quinta-feira, novembro 23, 2017

"Boneco de Neve" (The Snowman)



"Boneco de Neve" (The Snowman), dirigido por Tomas Alfredson, é um filme sobre serial killer baseado no livro homônimo de Jo NesbØ. O protagonista da trama é o detetive Harry Hole (Michael Fassbender, de “Assassin’s Creed”), aquele tipo largado, alcoólatra, onde tudo na vida parece estra desmoronando - tanto que volta e meia ele acorda em algum lugar desconhecido, sem ter a mínima noção de como foi parar lá.E ele acaba sendo o responsável por perseguir um serial killer que sequestra mulheres. E o modus operandi dele é o mesmo: são mulheres casadas e com filhos. E sua registrada é deixar um boneco de neve no local do crime.

Toda a história transcorre na gélida Oslo, na Noruega, uma cidade com baixo índice de criminalidade. E onde o frio e a neve estão presentes o tempo todo. Harry tem como parceira nas investigações a certinha e determinada Katrine (Rebecca Ferguson). Além de perseguir o assassino, o detetive ainda tenta servir como pai para o filho da ex-namorada Rakel (Charlotte Gainsbourg), mas sempre fracassando. Enfim, o estereótipo do detetive clássico - azarado, bêbado, mas extremamente experto. Já o serial killer, que pode ser identificado em sua primeira aparição, mas não darei spoiler aqui, é aquele com um passado de amargura, de frustração.

"Boneco de Neve" está repleto de atores conhecidos, como Chloë Sevigny, J. K. Simmons, James d'Arcy e um detonado Val Kilmer, que abusou do botox, ficando com o rosto completamente deformado. E lembrando muito o Kiko, do seriado Chaves. O filme tem um roteiro muito bem elaborado, deixando o suspense sempre presente no ar. E para quem gosta de mortes violentas, é um prato cheio. Pena que o final seja apressado e uma solução broxante, onde o serial killer, de esperto, se mostra um verdadeiro idiota. Pena.

Duração: 1h59min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Câmara de Espelhos"



O documentário “Câmera de Espelhos”, da cineasta pernambucana Dea Ferraz, de “Sete Corações” (2015) e “Alumia” (2009), quer mostrar a visão dos homens sobre as mulheres. Como vêem a mulher? O que pensam e como olham para elas? Quem são as mulheres em um mundo de homens? A diretora reuniu 14 homens, de todas as partes de Recife, cooptados através de um anúncio de jornal. E os deixou, divididos em dois grupos e colocados em uma sala. Ali, eles batem um bate-papo informal que remete a uma mesa de bar tipicamente masculina, também com suas regras e formatos discursos pré-estabelecidos.

Dea Ferraz nunca se mostra presente, deixando os homens à vontade. E eles soltam o verbo, com pensamentos sobre sexo, aborto, casamento, fidelidade, infidelidade, amor e até violência. E muitas das ideias beiram o conservadorismo. Um deles, um pastor, chega a afirmar que a lógica é "primeiro deus, depois o homem e então enfim a mulher". Alguém do lado debocha: "e os dinossauros, nada?".

Graças ao aspecto aberto do dispositivo, o doc. trouxe nuances e expectativas inesperadas. “Não há nenhum contato dos homens com a direção. E o fato de termos as câmeras “escondidas” – eles não sabiam a posição específica de cada câmera, mas sabiam que estavam sendo filmados – causou um deslocamento de atuação que gosto muito. Eles atuam entre si, uns para os outros, mais do que para as câmeras objetivamente”, afirmou Dea.“Não imaginei que o documentário seria tão violento. Na verdade, imaginava que seria difícil trazer à tona esse discurso naturalizado do machismo para dentro de uma sala cheia de câmeras e com o consentimento dos personagens. Mas o que vi e vivi foi brutal”, finaliza.

Duração: 1h16min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Por Que Vivemos" (Nazeikiru: Nennyo Shounin to Yozaki Enjou)



A animação "Por Que Vivemos" (Nazeikiru: Nennyo Shounin to Yozaki Enjou), dirigida por Hideaki, é inspirada em fatos do século 15, e foi originada a partir de best-seller homônimo que vendeu mais de 1 milhão de livros no Japão. O roteiro adaptado para o filme é de Kentetsu Takamori, um dos autores do livro e professor da Terra Pura (uma das formas de budismo).

