se encerra antecipando que uma parte dois está por vir.

Duração: 1h55min

Cotação: bom
Chico Izidro

CURTA-METRAGEM “REVERSO”, FILMADO EM VIAMÃO, DISPUTARÁ PRÊMIO EM LOS ANGELES

Fotos: CF Arte Nativa Curta “Reverso”, gravado em Viamão, é indicado em festival de cinema em Los Angeles. O filme foi produzido pela CF Ar...