quinta-feira, novembro 23, 2017
"Por Que Vivemos" (Nazeikiru: Nennyo Shounin to Yozaki Enjou)
A animação "Por Que Vivemos" (Nazeikiru: Nennyo Shounin to Yozaki Enjou), dirigida por Hideaki, é inspirada em fatos do século 15, e foi originada a partir de best-seller homônimo que vendeu mais de 1 milhão de livros no Japão. O roteiro adaptado para o filme é de Kentetsu Takamori, um dos autores do livro e professor da Terra Pura (uma das formas de budismo).
O filme é para pessoas que tem religião. Caso contrário, passe longe. E quando comecei a ver já era tarde. Quase morri de tédio. A trama fala sobre a popularização do budismo no Japão há mais de 500 anos, tenddo como protagonista o camponês Ryoken, que é descrente e não valorizava a sua família, especialmente a mulher, que estava grávida. Mas após uma tragédia, o jovem passa a repensar sua visão de vida, e seguir as palavras do Mestre Rennyo (1415-1499).
"Por Que Vivemos" (Nazeikiru: Nennyo Shounin to Yozaki Enjou) é ambientado na Idade Média, mais exatamente entre um período de guerras civis no Japão. Tudo é visto sob a visão de Ryoken, que passou ele mesmo a pregar o budismo, seguindo os passos de Rennyo, que foi perseguido pelos monges guerreiros do Monte Hiei (em Kyoto) até seu exílio em Yoshizaki, na província de Fukui. Ali ele construiu um complexo de templos, destruídos por um incêndio criminoso em 1474. Apenas para religiosos.
Duração: 1h27min
Cotação: ruim
Chico Izidro
quinta-feira, novembro 16, 2017
"Liga da Justiça" (Justice League)
Apesar de ser praticamente uma continuação de "Batman vs Superman: A Origem da Justiça", "Liga da Justiça" (Justice League), direção de Zack Snyder, é praticamente um filme de iniciação. onde ameaçados pelo vilão alienígena Lobo da Estepe, Batman, que de super-poder, tem só a riqueza, como ele mesmo frisa ao ser perguntado por Flash, tem de montar uma equipe de heróis donos de poderes especiais.
Sem o Super-Homem (Henry Cavill), morto no filme anterior, Batman (Ben Affleck) chama sua nova aliada Diana Prince (Gal Gadot). Os dois tem, então de recrutar os heróis Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller) para salvar o planeta de um catastrófico fim.
Este filme é mais leve, trazendo mais humor, principalmente com as piadinhas soltadas pelo Flash, que se encaixa perfeitamente como o cômico da vez. A equipe conta também com o atormentado Ciborgue (Ray Fisher), um herói cujo drama o deixa um pouco revoltado e o mais resistente em entrar para a turma de super-heróis. Já Aquaman (Jason Momoa) recebeu nova roupagem, totalmente diferente daquela dos quadrinhos, e é um personagem extremamente sério. Mas apesar de diferentes em comportamento e pensamentos, a equipe funciona muito bem conjuntamente.
Já a motivação do vilão Lobo da Estepe é daquelas que me pergunto sempre: por que eles querem dominar o mundo se seus objetivos é destruí-lo?. Eles vão, afinal de contas, dominar o que, se nada vai sobrar? E as lutas são cansativas, repetitivas, fazendo com que o filme perca força em sua parte final, fazendo com que a audiência solte bocejos ao invés de vibrar nas batalhas. Enfim, os filmes do universo DC ainda tem muito a aprender com as HQ que as originaram.
Duração: 2h
Cotação: regular
Chico Izidro
"Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha" (Victoria and Abdul)
O diretor Stephen Frears e a excepcional atriz Judy Dench já haviam feito uma parceria impressionante no drama "Philomena", e agora voltam a acertar a mão na comédia "Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha" (Victoria and Abdul). A trama é baseada em fatos reais, e mostra a improvável amizade da Rainha Victoria (Judi Dench) e Abdul Karim (Ali Fazal), um jovem indiano muçulmano, que chega à Inglaterra no final do século XIX para entregar um prêmio a monarca em seu Jubileu de Ouro.
