sexta-feira, agosto 08, 2025

“JUNTOS” (Together)

Foto: Diamond Filmes
“JUNTOS” (Together) é o primeiro longa-metragem do diretor neozelandês Michael Shanks, conhecido pelo curta ‘Rebooted’ (2019), e inspirado em obras de cineastas como de David Cronenberg. A trama traz como protagonistas os produtores do projeto, Alison Brie e Dave Franco (irmão de James Franco), que também são um casal na vida real.
A história é sobre o casal Tim (Dave Franco) e Millie (Alison Brie), que após oito anos juntos, decidem largar a cidade grande e se mudar para um pequeno vilarejo. Ele é um músico frustrado, buscando o sucesso, apesar de já ter passado dos 30 anos, enquanto que Millie é oposto, pois amadureceu, é professora, tem seu carro próprio, emprego fixo.
Mas na pequena cidadezinha, ao fazerem um passeio pela floresta, acabam caindo em uma caverna, ficando ali por quase 24 horas. Ao saírem do buraco, suas vidas começam a ser afetadas drasticamente – algo sobrenatural na caverna invadiu os seus corpos, e o casal começa a sofrer uma transformação. Seus corpos passam a se grudar, mas eles não entendem o que está acontecendo, e começam a ficar à beira da loucura.
“Juntos” une muito bem o terror com momentos de comédia, falando sobre a união de duas pessoas que se amam e se completam – e ajuda o fato de Alison Brie e Dave Franco serem casados na vida real, pois a química é natural.
Cotação: ótimo
Duração: 1h42
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=9DlM58879hs

“A MELHOR MÃE DO MUNDO”

Foto: Galeria Distribuidora
A MELHOR MÃE DO MUNDO, dirigido por Anna Muylaert, traz à tona um tema terrível, mas realista e muito atual: a violência doméstica.
A história apresenta Gal (Shirley Cruz), uma mulher que vive da coleta de materiais recicláveis (aqui no RS a gente chama estes trabalhadores de papeleiros), mãe de dois filhos, a pré-adolescente Rihanna (Rihanna Barbosa) e o pequeno Benin (Benin Ayo), de apenas 5 anos de idade. Ela mantém um relacionamento com Leandro (Seu Jorge), um policial agressivo e dominador.
Certo dia, cansada das agressões e abusos, Gal decide fugir com os seus filhos, iniciando uma jornada pelas perigosas ruas de São Paulo, dormindo na carroça ou em praças...Gal diz para os filhos que eles estão em uma aventura especial, enquanto procura achar uma solução para os seus problemas, mas sem tentar estragar a infância de Rihanna e Benin. O objetivo é tentar chegar na casa de uma prima, em Itaquera, sabendo que Leandro está em seu encalço.
A trama até evoca o premiado, mas ruim, “A Vida É Bela” (1997), em que um pai judeu inventa uma realidade para proteger o filho do horror do campo de concentração. Em sua jornada, Gal cria aventuras, competições e brincadeiras para que os filhos não sofram por dormirem em uma calçada, não terem o que comer ou tomarem banho na fonte de uma praça.
A atuação de Shirley Cruz é poderosa, forte, transmitindo sofrimento e desespero – principalmente aos notarmos que a atriz impõe a sua personagem um tique nervoso em um dos olhos. As crianças também dão um show de fofura em suas atuações. E Seu Jorge surge cruel, manipulador, cínico.
“A Melhor Mãe do Mundo” dá o protagonismo para uma mulher, símbolo de tantas outras espalhadas por este Brasil, que sofrem com a violência de seus parceiros, a pobreza, a dificuldade de criarem sozinhas seus filhos. O filme é uma porrada de realidade.
Cotação: excelente
Duração: 106min
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=EMbuYuMeWzM

quarta-feira, agosto 06, 2025

“UMA SEXTA-FEIRA MAIS LOUCA AINDA” (Freakier Friday)

Foto: Disney Filmes
MAIS DE DUAS DÉCADAS DEPOIS, Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis voltam a se encontrar como filha e mãe que trocam de corpo em “Sexta-Feira Muito Louca Ainda” (Freakier Friday), dirigido por Nisha Ganatra, sequência de “Sexta-Feira Muito Louca” (2003).
No primeiro filme, uma ainda adolescente Lindsay Lohan vivia Anna, filha de Tess. As duas brigavam muito, e as coisas se intensificaram com o futuro casamento de Tess, viúva. Mas após comerem biscoito da sorte enfeitiçado em um restaurante chinês, trocam de corpos uma com a outra. O longa foi uma refilmagem do filme homônimo de 1976, estrelado por Barbara Harris e Jodie Foster.
Agora, Anna é uma mãe solteira da adolescente Harper (Julia Butters), e se apaixona por Eric (Manny Jacinto). Ele é pai solteiro Lily (Sophia Hammons), colega britânica de Harper, e que não consegue se ambientar em Los Angeles. E as coisas pioram quando Anna e Eric decidem se casar, para desgosto das meninas.
E o que acontece? As coisas saem dos eixos quando com Tess e Anna trocam de corpos com Lily e Harper, em um novo feitiço inesperado. Assim, as meninas e as adultas terão de se entender em corpos que não são seus, num evidente choque de gerações e crise de identidades.
A ideia é mostrar que elas devem aprender com as diferenças, e ter mais compreensão e amor.
O filme é irregular, com passagens extremamente exageradas, com os personagens fazendo caretas...e falta química entre alguns deles. Porém, ela funciona com a dupla principal – Lohan e Curtis se entendem, e parecem muito se divertir em cena. “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda” é uma sequência que resgata uma nostalgia para quem curte o filme de 2003, e encontra um novo público. Mas poderia ser menos histriônico.
Cotação: regular
Duração: 1h51
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=-uG5hzol0Bw