O filme é para pessoas que tem religião. Caso contrário, passe longe. E quando comecei a ver já era tarde. Quase morri de tédio. A trama fala sobre a popularização do budismo no Japão há mais de 500 anos, tenddo como protagonista o camponês Ryoken, que é descrente e não valorizava a sua família, especialmente a mulher, que estava grávida. Mas após uma tragédia, o jovem passa a repensar sua visão de vida, e seguir as palavras do Mestre Rennyo (1415-1499).

"Por Que Vivemos" (Nazeikiru: Nennyo Shounin to Yozaki Enjou) é ambientado na Idade Média, mais exatamente entre um período de guerras civis no Japão. Tudo é visto sob a visão de Ryoken, que passou ele mesmo a pregar o budismo, seguindo os passos de Rennyo, que foi perseguido pelos monges guerreiros do Monte Hiei (em Kyoto) até seu exílio em Yoshizaki, na província de Fukui. Ali ele construiu um complexo de templos, destruídos por um incêndio criminoso em 1474. Apenas para religiosos.

Duração: 1h27min

Cotação: ruim
Chico Izidro

quinta-feira, novembro 16, 2017

"Liga da Justiça" (Justice League)



Apesar de ser praticamente uma continuação de "Batman vs Superman: A Origem da Justiça", "Liga da Justiça" (Justice League), direção de Zack Snyder, é praticamente um filme de iniciação. onde ameaçados pelo vilão alienígena Lobo da Estepe, Batman, que de super-poder, tem só a riqueza, como ele mesmo frisa ao ser perguntado por Flash, tem de montar uma equipe de heróis donos de poderes especiais.

Sem o Super-Homem (Henry Cavill), morto no filme anterior, Batman (Ben Affleck) chama sua nova aliada Diana Prince (Gal Gadot). Os dois tem, então de recrutar os heróis Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller) para salvar o planeta de um catastrófico fim.

Este filme é mais leve, trazendo mais humor, principalmente com as piadinhas soltadas pelo Flash, que se encaixa perfeitamente como o cômico da vez. A equipe conta também com o atormentado Ciborgue (Ray Fisher), um herói cujo drama o deixa um pouco revoltado e o mais resistente em entrar para a turma de super-heróis. Já Aquaman (Jason Momoa) recebeu nova roupagem, totalmente diferente daquela dos quadrinhos, e é um personagem extremamente sério. Mas apesar de diferentes em comportamento e pensamentos, a equipe funciona muito bem conjuntamente.

Já a motivação do vilão Lobo da Estepe é daquelas que me pergunto sempre: por que eles querem dominar o mundo se seus objetivos é destruí-lo?. Eles vão, afinal de contas, dominar o que, se nada vai sobrar? E as lutas são cansativas, repetitivas, fazendo com que o filme perca força em sua parte final, fazendo com que a audiência solte bocejos ao invés de vibrar nas batalhas. Enfim, os filmes do universo DC ainda tem muito a aprender com as HQ que as originaram.

Duração: 2h

Cotação: regular
Chico Izidro

"Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha" (Victoria and Abdul)


O diretor Stephen Frears e a excepcional atriz Judy Dench já haviam feito uma parceria impressionante no drama "Philomena", e agora voltam a acertar a mão na comédia "Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha" (Victoria and Abdul). A trama é baseada em fatos reais, e mostra a improvável amizade da Rainha Victoria (Judi Dench) e Abdul Karim (Ali Fazal), um jovem indiano muçulmano, que chega à Inglaterra no final do século XIX para entregar um prêmio a monarca em seu Jubileu de Ouro.

A Rainha Victoria, que governou o então maior império do mundo entre 1837 a 1901, já está com seus oitenta e poucos anos, e aborrecida com os rígidos costumes, aguarda apenas a hora de partir desta para melhor, quando dá de cara com o indiano Abdul (Ali Fazal). Os dois acabam se conectando imediatamente e o jovem começa a passar seus conhecimentos para a monarca - e logo é alçado a condição de professor de Victoria. Claro que a situação não agrada ao restante da corte, que decide sabotar a relação dos dois. O jeito é tentar desmascarar Abdul, que na Índia não passava de um simples escriturário em um presídio e filho de pessoas humildes. Ou seja, não teria condições de ensinar nada para a rainha.

"Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha" (Victoria and Abdul) é um belo filme, com uma direção de arte impecável. E faz uma bela ponte entre humor, história, mas também não deixa de lado o racismo que imperava, e impera. Judi Dench está ótima, assim como seu parceiro em cena, Ali Fazal. O roteiro adaptado por Lee Hall (Billy Elliott e Cavalo de Guerra) é baseado em livro de Shrabani Basu, que teve como fonte os diários do verdadeiro Abdul (descobertos em 2010).

Duração: 1h52min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Históriade de Amor Que Não Pertencem a Este Mundo" (Amori Che Non Sanno Stare al Mondo)



Claudia e Flavio são professores universitários e se conheceram durante uma palestra, onde ela decidiu intervir na exposição dele. A antipatia se transformou em amor momentos depois, quando saíram e foram almoçar. E ela confessou amâ-lo incondicionalmente. Mas o relacionamento deles nunca foi fácil. É o que conta a diretora italiana Francesca Comencini em "Histórias De Amor Que Não Pertencem A Este Mundo (Amori Che Non Sanno Stare Al Mondo), no que pode ser considerado uma comédia romântica.

Claudia (Lucia Mascino) é só intensidade, enquanto que Flavio (Thomas Trabacchi) é mais frio. Ela, por exemplo, se desespera ao saber que ele não deseja ser pai. E decide pular fora do relacionamento, para cinco minutos depois querer reatar! A trama é bem italiana, com muito histrionismo e absurdos, e também com muita ironia e romantismo presente.

A atuação de Lucia Mascino é visceral, e ela vive com intensidade o papel da professora quase cinquentona e desesperada por amor. Sua performance é impressionante, engrandecendo uma história a qual todos nós estamos sujeitos a passar na vida.

Duração: 1h32min

Cotação: bom
Chico Izidro

"Uma Razão Para Viver" (Breathe)



Este é o filme de estreia como diretor de Andy Serkis - conhecido por fazer papeis digitais em "Senhor dos Anéis" e "Planeta dos Macacos": "Uma Razão Para Viver" (Breathe), cujo título brasileiro já é um equívoco, pois o personagem principal, Robin Cavendish, passa boa parte do tempo querendo morrer.

Vamos lá: o filme foi realizado graças ao produtor Jonathan Cavendish, que quis homenagear seus pais, que viveram um forte drama humano. Ou seja, a trama é baseada em fatos reais. E ela narra a história do comerciante inglês Robin Cavendish (Andrew Garfield), que durante uma estadia na África no final dos anos 1950 acaba contraindo pólio, ficando paralisado do pescoço para baixo, ou seja, tetraplégico. À época, a medicina ainda não era tão avançada e o prognóstico era o de poucos meses de vida.

No início, Robin ficou internado em um hospital e perdeu até a voz. E só respirava graças a um respirador artificial. Seu desejo era o de morrer. Mas ele tinha ao lado uma bela mulher, linda Diana (Claire Foy, a rainha de “The crown”), que estava grávida exatamente de Jonathan.Com muita persistência e contra todas as perspectivas, Robin foi sobrevivendo e até criou uma cadeira de rodas para se locomover além de sua cama - o invento acabou ajudando muitas outras vítimas do mesmo infortúnio.

A história é inspiradora, mas tudo parece tão clean. Apesar da intenção de morrer de Robin, não existem conflitos maiores. Todo mundo vive feliz, com um sorriso nos lábios. Porém Serkis fugiu de uma armadilha comum a este tipo de filme: ele não apela para o choro fácil do espectador. Já é uma boa coisa.

Duração: 1h57min

Cotação: bom
Chico Izidro

“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DO AMOR” (Practical Magic 2)

Fotos: Warner Bros. Pictures “Da Magia À Sedução: Feitiço de Amor” (Practical Magic 2) sai exatos 28 anos depois de "Da Magia à Seduçã...