A Rainha Victoria, que governou o então maior império do mundo entre 1837 a 1901, já está com seus oitenta e poucos anos, e aborrecida com os rígidos costumes, aguarda apenas a hora de partir desta para melhor, quando dá de cara com o indiano Abdul (Ali Fazal). Os dois acabam se conectando imediatamente e o jovem começa a passar seus conhecimentos para a monarca - e logo é alçado a condição de professor de Victoria. Claro que a situação não agrada ao restante da corte, que decide sabotar a relação dos dois. O jeito é tentar desmascarar Abdul, que na Índia não passava de um simples escriturário em um presídio e filho de pessoas humildes. Ou seja, não teria condições de ensinar nada para a rainha.
"Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha" (Victoria and Abdul) é um belo filme, com uma direção de arte impecável. E faz uma bela ponte entre humor, história, mas também não deixa de lado o racismo que imperava, e impera. Judi Dench está ótima, assim como seu parceiro em cena, Ali Fazal. O roteiro adaptado por Lee Hall (Billy Elliott e Cavalo de Guerra) é baseado em livro de Shrabani Basu, que teve como fonte os diários do verdadeiro Abdul (descobertos em 2010).
Duração: 1h52min
Cotação: bom
Chico Izidro
"Históriade de Amor Que Não Pertencem a Este Mundo" (Amori Che Non Sanno Stare al Mondo)
Claudia e Flavio são professores universitários e se conheceram durante uma palestra, onde ela decidiu intervir na exposição dele. A antipatia se transformou em amor momentos depois, quando saíram e foram almoçar. E ela confessou amâ-lo incondicionalmente. Mas o relacionamento deles nunca foi fácil. É o que conta a diretora italiana Francesca Comencini em "Histórias De Amor Que Não Pertencem A Este Mundo (Amori Che Non Sanno Stare Al Mondo), no que pode ser considerado uma comédia romântica.
Claudia (Lucia Mascino) é só intensidade, enquanto que Flavio (Thomas Trabacchi) é mais frio. Ela, por exemplo, se desespera ao saber que ele não deseja ser pai. E decide pular fora do relacionamento, para cinco minutos depois querer reatar! A trama é bem italiana, com muito histrionismo e absurdos, e também com muita ironia e romantismo presente.
A atuação de Lucia Mascino é visceral, e ela vive com intensidade o papel da professora quase cinquentona e desesperada por amor. Sua performance é impressionante, engrandecendo uma história a qual todos nós estamos sujeitos a passar na vida.
Duração: 1h32min
Cotação: bom
Chico Izidro
"Uma Razão Para Viver" (Breathe)
Este é o filme de estreia como diretor de Andy Serkis - conhecido por fazer papeis digitais em "Senhor dos Anéis" e "Planeta dos Macacos": "Uma Razão Para Viver" (Breathe), cujo título brasileiro já é um equívoco, pois o personagem principal, Robin Cavendish, passa boa parte do tempo querendo morrer.
Vamos lá: o filme foi realizado graças ao produtor Jonathan Cavendish, que quis homenagear seus pais, que viveram um forte drama humano. Ou seja, a trama é baseada em fatos reais. E ela narra a história do comerciante inglês Robin Cavendish (Andrew Garfield), que durante uma estadia na África no final dos anos 1950 acaba contraindo pólio, ficando paralisado do pescoço para baixo, ou seja, tetraplégico. À época, a medicina ainda não era tão avançada e o prognóstico era o de poucos meses de vida.
No início, Robin ficou internado em um hospital e perdeu até a voz. E só respirava graças a um respirador artificial. Seu desejo era o de morrer. Mas ele tinha ao lado uma bela mulher, linda Diana (Claire Foy, a rainha de “The crown”), que estava grávida exatamente de Jonathan.Com muita persistência e contra todas as perspectivas, Robin foi sobrevivendo e até criou uma cadeira de rodas para se locomover além de sua cama - o invento acabou ajudando muitas outras vítimas do mesmo infortúnio.