FILHOS (Vogter)

Foto: Mares Filmes
FILHOS (Vogter), dirigido por Gustav Möller (do filme “Culpa“, que deu origem a produção norte-americana “O Culpado”, estrelada pelo astro Jake Gyllenhaal), é uma trama que foca em trauma e busca por vingança.
A história tem como foco central a agente penitenciária Eva (a atriz dinamarquesa Sidse Babett Knudsen), que passa a enfrentar um forte dilema quando o jovem criminoso Mikkel (Sebastian Bull Sarning) é transferido para o presídio onde ela trabalha.
Eva reconhece o rapaz por algo que ele pode ter feito contra ela no passado – o roteiro segura a informação o quanto pode. E a agente, em determinado momento, chega a conversar com seu diretor, dizendo que o trabalho dela pode ser afetado, mas ela não revela o problema.
Na prisão, Eva age como uma mãe para os presos, estimulando o melhor deles, para que voltem ao convívio da sociedade. Porém, com a presença der Mikkel, ela pede para ser transferida ao bloco onde o criminoso está cumprindo pena. Eva, então, muda seu comportamento e de pessoa gentil e atenciosa, começa um jogo de gato e rato com o criminoso, torturando o jovem o quanto pode, negando privilégios para ele, como cigarros, e chega até mesmo a implantar provas falsas contra Mikkel, que responde da forma mais agressiva e repugnante possível. Mas em certo momento, Eva cria uma simpatia por ele, mas nunca sabemos se o sentimento é real ou se ela está fingindo.
Apesar de se passar em um presídio, “Filhos” não é um filme prisional, mas sim sobre relações humanas. Sendo que Sidse Babett Knudsen entrega uma performance intensa e sensacional, passando de fria para emotiva, prendendo a atenção do espectador. Filmaço.
Cotação: Excelente
Duração: 1h40
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=vhIkDyZsS9A

“ATENA”

Foto: A2 Filmes
“ATENA”, dirigido por Caco Souza ("O Faixa Preta" e "Solteira Quase Surtando"), é um thriller de suspense, que vai pegar os gaúchos pela afetividade e proximidade, visto ter sido gravado na serrana Gramado. E trazendo uma história de vingança, com a personagem Atena (Mel Lisboa), que sofreu abusos do pai na infância, e para curar seus traumas, adota a função de uma vigilante – sim, ela sai pela cidade da Serra Gaúcha caçando agressores sexuais, e atuando como uma juíza clandestina, executa os criminosos, enquanto sonha em encontrar o pai abusivo.
Mas como nenhum crime é perfeito, ela vai deixando rastros pelo caminho, e ser investigada por um policial. E também por um repórter investigativo de um jornal local, Carlos (Thiago Fragoso) acaba descobrindo as atividades vingativas da pequena empresária gramadense – Atena é dona de uma pequena butique no centro da cidade.
Através de Carlos, Atena acaba descobrindo o paradeiro de seu pai, escondido e com nova família em Montevidéu, partindo para o Uruguai, para confrontar o seu passado.
O roteiro é até bem interessante, pena que a execução seja falha, com vários furos de roteiro, outros momentos em que o espectador fala: “ops, como assim?”, tal a facilidade em que os personagens se livram de problemas ou se encontram nos momentos mais impossíveis.
Porém, apesar de seus defeitos, “Atena” é um filme necessário, para mostrar os riscos que sofrem as mulheres naquele lugar que deveria ser seu porto seguro, suas casas, e enfrentando ainda a negligência das autoridades.
“A primeira coisa é entender que o medo, a tensão, a urgência — tudo isso já tá no nosso cotidiano. No Brasil, o suspense não precisa de efeito especial, ele tá no olhar da mulher que volta pra casa à noite, olhando por cima do ombro”, disse o diretor Caco Souza. “’Atena’ flerta com a linguagem do thriller, sim, mas o que dá a cara brasileira é o que ela carrega no peito: A raiva contida, o trauma, e a coragem de transformar dor em ação”, completou.
Cotação: regular
Duração: 1h25
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=4nWq_Sq3YEo