A história é inspiradora, mas tudo parece tão clean. Apesar da intenção de morrer de Robin, não existem conflitos maiores. Todo mundo vive feliz, com um sorriso nos lábios. Porém Serkis fugiu de uma armadilha comum a este tipo de filme: ele não apela para o choro fácil do espectador. Já é uma boa coisa.
Duração: 1h57min
Cotação: bom
Chico Izidro
quinta-feira, novembro 09, 2017
"Terra Selvagem" (Wind River)
O roteirista dos ótimos “Sicário” (dirigido por Denis Villeneuve em 2015) e “A Qualquer Custo” (de David Mackenzie e indicado a quatro Oscars no ano passado), Taylor Sheridan dirige pela primeira vez um filme, o excelente “Terra selvagem” (Wind River), cujo roteiro também é seu. E assim como em suas obras anteriores, Sheridan apresenta grande influência dos faroestes, mas dando uma aura atual ao gênero. E ao contrário de antigamente, quando os índios ou nativos americanos, eram tratados como vilões, aqui é mostrado o descaso em que eles são tratados.
A trama gira em torno do guarda florestal Cory Lambert ((Jeremy Renner), depressivo por ter perdido uma filha adolescente. Ao encontrar o corpo de outra adolescente congelado – uma amiga de sua filha falecida –, ele decide tentar encontrar os responsáveis pelo assassinato. Em sua busca, Lambert recebe o apoio de Jane Banner (Elizabeth Olsen, de Capitão América: Guerra Civil), uma inexperiente agente do FBI que é designada para acompanhar o caso. A dupla apresenta uma excelente química, e Sheridan teve o cuidado, acertado, de não estragar a história, inventando um romance entre eles.
Já a tal terra selvagem do título são as vastas planícies cobertas de neve em que os protagonistas são obrigados a trabalhar. Neve e mais neve - logo no começo Jane chega só de camisetinha e é avisada de que não sobreviverá as intempéries apenas com aquilo. Os momentos finais são excepcionais, com aqueles tiroteios clássicos, onde ninguém está imune a levar uma bala na cabeça ou no peito. Enfim, um baita faroeste moderno.
Duração: 1h48min
Cotação: excelente
Chico Izidro
"O Outro Lado da Esperança" (Toivon tuolla puolen)
A comédia "O Outro Lado da Esperança" (Toivon tuolla puolen), do finlandês Aki Kaurismäki, mostra um pouco da situação em que vivem os imigrantes dos países wem conflitos. No caso deste filme, seguimos os passos do sírio Khaled (Sherwan Haji), que fugiu da guerra em seu país. Ele pega um navio qualquer e acaba parando na fria Helsinki, na Finlândia. Ali recebe a dica de se apresentar a um posto policial e pedir asilo político.
Mas as coisas não são fáceis para um muçulmano - que é visto com ressalvas pelos ocidentais. Afinal, existe o estereótipo de que todo seguidor de Alá é um terrorista em potencial. E enquanto espera pelo asilo, Khaled acaba caindo nas graças do dono de um restaurante à beira da falência, Wisktröm (Sakari Kuosmanen), que mesmo assim aceita empregá-lo.
A vida de Khaled se transforma, seja por bem ou por mal. Sua grande preocupação é encontrar a irmã, que havia fugido da Síria com ele, mas acabou se perdendo durante a longa viagem do Oriente Médio. Outro problema, e isso é muito comum, é a perseguição que acaba sofrendo de um grupo de neonazistas, que de forma alguma aceitam pessoas como ele no país.
O cineasta Aki Kaurismäki já havia tratado da questão dos refugiados em outro longa, o excelente "O Porto", que se passa na França, e quase que neste novo filme se repete, com um nativo acolhendo uma pessoa de outra terra. Enfim, obras que servem para debates, pois são atuais ao extremo.
Duração: 1h38min
Cotação: ótimo
Chico Izidro
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