segunda-feira, agosto 04, 2025

INICIAM EM CACHOEIRINHA FILMAGENS DE DOCUMENTÁRIO SOBRE O FUTEBOL AMADOR DA REGIÃ

Fotos: Gabriel Silveira
AS GRAVAÇÕES DO DOCUMENTÁRIO "Cancheiros da Caxuxa", que retrata a história do futebol amador de Cachoeirinha, foram iniciadas. Escrito e dirigido pelo jornalista e produtor cultural Douglas Torraca, o filme será lançado em dezembro deste ano. Iniciada em meados do mês de julho,
A obra cinematográfica, que teve suas primeiras gravações feitas em meados de julho, está sendo desenvolvida através de recursos da Lei de Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
Amante do futebol e morador da zona norte de Cachoeirinha, Torraca fala sobre os pontos que motivaram a realização do projeto.
"A ideia de produzir um documentário surgiu após conversas com um grupo de amigos sobre a forte identificação do torcedor local com a várzea. Por uma web rádio local, fomos o primeiro meio de comunicação a transmitir jogos com imagens do Cruzeiro logo que o clube se instalou no bairro próximo onde moro e começamos também a investir na cobertura do Campeonato Amador da cidade. Creio que a comunidade vai se identificar muito com a produção cinematográfica", disse o produtor, que ressaltou que um dos objetivos do projeto é mostrar a importância social que o esporte possui na vida das pessoas desde a faixa até a periferia. "Também traremos relatos de dirigentes e atletas que uniram suas forças em ações para auxiliarem às comunidades locais atingidas pelas enchentes de maio de 2024", enfatizou.
Com duração prevista de 45 minutos, "Cancheiros da Caxuxa” apresenta o cenário do futebol varzeano com relatos inéditos de personagens centrais de uma Cachoeirinha, antes de sua emancipação do município de Gravataí até os dias atuais, traçando um paralelo com o início das atividades da SEC (Sociedade Esportiva Cachoeirinha) e a chegada do Cruzeiro, primeiro time profissional da cidade. Serão mais de 20 entrevistas com ex-jogadores, dirigentes, árbitros, jornalistas e torcedores, que pertencem a este movimento esportivo e cultural que resiste há mais de 70 anos e atravessa gerações.
Além de resgatar memórias e registrar o patrimônio imaterial do esporte na cidade, o documentário acompanha histórias de superação de agremiações, de de árbitros exclusivamente do amador, ex-jogadores profissionais, com passagem pelo futebol varzeano, e um jogador jovem atuante na várzea em busca do sonho de se profissionalizar, conduzem este filme que retrata o maravilhoso universo do futebol não-profissional. "Mais do que contar uma história esportiva, Cancheiros da Caxuxa contribui para preservar a memória coletiva e valorizar o papel social do futebol amador — espaço de convivência, formação e pertencimento para centenas de jovens, famílias e comunidades de Cachoeirinha. Em um momento em que os laços comunitários precisam ser fortalecidos, o documentário se propõe como um instrumento de identidade, reflexão e orgulho local", finalizou Torraca.

sexta-feira, agosto 01, 2025

“O RITUAL” (The Ritual)

Foto: Paris Filmes
“O RITUAL”, DIRIGIDO por David Midell, é mais um filme de exorcismo, e acho que o filão está esgotado. Nada mais vai conseguir superar o genial “O Exorcista”, de 1973.
E outra coisa, apesar de esta nova história trazer em sua descrição como ter sido inspirada em um caso de exorcismo ocorrido no meio-oeste americano em 1928, vamos combinar, né, demônios não existem, são apenas invenções ou delírios da mente humana.
A narrativa gira em torno de Emma (Abigail Cowen), uma jovem que começa a manifestar comportamentos inquietantes. Ela é, então, levada para um convento, onde em meio a freiras, ficará encarcerada, até que a igreja decide pelo exorcismo – e mais um questionamento: por que os demônios sempre decidem possuir corpos femininos? Alguém me disse que os roteiristas consideram serem as mulheres seres mais fracos e por isso, passíveis mais fáceis de possessão.
Os homens chamados para realizarem o exorcismo são os padres Joseph (interpretado por Dan Stevens) e Theophilus (vivido por Al Pacino). Os dois vivendo, simultaneamente, momentos complicados de suas vidas. Um deles questiona a sua fé, enquanto o outro vive lidando com consequências surgidas de um passado conturbado.
A história, de original, não traz nada. E a insistência com fotografia escura, corpos se retorcendo, móveis se deslocando. Acho que deu.
Cotação: ruim
Duração: 1h38
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=kiZl6IiYK7c

54ª FESTIVAL DE GRAMADO DIVULGA CURADORIA E CURTAS BRASILEIROS DA MOSTRA COMPETITIVA

Foto: Divulgação Doze produções de sete estados diferentes integram a mostra competitiva de curtas-brasileiros do 54º Festival de Cinema d...